{"id":297187,"date":"2026-03-09T01:21:11","date_gmt":"2026-03-09T01:21:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/297187\/"},"modified":"2026-03-09T01:21:11","modified_gmt":"2026-03-09T01:21:11","slug":"as-cinco-guerras-que-nao-estao-nos-noticiarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/297187\/","title":{"rendered":"As Cinco Guerras que N\u00e3o Est\u00e3o nos Notici\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio torna-se ainda mais sombrio quando se equaciona a <strong>&#8220;possibilidade de uma a\u00e7\u00e3o articulada da R\u00fassia, para l\u00e1 da Ucr\u00e2nia, e da China&#8221;. Este movimento de pin\u00e7a, onde a R\u00fassia avan\u00e7aria no sentido europeu enquanto a China bloquearia as sa\u00eddas para os mares,<\/strong> aproveitaria um &#8220;momento de muita vulnerabilidade&#8221; dos aliados ocidentais.<\/p>\n<p>Segundo o diretor do Observare, a Europa ainda n\u00e3o consegue ser verdadeiramente aut\u00f3noma em termos militares e de defesa, enfrentando este perigo &#8220;sem defesa antim\u00edssil ou sat\u00e9lites pr\u00f3prios&#8221;, enquanto aguarda por capacidades que s\u00f3 ter\u00e1 daqui a uma d\u00e9cada. <strong>No meio desta &#8220;desordem sem regras&#8221;, o professor aponta ainda o dedo ao risco nuclear entre a \u00cdndia e o Paquist\u00e3o, cujas tens\u00f5es apenas suspensas podem, perante qualquer rastilho, &#8220;mudar o xadrez do globo&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Esta fragilidade estende-se \u00e0 \u00c1sia Meridional, onde nota um preocupante <strong>&#8220;efeito de cont\u00e1gio&#8221; da instabilidade no Ir\u00e3o.<\/strong> Lu\u00eds Tom\u00e9 recorda que a <strong>\u00cdndia e o Paquist\u00e3o &#8220;no ano passado estiveram \u00e0 beira de uma grande guerra nuclear&#8221;<\/strong> e que o atual cen\u00e1rio de &#8220;desordem, sem regras, sem verdadeiro dom\u00ednio e controlo das circunst\u00e2ncias&#8221;, convida certos atores a promoverem as suas agendas. A complexidade \u00e9 agravada pelas alian\u00e7as cruzadas: <strong>o Ir\u00e3o mant\u00e9m uma &#8220;parceria estrat\u00e9gica com a \u00cdndia&#8221;, o inimigo hist\u00f3rico do Paquist\u00e3o, enquanto este \u00faltimo enfrenta o &#8220;acrescer&#8221; do conflito fronteiri\u00e7o com os Talib\u00e3s, no Afeganist\u00e3o.<\/strong> O especialista frisa que Islamabad tem mesmo acusado Deli de &#8220;estar a apoiar os Talib\u00e3s&#8221;, criando um emaranhado de ramifica\u00e7\u00f5es em que estes conflitos esquecidos podem, subitamente, desfragmentar a seguran\u00e7a regional e do globo.<\/p>\n<p>Do Mar Vermelho ao cora\u00e7\u00e3o de \u00c1frica: a geopol\u00edtica da pilhagem<\/p>\n<p>As cinco frentes inicialmente identificadas pelo DN encontram um eco profundo e detalhado na an\u00e1lise de Fernando Jorge Cardoso, subdiretor do Observare e especialista em Assuntos Africanos. Para o acad\u00e9mico, &#8220;juntamente com a Ucr\u00e2nia, <strong>o Sud\u00e3o ser\u00e1 o conflito mais mort\u00edfero&#8221; da atualidade. Trata-se de uma &#8220;trag\u00e9dia humanit\u00e1ria&#8221; com incid\u00eancia particular em Cartum e no Darfur, onde se processa uma &#8220;limpeza \u00e9tnica&#8221;,<\/strong> sublinha o professor catedr\u00e1tico. A import\u00e2ncia estrat\u00e9gica \u00e9 global, continua o especialista, uma vez que a <strong>posse de um porto de \u00e1guas profundas no Mar Vermelho confere a esta guerra uma &#8220;potencial influ\u00eancia no tr\u00e2nsito mar\u00edtimo entre o \u00cdndico e o Mediterr\u00e2neo&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No Sael, a viol\u00eancia jihadista intensificou-se drasticamente,<\/strong> criando &#8220;terreno f\u00e9rtil para os neg\u00f3cios de mercen\u00e1rios assentes no uso de recursos minerais em troca de prote\u00e7\u00e3o&#8221;. Esta extensa faixa semi\u00e1rida, que atravessa \u00c1frica entre o Saara e as savanas do sul, estendendo\u2011se do Atl\u00e2ntico ao Mar Vermelho, \u00e9, toda ela, uma zona fr\u00e1gil onde a press\u00e3o de grupos armados, golpes militares e conflitos locais se cruza com pobreza extrema e aus\u00eancia de Estado, afetando pa\u00edses como o Mali, o N\u00edger, o Chade ou o Sud\u00e3o. Fernando Jorge Cardoso descreve grupos armados que &#8220;vivem da pilhagem da guerra usando interpreta\u00e7\u00f5es liberalistas do Isl\u00e3o para concitarem apoios&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Esta din\u00e2mica de explora\u00e7\u00e3o replica-se no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, num conflito de &#8220;natureza geopol\u00edtica e econ\u00f3mica&#8221; que \u00e9 &#8220;financiado pela pilhagem de recursos &#8211; designadamente o Coltan e ouro&#8221;<\/strong>, afirma o professor.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o conflitos altamente destrutivos,\u00a0que provocam desloca\u00e7\u00f5es e criam condi\u00e7\u00f5es para golpes militares como os que aconteceram no Mali, Niger e Burkina-Faso&#8221;, mas que, sublinha o especialista, &#8220;n\u00e3o t\u00eam conseguido parar a atua\u00e7\u00e3o dos grupos jihadistas&#8221;. <\/p>\n<p>O subdiretor do Observare acrescenta ainda que &#8220;<strong>este conjunto de conflitos tem import\u00e2ncia\u00a0estrat\u00e9gica, na medida em que criou campo para uma penetra\u00e7\u00e3o de interesses externos (R\u00fassia, Grupo Wagner, por exemplo)<\/strong> e criou igualmente um terreno f\u00e9rtil para os neg\u00f3cios de mercen\u00e1rios assentes no uso de recursos minerais em troca de prote\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O cen\u00e1rio torna-se ainda mais sombrio quando se equaciona a &#8220;possibilidade de uma a\u00e7\u00e3o articulada da R\u00fassia, para&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":297188,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,53353,6195,15,16,53352,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,34404,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-297187","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-cobertura-noticiosa","11":"tag-conflitos","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-guerras","15":"tag-headlines","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-mundo","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-principais-noticias","26":"tag-principaisnoticias","27":"tag-silencio","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-ultimas","31":"tag-ultimas-noticias","32":"tag-ultimasnoticias","33":"tag-world","34":"tag-world-news","35":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116196598273160018","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=297187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/297187\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/297188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=297187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=297187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=297187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}