{"id":291482,"date":"2026-03-04T11:15:10","date_gmt":"2026-03-04T11:15:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291482\/"},"modified":"2026-03-04T11:15:10","modified_gmt":"2026-03-04T11:15:10","slug":"amanha-putin-faz-o-que-lhe-apetece-e-nos-nao-podemos-dizer-nada-ataques-de-eua-e-israel-ao-irao-abriram-um-precedente-gravissimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291482\/","title":{"rendered":"Amanh\u00e3 Putin faz o que lhe apetece e n\u00f3s n\u00e3o podemos dizer nada&#8221;. Ataques de EUA e Israel ao Ir\u00e3o abriram um precedente &#8220;grav\u00edssimo"},"content":{"rendered":"<p>\t                A antecipar a queda do regime &#8220;maligno&#8221; iraniano, a Europa arrisca-se a &#8220;compactuar&#8221; com uma viola\u00e7\u00e3o do Direito Internacional semelhante \u00e0 da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia. Perante isso, a despreocupa\u00e7\u00e3o europeia n\u00e3o s\u00f3 torna a &#8220;viola\u00e7\u00e3o&#8221; de Putin &#8220;menos gravosa&#8221;, como a transforma em apenas &#8220;mais uma&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 exatamente dois meses, uma opera\u00e7\u00e3o militar conduzida pelos EUA resultava na captura do antigo presidente venezuelano Nicol\u00e1s Maduro. Este s\u00e1bado, o mundo acordou, n\u00e3o para uma deten\u00e7\u00e3o, mas para a morte do l\u00edder supremo do Ir\u00e3o, Ali Khamenei, na sequ\u00eancia de uma vaga de ataques conjuntos de Israel e dos EUA contra Teer\u00e3o, abrindo um precedente \u201cperigos\u00edssimo\u201d para Vladimir Putin.<\/p>\n<p>\u00c9 o entendimento de Manuel Serrano, especialista da CNN Portugal em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, que teme um \u201cproblema muito s\u00e9rio\u201d, \u00e0 medida que o direito internacional parece cair aos poucos por terra.<\/p>\n<p>\u201cPodemos reconhecer que o mundo mudou, mas isso n\u00e3o significa atirar porta fora o direito internacional, porque sem regras absolutamente nenhumas isto n\u00e3o vai correr bem\u201d, alerta o tamb\u00e9m comentador da CNN Portugal.<\/p>\n<p>\u00c9 que \u201camanh\u00e3 Vladimir Putin faz o que lhe apetece e n\u00f3s n\u00e3o podemos dizer nada, porque perdemos toda a coer\u00eancia\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Francisco Pereira Coutinho, especialista em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, garante mesmo que j\u00e1 \u201cningu\u00e9m nos leva a s\u00e9rio\u201d. Perante a falta de prontid\u00e3o de v\u00e1rios pa\u00edses &#8211; incluindo Portugal &#8211; em classificar a onda de ataques contra o Ir\u00e3o como uma \u201cagress\u00e3o\u201d, \u00e9 dif\u00edcil manter a legitimidade \u201cquando denunciamos a agress\u00e3o russa, mas n\u00f3s pr\u00f3prios compactuamos com viola\u00e7\u00f5es a direitos internacionais semelhantes\u201d.<\/p>\n<p>Mas mais do que uma perda na capacidade argumentativa, a interven\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3o \u201ctorna a viola\u00e7\u00e3o do presidente russo menos gravosa\u201d, salienta o comentador da CNN Portugal.<\/p>\n<p>O incidente assinala sobretudo o momento em que a ofensiva russa deixa de ser tratada como \u201ca viola\u00e7\u00e3o\u201d, que tem vindo a ser discutida durante anos, e passa a ser apenas \u201cmais uma\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Europa &#8220;deixa de ter argumentos&#8221; contra Putin e contra Trump <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que reconhece as consequ\u00eancias positivas de uma eventual queda de um regime \u201cmaligno\u201d, Manuel Serrano condena aqueles que n\u00e3o entendem que a \u201cdestrui\u00e7\u00e3o das bases que fundamentam o nosso sistema\u201d, pode vir a trair as posi\u00e7\u00f5es futuras do velho continente.<\/p>\n<p>\u201cAmanh\u00e3 vai haver outro conflito, n\u00f3s vamos estar do outro lado, como j\u00e1 tivemos no caso da Gronel\u00e2ndia, por exemplo, ou da Ucr\u00e2nia com a R\u00fassia, e n\u00e3o vamos ter argumentos e coer\u00eancia para dizer que algu\u00e9m n\u00e3o pode fazer algo, porque o que aconteceu no outro dia em Teer\u00e3o foi o contr\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es de pot\u00eancias europeias t\u00eam contribu\u00eddo precisamente para esse processo de perda de credibilidade, afirma o especialista. \u00c9 o caso da Alemanha, que, pela voz do seu chanceler, Friedrich Merz, \u201cdisse basicamente que n\u00e3o se ia preocupar com interpreta\u00e7\u00f5es legalistas do direito internacional\u201d.<\/p>\n<p>A ideia que fica, diz, \u00e9 a de que temos de obedecer a Washington, mas se assim for \u201co que \u00e9 que vai acontecer no futuro quando Donald Trump se voltar a virar para a Gronel\u00e2ndia e disser que os fortes mandam e os fracos obedecem?\u201d<\/p>\n<p>Para Manuel Serrano o desfecho deixa de ser assim t\u00e3o dif\u00edcil de adivinhar, tendo em conta que \u201cnos pusemos numa posi\u00e7\u00e3o extremamente complicada\u201d &#8211; uma em que a Europa \u201cser\u00e1 acusada de \u2018double standards\u2019, de ter uns valores para Nuuk, uns para Kiev e outros para outros lugares do mundo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cIsto exp\u00f5e-nos a uma cr\u00edtica de dois pesos e duas medidas\u201d, completa Francisco Pereira Coutinho, reconhecendo que seremos acusados de tratar uns Estados de uma maneira e outros de outra, \u201cquando as viola\u00e7\u00f5es das regras s\u00e3o exatamente as mesmas\u201d.<\/p>\n<p>O especialista em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais lembra ainda que Portugal pode facilmente tornar-se num alvo, n\u00e3o estando livre dos \u201capetites\u201d estrangeiros: \u201cEstas regras destinam-se a proteger a soberania e a integridade territorial dos Estados, inclusive o nosso.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do precedente a n\u00edvel legal que esta guerra conjunta dos EUA e de Israel contra o Ir\u00e3o abre, as consequ\u00eancias de aceitarmos este tipo de interven\u00e7\u00f5es \u201cs\u00e3o muito complicadas a prazo\u201d. \u201cTeremos um mundo muito mais violento\u201d, avisa Francisco Pereira Coutinho, uma vez que o argumento norte-americano assenta no ato de salvar vidas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO fim destas regras do direito internacional vai provocar ainda mais morte. Vamos ter ainda mais conflitos, porque os Estados podem entender que n\u00e3o gostam de um regime e, portanto, intervir. Ao faz\u00ea-lo podem invocar a prote\u00e7\u00e3o de direitos humanos ou outra coisa qualquer, como desculpa para interven\u00e7\u00f5es militares\u201d, justifica, acrescentando que o argumento de Putin n\u00e3o se distancia muito deste.<\/p>\n<p>&#8220;Vladimir Putin interv\u00e9m para dizer que vai proteger o povo russo no Donbass, que est\u00e1 a ser oprimido. \u00c9 um argumento parecido&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A antecipar a queda do regime &#8220;maligno&#8221; iraniano, a Europa arrisca-se a &#8220;compactuar&#8221; com uma viola\u00e7\u00e3o do Direito&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":105273,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,607,608,333,832,604,135,610,476,413,445,15,16,301,830,889,14,5453,259,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,17,18,29,30,31,2415,63,64,65],"class_list":{"0":"post-291482","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-comentadores","16":"tag-costa","17":"tag-crime","18":"tag-desporto","19":"tag-direto","20":"tag-economia","21":"tag-eua","22":"tag-europa","23":"tag-featured-news","24":"tag-featurednews","25":"tag-governo","26":"tag-guerra","27":"tag-guerra-na-ucrania","28":"tag-headlines","29":"tag-irao","30":"tag-israel","31":"tag-justica","32":"tag-latest-news","33":"tag-latestnews","34":"tag-live","35":"tag-main-news","36":"tag-mainnews","37":"tag-mais-vistas","38":"tag-marcelo","39":"tag-mundo","40":"tag-negocios","41":"tag-news","42":"tag-noticias","43":"tag-noticias-principais","44":"tag-noticiasprincipais","45":"tag-opiniao","46":"tag-pais","47":"tag-politica","48":"tag-portugal","49":"tag-principais-noticias","50":"tag-principaisnoticias","51":"tag-top-stories","52":"tag-topstories","53":"tag-ultimas","54":"tag-ultimas-noticias","55":"tag-ultimasnoticias","56":"tag-vladimir-putin","57":"tag-world","58":"tag-world-news","59":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=291482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291482\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=291482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=291482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=291482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}