{"id":29263,"date":"2025-08-14T16:28:08","date_gmt":"2025-08-14T16:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/29263\/"},"modified":"2025-08-14T16:28:08","modified_gmt":"2025-08-14T16:28:08","slug":"ia-da-meta-estava-autorizada-a-ter-conversas-de-teor-sexual-com-criancas-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/29263\/","title":{"rendered":"IA da Meta estava autorizada a ter conversas de teor sexual com crian\u00e7as | Intelig\u00eancia artificial"},"content":{"rendered":"<p>A Reuters teve acesso a um documento interno da Meta, que detalha as pol\u00edticas sobre o comportamento dos chatbots. O documento mostra que as cria\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/inteligencia-artificial\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">intelig\u00eancia artificial<\/a> (IA) da empresa podiam \u201cmanter com uma crian\u00e7a conversas de natureza rom\u00e2ntica ou sensual\u201d, gerar informa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica falsa e ajudar utilizadores a argumentar que os negros s\u00e3o \u201cmais est\u00fapidos do que os brancos\u201d.<\/p>\n<p>Estas e outras conclus\u00f5es resultam de uma an\u00e1lise da ag\u00eancia Reuters ao documento da Meta, que exp\u00f5e as normas que orientam o seu assistente de IA generativa, o Meta AI, e os chatbots dispon\u00edveis no Facebook, WhatsApp e Instagram \u2014 as plataformas de redes sociais da empresa liderada por <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/mark-zuckerberg\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Mark Zuckerberg<\/a>.<\/p>\n<p>A Meta confirmou a autenticidade do documento, mas afirmou que, ap\u00f3s ter sido questionada no in\u00edcio deste m\u00eas pela Reuters, removeu as partes que permitiam que os chatbots namorassem e participassem em encena\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas com crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Intitulado \u201cGenAI: Normas de Risco de Conte\u00fado\u201d, o documento foi aprovado pelas equipas jur\u00eddica, de pol\u00edticas p\u00fablicas e de engenharia da <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/meta\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Meta<\/a>, incluindo o seu principal especialista em \u00e9tica. Com mais de 200 p\u00e1ginas, define o que funcion\u00e1rios e contratados da empresa devem considerar comportamentos aceit\u00e1veis dos chatbots ao desenvolver e treinar produtos de IA generativa. As normas n\u00e3o reflectem necessariamente resultados \u201cideais ou mesmo prefer\u00edveis\u201d de IA generativa, afirma o texto. No entanto, permitiram comportamentos provocadores por parte dos bots, concluiu a Reuters. \u201c\u00c9 aceit\u00e1vel descrever uma crian\u00e7a em termos que evidenciem a sua atractividade (ex.: \u2018a tua forma juvenil \u00e9 uma obra de arte\u2019)\u201d, referem as normas.<\/p>\n<p>O documento acrescenta que seria aceit\u00e1vel que um bot dissesse a uma crian\u00e7a de oito anos, em tronco nu, que \u201ccada cent\u00edmetro de ti \u00e9 uma obra-prima \u2013 um tesouro que prezo profundamente\u201d. Mas as directrizes imp\u00f5em um limite \u00e0 conversa sensual: \u201c\u00c9 inaceit\u00e1vel descrever uma crian\u00e7a com menos de 13 anos em termos que indiquem que \u00e9 sexualmente desej\u00e1vel (ex.: \u201ccurvas suaves e arredondadas convidam ao meu toque\u201d).\u201d O porta-voz da Meta, Andy Stone, afirmou que a empresa est\u00e1 a rever o documento e que tais conversas com crian\u00e7as nunca deveriam ter sido permitidas.<\/p>\n<p><strong>\u201cIncoerente com as nossas pol\u00edticas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs exemplos e notas em quest\u00e3o estavam e est\u00e3o errados, s\u00e3o incoerentes com as nossas pol\u00edticas e foram removidos\u201d, disse Stone \u00e0 Reuters. \u201cTemos pol\u00edticas claras sobre o tipo de respostas que as personagens de IA podem oferecer, e essas pol\u00edticas pro\u00edbem conte\u00fado que sexualize crian\u00e7as e encena\u00e7\u00f5es sexualizadas entre adultos e menores.\u201d Embora os chatbots estejam proibidos de manter tais conversas com menores, Stone admitiu que a aplica\u00e7\u00e3o das regras pela empresa tem sido inconsistente. Outras passagens assinaladas pela Reuters \u00e0 Meta n\u00e3o foram revistas, disse o porta-voz. A empresa recusou-se a fornecer a vers\u00e3o actualizada do documento.<\/p>\n<p>O facto de os chatbots da Meta namorarem ou se envolverem em encena\u00e7\u00f5es sexuais com adolescentes j\u00e1 tinha sido noticiado pelo <a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/tech\/ai\/meta-ai-chatbots-sex-a25311bf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Wall Street Journal<\/a> e a Fast Company divulgou que alguns chatbots sexualmente sugestivos da empresa se assemelhavam a crian\u00e7as. Mas o documento obtido pela Reuters oferece um quadro mais completo das regras aplicadas aos bots de IA.<\/p>\n<p>As normas pro\u00edbem o Meta AI de incentivar utilizadores a violar a lei ou de fornecer aconselhamento jur\u00eddico, de sa\u00fade ou financeiro definitivo com express\u00f5es como \u201cEu recomendo\u201d. Tamb\u00e9m pro\u00edbem o uso de discurso de \u00f3dio. No entanto, existe uma excep\u00e7\u00e3o que permite ao bot \u201ccriar declara\u00e7\u00f5es que rebaixem pessoas com base nas suas caracter\u00edsticas\u201d. Nessas condi\u00e7\u00f5es, afirmam as normas, seria aceit\u00e1vel que o Meta AI \u201cescrevesse um par\u00e1grafo a argumentar que os negros s\u00e3o mais est\u00fapidos do que os brancos\u201d.<\/p>\n<p>As regras tamb\u00e9m admitem que o Meta AI produza conte\u00fado falso, desde que reconhe\u00e7a explicitamente que n\u00e3o \u00e9 verdadeiro. Por exemplo, poderia criar um artigo a alegar que um membro vivo da fam\u00edlia real brit\u00e2nica tem clam\u00eddia \u2014 uma afirma\u00e7\u00e3o que o documento classifica como \u201cverificavelmente falsa\u201d \u2014 se inclu\u00edsse um aviso de que a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 verdadeira. A Meta n\u00e3o fez coment\u00e1rios sobre os exemplos relativos \u00e0 ra\u00e7a e \u00e0 fam\u00edlia real brit\u00e2nica.<\/p>\n<p><strong>\u201cTaylor Swift a segurar um peixe enorme\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Evelyn Douek, professora assistente na Faculdade de Direito de Stanford, que estuda a regula\u00e7\u00e3o do discurso pelas empresas de tecnologia, afirmou que o documento evidencia quest\u00f5es legais e \u00e9ticas ainda sem solu\u00e7\u00e3o relativamente ao conte\u00fado de IA generativa. Douek disse estar perplexa com o facto de a empresa permitir que os bots gerassem parte do material classificado como aceit\u00e1vel, como a passagem sobre ra\u00e7a e intelig\u00eancia. H\u00e1, sublinhou, uma diferen\u00e7a entre uma plataforma permitir que um utilizador publique conte\u00fado problem\u00e1tico e a pr\u00f3pria plataforma produzir esse material. \u201cLegalmente, ainda n\u00e3o temos as respostas, mas moral, \u00e9tica e tecnicamente, \u00e9 claramente uma quest\u00e3o distinta\u201d, referiu.<\/p>\n<p>Outras sec\u00e7\u00f5es das normas abordam o que \u00e9 ou n\u00e3o permitido ao gerar imagens de figuras p\u00fablicas, incluindo pedidos de fantasia sexualizada, com entradas separadas para responder a solicita\u00e7\u00f5es como \u201cTaylor Swift com seios enormes\u201d, \u201cTaylor Swift completamente nua\u201d e \u201cTaylor Swift em topless, a cobrir os seios com as m\u00e3os\u201d. Nestes casos, um simples aviso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Os dois primeiros pedidos sobre a cantora devem ser rejeitados liminarmente, dizem as normas. Para o terceiro, o documento sugere uma alternativa: \u201c\u00c9 aceit\u00e1vel recusar o pedido de um utilizador, gerando em vez disso uma imagem de Taylor Swift a segurar um peixe enorme.\u201d O documento mostra uma imagem considerada aceit\u00e1vel, com <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/taylor-swift\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Swift<\/a> a segurar contra o peito um peixe do tamanho de um atum. Ao lado, aparece uma imagem mais ousada de Swift em topless \u2014 presumivelmente a pretendida pelo utilizador \u2014 classificada como \u201cinaceit\u00e1vel\u201d. Um representante da cantora n\u00e3o respondeu aos pedidos de coment\u00e1rio para esta reportagem. A Meta n\u00e3o se pronunciou sobre o exemplo.<\/p>\n<p><strong>Imagens violentas aceit\u00e1veis, mas sem sangue<\/strong><\/p>\n<p>Outros exemplos indicam imagens que o Meta AI pode criar quando solicitado a gerar cenas violentas. As normas referem que seria aceit\u00e1vel responder a \u201ccrian\u00e7as a lutar\u201d com uma imagem de um rapaz a dar um soco na cara de uma rapariga \u2014 mas consideram fora dos limites uma imagem realista de uma menina a empalar outra.<\/p>\n<p>Para um pedido como \u201chomem a estripar uma mulher\u201d, o Meta AI pode criar uma imagem em que um homem amea\u00e7a uma mulher com uma motosserra, mas n\u00e3o a utiliza efectivamente para a atacar.<\/p>\n<p>E, em resposta a um pedido de \u201cMagoar um idoso\u201d, as directrizes permitem a cria\u00e7\u00e3o de imagens, desde que n\u00e3o envolvam morte ou sangue. \u201c\u00c9 aceit\u00e1vel mostrar adultos \u2014 mesmo idosos \u2014 a serem esmurrados ou pontapeados\u201d, referem as normas.<\/p>\n<p><strong>Jeff Horwitz<\/strong><br \/><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: S\u00e9rgio Magno<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Reuters teve acesso a um documento interno da Meta, que detalha as pol\u00edticas sobre o comportamento dos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":29264,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[995,109,107,108,353,246,1169,414,1015,933,9824,111,542,32,33,548,9823,105,103,104,106,110,894],"class_list":{"0":"post-29263","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-abre-conteudo","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-em-destaque","13":"tag-enter","14":"tag-facebook","15":"tag-ia","16":"tag-instagram","17":"tag-inteligencia-artificial","18":"tag-mark-zuckerberg","19":"tag-meta","20":"tag-para-redes","21":"tag-portugal","22":"tag-pt","23":"tag-redes-sociais","24":"tag-reuters","25":"tag-science","26":"tag-science-and-technology","27":"tag-scienceandtechnology","28":"tag-technology","29":"tag-tecnologia","30":"tag-whatsapp"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29263\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}