{"id":299526,"date":"2026-03-10T20:16:12","date_gmt":"2026-03-10T20:16:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/299526\/"},"modified":"2026-03-10T20:16:12","modified_gmt":"2026-03-10T20:16:12","slug":"harry-styles-promete-disco-ocasional-mas-entrega-ainda-menos-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/299526\/","title":{"rendered":"Harry Styles promete disco ocasional \u2014 mas entrega ainda menos | Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o podemos acusar Harry Styles de n\u00e3o nos ter avisado. O cantor ingl\u00eas lan\u00e7ou nesta sexta-feira Kiss All the Time. Disco, Occasionally, o seu mais recente \u00e1lbum. O t\u00edtulo j\u00e1 o vaticinava: \u00e9 um disco de dan\u00e7a, mas s\u00f3 \u00e0s vezes. Poucas vezes. E isso n\u00e3o seria um problema se Styles n\u00e3o passasse grande parte das 12 can\u00e7\u00f5es a piscar o olho \u00e0 pista, s\u00f3 para depois desviar o olhar.<\/p>\n<p>O quarto longa-dura\u00e7\u00e3o do ex-One Direction n\u00e3o peca por ser pregui\u00e7oso, clich\u00e9 ou pouco ambicioso, erros que tanto se cometem entre artistas pop de alto gabarito quando chegam a um certo patamar de carreira. Harry Styles quis, evidentemente, experimentar uma palete de cores nova, com sons antigos. Taste back tem ecos dos The Postal Service, enquanto Ready, steady, go! faz lembrar Yeah Yeah Yeahs em in\u00edcios de carreira. Findas as 12 m\u00fasicas, \u00e9 tamb\u00e9m praticamente certo que Styles passou a pente fino a discografia de LCD Soundsystem antes de construir o disco.<\/p>\n<p>Depois do sensabor\u00e3o Harry\u2019s House (2022) \u2014 cuja piada praticamente come\u00e7ava e acabava em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=H5v3kku4y6Q&amp;list=RDH5v3kku4y6Q&amp;start_radio=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">As it was<\/a>, que acabou por ser tocada ad nauseam\u200b \u2014, \u00e9 refrescante ver Styles a querer aventurar-se para fora de p\u00e9. S\u00f3 que as can\u00e7\u00f5es ficam muitas vezes a meio do caminho. Nem caem para a pop colorida e saltitona de Watermelon sugar (do disco Fine Line, de 2019), nem abra\u00e7am o funk mais sujo (da melhor maneira) de Ready, steady, go!, um dos momentos mais bem conseguidos do novo \u00e1lbum.<\/p>\n<p>        &#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Kiss All the Time. Disco, Occasionally \u00e9 coeso, sim, consistente tamb\u00e9m, mas muito pouco entusiasmante, assentando numa pop amorfa que nos faz abanar a cabe\u00e7a meia d\u00fazia de vezes, mas raramente nos puxa pelo bra\u00e7o para dan\u00e7ar. H\u00e1 v\u00e1rios momentos que nos deixam \u00e1gua na boca, como Aperture e a sua linha de baixo pulsante ou o refr\u00e3o viciante de Ready, steady, go!. Noutros momentos promissores como Season 2 weight loss ou Are you listening yet?, o g\u00e1s vai-se perdendo e <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/07\/29\/culturaipsilon\/noticia\/one-direction-afirmacao-icone-harry-styles-ja-nao-2014984\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Harry Styles <\/a>soa acanhado, receoso de se embrenhar nos caminhos que ele pr\u00f3prio escolheu abrir. H\u00e1, inclusivamente, can\u00e7\u00f5es nas quais Styles parece ter martelado uma bridge para quebrar a monotonia, como se ele pr\u00f3prio a tivesse reconhecido.<\/p>\n<p>\u00c9, curiosamente, nos momentos mais mornos que o cantor \u00e9 mais eficaz. Coming up roses, acetinada balada envolvida em cordas, e Paint by numbers, regresso \u00e0 pop ac\u00fastica e descomplexada do \u00e1lbum de estreia, s\u00e3o lufadas de ar fresco. Talvez porque n\u00e3o tentam, de forma alguma, levar-nos para uma pista de dan\u00e7a que nem Harry Styles parece querer pisar.<\/p>\n<p>Kiss All the Time. Disco, Occasionally mostra a inquietude de um artista com sede de fazer diferente, de se distanciar do \u00f3bvio e do aborrecimento que corre nas veias de tanta pop no masculino dos dias que correm. \u00c9 pena que tenha perdido tanto tempo a tentar decidir se quer ser mais George Michael ou mais James Murphy quando podia ser s\u00f3 o Harry Styles que elegantemente retirou a etiqueta de \u201cex-<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/07\/13\/culturaipsilon\/fotogaleria\/concerto-one-direction-336895\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">One<\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2014\/07\/13\/culturaipsilon\/fotogaleria\/concerto-one-direction-336895\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> Direction<\/a>\u201d e construiu uma carreira a solo, toda em mai\u00fasculas. Talvez fique para a pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>                        &#13;<br \/>\n                            &#13;<\/p>\n<p>Autoria: Harry\u00a0Styles<br \/>&#13;<br \/>\nEditora: Erskine\/Columbia\/Sony<\/p>\n<p>            &#13;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o podemos acusar Harry Styles de n\u00e3o nos ter avisado. 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