{"id":295916,"date":"2026-03-08T01:00:10","date_gmt":"2026-03-08T01:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/295916\/"},"modified":"2026-03-08T01:00:10","modified_gmt":"2026-03-08T01:00:10","slug":"simulamos-um-ataque-ao-irao-com-a-ia-usada-pelo-pentagono-e-o-resultado-e-o-pior-de-todos-os-cenarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/295916\/","title":{"rendered":"Simul\u00e1mos um ataque ao Ir\u00e3o com a IA usada pelo Pent\u00e1gono e o resultado \u00e9 &#8220;o pior de todos os cen\u00e1rios&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                O modelo de intelig\u00eancia artificial que est\u00e1 a guiar os m\u00edsseis americanos no Ir\u00e3o tem uma vis\u00e3o sombria sobre o desfecho da guerra. A CNN Portugal testou a tecnologia da Anthropic, que alimenta o sistema de alvos do Pent\u00e1gono, e os resultados n\u00e3o s\u00e3o bons para os norte-americanos<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Esque\u00e7a as imagens de Hollywood de incr\u00edveis combates a\u00e9reos e dos brinquedos militares tecnologicamente mais evolu\u00eddos. A principal novidade da Opera\u00e7\u00e3o &#8220;Epic Fury&#8221;, o ataque americano e israelita ao Ir\u00e3o, passa pela gest\u00e3o de enormes quantidades de informa\u00e7\u00e3o: tudo o que estamos a ver neste conflito tem o &#8220;dedo&#8221; da intelig\u00eancia artificial. E, entre muitos, um modelo destaca-se: o Claude, da Anthropic. Integrado no sistema Maven da Palantir, o modelo est\u00e1 a ser utilizado pelo Pent\u00e1gono para a identifica\u00e7\u00e3o direta de alvos e planeamento em tempo real, ajudando a atingir milhares de alvos logo nas primeiras horas de conflito.\u00a0<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de um avi\u00e3o, de um tanque ou de um lan\u00e7ador de m\u00edsseis, esta tecnologia n\u00e3o se v\u00ea no campo de batalha, mas os seus efeitos s\u00e3o ineg\u00e1veis. O sistema inteligente Maven tornou-se o sistema nervoso central da guerra norte-americana. Alimentado com dados classificados de sat\u00e9lites e vigil\u00e2ncia, o Maven utiliza a intelig\u00eancia artificial do Claude para sugerir centenas de alvos, emitir coordenadas precisas e avaliar os danos ap\u00f3s os bombardeamentos. O que antes demorava semanas a planear, acontece agora em tempo real. Segundo um estudo da Universidade de Georgetown sobre o uso deste sistema, a IA permite que uma equipa de apenas 20 militares fa\u00e7a o trabalho anal\u00edtico de dois mil.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia desta capacidade \u00e9 t\u00e3o grande que motivou um ataque pol\u00edtico sem precedentes da administra\u00e7\u00e3o Trump. Poucos dias antes do in\u00edcio dos bombardeamentos, o presidente americano tentou banir a Anthropic de concorrer a contratos federais, devido \u00e0 recusa da empresa em permitir a utiliza\u00e7\u00e3o do seu modelo para armas 100% aut\u00f3nomas e em vigil\u00e2ncia da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o americana. S\u00f3 que, apesar da ordem presidencial para substituir o sistema no prazo de seis meses, a depend\u00eancia do Pent\u00e1gono obrigou a que o sistema fosse utilizado, mesmo com as atuais limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Caos prolongado&#8221; <\/p>\n<p>A CNN Portugal decidiu submeter o &#8220;c\u00e9rebro&#8221; das opera\u00e7\u00f5es militares americanas a um teste. O que acontece se pedirmos ao modelo que analisa as opera\u00e7\u00f5es militares americanas para avaliar a estrat\u00e9gia pol\u00edtica da opera\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/p>\n<p>Sem acesso \u00e0 rede classificada das for\u00e7as armadas americanas, aliment\u00e1mos a vers\u00e3o comercial avan\u00e7ada do modelo com os par\u00e2metros tornados p\u00fablicos pela administra\u00e7\u00e3o norte-americana. Tra\u00e7\u00e1mos duas metas centrais: a &#8220;destrui\u00e7\u00e3o de potencial militar&#8221; exigida pelo Secret\u00e1rio da Defesa, Pete Hegseth, e a &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221; sugerida por Trump. O veredicto n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 estrat\u00e9gia americana. O Claude d\u00e1 menos de 10% de hip\u00f3teses \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um governo est\u00e1vel capaz de substituir o regime dos aiatol\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Se fosse for\u00e7ado a dar uma probabilidade \u00fanica de sucesso estrat\u00e9gico (&#8230;) diria menos de 10%&#8221;, refere o modelo da Anthropic. A IA sublinha que o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 um sucesso nem um fracasso limpo, mas sim &#8220;um estado interm\u00e9dio de caos prolongado: regime iraniano fragilizado, mas n\u00e3o substitu\u00eddo, capacidade militar degradada, mas n\u00e3o eliminada, instabilidade regional aumentada&#8221;. O modelo \u00e9 taxativo ao classificar este desfecho como sendo &#8220;o pior de todos os cen\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo a entrada de combatentes curdos na guerra ao quinto dia, uma vari\u00e1vel ativada nesta simula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o altera a matem\u00e1tica do conflito. O sistema recorda que &#8220;for\u00e7as proxy regionais sem apoio log\u00edstico massivo e sem legitimidade nacional&#8221; t\u00eam enorme dificuldade em converter conquistas militares em poder pol\u00edtico real. &#8220;Os curdos podem capturar territ\u00f3rio curdo, mas n\u00e3o podem governar Teer\u00e3o&#8221;, resume.<\/p>\n<p>As perspetivas de sucesso sobem ligeiramente, para a casa dos 15% a 25%, se o foco for apenas o colapso do regime enquanto institui\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, isso exigiria um descalabro militar r\u00e1pido, a fragmenta\u00e7\u00e3o do Corpo de Guardas da Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica (CGRI) e o surgimento imediato de uma figura capaz de preencher o vazio de poder. Como nenhuma destas condi\u00e7\u00f5es est\u00e1 presente de forma robusta no terreno, e o CGRI mant\u00e9m uma forte estrutura de comando, essa hip\u00f3tese esbarra na realidade da guerra.<\/p>\n<p>Ainda assim, o tempo joga contra a coliga\u00e7\u00e3o israelita e americana. A janela de oportunidade &#8220;\u00e9 curta&#8221; e uma intensa campanha a\u00e9rea s\u00f3 tem o seu efeito m\u00e1ximo nas primeiras semanas. Depois, os sistemas defensivos dispersam-se, a resist\u00eancia come\u00e7a a organizar-se e os custos multiplicam-se. Depois, a defesa dispersa-se e os custos disparam. H\u00e1 ainda o peso do &#8220;nacionalismo de resist\u00eancia&#8221;, um fator frequentemente ignorado no Ocidente. Apesar de uma larga fatia da popula\u00e7\u00e3o detestar o regime, o bombardeamento externo tende a ativar um reflexo de uni\u00e3o. Sondagens consistentes mostram que os mesmos iranianos que se op\u00f5em aos aiatol\u00e1s rejeitam a interven\u00e7\u00e3o estrangeira, o que acaba por alimentar a m\u00e1quina de propaganda do CGRI.<\/p>\n<p>A probabilidade de sucesso sobe para &#8220;moderada a alta&#8221; no que toca ao objetivo tra\u00e7ado pelo Secret\u00e1rio da Guerra, Pete Hegseth. O Claude acredita que existe cerca de 60 a 70% de probabilidade de os Estados Unidos e Israel conseguirem destruir significativamente o potencial militar iraniano. &#8220;Este \u00e9 o objetivo mais ating\u00edvel por via a\u00e9rea. Israel demonstrou capacidade de degradar sistemas de defesa a\u00e9rea iranianos nos ataques de 2024&#8221;, descreve, acrescentando que o problema \u00e9 que a &#8220;a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria&#8221; e que o bombardeamento pode resultar apenas no atraso do armamento e n\u00e3o numa elimina\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>A falha mais perigosa na estrat\u00e9gia, alerta o modelo que ajuda os militares americanos a tomar decis\u00f5es, \u00e9 o cen\u00e1rio p\u00f3s-decapita\u00e7\u00e3o do regime. Sem um l\u00edder e sem presen\u00e7a de tropas terrestres aliadas, o regime iraniano n\u00e3o colapsa ordenadamente e pode fragmentar-se. O grande risco, defende o modelo da Anthropic, \u00e9 o pa\u00eds resvalar para um cen\u00e1rio de &#8220;senhores da guerra&#8221;. Fa\u00e7\u00f5es religiosas radicalizadas passariam a competir pelo controlo do territ\u00f3rio, herdando o acesso a m\u00edsseis bal\u00edsticos e, no limite, a material nuclear.<\/p>\n<p>Quando questionado sobre se existe algum paralelo hist\u00f3rico, o Claude admite que n\u00e3o existe um caso claro de sucesso com base nos mesmos pressupostos. O exemplo mais pr\u00f3ximo destacado pelo modelo \u00e9 o caso da campanha a\u00e9rea da NATO na L\u00edbia, em 2011, que levou \u00e0 queda do regime de Gaddafi, mas que acabou por produzir uma guerra civil, dois governos paralelos, resultando num Estado falhado. A campanha na S\u00e9rvia, em 1999, tamb\u00e9m \u00e9 frequentemente citada como exemplo de coer\u00e7\u00e3o a\u00e9rea bem-sucedida. Mas os objetivos eram muito mais limitados e n\u00e3o passavam por uma mudan\u00e7a de regime, mas sim a retirada militar de um territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a campanha no Iraque tamb\u00e9m come\u00e7ou de forma semelhante \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o &#8220;Epic Fury&#8221;. Primeiro veio uma campanha a\u00e9rea intensa, houve o colapso r\u00e1pido do regime e at\u00e9 apelos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, mas foi necess\u00e1ria uma invas\u00e3o terrestre maci\u00e7a para conseguir cumprir o objetivo. Ainda assim, essa invas\u00e3o acabou por produzir um dos maiores desaires estrat\u00e9gicos do s\u00e9culo XXI. No Afeganist\u00e3o, havia o apoio de for\u00e7as locais e o regime Talib\u00e3 colapsou em poucas semanas. Mas uma oposi\u00e7\u00e3o organizada e com apoio tribal, os Talib\u00e3s voltaram ao poder 20 anos depois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O modelo de intelig\u00eancia artificial que est\u00e1 a guiar os m\u00edsseis americanos no Ir\u00e3o tem uma vis\u00e3o sombria&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":295917,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[6263,609,836,14075,611,27,88,14076,607,608,333,832,604,135,610,476,89,90,301,830,933,603,570,831,833,62,834,13,835,602,52,32,33,29],"class_list":["post-295916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-ai","tag-alerta","tag-analise","tag-anthropic","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-business","tag-claude","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-governo","tag-guerra","tag-inteligencia-artificial","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116190853597022027","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=295916"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/295916\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/295917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=295916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=295916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=295916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}