{"id":291104,"date":"2026-03-04T00:51:10","date_gmt":"2026-03-04T00:51:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291104\/"},"modified":"2026-03-04T00:51:10","modified_gmt":"2026-03-04T00:51:10","slug":"a-china-deixou-sozinho-o-seu-maior-parceiro-no-medio-oriente-e-ainda-ninguem-percebeu-porque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291104\/","title":{"rendered":"A China deixou sozinho o seu maior parceiro no M\u00e9dio Oriente. E ainda ningu\u00e9m percebeu porqu\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>\t                Apesar de ser dos pa\u00edses mais afetados pelos ataques ao Ir\u00e3o, a China mant\u00e9m-se \u00e0 margem do conflito no M\u00e9dio Oriente. Cautela ou desinteresse?<\/p>\n<p>No meio do conflito entre EUA, Israel e Ir\u00e3o, h\u00e1 um ator que parece particularmente &#8220;cauteloso&#8221; nas suas declara\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es. A China sempre assumiu posi\u00e7\u00f5es &#8220;amb\u00edguas&#8221; e contidas nos conflitos mundiais, lembra Jorge Tavares da Silva, professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, mas entretanto surgiu esta ter\u00e7a-feira um comunicado que sugere, no entender do professor, a inten\u00e7\u00e3o de Pequim de um maior envolvimento no que est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p>Enquanto os EUA e Israel atacavam o Ir\u00e3o, o parceiro mais pr\u00f3ximo da China no M\u00e9dio Oriente, anunciando a morte do\u00a0<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/aiatola-ali-khamenei\/corpo-encontrado-israel-afirma-que-o-lider-supremo-do-irao-esta-morto\/20260228\/69a34671d34edcee7c615259\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">aiatola Ali Khamenei<\/a>\u00a0e apelando aos iranianos para <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/irao\/eua\/trump-pediu-ao-povo-iraniano-para-acabar-o-trabalho-mas-abre-o-risco-de-este-regime-autoritario-ser-substituido-por-outro-ainda-mais-duro\/20260301\/69a33c2bd34e28842c813306\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">&#8220;acabarem o trabalho&#8221;,<\/a>\u00a0Pequim respondeu com duras cr\u00edticas, condenando os ataques e apelando \u00e0 conten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o indo al\u00e9m disso.<\/p>\n<p>Esta ter\u00e7a-feira, por\u00e9m, o ministro chin\u00eas dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Wang Yi, deixou claro, num comunicado emitido logo ap\u00f3s um telefonema com o hom\u00f3logo iraniano, que Pequim\u00a0vai apoiar a defesa da soberania, da seguran\u00e7a e da integridade territorial do Ir\u00e3o. Jorge Tavares da Silva, especialista em estudos asi\u00e1ticos, considera que esta declara\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o est\u00e1 no mesmo grau&#8221; das interven\u00e7\u00f5es anteriores, mais cautelosas.<\/p>\n<p>Neste comunicado, a China &#8220;predisp\u00f5e-se, de uma maneira muito aberta, a apoiar o Ir\u00e3o neste conflito&#8221;, conclui Jorge Tavares da Silva. &#8220;N\u00e3o sabemos com que meios, mas poder\u00e1 ser, por exemplo, n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m do ponto de vista tecnol\u00f3gico &#8211; suporte log\u00edstico, equipamentos, know-how&#8221;, aventa o professor.<\/p>\n<p>O que \u00e9 certo, para o especialista em assuntos asi\u00e1ticos, com base neste comunicado, \u00e9 que a China &#8220;parece mesmo disposta a apoiar com equipamento, de forma clara, a soberania do Ir\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Isto porque este conflito assume particular import\u00e2ncia para Pequim, nomeadamente pelos seus interesses econ\u00f3micos na regi\u00e3o. Basta lembrar que a China <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/precos-combustiveis\/petroleo\/achava-que-os-precos-dos-combustiveis-iam-esperar-esqueca-ja-subiram\/20260303\/69a6483ed34edcee7c616619\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u00e9 o maior comprador de petr\u00f3leo iraniano<\/a>, sendo, por isso, dos pa\u00edses mais afetados pelo <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/irao\/estreito-de-ormuz\/cada-transporte-maritimo-vai-demorar-mais-15-a-20-dias-e-assim-que-se-evita-o-estreito-de-ormuz-e-quem-paga-e-o-consumidor\/20260303\/69a5887ed34edcee7c615ef8\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">encerramento do Estreito de Ormuz<\/a>, uma das principais vias energ\u00e9ticas e comerciais de todo o mundo.<\/p>\n<p>Mas este argumento n\u00e3o convence Lu\u00eds Mah, professor de Estudos Internacionais, que acredita que a China &#8220;vai encontrar outras solu\u00e7\u00f5es&#8221; para contornar as consequ\u00eancias econ\u00f3micas deste conflito, procurando outros fornecedores de petr\u00f3leo bruto. &#8220;Poder\u00e1 recorrer \u00e0 R\u00fassia&#8221;, sugere o tamb\u00e9m especialista em assuntos asi\u00e1ticos, salientando que Pequim n\u00e3o s\u00f3 &#8220;tem vindo a procurar uma forma de n\u00e3o ficar dependente energeticamente de nenhum lado&#8221; como tamb\u00e9m &#8220;depende cada vez menos dos combust\u00edveis para a sua economia&#8221;.<\/p>\n<p>Por outro lado, acrescenta Lu\u00eds Mah, a China tem de gerir este conflito de modo a n\u00e3o colocar em causa as restantes parcerias no Golfo P\u00e9rsico. Ali\u00e1s, no telefonema com o hom\u00f3logo iraniano, Abbas Araqchi, o ministro chin\u00eas dos Neg\u00f3cios Estrangeiros fez quest\u00e3o de sublinhar que Teer\u00e3o deve atender \u00e0s &#8220;preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas dos seus vizinhos&#8221;, v\u00e1rios dos quais\u00a0<a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/videos\/o-momento-em-que-um-drone-atinge-um-hotel-de-luxo-no-dubai\/69a49f2f0cf21fcd8376c812\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">foram alvo de ataques iranianos<\/a>, como retalia\u00e7\u00e3o aos ataques dos EUA e Israel.<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja, a China n\u00e3o pode estar s\u00f3 do lado do Ir\u00e3o&#8221;, argumenta Lu\u00eds Mah, acrescentando que Pequim tem de &#8220;encontrar um equil\u00edbrio&#8221; para defender igualmente a soberania dos outros pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>&#8220;A China n\u00e3o se vai envolver num conflito que n\u00e3o \u00e9 seu&#8221; <\/p>\n<p>Segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.economist.com\/china\/2026\/03\/02\/chinas-ice-cold-calculus-over-iran\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Economist<\/a>, a realidade \u00e9 que &#8220;a China n\u00e3o precisa do Ir\u00e3o da mesma forma que o Ir\u00e3o precisa da China&#8221;. Al\u00e9m de importar mais de 80% das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo bruto iraniano, Pequim tamb\u00e9m vendeu recentemente tecnologia vital \u00e0 Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3o, incluindo ferramentas de vigil\u00e2ncia digital, que o regime usou para reprimir os protestos que eclodiram recentemente em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds, refere o jornal.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, acresce que a China fez relativamente poucos investimentos diretos no Ir\u00e3o, apesar de ter prometido o contr\u00e1rio, no \u00e2mbito do acordo de coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de 25 anos firmado entre os dois pa\u00edses. &#8220;A China comprometeu-se a investir 400 mil milh\u00f5es no pa\u00eds, mas de facto os dados que temos s\u00e3o 3 mil milh\u00f5es. Ou seja, essa coopera\u00e7\u00e3o nem parece ter avan\u00e7ado muito&#8221;, observa Lu\u00eds Mah.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, no entender do professor de Estudos Internacionais, o papel de Pequim neste conflito &#8220;n\u00e3o vai ser mais do que isto&#8221; de &#8220;mediar, moderar e tentar acalmar a situa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00a0China n\u00e3o se vai envolver num conflito que n\u00e3o \u00e9 seu.\u00a0At\u00e9 lhe interessa manter-se distante deste conflito, porque, mantendo-se quieta, quem vai sair mal deste conflito s\u00e3o os Estados Unidos e Israel em termos internacionais&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Embora antecipe que a China pode &#8220;encontrar alternativas&#8221; para o abastecimento energ\u00e9tico, Jorge Tavares da Silva admite que uma eventual &#8220;amea\u00e7a&#8221; \u00e0 economia chinesa seria motivo para levar Xi Jinping a &#8220;reagir&#8221;, n\u00e3o colocando &#8220;fora de hip\u00f3tese um maior envolvimento da China neste conflito&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esse \u00e9 um risco de qualquer conflito. Por isso \u00e9 que as guerras s\u00e3o todas de evitar. Deve-se procurar sempre solu\u00e7\u00f5es de paz e diplomacia. Quando isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, enfim, n\u00f3s n\u00e3o sabemos as consequ\u00eancias. Portanto, a possibilidade de alastramento [do conflito] est\u00e1 a\u00ed. Est\u00e1 a\u00ed e pode acontecer&#8221;, prenuncia Jorge Tavares da Silva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apesar de ser dos pa\u00edses mais afetados pelos ataques ao Ir\u00e3o, a China mant\u00e9m-se \u00e0 margem do conflito&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":291105,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,358,37674,52574,607,608,333,832,604,135,610,476,413,15,16,301,830,52573,14,5453,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65,7719],"class_list":["post-291104","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-china","tag-china-eua","tag-china-irao","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-eua","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-guerra","tag-guerra-no-irao","tag-headlines","tag-irao","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews","tag-xi-jinping"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=291104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291104\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/291105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=291104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=291104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=291104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}