{"id":291930,"date":"2026-03-04T18:47:41","date_gmt":"2026-03-04T18:47:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291930\/"},"modified":"2026-03-04T18:47:41","modified_gmt":"2026-03-04T18:47:41","slug":"em-portugal-as-mulheres-inventam-muito-e-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/291930\/","title":{"rendered":"Em Portugal, as mulheres &#8220;inventam&#8221; muito (e bem)"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Library of Congress \/ USLC<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-132952\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/8988d0c2b59b3913dffd2ec56f3004ed-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Mulheres j\u00e1 ajudavam na ind\u00fastria da II Guerra Mundial (1939)<\/p>\n<p><strong>Portugal tem uma percentagem elevada de mulheres nas equipas de inventores, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia europeia, segundo um estudo internacional que, no entanto, alerta para a \u201cfuga de talentos\u201d femininos e consequente sub-representa\u00e7\u00e3o nas descobertas patenteadas e startups.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Portugal \u00e9 o pa\u00eds europeu com maior percentagem de mulheres entre inventores.<\/strong> \u00c9 o que revela um relat\u00f3rio \u201cPromovendo as mulheres nas \u00e1reas STEM (Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica) \u2013 Uma avalia\u00e7\u00e3o baseada em dados sobre a disparidade de g\u00e9nero no ecossistema de inova\u00e7\u00e3o europeu\u201d publicado, esta ter\u00e7a-feira, pela Organiza\u00e7\u00e3o Europeia de Patentes (OEP).<\/p>\n<p>O estudo mostra que h\u00e1 cada vez mais mulheres inventoras com pedidos de patentes, mas continuam a ser uma minoria. Em Portugal, <strong>em cada 100 inventores, apenas 30 s\u00e3o mulheres (29,3%)<\/strong>.<\/p>\n<p>No entanto, <strong>na Europa, a m\u00e9dia desce para 13,8%<\/strong>.<\/p>\n<p>Portugal surge em primeiro lugar, seguido pela Espanha, numa lista de 22 pa\u00edses, em que a <strong>Alemanha, a Hungria e a \u00c1ustria aparecem nos \u00faltimos lugares<\/strong>, com taxas a rondar os 10%.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a presen\u00e7a feminina nas equipas inventivas <strong>tem crescido, mas \u201cmuito lentamente\u201d, defende Cristina Margarido<\/strong>, examinadora de patentes da OEP.<\/p>\n<p>\u201cFuga de talentos\u201d femininos<\/p>\n<p>O estudo alerta para uma \u201cfuga de talentos\u201d, j\u00e1 que h\u00e1 c<strong>ada vez mais mulheres em licenciaturas das \u00e1reas STEM que v\u00e3o desaparecendo \u00e0 medida que se avan\u00e7a na carreira<\/strong>. Entre as doutoradas, s\u00e3o poucas as investigadoras que registam patentes ou criam empresas tecnol\u00f3gicas (startups).<\/p>\n<p>\u201cEste padr\u00e3o sugere que as<strong> mulheres enfrentam barreiras cada vez mais pronunciadas ao avan\u00e7arem em carreiras<\/strong> ligadas \u00e0s STEM e impulsionadas pela tecnologia\u201d, sublinha o presidente da OEP, <strong>Ant\u00f3nio Campinos<\/strong>.<\/p>\n<p>Para Ant\u00f3nio Campinos, \u201ca Europa n\u00e3o pode dar-se ao luxo de deixar o talento \u00e0 margem\u201d, at\u00e9 porque existe um potencial de inova\u00e7\u00e3o que fica por explorar.<\/p>\n<p>Homens continuam a dominar o espa\u00e7o<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 corroborada por Cristina Margarido, que ficou surpreendida com a<strong> elevada\u00a0percentagem de startups exclusivamente masculinas<\/strong>: \u201cTemos muitos grupos mistos a fazer investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, mas depois os fundadores de empresas tecnol\u00f3gicas s\u00e3o quase todos homens\u201d.<\/p>\n<p>O estudo diz que <strong>apenas um em cada dez fundadores \u00e9 do sexo feminino<\/strong>. Tamb\u00e9m aqui Portugal e Espanha se destacam pela positiva: Em Espanha, 19,2% das startups t\u00eam mulheres entre os fundadores e em Portugal s\u00e3o 15,7%.<\/p>\n<p>Na Europa, apenas 13,5% das startups com patentes contam com, pelo menos, uma mulher fundadora. Todas as outras \u2013 mais de 85% \u2013 s\u00e3o compostas apenas por homens.<\/p>\n<p>Cristina Margarido diz que o potencial inventivo das mulheres \u00e9 compar\u00e1vel ao dos homens, mas as suas patentes t\u00eam muito menos reivindica\u00e7\u00f5es e menos cita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Cientistas premiadas e entrevistadas<\/strong> para o estudo admitiram que \u201c\u00e0 medida que v\u00e3o subindo, <strong>n\u00e3o t\u00eam quem as incentive nem quem as promova<\/strong>\u201d, contou.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta tamb\u00e9m para barreiras no momento de abrir uma empresa. A equipa que realizou o relat\u00f3rio ouviu hist\u00f3rias de mulheres que contaram que, quando andavam \u00e0 procura de financiamento, eram \u201cmuitas vezes a \u00fanica mulher na sala\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 mais prov\u00e1vel aos nove homens que ali est\u00e3o darem apoio financeiro a uma startup representada por homens com quem t\u00eam mais em comum\u201d, explicou Cristina Margarido.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em algumas \u00e1reas, como a biomedicina, as mulheres desenvolvem estudos com maior propens\u00e3o a resolver problemas ligados \u00e0s mulheres, enquanto as <strong>patentes de homens tendem a focar-se em problemas masculinos<\/strong>.<\/p>\n<p>Por isso, lembrou a porta-voz da OEP, uma <strong>equipa s\u00f3 de homens pode desenvolver um produto com um vi\u00e9s de g\u00e9nero porque h\u00e1 problemas que lhes s\u00e3o invis\u00edveis e por isso n\u00e3o os resolvem<\/strong>, porque para eles n\u00e3o existem.<\/p>\n<p>Um caso que se tornou carism\u00e1tico foi o dos bonecos usados para os testes de carros. No in\u00edcio, usavam-se apenas modelos masculinos at\u00e9 se perceber que as mulheres tinham muito mais problemas nos acidentes de autom\u00f3vel porque n\u00e3o tinham sido feitos testes com modelos femininos.<\/p>\n<p>Ainda assim, o mundo est\u00e1 em mudan\u00e7a<\/p>\n<p>Apesar de tudo, os n\u00fameros mostram que a realidade europeia tem vindo a mudar, havendo cada vez <strong>mais mulheres entre os cientistas e fundadores de startups<\/strong>.<\/p>\n<p>A cientista portuguesa <strong>Elvira Fortunato<\/strong> (ministra de ci\u00eancia, tecnologia e ensino superior, entre 2022 e 2024) disse \u00e0 Lusa notar essa evolu\u00e7\u00e3o nos corredores das universidades e nos laborat\u00f3rios, uma mudan\u00e7a agora esplanada em n\u00fameros no relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA percentagem de pedidos de patentes europeias que nomeiam pelo menos uma mulher como inventora aumentou de menos de 4% por volta de 1980, para 21,6% em 2019 e 24,1% em 2022\u201d.<\/p>\n<p>Atualmente, as mulheres est\u00e3o muito mais presentes na investiga\u00e7\u00e3o das \u00e1reas da <strong>ind\u00fastria farmac\u00eautica<\/strong> (34,9%), <strong>biotecnologia<\/strong> (34,2%) e <strong>qu\u00edmica alimentar <\/strong>(32,3%).<\/p>\n<p>Por outro lado, nas \u00e1reas das m\u00e1quinas-ferramenta (5,7%), processos b\u00e1sicos de comunica\u00e7\u00e3o (5,5%) e elementos mec\u00e2nicos (4,9%) a sua presen\u00e7a continua a ser quase residual, segundo o estudo.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1771621274_907_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a 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