{"id":2952,"date":"2025-07-26T20:23:08","date_gmt":"2025-07-26T20:23:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/2952\/"},"modified":"2025-07-26T20:23:08","modified_gmt":"2025-07-26T20:23:08","slug":"ultraprocessados-sao-quase-19-das-calorias-diarias-no-rn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/2952\/","title":{"rendered":"Ultraprocessados s\u00e3o quase 19% das calorias di\u00e1rias no RN"},"content":{"rendered":"<p>O ritmo acelerado da vida moderna tem empurrado a popula\u00e7\u00e3o para escolhas alimentares r\u00e1pidas, pr\u00e1ticas e nem sempre saud\u00e1veis. No Rio Grande do Norte, os alimentos ultraprocessados \u2014 ricos em a\u00e7\u00facares adicionados, gorduras trans, s\u00f3dio, conservantes e outras subst\u00e2ncias sintetizadas em laborat\u00f3rio \u2014 j\u00e1 representam 18,7% do total de calorias consumidas diariamente pela popula\u00e7\u00e3o. O dado \u00e9 de um estudo do N\u00facleo de Estudos Epidemiol\u00f3gicos em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Para determinar esses percentuais, os cientistas combinaram informa\u00e7\u00f5es da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF 2017\u20132018) com dados do Censo de 2010. Embora a m\u00e9dia brasileira gire em torno de 20%, algumas cidades potiguares ultrapassam esse \u00edndice. \u00c9 o caso de Natal, onde os ultraprocessados representam 21,2% das calorias di\u00e1rias e Parnamirim 20,3%. O estudo aponta ainda que, em geral, as capitais tendem a registrar percentuais mais altos de consumo do que os demais munic\u00edpios de seus respectivos estados.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com outras regi\u00f5es do pa\u00eds, o Nordeste apresenta uma das m\u00e9dias mais baixas de consumo de ultraprocessados: apenas 14,4% das calorias di\u00e1rias v\u00eam desse tipo de alimento. Entre os estados com menor participa\u00e7\u00e3o est\u00e3o, em ordem crescente, Piau\u00ed, Maranh\u00e3o e Para\u00edba.<\/p>\n<p>Outras cidades em destaque no consumo de ultraprocessados s\u00e3o Mossor\u00f3 18,0%, Caic\u00f3 17,5% e Extremoz 17,3%. Por outro lado, os munic\u00edpios que menos consomem s\u00e3o Paran\u00e1 e Jardim de Angicos com 13,2%.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o Nova, criada para agrupar alimentos conforme seu grau de processamento industrial, divide-os em quatro grupos. Os mais saud\u00e1veis s\u00e3o os in natura, obtidos diretamente de plantas ou animais sem altera\u00e7\u00f5es. Os minimamente processados s\u00e3o os que passam por etapas como moagem, secagem ou pasteuriza\u00e7\u00e3o, sem adi\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias, como arroz e feij\u00e3o. J\u00e1 os processados recebem adi\u00e7\u00e3o de sal, a\u00e7\u00facar ou outros ingredientes para aumentar a durabilidade e o sabor, como conservas.<\/p>\n<p>De acordo com a nutricionista Leticya Almeida, os ultraprocessados s\u00e3o formula\u00e7\u00f5es industriais feitas, em grande parte, de subst\u00e2ncias extra\u00eddas ou sintetizadas, com aditivos como corantes, aromatizantes e emulsificantes. Esse tipo de alimento tem baixa densidade nutricional, ou seja, oferece pouco ou quase nenhum nutriente essencial, como vitaminas, minerais e fibras. \u201cEles apresentam alta densidade cal\u00f3rica, concentrando muitas calorias em por\u00e7\u00f5es pequenas. Isso quer dizer que em um baixo volume do alimento tem alta quantidade de calorias. Esses alimentos t\u00eam impacto direto na sa\u00fade dos indiv\u00edduos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Dados do Sistema de Vigil\u00e2ncia Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, revelam que at\u00e9 maio de 2025, 42,09% da popula\u00e7\u00e3o adulta do Rio Grande do Norte apresentava algum grau de obesidade. Conforme a pesquisa, o estado tem o segundo maior \u00edndice de obesidade entre adultos em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O aumento da ingest\u00e3o de alimentos ultraprocessados acende um alerta sobre os impactos desse padr\u00e3o alimentar na sa\u00fade p\u00fablica. \u201cO excesso pode contribuir diretamente para doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis, a exemplo da diabetes tipo 2, hipertens\u00e3o, obesidade, doen\u00e7as cardiovasculares\u201d, explica a nutricionista<\/p>\n<p>Em contrapartida, aos ultraprocessados, Almeida refor\u00e7a que os alimentos in natura ou minimamente processados s\u00e3o ricos em nutrientes essenciais, al\u00e9m de contribu\u00edrem para o fortalecimento da sa\u00fade e para a preven\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as. \u201cAlimentos in natura t\u00eam propriedades anti-inflamat\u00f3ria, antioxidante, antidiab\u00e9tica, anti-obesidade, anticancer\u00edgena\u201d, conta.<\/p>\n<p><strong>Aditivos para atrair o c\u00e9rebro<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Almeida, esses produtos s\u00e3o desenvolvidos para serem altamente atrativos ao paladar. \u201cCont\u00eam aditivos como corantes, aromatizantes, emulsificantes e estabilizantes. Esses compostos conferem cor, sabor, textura e cheiro mais intensos, tornando-os hiperpalat\u00e1veis, que \u00e9 justamente para atrair os consumidores e fazer com que eles consumam cada vez mais\u201d, disse.<\/p>\n<p>O a\u00e7\u00facar \u00e9 um ingrediente comum e muitas vezes escondido em alimentos ultraprocessados. O consumidor Gil Fran\u00e7a \u00e9 cat\u00f3lico e fez recentemente o voto de passar 40 dias sem consumir a\u00e7\u00facar. Ele aproveitou a oportunidade para adotar um estilo de vida mais saud\u00e1vel, com atividade f\u00edsica e alimenta\u00e7\u00e3o. Ele conta que seu esposo gosta muito de doces e, por isso, costuma levar guloseimas do supermercado para agrad\u00e1-lo, como biscoitos recheados. \u201cAcho que tem que existir o equil\u00edbrio, n\u00e9? Eu vivi esse amor radical, mas foi meu prop\u00f3sito mesmo\u201d, contou.<\/p>\n<p><strong>Dicas para comer mais saud\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>A principal dica \u00e9 evitar levar ultraprocessados para casa. \u201cSe esses alimentos est\u00e3o dispon\u00edveis, em um momento de fome, as pessoas acabam cedendo e consumindo\u201d, alerta. A dona de casa Maria Lourdes segue bem essa dica e evita o m\u00e1ximo produtos industrializados no carrinho. \u201c Aconselho que n\u00e3o comprem. N\u00e3o gosto quando vejo o pessoal dando salgadinho para crian\u00e7as comerem. Tem que comprar coisas que fa\u00e7am bem\u201d, disse enquanto enchia o carrinho de verduras.<\/p>\n<p>Segundo a nutricionista, \u00e9 comum que a praticidade dos ultraprocessados seduza quem tem pouco tempo dispon\u00edvel, mas ela defende que h\u00e1 alternativas vi\u00e1veis e saud\u00e1veis mesmo para as rotinas mais corridas. \u201cUma dica \u00e9 j\u00e1 deixar porcionado e cortado. Por exemplo, comprou fruta no supermercado, quando chegar, j\u00e1 higieniza e j\u00e1 deixa separado\u201d. Ela indica ainda uma op\u00e7\u00e3o de lanche saud\u00e1vel: \u201c\u00c9 s\u00f3 pegar aquela fruta que j\u00e1 est\u00e1 cortada, com iogurte e uma aveia, pronto. J\u00e1 tem uma op\u00e7\u00e3o de lanche pr\u00e1tico, saud\u00e1vel e bem rapidinho\u201d, explica.<\/p>\n<p>O r\u00f3tulo dos produtos industrializados pode ser uma importante ferramenta de avalia\u00e7\u00e3o. Ela orienta que os consumidores observem a lista de ingredientes: \u201cpor lei \u00e9 obrigat\u00f3rio que esses ingredientes sejam dispostos em ordem decrescente de quantidade, isso quer dizer que, quando a gente olha na lista de ingredientes, o que aparece primeiro quer dizer que est\u00e1 presente em maior quantidade e o \u00faltimo em menor quantidade.\u201d<\/p>\n<p>Os alimentos in natura ou minimamente processados s\u00e3o ricos em nutrientes essenciais, al\u00e9m de contribu\u00edrem para o fortalecimento da sa\u00fade e para a preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as cr\u00f4nicas. \u201cAlimentos in natura t\u00eam propriedades anti-inflamat\u00f3ria, antioxidante, antidiab\u00e9tica, anti-obesidade, anticancer\u00edgena\u201d, conclui.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Como identificar alimentos ultraprocessados<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Um dos sinais mais evidentes de que um produto \u00e9 ultraprocessado est\u00e1 na embalagem. Enquanto alimentos in natura chegam \u00e0 mesa sem r\u00f3tulos, os industrializados v\u00eam cercados de informa\u00e7\u00f5es que, quando bem interpretadas, ajudam a identificar sua composi\u00e7\u00e3o e n\u00edvel de processamento.<\/p>\n<p>A leitura da lista de ingredientes \u00e9 essencial. Produtos com muitos itens, nomes t\u00e9cnicos ou subst\u00e2ncias pouco familiares ao cotidiano dom\u00e9stico \u2014 como espessantes, emulsificantes, aromatizantes ou real\u00e7adores de sabor \u2014 s\u00e3o fortes candidatos a ultraprocessados. Esses ingredientes, muitas vezes produzidos exclusivamente para uso industrial, dificilmente seriam usados em uma cozinha comum.<\/p>\n<p>Outro ind\u00edcio importante est\u00e1 na complexidade do produto. Alimentos como salsichas, biscoitos recheados, salgadinhos e sucos em p\u00f3 s\u00e3o exemplos cl\u00e1ssicos de itens que n\u00e3o podem ser reproduzidos em casa com ingredientes simples. Isso acontece porque sua fabrica\u00e7\u00e3o depende de processos e subst\u00e2ncias que extrapolam a culin\u00e1ria convencional.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o entre ingredientes naturais e artificiais tamb\u00e9m deve ser observada. Em ultraprocessados, frutas, cereais ou leite costumam aparecer em quantidade m\u00ednima ou dilu\u00edda, apenas como atrativo comercial. O destaque, nesses casos, vai para o a\u00e7\u00facar, sal, gordura e aditivos, usados em excesso para acentuar sabor, textura e durabilidade.<\/p>\n<p>Por fim, o impacto no consumo di\u00e1rio ajuda a reconhecer esse tipo de alimento: os ultraprocessados tendem a substituir refei\u00e7\u00f5es completas ou itens nutritivos, como frutas e leite, por vers\u00f5es empobrecidas e cal\u00f3ricas. Essa substitui\u00e7\u00e3o, muitas vezes impercept\u00edvel na rotina, \u00e9 um dos maiores desafios para uma alimenta\u00e7\u00e3o realmente saud\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ritmo acelerado da vida moderna tem empurrado a popula\u00e7\u00e3o para escolhas alimentares r\u00e1pidas, pr\u00e1ticas e nem sempre&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2953,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[1937,116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-2952","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-destaques-3","9":"tag-health","10":"tag-portugal","11":"tag-pt","12":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2952\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2953"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}