{"id":2942,"date":"2025-07-26T20:07:08","date_gmt":"2025-07-26T20:07:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/2942\/"},"modified":"2025-07-26T20:07:08","modified_gmt":"2025-07-26T20:07:08","slug":"crise-imobiliaria-ao-contrario-o-estranho-caso-do-pais-onde-sobram-casas-e-faltam-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/2942\/","title":{"rendered":"Crise imobili\u00e1ria ao contr\u00e1rio: O estranho caso do pa\u00eds onde sobram casas e faltam pessoas"},"content":{"rendered":"<p>Num cen\u00e1rio oposto ao que se vive em grande parte do mundo desenvolvido, o Jap\u00e3o est\u00e1 a enfrentar uma crise imobili\u00e1ria inversa, marcada por uma crescente abund\u00e2ncia de casas vazias e uma queda acentuada nos pre\u00e7os das habita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com a popula\u00e7\u00e3o em r\u00e1pido envelhecimento e em constante decl\u00ednio, estima-se que 13,8% das resid\u00eancias estejam desocupadas no in\u00edcio de 2025 \u2014 o equivalente a cerca de 9 milh\u00f5es de im\u00f3veis, segundo dados do governo japon\u00eas.<\/p>\n<p>Especialistas alertam que esta tend\u00eancia est\u00e1 a transformar bairros inteiros em zonas fantasma, agravando a degrada\u00e7\u00e3o urbana, especialmente nas zonas rurais e em algumas \u00e1reas da capital, T\u00f3quio, revela o \u2018elEconomista\u2019. O Instituto de Pesquisa Nomura antecipa que, at\u00e9 2033, mais de 30% das propriedades residenciais no Jap\u00e3o estar\u00e3o desocupadas.<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno est\u00e1 diretamente ligado a fatores demogr\u00e1ficos. Desde 2010, o Jap\u00e3o perdeu quase 4 milh\u00f5es de habitantes. Em 2023, o pa\u00eds contava com 124 milh\u00f5es de residentes \u2014 menos do que h\u00e1 12 anos \u2014 e quase 30% da popula\u00e7\u00e3o tem mais de 65 anos. Por contraste, nasceram apenas 799 mil beb\u00e9s em 2023, o n\u00famero mais baixo desde que h\u00e1 registos.<\/p>\n<p>A crise atual tem ra\u00edzes profundas. Nos anos 1980, o Jap\u00e3o viveu uma bolha especulativa impulsionada por cr\u00e9dito f\u00e1cil e pol\u00edticas monet\u00e1rias expansionistas. O colapso da bolha no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 levou a d\u00e9cadas de estagna\u00e7\u00e3o e defla\u00e7\u00e3o, conhecidas como a \u201cd\u00e9cada perdida\u201d. Trinta anos depois, o pa\u00eds ainda n\u00e3o recuperou completamente. As habita\u00e7\u00f5es japonesas continuam, em m\u00e9dia, 25% mais baratas do que h\u00e1 35 anos.<\/p>\n<p>Casas desocupadas, conhecidas localmente como akiya, multiplicam-se, sobretudo em zonas rurais, mas tamb\u00e9m come\u00e7am a surgir em \u00e1reas urbanas. Os herdeiros das propriedades \u2014 frequentemente ausentes ou desinteressados \u2014 deixam-nas ao abandono. A manuten\u00e7\u00e3o ou demoli\u00e7\u00e3o acarreta poucos custos, e a baixa procura dificulta qualquer perspetiva de venda. Algumas destas casas chegam a ser colocadas no mercado por apenas 10 mil d\u00f3lares.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis vazios est\u00e1 a gerar um efeito negativo nos bairros vizinhos. Segundo o Cons\u00f3rcio Akiya do Jap\u00e3o, estima-se que os pre\u00e7os dos im\u00f3veis nas imedia\u00e7\u00f5es das casas abandonadas tenham ca\u00eddo o equivalente a 3,9 bili\u00f5es de ienes (cerca de 24,7 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares) entre 2018 e 2023.<\/p>\n<p>O governo japon\u00eas j\u00e1 implementou v\u00e1rias medidas para tentar conter o problema, incluindo subs\u00eddios para demoli\u00e7\u00f5es, incentivos fiscais, uma plataforma online gratuita para anunciar casas desocupadas e o envolvimento de empresas privadas na reconvers\u00e3o dos im\u00f3veis para fins comerciais ou tur\u00edsticos. Ainda assim, os especialistas consideram que o fen\u00f3meno poder\u00e1 agravar-se, \u00e0 medida que a popula\u00e7\u00e3o continua a encolher e a envelhecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Num cen\u00e1rio oposto ao que se vive em grande parte do mundo desenvolvido, o Jap\u00e3o est\u00e1 a enfrentar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2943,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,32,33],"class_list":{"0":"post-2942","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-portugal","12":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2942"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2942\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}