{"id":291636,"date":"2026-03-04T13:50:12","date_gmt":"2026-03-04T13:50:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291636\/"},"modified":"2026-03-04T13:50:12","modified_gmt":"2026-03-04T13:50:12","slug":"venda-de-medicamentos-para-obesidade-dispara-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291636\/","title":{"rendered":"Venda de medicamentos para obesidade dispara \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A venda de medicamentos para a obesidade disparou em 2025, ultrapassando meio milh\u00e3o de embalagens vendidas, quase cinco vezes mais do que em 2024, apesar de n\u00e3o serem comparticipados e poderem custar mais de 300 euros por m\u00eas.<\/p>\n<p>Segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Farm\u00e1cias (ANF), com base em informa\u00e7\u00e3o da Health Market Research (HMR), <strong>o \u201ccrescimento significativo\u201d em 2025 foi \u201cimpulsionado principalmente pela entrada do Mounjaro e do Wegovy\u201d no mercado em Portugal<\/strong>.<\/p>\n<p>Os dados divulgados \u00e0 ag\u00eancia Lusa, a prop\u00f3sito do Dia Mundial da Obesidade, hoje assinalado, mostram uma procura crescente por estes f\u00e1rmacos desde 2019, ano em que foram vendidas 45.787 embalagens em 2019, at\u00e9 chegar \u00e0s 572.256 em 2025.<\/p>\n<p>Em 2020 foram vendidas 46.500 (+1,6%) embalagens, n\u00famero que subiu para 55.173 (+18,7%) em 2021, 60.259 (+9,2%) em 2022, 82.513 (+36,9%) em 2023, 119.588 (+44,9%) em 2024 e alcan\u00e7ou 572.256 (+378,5%) no ano passado.<\/p>\n<p>Atualmente, est\u00e3o dispon\u00edveis no mercado em Portugal, para o tratamento da obesidade, medicamentos contendo Orlistato, Mysimba (bupropiom + naltrexona), Saxenda (liraglutido), Wegovy (semaglutido) e Mounjaro (tirzepatida).<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Farm\u00e1cias ressalva que o Mounjaro possui indica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas para a diabetes mellitus tipo 2 e controlo de peso.<\/p>\n<p><strong>A comparticipa\u00e7\u00e3o destes f\u00e1rmacos tem sido reivindicada por especialistas, m\u00e9dicos e associa\u00e7\u00f5es de doentes<\/strong>, que defendem a sua import\u00e2ncia no combate \u00e0 obesidade.<\/p>\n<p>Outra das estrat\u00e9gias de tratamento \u00e9 a cirurgia bari\u00e1trica\/metab\u00f3lica, cuja atividade aumentou no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade em 2025.<\/p>\n<p>Segundo dados da Dire\u00e7\u00e3o Executiva do SNS, foram realizadas, em 2025, 4.005 cirurgias, mais 312 do que em 2024 (3.693) e mais 581 comparativamente a 2023 (3.424).<\/p>\n<p>O tempo m\u00e9dio de espera para cirurgia foi de 4,75 meses, referem os dados, segundo os quais, no final de 2025, 1.811 doentes estavam na lista de inscritos para cirurgia.<\/p>\n<p>A lei estabelece que as cirurgias de prioridade normal devem ser realizadas num prazo m\u00e1ximo de seis meses (180 dias).<\/p>\n<p>Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa, a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, afirmou que \u201cos centros de tratamento cir\u00fargico de obesidade est\u00e3o a funcionar cada vez melhor\u201d, mas a procura continua muito elevada.<\/p>\n<p>Exemplificou que no centro onde trabalha, na ULS S\u00e3o Jo\u00e3o, s\u00e3o operados cerca de mil doentes por ano, mas a lista de espera \u00e9 grande, porque h\u00e1 \u201cmuitos, muitos doentes a precisar de uma solu\u00e7\u00e3o cir\u00fargica\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, explicou a endocrinologista, muitos deles precisam de tratamento farmacol\u00f3gico antes e depois da cirurgia.<\/p>\n<p>A especialista refor\u00e7ou que \u201ca obesidade \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, muito complexa\u201d, em que os doentes ao longo da vida v\u00e3o precisar de todas as estrat\u00e9gias dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cFelizmente, temos agora boas estrat\u00e9gias e esperamos ter ainda melhores no futuro\u201d, com a evolu\u00e7\u00e3o da cirurgia e dos f\u00e1rmacos, disse Paula Freitas, defendendo que s\u00e3o necess\u00e1rias \u201cmuitas ferramentas para tentar tratar esta patologia t\u00e3o grave e que causa tanta morte\u201d.<\/p>\n<p>Sobre os novos f\u00e1rmacos, a especialista disse que \u201cs\u00e3o muito eficazes\u201d para tratar estes doentes, defendendo a import\u00e2ncia de serem comparticipados.<\/p>\n<p>Relativamente ao pre\u00e7o elevado destes medicamentos, Paula Freitas afirmou que \u201cmuitas vezes\u201d tem que se olhar para o custo como um investimento.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 verdade que para algumas pessoas h\u00e1 uma inacessibilidade completa, mas para outras, a pessoa pode pensar como um investimento que est\u00e1 a fazer em ganhos em sa\u00fade e em prolongar a sua vida\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p>A especialista admite, contudo, que a obesidade \u00e9 mais prevalente nas classes sociais mais desfavorecidas e, para muitas, n\u00e3o vai ser poss\u00edvel ter acesso.<\/p>\n<p>\u201cPor isso \u00e9 que tamb\u00e9m lutamos para que haja mais acessibilidade para os doentes que t\u00eam obesidade e que precisam, independentemente do seu \u2018status\u2019 socioecon\u00f3mico\u201d, defendeu a presidente da SPEDM.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A venda de medicamentos para a obesidade disparou em 2025, ultrapassando meio milh\u00e3o de embalagens vendidas, quase 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