{"id":290206,"date":"2026-03-03T05:03:45","date_gmt":"2026-03-03T05:03:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/290206\/"},"modified":"2026-03-03T05:03:45","modified_gmt":"2026-03-03T05:03:45","slug":"mosquitos-anopheles-alimentam-se-de-sangue-humano-ha-quase-dois-milhoes-de-anos-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/290206\/","title":{"rendered":"Mosquitos Anopheles alimentam-se de sangue humano h\u00e1 quase dois milh\u00f5es de anos | Doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>A prefer\u00eancia de alguns mosquitos Anopheles, incluindo os transmissores da mal\u00e1ria, pelo sangue humano pode ter surgido com a chegada dos primeiros homin\u00eddeos ao Sudeste asi\u00e1tico, h\u00e1 aproximadamente 1,8 milh\u00f5es de anos, segundo um estudo.<\/p>\n<p>Embora a prefer\u00eancia por se alimentarem de sangue humano seja pouco comum entre as 3500 esp\u00e9cies de mosquitos conhecidas, as que a possuem representam um problema, pois tornam-se vectores que disseminam agentes patog\u00e9nicos causadores de doen\u00e7as como a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/malaria\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">mal\u00e1ria<\/a>.<\/p>\n<p>Compreender quando e por que raz\u00e3o os mosquitos evolu\u00edram para se alimentarem de sangue humano pode ajudar a encontrar formas mais eficazes de os evitar.<\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o do estudo publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-35456-y\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revista Scientific Reports<\/a>, uma equipa internacional liderada por Upasana Shyamsunder Singh, da Universidade Vanderbilt (EUA), e Catherine Walton, da Universidade de Manchester (Reino Unido), sequenciou o ADN de 38 mosquitos de 11 esp\u00e9cies do grupo Leucosphyrus, dentro do g\u00e9nero  Anopheles, recolhidos entre 1992 e 2020 no Sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>As sequ\u00eancias gen\u00e9ticas, juntamente com modelos computacionais e estimativas das taxas de muta\u00e7\u00e3o do ADN, permitiram aos investigadores reconstituir a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/06\/15\/ciencia\/noticia\/cientistas-reconstituem-historia-evolutiva-disseminacao-global-malaria-ultimos-5500-anos-2093793\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">hist\u00f3ria evolutiva<\/a> do grupo de mosquitos do grupo Leucosphyrus.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Uma prefer\u00eancia surgida no Sudoeste asi\u00e1tico<\/p>\n<p>Os resultados sugerem que a prefer\u00eancia por se alimentarem de humanos surgiu neste grupo de mosquitos entre h\u00e1 2,9 e 1,6 milh\u00f5es de anos, numa regi\u00e3o conhecida como Sundal\u00e2ndia, que inclui a Pen\u00ednsula Malaia, Born\u00e9u, Samatra e Java.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, os antepassados deste grupo de mosquitos alimentavam-se de primatas n\u00e3o-humanos.<\/p>\n<p>Este per\u00edodo, segundo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-35456-y\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">o estudo<\/a>, coincide com a data mais antiga proposta para a chegada do Homo erectus \u00e0 regi\u00e3o (h\u00e1 cerca de 1,8 milh\u00f5es de anos), muito antes dos humanos modernos (entre h\u00e1 76.000 e 63.000 anos).<\/p>\n<p>Os autores acreditam que os mosquitos, que j\u00e1 picavam outros primatas arbor\u00edcolas, descobriram uma nova fonte de alimento que caminhava no solo.<\/p>\n<p>No entanto, para que os mosquitos alterassem as suas prefer\u00eancias alimentares, foram necess\u00e1rias m\u00faltiplas muta\u00e7\u00f5es nos genes respons\u00e1veis pela detec\u00e7\u00e3o do odor corporal, para que pudessem reconhecer o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/01\/18\/ciencia\/noticia\/homo-erectus-ja-adaptado-condicoes-extremas-deserto-ha-milhao-anos-2119139\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">H. erectus<\/a> como uma nova fonte de alimento.<\/p>\n<p>Contudo, para que a selec\u00e7\u00e3o natural tivesse provocado as mudan\u00e7as gen\u00e9ticas necess\u00e1rias para que o grupo de mosquitos Leucosphyrus adquirisse uma prefer\u00eancia pelo odor corporal humano, era necess\u00e1rio que houvesse uma popula\u00e7\u00e3o substancial de Homo erectus na Sundal\u00e2ndia h\u00e1 1,8 milh\u00f5es de anos, observam os autores do artigo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-35456-y\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">o estudo<\/a>, utilizando o ADN dos mosquitos modernos, fornece provas biol\u00f3gicas de que os nossos antepassados, o Homo erectus, j\u00e1 estavam presentes no Sudeste asi\u00e1tico h\u00e1 quase dois milh\u00f5es de anos \u2013 algo essencial, tendo em conta o limitado registo f\u00f3ssil desta regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A prefer\u00eancia de alguns mosquitos Anopheles, incluindo os transmissores da 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