{"id":299936,"date":"2026-03-11T03:10:20","date_gmt":"2026-03-11T03:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/299936\/"},"modified":"2026-03-11T03:10:20","modified_gmt":"2026-03-11T03:10:20","slug":"andaime-de-grafeno-recruta-celulas-osseas-e-ajuda-organismo-a-regenerar-fratura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/299936\/","title":{"rendered":"\u2018Andaime\u2019 de grafeno recruta c\u00e9lulas \u00f3sseas e ajuda organismo a regenerar fratura"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Biotecnologia\n                            <\/p>\n<p>                            \u2018Andaime\u2019 de grafeno recruta c\u00e9lulas \u00f3sseas e ajuda organismo a regenerar fratura<\/p>\n<p class=\"summary\">Estruturas desenvolvidas por equipe da USP e da Faculdade Albert Einstein se combinam com pol\u00edmeros de origem org\u00e2nica e podem recuperar tamb\u00e9m perda ou malforma\u00e7\u00e3o dos ossos<\/p>\n<p>\n                                 Biotecnologia\n                            <\/p>\n<p>                                                        \u2018Andaime\u2019 de grafeno recruta c\u00e9lulas \u00f3sseas e ajuda organismo a regenerar fratura<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Estruturas desenvolvidas por equipe da USP e da Faculdade Albert Einstein se combinam com pol\u00edmeros de origem org\u00e2nica e podem recuperar tamb\u00e9m perda ou malforma\u00e7\u00e3o dos ossos<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/57408.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(57408,'files\/post\/57408.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Imagens de microscopia da estrutura dos biomateriais testados na recupera\u00e7\u00e3o de fraturas durante o estudo; \u00e0 direita, matriz de carbono; \u00e0 esquerda, a mesma matriz associada a nanografite (imagem: Daniela Franco Bueno et al.)<\/p>\n<p><strong>Reinaldo Jos\u00e9 Lopes | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Experimentos feitos com ratos de laborat\u00f3rio mostraram que estruturas \u00e0 base de grafeno (\u201cfolhas\u201d do elemento qu\u00edmico carbono com apenas um \u00e1tomo de espessura) podem funcionar como um aliado poderoso na regenera\u00e7\u00e3o dos ossos, ajudando a sanar fraturas ou perda \u00f3ssea. Nos testes, a matriz biocompat\u00edvel incluindo o grafeno promoveu uma repara\u00e7\u00e3o de quase 90% do dano sofrido pelas cobaias um m\u00eas ap\u00f3s a fratura induzida em laborat\u00f3rio \u2013 um desempenho superior a outros materiais usados na pesquisa.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do desempenho do biomaterial foi <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-025-29606-x\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicada<\/strong><\/a> no peri\u00f3dico Scientific Reports. Coordenaram o estudo <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/71616\/daniela-franco-bueno\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Daniela Franco Bueno<\/strong><\/a>, da Faculdade Israelita de Ci\u00eancias da Sa\u00fade Albert Einstein, e <a href=\"https:\/\/lattes.cnpq.br\/3059638279617376\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Guilherme Lenz e Silva<\/strong><\/a>, da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli-USP).<\/p>\n<p>Para Bueno, os resultados trazem uma boa expectativa de que a abordagem avance para o uso em pacientes humanos em um futuro n\u00e3o muito distante. \u201cEssa tecnologia se encontra em uma fase avan\u00e7ada de desenvolvimento pr\u00e9-cl\u00ednico\u201d, resume ela. \u201cH\u00e1 um caminho claro para aplica\u00e7\u00e3o em estudos cl\u00ednicos nos pr\u00f3ximos passos.\u201d<\/p>\n<p>Como mat\u00e9ria-prima para os experimentos, a equipe utilizou o licor negro, um subproduto da ind\u00fastria de papel e celulose que cont\u00e9m, entre outras coisas, res\u00edduos de madeira dissolvida e outras mol\u00e9culas org\u00e2nicas, formando uma solu\u00e7\u00e3o escura (da\u00ed o nome).<\/p>\n<p>O carbono obtido por meio do processamento do licor negro foi associado a diferentes materiais com estrutura nanom\u00e9trica (da ordem de bilion\u00e9simos de metro), entre eles o grafeno propriamente dito, o \u00f3xido de grafeno e o nanografite. O \u00faltimo componente a se juntar a eles s\u00e3o os pol\u00edmeros \u00e0 base de quitosana-xantana, mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas derivadas, respectivamente, de crust\u00e1ceos e bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Bueno explica que biomateriais como esses n\u00e3o se comportam como pr\u00f3teses permanentes inertes, como as feitas de metal, mas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o simplesmente reabsorvidos pelo organismo, como acontece com alguns pol\u00edmeros biodegrad\u00e1veis j\u00e1 conhecidos h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>\u201cNo contexto da engenharia de tecidos, esses materiais atuam principalmente como scaffolds [\u201candaimes\u201d] bioativos\u201d, diz ela. \u201cS\u00e3o estruturas tempor\u00e1rias que orientam, estimulam e aceleram a regenera\u00e7\u00e3o do tecido \u00f3sseo. No m\u00e9dio e longo prazo, o que acontece n\u00e3o \u00e9 uma perman\u00eancia passiva do material, mas sim uma intera\u00e7\u00e3o din\u00e2mica com o organismo.\u201d<\/p>\n<p>Tudo vai depender de fatores como a forma exata das estruturas de carbono, o tamanho das part\u00edculas e a associa\u00e7\u00e3o com outros materiais. Isso vai influenciar a rela\u00e7\u00e3o do biomaterial com c\u00e9lulas do organismo, como macr\u00f3fagos (c\u00e9lulas de defesa), osteoclastos (respons\u00e1veis pela reabsor\u00e7\u00e3o de estruturas \u00f3sseas) e c\u00e9lulas-tronco (que d\u00e3o origem a diversos tipos de estruturas celulares). Em diferentes casos, o material pode ser degradado ou remodelado, ser substitu\u00eddo aos poucos pela forma\u00e7\u00e3o de um novo tecido \u00f3sseo ou ficar ali em quantidades residuais, sem causar inflama\u00e7\u00e3o e atuando como um refor\u00e7o estrutural.<\/p>\n<p>\u201cO sucesso do biomaterial \u00e9 justamente deixar de ser o protagonista e dar lugar ao tecido regenerado\u201d, afirma a pesquisadora. Seguindo essa l\u00f3gica, a combina\u00e7\u00e3o de quitosana com grafeno \u00e9 estrat\u00e9gica porque cada um dos materiais influencia aspectos diferentes do processo de regenera\u00e7\u00e3o do osso lesado.<\/p>\n<p>De um lado, a quitosana \u00e9 mais mold\u00e1vel e se degrada de forma controlada no organismo, al\u00e9m de ser mais biocompat\u00edvel (ou seja, n\u00e3o \u00e9 rejeitada pelo corpo). O grafeno, por outro lado, favorece a ades\u00e3o das c\u00e9lulas no local, a vasculariza\u00e7\u00e3o (forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos) e a diferencia\u00e7\u00e3o osteog\u00eanica \u2013 processo no qual os diferentes tipos de c\u00e9lulas \u00f3sseas v\u00e3o assumindo fun\u00e7\u00f5es especializadas.<\/p>\n<p>\u201cEssa sinergia cria uma estrutura tridimensional que n\u00e3o \u00e9 apenas um suporte f\u00edsico, mas um ambiente biologicamente ativo, capaz de estimular as c\u00e9lulas a formar osso de maneira mais r\u00e1pida, organizada e funcional\u201d, diz Bueno.<\/p>\n<p>Para que esse processo de fato aconte\u00e7a, \u00e9 preciso regular fatores como a microarquitetura dos biomateriais, de forma que eles tenham poros com tamanho e conex\u00f5es capazes de permitir a entrada de vasos sangu\u00edneos e c\u00e9lulas e a troca de nutrientes. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta propriedades como rigidez e resist\u00eancia, para que sejam compat\u00edveis com o osso. Tudo isso \u00e9 controlado por m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio e com o uso de impress\u00e3o 3D.<\/p>\n<p>Nos experimentos descritos no trabalho, apoiado pela FAPESP (processos (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/108079\/avaliacao-de-nanocomposito-carbono-grafeno-associado-a-celulas-tronco-mesenquimais-para-reconstrucao\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>20\/12954-2<\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/105971\/desenvolvimento-de-materiais-biofuncionais-para-aplicacao-em-medicina-regenerativa-engenharia-tecidu\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>18\/18890-6<\/strong><\/a>), a equipe usou os biomateriais, com diferentes formula\u00e7\u00f5es, para promover a regenera\u00e7\u00e3o de fraturas provocadas nas t\u00edbias (ossos da canela) de 16 ratos machos. Todos os tipos de scaffolds registraram taxas significativas de recupera\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, tendo o grafeno o melhor desempenho de todos.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que a abordagem seja \u00fatil tanto em fraturas quanto para reconstruir perda \u00f3ssea ou problemas cong\u00eanitos em que houve malforma\u00e7\u00e3o no osso. Para isso, o plano dos pesquisadores \u00e9 combinar os biomateriais com c\u00e9lulas-tronco, como as derivadas da polpa de dentes dec\u00edduos (de leite), algo que a equipe tamb\u00e9m est\u00e1 testando.<\/p>\n<p>\u201cA associa\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas-tronco aos biomateriais acelera a forma\u00e7\u00e3o \u00f3ssea, orquestrando a vasculariza\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o do tecido e tornando o processo mais eficiente e biologicamente inteligente. N\u00e3o estamos substituindo tecidos, mas ensinando o corpo a regener\u00e1-los\u201d, explica a autora do estudo.<\/p>\n<p>O artigo Structural and biological characterization of carbon\u2013graphene biomaterials derived from black liquor with functional properties for bone tissue engineering pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-025-29606-x\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>nature.com\/articles\/s41598-025-29606-x<\/strong><\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Biotecnologia \u2018Andaime\u2019 de grafeno recruta c\u00e9lulas \u00f3sseas e ajuda organismo a regenerar fratura Estruturas desenvolvidas por equipe da&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":299937,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[53830,11711,53832,45320,53833,53831,116,2172,53837,34801,53834,53835,32,33,15330,117,53836,3064],"class_list":["post-299936","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-andaime","tag-biotecnologia","tag-celulas-osseas","tag-einstein","tag-fratura","tag-grafeno","tag-health","tag-inovacao","tag-nanomedicina","tag-nanotecnologia","tag-poli","tag-polimeros","tag-portugal","tag-pt","tag-regeneracao","tag-saude","tag-scaffolds-bioativos","tag-usp"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116208351629631411","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299936\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}