{"id":29338,"date":"2025-08-14T17:32:12","date_gmt":"2025-08-14T17:32:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/29338\/"},"modified":"2025-08-14T17:32:12","modified_gmt":"2025-08-14T17:32:12","slug":"mircea-cartarescu-e-solenoide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/29338\/","title":{"rendered":"Mircea C\u0103rt\u0103rescu e \u201cSolenoide\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Volta e meia aparece algum livro espantoso. Um ou outro permanece para sempre. Transforma-se em c\u00e2none, lido por muitos ou n\u00e3o. H\u00e1 livros que chamam a aten\u00e7\u00e3o de uma cr\u00edtica especializada (seja l\u00e1 o que isso for) e s\u00e3o citados, discutidos, lidos sob os mais diversos prismas. Outros, simplesmente desaparecem. A hist\u00f3ria da literatura tamb\u00e9m est\u00e1 repleta de casos de livros que sumiram e um dia voltaram a ver a luz do sol. O mercado gosta desses casos, pois precisa disso para facilitar a propaganda. Ent\u00e3o, some um Salman Rushdie, mas aparece um Bruno Schultz. A Montana M\u00e1gica \u00e9 muito grande, ent\u00e3o vendemos M\u00e1rio e o M\u00e1gico, do mesmo autor. Bradbury passa a ser cancelado por um motivo ou outro, ent\u00e3o descobrimos um autor russo que escreveu algo parecido com Orwell, mas antes de Orwell. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sei o que ocorrer\u00e1 com Mircea C\u0103rt\u0103rescu no futuro pr\u00f3ximo ou no distante, mas sei que Solenoide \u00e9 um livro excepcional, desses que s\u00f3 surgem de tempos em tempos. Os motivos s\u00e3o variados.<\/p>\n<p>Eu deveria dizer \u201cdesses que s\u00e3o publicados\u201d, porque sabe-se l\u00e1 quantas genialidades h\u00e1 perdidas por a\u00ed e jamais editadas e publicadas.<\/p>\n<p>Ler Solenoide \u00e9 um desafio \u201cde \u00e9poca\u201d, digamos assim. No universo multitelas em que vivemos e no tipo de trabalho que a maioria das pessoas tem feito (diferentemente do daquele em que se ia para casa sem contato com o trabalho at\u00e9 o dia seguinte), ler um livro de ~800 p\u00e1ginas \u00e9 quase um feito. Por mais fluida que seja a leitura, vencer 800 p\u00e1ginas \u00e9 de se admirar mesmo. J\u00e1 escrevi aqui em algum momento sobre os coment\u00e1rios curiosos dos leitores que venceram obras longas: sentem-se realmente vencedores. N\u00e3o \u00e9 para menos. Ainda sobre essa quest\u00e3o, C\u0103rt\u0103rescu parece saber disso muito bem, fazendo com que suas personagens transitem por universos distintos assim como o leitor de hoje pode transitar de janela em janela. \u00c9 um aspecto que eu n\u00e3o perderia de vista.<\/p>\n<p>Depois, a leitura de Solenoide, a despeito da graciosa escrita e da excelente tradu\u00e7\u00e3o brasileira, exige do leitor aten\u00e7\u00e3o e certa dose de paci\u00eancia. As refer\u00eancias s\u00e3o muitas, os desvios s\u00e3o grandes, o universo \u00e9 estranho e a atmosfera oscila entre uma leve ironia e uma melancolia perturbadora. N\u00e3o \u00e9, tamb\u00e9m, um livro para qualquer leitor, em particular para o leitor pregui\u00e7oso. Ler d\u00e1 trabalho. Sempre foi assim. Talvez nesse par\u00e1grafo permitisse algum coment\u00e1rio espirituoso de Umberto Eco sobre o trabalho que o leitor tem ao ler um texto. Aqui, ter\u00e1 um ardoroso trabalho.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o escrevi neste espa\u00e7o, ainda, sobre romances enciclop\u00e9dicos, costumo dividi-los (provisoriamente, para facilitar a leitura) em tipos: a) os grandes ciclos, como Os Thibault (du Gard) e The Forsyte Saga (Galsworthy) dentre tantos outros; franceses e russos s\u00e3o pr\u00f3digos em escrever livros grandes, mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos os alem\u00e3es; b) os de linguagem (re)inventada, como Grande Sert\u00e3o: Veredas (Rosa) e Finnegans Wake (Joyce); c) os de vertigem intertextual\/interdiscursiva, como justamente Solenoide e os catataus de Thomas Pynchon e Foster Wallace ; d) outros tipos, como o Dicion\u00e1rio Kasar, quase um dicion\u00e1rio ou enciclop\u00e9dia por assim dizer. E, \u00f3bvio, v\u00e1rias obras dentre as citadas e dentre as n\u00e3o citadas juntam duas ou mais letras dessa lista mental. S\u00e3o obras que fogem ao recurso mais comum de se contar uma hist\u00f3ria, mesmo para o leitor acostumado aos desarranjos modernos da fic\u00e7\u00e3o, como o vai e vem do tempo narrativo, a mudan\u00e7a da personagem, os universos paralelos, etc. Pense em Claude Simon ou Murakami, cada um com seu m\u00e9todo. Solenoide \u00e9 uma mescla de v\u00e1rios tipos de romances enciclop\u00e9dicos. Caso o leitor se arrisque a seguir o conselho do pr\u00f3prio Mircea C\u0103rt\u0103rescu e entender Solenoide, Theodorus e Melancolia (estes dois \u00faltimos ainda n\u00e3o traduzidos para o portugu\u00eas), como uma esp\u00e9cie de trilogia sobre a \u00e9tica humana, ent\u00e3o ter\u00e1 um desafio maior, e ter\u00e1 de reservar muito do seu escasso tempo para ler o autor romeno.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o seria poss\u00edvel analisar a obra toda num espa\u00e7o t\u00e3o pequeno, gostaria de indicar alguns pontos importantes desse romance estranho: a) um bildungsroman; b) o eu como duplo; c) o eu como Outro; d) os mundos dentro do mundo; e) o macrocosmo e o microcosmo, segundo a T\u00e1bua Esmeraldina; f) a Bucareste-Bras\u00edlia, melanc\u00f3lica e sovi\u00e9tica<\/p>\n<p>Come\u00e7arei da letra \u201cf\u201d. Toda cidade \u00e9 inventada, por assim dizer, porque surge em algum vale, ao lado de um rio, no meio do deserto. Algumas passam por processos de reinven\u00e7\u00e3o, seja a Paris de Haussmann ou a Lisboa do Marqu\u00eas de Pombal. Haver\u00e1 aquelas grandiosas, como Dubai, a fantasia de algu\u00e9m muito rico. Outras, nascem de um sonho absurdo de algu\u00e9m, como Chandgarh, mas raras s\u00e3o como Bras\u00edlia \u2013 e talvez por isso mesmo C\u0103rt\u0103rescu cite tantas vezes a cidade, nem sempre de modo muito simp\u00e1tico. De fato, Bras\u00edlia nasce de um lindo projeto, o tempo passa, a cidade recebe novos detalhes \u2013 como um fungo que cresce \u2013 ganha uma haste gigante, sem as caracter\u00edsticas do projeto original, s\u00edmbolo do militarismo (eu me refiro ao mastro da bandeira), vulgar e escura, um novo est\u00e1dio, bonito, mas tamb\u00e9m fruto de uma outra forma de pensar a arquitetura, pr\u00e9dios espelhados e \u201csem arquitetura\u201d, como a cidade toda adoecesse. C\u0103rt\u0103rescu n\u00e3o fica desatento a isso. Em sua cidade, um ditador mandou construir um elefante branco, \u201cum dos maiores edif\u00edcios do mundo\u201d em tamanho, n\u00e3o altura, uma esp\u00e9cie de labirinto prepotente, que hoje \u00e9 chamado Pal\u00e1cio do Parlamento. Outros autores, como Kadar\u00e9s, tamb\u00e9m se utilizaram de pr\u00e9dios para mostrar o absurdo megaloman\u00edaco de alguns l\u00edderes: eu me refiro ao seu A Pir\u00e2mide.<\/p>\n<p>J\u00e1 a edifica\u00e7\u00e3o de Ceau\u0219escu \u00e9 t\u00e3o simb\u00f3lica para Bucareste e a Rom\u00eania, que se torna ela mesma uma fic\u00e7\u00e3o, cheia de hist\u00f3rias. Viver\u00e3o l\u00e1 muitas pessoas vivas e muitas pessoas mortas. Solenoide, a partir do nome, n\u00e3o tem a ver somente com leis f\u00edsicas ou com um material que funciona a partir de leis que a vis\u00e3o humana n\u00e3o poder ver, ele tem a ver com arquitetura. Mas n\u00e3o pensemos aqui em arquitetura como um conjunto de regras, de estilo ou de modo de pensar o ambiente. A arquitetura de Solenoide, o solenoide de C\u0103rt\u0103rescu \u00e9 aquela arquitetura dos mapas mentais m\u00edsticos, das cidades m\u00edsticas \u2013 como uma mandala pode ser \u2013 como Angkor Vat ou Teothuac\u00e1n tamb\u00e9m o s\u00e3o: cidades de pedra, gente, plantas, mas que n\u00e3o funcionam exatamente como os planos discursivos das \u00e1reas dos saberes comuns. Ou s\u00e3o heterotopias, no entendimento de Foucault, ou s\u00e3o n\u00e3o-lugares, como no entendimento de Marc Aug\u00e9, ou, esticando um pouco mais a conversa, um \u201cfatiche\u201d, no sentido proposto por Bruno Latour. Essa \u00e9 mais ou menos a Bucareste de C\u0103rt\u0103rescu&#8230; ou parte dela. N\u00e3o se pode ler Solenoide pensando em espa\u00e7os f\u00edsicos comuns. A Bras\u00edlia que ele cita n\u00e3o \u00e9 exatamente Bras\u00edlia. As personagens nunca visitaram essa cidade. A Bras\u00edlia citada \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o mental, como constru\u00e7\u00f5es mentais s\u00e3o os mapas m\u00edticos citados ao longo do livro. De todo modo, precisamos de um espa\u00e7o f\u00edsico onde colocar andando e falando as personagens de Solenoide: trata-se de uma Bucareste-Bras\u00edlia. (Para fugirmos daquele maldito e estranho lugar-comum de que tal cidade, num romance, \u00e9 tamb\u00e9m personagem, digamos que a Bucareste de C\u0103rt\u0103rescu \u00e9 como uma das cidades de Calvino, espichada at\u00e9 romper.)<\/p>\n<p>E a\u00ed, nesse espa\u00e7o, cresce a personagem que conta a hist\u00f3ria, do per\u00edodo que vai de sua concep\u00e7\u00e3o (e mesmo antes dela) at\u00e9 algum momento impreciso da hist\u00f3ria romena. Ent\u00e3o, ter\u00edamos um romance de forma\u00e7\u00e3o (item \u201ca\u201d). Ao menos, foi o que a cr\u00edtica correu a dizer ap\u00f3s o lan\u00e7amento do livro. N\u00e3o discuto isso porque a simples adjetiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o diz muita coisa. Se temos uma \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d, tamb\u00e9m temos uma forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se d\u00e1 do modo tradicional de outras obras ditas \u201cde forma\u00e7\u00e3o\u201d. Mas \u00e9 tentadora a ideia de se imaginar um romance de forma\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI, atualizado, em que dados e modos de se construir um romance (de forma\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o) s\u00e3o relidos.<\/p>\n<p>Nessa forma\u00e7\u00e3o do narrador, h\u00e1 a presen\u00e7a de um duplo (\u201cb\u201d). Essa \u201ccondi\u00e7\u00e3o\u201d da personagem (a de ter havido um g\u00eameo) pode ser lida de muitas formas, inclusive da mais comum: houve um g\u00eameo e ele n\u00e3o sobreviveu; se sobreviveu, est\u00e1 por a\u00ed. Ou pode ser lido de modos mais complexos. Diz l\u00e1 Sloterdijk: \u201ctodos os nascimentos s\u00e3o nascimentos de g\u00eameos: ningu\u00e9m vem ao mundo desacompanhado e sem escolta\u201d<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>.\u00a0 Para o fil\u00f3sofo alem\u00e3o, cada sujeito tem uma Eur\u00eddice muda a acompanh\u00e1-lo. Talvez ela v\u00e1 desaparecendo, na impossibilidade de o sujeito n\u00e3o poder voltar \u00e0 bolha primitiva, o \u00fatero materno. Essas imagens intrauterinas, de um g\u00eameo, de um mist\u00e9rio, sonhos com pais e leite materno, etc. aparecem ao longo do livro todo. S\u00e3o um mist\u00e9rio para o leitor, mas n\u00e3o menos mist\u00e9rio para o narrador. Trata-se de um mist\u00e9rio para todos. N\u00e3o haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para o que mais se aproxima no livro de uma estrutura de romance policial. Em verdade, o livro pode ser entendido como um anti-romance-policial: h\u00e1 centenas ou milhares de pistas. E n\u00e3o h\u00e1 desvendamento. \u00c9 aceitar ou jogar o livro fora.<\/p>\n<p>Esse ser que \u00e9 jogado no mundo (num \u201ca\u00ed\u201d) encontra o Outro (\u201cc\u201d), numa manifesta\u00e7\u00e3o sensacional de vozes. Longe de mim colocar em discuss\u00e3o se se trata de um romance monol\u00f3gico ou polif\u00f4nico, mas as vozes que surgem (pais, colegas de trabalho, professores \u2013 tamb\u00e9m alguns colegas de trabalho, sujeitos que seguem o narrador como um tipo de Virg\u00edlio<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> ou Beatriz, amantes, mas tamb\u00e9m livros, autores, compositores, artistas, cientistas, dentre tantos outros) v\u00e3o compondo um \u201ceu\u201d, que s\u00f3 existe porque um \u201cOutro\/outro\u201d existe. Muito interessante pensar Solenoide como um livro \u201cde caminho\u201d, em que toda uma filosofia pr\u00f3pria de vida \u00e9 constru\u00edda em movimento.<\/p>\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 apenas vozes de sujeitos, de pessoas, de seres humanos, h\u00e1 mundos dentro de mundos (\u201cd\u201d e \u201cf\u201d). Numa casa comum h\u00e1 mundos inteiros nos subsolos, nas f\u00e1bricas desativadas, h\u00e1 universos dentro de paredes e corredores, a partir de um buraco ou de uma luneta podem ser avistados mundos, distantes ou pr\u00f3ximos. Talvez o discurso m\u00edstico mais presente no livro seja a T\u00e1bua Esmeraldina, mas n\u00e3o toda ela e sim uma de suas leis: o que est\u00e1 acima \u00e9 igual ao que est\u00e1 abaixo\u201d. Essa m\u00e1xima atribu\u00edda a um Hermes Trimegisto n\u00e3o \u00e9 apenas citada, como \u00e9 exemplificada literalmente, como \u00e9 mencionada de leve. O universo dentro de uma casca de noz, o universo de uma c\u00e9lula espelhado numa gal\u00e1xia, as for\u00e7as internas e externas de um \u00e1tomo espelhadas num sistema solar, a vida dos viventes refletida na dos mortos e por a\u00ed vai. \u00c9 um romance de espelhos, portanto.<\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi em outros lugares sobre C\u0103rt\u0103rescu e j\u00e1 mencionei sua obsess\u00e3o por detalhes e exotismos. Seus livros (haja vista a colet\u00e2nea que hist\u00f3rias menores que fez surgir Nostalgia) s\u00e3o como um cat\u00e1logo infinito de objetos raros, da numism\u00e1tica \u00e0 micologia, da astrof\u00edsica \u00e0 orquidologia, etc. Gosto de pensar seus escritos como um grande gabinete de curiosidades, em que cada objeto tem uma longa hist\u00f3ria a ser narrada, ao mesmo tempo em que cada objeto ilumina o outro para um (novo) jogo de sentidos.<\/p>\n<p>Solenoide poderia ser a hist\u00f3ria da vida de um professo que nasceu e cresceu atr\u00e1s da cortina de ferro. Ponto. H\u00e1 tantas obras assim \u2013 e h\u00e1 boas obras assim. Mas C\u0103rt\u0103rescu n\u00e3o se contenta com uma literatura pequena ou f\u00e1cil. Ele \u00e9 o extremo oposto das literaturas de aeroporto, das literaturas de falso discurso identit\u00e1rio, da escrita do universo multitelas atual. E seu movimento para uma literatura complexa, visando ou n\u00e3o \u2013 eu n\u00e3o sei porque ainda n\u00e3o o entrevistei, mas quero \u2013 \u00e9 importante na atualidade. \u00c9 incr\u00edvel como tem leitores \u2013 e isso mostra um movimento tamb\u00e9m no sentido oposto: o do desejo por altas literaturas.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos modos de se abordar esse livro misterioso, e apenas indiquei alguns pontos. Ainda sobre o indiv\u00edduo jogado \u201cno a\u00ed\u201d, o mesmo Sloterdijk que citei acima diz: \u201cAo que parece, o sujeito por vir s\u00f3 pode se desenvolver integralmente, como o que ele pr\u00f3prio \u00e9, se for poss\u00edvel relacion\u00e1-lo com o substrato de uma vida paralela, que lhe esteja intimamente ligada (&#8230;)<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>\u201d. Como acessar isso \u00e9 um problema que talvez o narrador de C\u0103rt\u0103rescu tente resolver. Em seu caminho, encontrar\u00e1 maravilhamentos, que, para o leitor, poder\u00e3o parecer lis\u00e9rgicos, enlouquecidos, fantasmag\u00f3ricos, tamb\u00e9m extenuantes, confesso. Mas que seja por divers\u00e3o. Desde os universos paralelos de Murakami, fazia tempo n\u00e3o lia nada t\u00e3o instigante.<\/p>\n<p>Se Solenoide \u00e9 um livro sobre a finitude da vida, sobre o como somos pequenos diante dos mist\u00e9rios que nos envolve, ou diante dos sistemas totalit\u00e1rios, tamb\u00e9m \u00e9 um belo c\u00e2ntico para a beleza dessa mesma vida. Como disse um amigo muito perspicaz, um livro que j\u00e1 nasceu um cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> SLOTERDIJK, Peter. <strong>Esferas 1<\/strong> \u2013 Bolhas. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 O. de Almeida Marques. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 2016, p. 375. Volume 1: Microesferologia.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> O narrador remete justamente a Virg\u00edlio ao falar dos piqueteiros (p. 608 da edi\u00e7\u00e3o brasileira).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> SLOTERDIJK, Peter. <strong>Esferas 1<\/strong> \u2013 Bolhas. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 O. de Almeida Marques. S\u00e3o Paulo: Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 2016. p. 359. Volume 1: Microesferologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Volta e meia aparece algum livro espantoso. Um ou outro permanece para sempre. 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