{"id":28864,"date":"2025-08-14T10:52:09","date_gmt":"2025-08-14T10:52:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/28864\/"},"modified":"2025-08-14T10:52:09","modified_gmt":"2025-08-14T10:52:09","slug":"primeiro-romance-de-bianca-santana-apolinaria-resgata-memorias-de-mulheres-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/28864\/","title":{"rendered":"Primeiro romance de Bianca Santana, &#8216;Apolin\u00e1ria&#8217; resgata mem\u00f3rias de mulheres negras"},"content":{"rendered":"<p>A escritora e jornalista Bianca Santana lan\u00e7ou o seu primeiro livro de fic\u00e7\u00e3o, Apolin\u00e1ria, que conta a hist\u00f3ria de sua av\u00f3, mulher negra, que migrou do interior da Bahia para S\u00e3o Paulo em 1946. A narrativa se desenvolve em primeira pessoa, alternando a voz da av\u00f3 com a da neta, refletindo sobre trajet\u00f3rias, mem\u00f3rias e desigualdades hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>\u201cEssa hist\u00f3ria de uma mulher, migrante, nordestina, que chegou ao Sudeste, trabalhou quase a vida toda como <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/04\/27\/informalidade-de-empregadas-domesticas-aumentou-apos-pandemia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">empregada dom\u00e9stica<\/a>, \u00e9 uma hist\u00f3ria t\u00e3o comum no Brasil. \u00c9 a hist\u00f3ria das mulheres negras, das nossas m\u00e3es, av\u00f3s, de mulheres tamb\u00e9m da minha gera\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 uma hist\u00f3ria que ainda n\u00e3o est\u00e1 suficientemente contada, principalmente na subjetividade dessas mulheres e do ponto de vista delas, como perceberam as casas onde trabalharam, as rela\u00e7\u00f5es sociais, raciais e a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Brasil\u201d, diz Santana.<\/p>\n<p>O romance tamb\u00e9m aborda marcos hist\u00f3ricos, como a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/09\/22\/ha-170-anos-lei-de-terras-oficializou-opcao-do-brasil-pelos-latifundios\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lei de Terras de 1850<\/a> e as Romarias a Bom Jesus da Lapa, que agradecia o fim da escravid\u00e3o, eventos pouco conhecidos que evidenciam a exclus\u00e3o das pessoas negras do acesso \u00e0 terra e aos direitos b\u00e1sicos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Brasil. <\/p>\n<p>\u201cConcei\u00e7\u00e3o Evaristo fala que, por muito tempo, as mulheres negras foram narradas na literatura pela pena dos homens brancos. [\u2026] Quando pensamos na Lei de Terras, n\u00e3o \u00e9 sempre que colocamos essa lei como uma <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/13\/reforma-agraria-e-reparacao-historica-diz-sem-terra-aos-135-anos-da-abolicao-da-escravidao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">lei racista no Brasil<\/a>. Isso beneficiou a elite rural, branca. [\u2026] A nossa quest\u00e3o agr\u00e1ria tem ra\u00edzes hist\u00f3ricas importantes e racistas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Autora de uma coluna no jornal Folha de S. Paulo, Bianca Santana defende a import\u00e2ncia da diversidade de vozes para compreender o Brasil. \u201cO objetivo \u00e9 contribuir. A imprensa brasileira privilegia um olhar das elites econ\u00f4micas e pol\u00edticas sobre o pa\u00eds. Ent\u00e3o quando ampliamos as nossas possibilidades de olhar para o Brasil e para o mundo, ampliamos tamb\u00e9m o nosso repert\u00f3rio e nossas possibilidades democr\u00e1ticas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Trabalho dom\u00e9stico e novos espa\u00e7os<\/p>\n<p>Bianca conecta a narrativa do livro ao seu trabalho anterior, a obra infantil Quem Limpa?, que discute a desigualdade racial e estrutural por meio do trabalho dom\u00e9stico majoritariamente realizado por mulheres negras. <\/p>\n<p>\u201cO <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/11\/mulheres-fazem-trabalho-domestico-por-9-6-horas-a-mais-que-os-homens-no-brasil-aponta-ibge\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">trabalho dom\u00e9stico<\/a> \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e3o fundante de quem n\u00f3s somos, porque no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha trabalho para as pessoas negras. [\u2026] O \u00fanico debate sobre indeniza\u00e7\u00e3o na \u00e9poca era para indenizar os propriet\u00e1rios das pessoas escravizadas. Uma coisa muito absurda. E as pessoas negras n\u00e3o tinham nenhum espa\u00e7o naquele novo momento de trabalho livre\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Diante disso, a autora celebra elei\u00e7\u00e3o da escritora <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/podcast\/brasil-de-fato-entrevista\/2025\/07\/18\/achava-que-a-abl-nao-era-um-lugar-para-nos-diz-ana-maria-goncalves-mais-nova-imortal\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ana Maria Gon\u00e7alves<\/a> para a Academia Brasileira de Letras (ABL), espa\u00e7o historicamente excludentes. \u201cSe as mulheres negras s\u00e3o 25% da popula\u00e7\u00e3o brasileira e escrevem desde o s\u00e9culo 19, como s\u00f3 agora temos uma mulher negra na ABL? [\u2026] Espero que Ana Maria Gon\u00e7alves seja a primeira de muitas mulheres negras a ocupar esse lugar de prest\u00edgio\u201d, declara.<\/p>\n<p>Para ouvir e assistir<\/p>\n<p>O jornal\u00a0Conex\u00e3o BdF\u00a0vai ao ar em duas edi\u00e7\u00f5es, de segunda a sexta-feira: a primeira \u00e0s 9h e a segunda \u00e0s 17h, na\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/radiobrasildefato.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">R\u00e1dio Brasil de Fato<\/a><\/strong>,\u00a0<strong>98.9 FM<\/strong>\u00a0na Grande S\u00e3o Paulo, com transmiss\u00e3o simult\u00e2nea tamb\u00e9m pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@brasildefato\/playlists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">YouTube do Brasil de Fato<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A escritora e jornalista Bianca Santana lan\u00e7ou o seu primeiro livro de fic\u00e7\u00e3o, Apolin\u00e1ria, que conta a hist\u00f3ria&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28865,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-28864","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28864\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}