{"id":295702,"date":"2026-03-07T21:53:12","date_gmt":"2026-03-07T21:53:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/295702\/"},"modified":"2026-03-07T21:53:12","modified_gmt":"2026-03-07T21:53:12","slug":"mosquitos-da-malaria-ja-picavam-homo-erectus-na-asia-07-03-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/295702\/","title":{"rendered":"Mosquitos da mal\u00e1ria j\u00e1 picavam Homo erectus na \u00c1sia &#8211; 07\/03\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A paix\u00e3o de certos mosquitos pelo sangue humano pode ter come\u00e7ado antes mesmo que o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/03\/humanos-modernos-tem-origem-de-pelo-menos-duas-populacoes-ancestrais-diz-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Homo sapiens surgisse<\/a>, ao menos no Sudeste Asi\u00e1tico, indica uma nova pesquisa. A an\u00e1lise do genoma (conjunto do DNA) de insetos da regi\u00e3o sugere que eles j\u00e1 colocavam no card\u00e1pio os fluidos corporais de humanos arcaicos da esp\u00e9cie <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/01\/homo-erectus-se-adaptou-para-viver-no-deserto.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Homo erectus<\/a> h\u00e1 quase 2 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Segundo os autores do <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-026-35456-y\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, que publicaram suas conclus\u00f5es no \u00faltimo dia 26 na revista especializada <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/srep\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Scientific Reports<\/a>, isso explicaria a variabilidade atual de mosquitos do g\u00eanero Anopheles (o dos transmissores da mal\u00e1ria) numa ampla regi\u00e3o que vai do nordeste da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/india\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00cdndia<\/a> at\u00e9 as ilhas de Sumatra, Java e Born\u00e9u, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/indonesia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Indon\u00e9sia<\/a>, passando por pa\u00edses como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/tailandia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Tail\u00e2ndia<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/vietna\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Vietn\u00e3<\/a>.<\/p>\n<p>Atualmente, essa regi\u00e3o abriga um total de 20 esp\u00e9cies do chamado grupo Anopheles leucosphyrus. Quando h\u00e1 uma grande quantidade de esp\u00e9cies proximamente aparentadas e dif\u00edceis de diferenciar, \u00e9 comum que se use um \u00fanico nome cient\u00edfico para designar o conjunto, mesmo quando cada esp\u00e9cie do grupo j\u00e1 conta com seu pr\u00f3prio nome tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Apesar das semelhan\u00e7as, os membros desse conjunto de esp\u00e9cies t\u00eam diferen\u00e7as consider\u00e1veis na sua prefer\u00eancia por presas.<\/p>\n<p>Enquanto algumas t\u00eam forte prefer\u00eancia por sangue humano e transmitem o parasita causador da mal\u00e1ria facilmente, com destaque para o An. dirus e a An. balabacensis, outras s\u00f3 se alimentam do sangue de primatas n\u00e3o humanos, como macacos, orangotangos e gib\u00f5es, e quase sempre no dossel da floresta (a camada mais alta, onde as copas das \u00e1rvores se encontram, e onde esses animais circulam). Por fim, alguns dos Anopheles da regi\u00e3o s\u00e3o menos exigentes na dieta, sugando tanto primatas peludos quanto humanos.<\/p>\n<p>Considerando a hist\u00f3ria evolutiva conjunta de pessoas e mosquitos na regi\u00e3o, seria plaus\u00edvel que a chamada antropofilia de alguns dos Anopheles \u2013a predile\u00e7\u00e3o dos bichos por sangue humano\u2013 tivesse aparecido com a<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/06\/homo-sapiens-treinou-capacidades-de-colonizador-antes-de-se-tornar-especie-global.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> expans\u00e3o global do Homo sapiens <\/a>a partir de seu ber\u00e7o africano. Esse avan\u00e7o dos seres humanos anatomicamente modernos pelo mundo chegou ao Sudeste Asi\u00e1tico com relativa rapidez, h\u00e1 uns 70 mil anos, segundo as estimativas mais recentes.<\/p>\n<p>Mas, em tese, a antropofilia dos bichos poderia ter come\u00e7ado muito antes, j\u00e1 que as primeiras expans\u00f5es de homin\u00ednios (membros do grupo mais pr\u00f3ximo dos seres humanos atuais e seus antepassados) se deram ali no m\u00ednimo com a chegada do Homo erectus, h\u00e1 1,8 milh\u00e3o de anos.<\/p>\n<p>Como \u00e9 improv\u00e1vel que algum dia se obtenha, por exemplo, DNA do parasita da mal\u00e1ria num esqueleto de H. erectus, considerando a degrada\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico com o passar do tempo, um caminho alternativo para elucidar a quest\u00e3o \u00e9 tentar reconstruir a evolu\u00e7\u00e3o dos mosquitos do grupo e ver se existe uma correla\u00e7\u00e3o com os per\u00edodos de expans\u00e3o dos homin\u00ednios.<\/p>\n<p>Foi essa a abordagem adotada pela equipe do novo estudo, liderada por Upasana Shyamsunder Singh e Catherine Walton, dupla da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de Manchester, no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/reino-unido\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Reino Unido<\/a>. As pesquisadoras e seus colegas fizeram uma an\u00e1lise comparativa do genoma de mosquitos de 13 esp\u00e9cies do g\u00eanero Anopheles, um desafio consider\u00e1vel quando se leva em conta que muitos s\u00e3o animais que vivem em \u00e1reas densas de floresta tropical, sendo, portanto, dif\u00edceis de coletar.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o dos genomas permitiu que Singh, Walton e seus colaboradores n\u00e3o apenas compreendessem melhor as rela\u00e7\u00f5es de parentesco entre as esp\u00e9cies como tamb\u00e9m estimassem as \u00e9pocas de diverg\u00eancia entre cada uma delas. Ou seja, inferiram o momento aproximado em que cada popula\u00e7\u00e3o ia se separando de seus parentes e se tornava uma esp\u00e9cie distinta.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazer essa estimativa com base no chamado rel\u00f3gio molecular. Trata-se do ritmo m\u00e9dio com que o DNA sofre muta\u00e7\u00f5es e \u00e9 transmitido \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes \u2013algo que acontece o tempo todo, em todas as esp\u00e9cies. Em tese, o n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es e o ritmo com que cada uma delas acontece permite chegar ao tempo transcorrido desde que as esp\u00e9cies se separaram.<\/p>\n<p>Com base nessa l\u00f3gica e nos dados dos genomas, a equipe chegou a duas conclus\u00f5es. Primeiro, algumas esp\u00e9cies do g\u00eanero Anopheles teriam abandonado a vida no dossel das \u00e1rvores e &#8220;descido&#8221; para mais perto do ch\u00e3o por volta de 3 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, quando a floresta tropical do Sudeste Asi\u00e1tico passou a ser permeada por manchas de vegeta\u00e7\u00e3o mais aberta (tudo por causa da chegada de um clima menos quente e mais seco).<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, a transi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies que apenas se alimentavam perto do ch\u00e3o para a antropofilia foi bem antiga, na mesma faixa temporal que corresponde \u00e0 chegada do H. erectus no Sudeste Asi\u00e1tico. Isso n\u00e3o necessariamente significa, por\u00e9m, que os parasitas da mal\u00e1ria j\u00e1 estivessem sendo transmitidos para a nossa linhagem nessa \u00e9poca \u2013trata-se de algo que pode ter acontecido mais tarde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A paix\u00e3o de certos mosquitos pelo sangue humano pode ter come\u00e7ado antes mesmo que o Homo sapiens surgisse,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":295703,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[367,109,107,108,2556,11310,236,2426,3534,11486,53184,3536,32,33,105,103,104,927,106,110,3062,16789],"class_list":["post-295702","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-asia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-dna","tag-evolucao-humana","tag-folha","tag-india","tag-insetos","tag-malaria","tag-mosquito-anopheles-arabiensis","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-tailandia","tag-technology","tag-tecnologia","tag-universidade","tag-vietna"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116190118028013392","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=295702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295702\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/295703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=295702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=295702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=295702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}