{"id":292,"date":"2025-07-25T07:56:15","date_gmt":"2025-07-25T07:56:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/292\/"},"modified":"2025-07-25T07:56:15","modified_gmt":"2025-07-25T07:56:15","slug":"a-emancipacao-de-justin-bieber-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/292\/","title":{"rendered":"a emancipa\u00e7\u00e3o de Justin Bieber \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Numa discreta cidade canadiana, em pleno inverno, garantia de noites longas e temperaturas g\u00e9lidas, um mi\u00fado cambaleia em palco, estranhamente confiante. A m\u00e3e filma a cena, mas entre a c\u00e2mara tremida e a ilumina\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, a face deste jovem prod\u00edgio, contratenor de uma sagacidade precoce, permanece na sombra. A revela\u00e7\u00e3o foi repentina, apenas um ano depois, estava no est\u00fadio com Usher, o suprassumo da can\u00e7\u00e3o sensual, a encantar pr\u00e9-adolescentes com uma voz cristalina e um penteado \u00e0 tigela. Quase vinte anos findados, este nome nunca mais nos deixou: Justin Bieber.<\/p>\n<p>Aos 12 anos, Justin Drew Bieber concorria a um concurso de talentos na cidade de Stratford, a 150 km das Cataratas do Niagara. A apresenta\u00e7\u00e3o foi imaculada, de gravata e camisa para dentro, interpretou <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=csymVmm1xTw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">So Sick<\/a>, o hino R&amp;B arrebatador de Ne-yo \u2014 uma escolha no m\u00ednimo inusitada para uma crian\u00e7a branca canadiana em 2007. O v\u00eddeo foi publicado no Youtube, o agente Scooter Braun deparou-se aleatoriamente com aquela filmagem tosca, contactou de imediato a m\u00e3e e pediu ajuda a Usher para fundar a Raymond Braun Media Group, uma empresa com o \u00fanico prop\u00f3sito de gerir a carreira e editar a m\u00fasica de Justin Bieber. A aposta foi certeira: mais de 150 milh\u00f5es de discos vendidos.<\/p>\n<p>No final do ano passado, os detetives da internet revelaram que Justin Bieber j\u00e1 n\u00e3o seguia o seu agente no Instagram, o equivalente em 2025 a uma chapada de luva e um inevit\u00e1vel duelo \u00e0 pistola. Nos meses seguintes, as publica\u00e7\u00f5es da estrela pop tornaram-se err\u00e1ticas e embara\u00e7osamente genu\u00ednas \u2014 nunca \u00e9 bom quando a pessoa que, em improviso, declarou que a Anne Frank seria uma \u201cBelieber\u201d, tem acesso livre ao telem\u00f3vel. Alguma coisa acontecia no reino Bieber e neste m\u00eas de junho obtivemos uma resposta contundente: Justin e Scooter (<a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/05\/30\/toda-a-musica-que-ja-fiz-agora-pertence-me-taylor-swift-recupera-direitos-de-autor-da-sua-discografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">o mesmo com o qual Taylor Swift teve uma quez\u00edlia durante anos<\/a>) firmaram um acordo financeiro e romperam definitivamente, a via aberta para o lan\u00e7amento de SWAG, o \u00e1lbum de emancipa\u00e7\u00e3o do menino de ouro da pop.<\/p>\n<p><strong>[o \u00e1lbum \u201cSWAG\u201d para ouvir na \u00edntegra no Spotify:]<\/strong><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m foi avisado, subitamente, o s\u00e9timo \u00e1lbum de Bieber surgiu nas plataformas de streaming:\u00a0SWAG, assim mesmo, em letras garrafais, sob um fundo preto, acompanhado por uma sess\u00e3o fotogr\u00e1fica, a preto e branco, com a mulher, modelo e rainha da cosm\u00e9tica, Hailey Bieber, e o filho de um ano, em ambientes r\u00fasticos familiares, pela fot\u00f3grafa Renell Medrano, a mesma de Mr. Morale &amp; the Big Steppers, o \u00e1lbum-terapia de Kendrick Lamar saturado de traumas e queixumes. Depois do \u00e1lbum conceptual Justice, que come\u00e7a, a s\u00e9rio, com um discurso de Martin Luther King Jr., o que ter\u00edamos feito para merecer mais uma empreitada de responsabilidade social de Justin Bieber. Felizmente, SWAG n\u00e3o poderia estar mais distante de qualquer pedagogia, \u00e9 alegre e sossegado, todo mel e melismas, um regresso \u00e0quele palco discreto em Stratford, \u00e0quele mi\u00fado estranhamente confiante, logo quando ningu\u00e9m o esperava.<\/p>\n<p>A entrada de SWAG \u00e9 desorientante, ao primeiro segundo, estamos ensopados em sintetizador da d\u00e9cada de oitenta, imediatamente seguido de uma caixa de ritmos, azeiteira ao limite, agora de finais da d\u00e9cada de noventa, como se Hold Me Now\u00a0dos Thompson Twins fosse produzido por Max Martin, o mago sueco que criou a sonoridade de Britney Spears, Backstreet Boys e companhia. E n\u00e3o ficamos por aqui: Bieber canta num murm\u00fario sedutor em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ogVL5Hdh8Po\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">ALL I CAN\u00a0 TAKE<\/a>, uiva \u201cbaby, baby, baby\u201d, naquele R&amp;B do in\u00edcio do s\u00e9culo, at\u00e9 rematar com manipula\u00e7\u00f5es de voz, agora sim, mais perto de 2025, ainda na sombra de Frank Ocean.<\/p>\n<p>A curiosidade inicial \u00e9 perceber, agora emancipado, sem amarras nas can\u00e7\u00f5es, quem s\u00e3o os compositores de confian\u00e7a do renovado Bieber? Vejamos a lista de compositores de ALL I CAN\u00a0 TAKE: os compinchas Eddie Benjamin e Jackson Morgan; Carter Lang, o colaborador mais regular de SZA; Daniel Chetrit, compositor de The Weeknd ou Solange; e Tobias Jesso Jr, o homem da pianada melanc\u00f3lica e um dos compositores mais concorridos dos \u00faltimos anos \u2014 s\u00f3 em 2025 escreveu para Miley Cyrus, Haim ou Bon Iver. At\u00e9 aqui, n\u00e3o \u00e9 uma lista de colaboradores particularmente surpreendente, e sobretudo, n\u00e3o explica esta estranheza et\u00e9rea que atravessa ALL I CAN\u00a0 TAKE, e ainda, a maioria das can\u00e7\u00f5es de SWAG, um \u00e1lbum de pop orgulhosamente experimental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Numa discreta cidade canadiana, em pleno inverno, garantia de noites longas e temperaturas g\u00e9lidas, um mi\u00fado cambaleia em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":293,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[141],"tags":[315,114,115,339,149,150,32,33],"class_list":{"0":"post-292","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-musica","8":"tag-cultura","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-mu00fasica","12":"tag-music","13":"tag-musica","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/292\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}