{"id":300802,"date":"2026-03-11T18:57:16","date_gmt":"2026-03-11T18:57:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/300802\/"},"modified":"2026-03-11T18:57:16","modified_gmt":"2026-03-11T18:57:16","slug":"e-engracado-ver-macron-e-von-der-leyen-a-defenderem-a-energia-nuclear-nao-temos-petroleo-mas-temos-ideias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/300802\/","title":{"rendered":"\u00c9 engra\u00e7ado&#8221; ver Macron e von der Leyen a defenderem a energia nuclear: &#8220;N\u00e3o temos petr\u00f3leo mas temos ideias"},"content":{"rendered":"<p>\t                Macron e von der Leyen foram os anfitri\u00f5es de uma cimeira de energia nuclear em Paris, esta ter\u00e7a-feira, para tentar relan\u00e7ar a aposta e os investimentos nessa fonte energ\u00e9tica. No dia em que se marcam os 15 anos do desastre de Fukushima, at\u00e9 o Jap\u00e3o est\u00e1 a voltar ao nuclear &#8211; e os europeus n\u00e3o querem ficar para tr\u00e1s nem &#8220;repetir o erro alem\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Quando se trata de energia nuclear, estamos de volta aos anos 1970. Como diz Lu\u00eds Guimar\u00e3is, f\u00edsico nuclear doutorado pelo Instituto Superior T\u00e9cnico, o encontro desta ter\u00e7a-feira em Paris ecoa \u201co choque petrol\u00edfero de 1973\u201d, com outras roupagens mas as mesmas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>\u201cOs sintomas s\u00e3o exatamente os mesmos, as dificuldades em aceder a combust\u00edveis f\u00f3sseis s\u00e3o as mesmas&#8221;, refere \u00e0 CNN Portugal, &#8220;e o que vimos na altura foi Fran\u00e7a a apostar no seu pr\u00f3prio programa nuclear \u2013 construiu 56 reatores em cerca de 15, 20 anos, e hoje continua a ser o maior exportador de eletricidade e a espinha dorsal do sistema el\u00e9trico europeu\u201d.<\/p>\n<p>Depois de uma primeira edi\u00e7\u00e3o em Bruxelas ap\u00f3s a invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, que p\u00f4s a descoberto a extrema depend\u00eancia europeia do petr\u00f3leo e g\u00e1s russos, n\u00e3o \u00e9 por acaso que tenha sido a capital francesa a albergar a <a href=\"https:\/\/www.france24.com\/en\/live-news\/20260310-nuclear-power-summit-to-open-in-france\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">nova cimeira<\/a>, na semana em que o mundo inteiro volta a estar a bra\u00e7os com <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/gasolina\/petroleo\/guerra-com-o-irao-provoca-a-maior-perturbacao-de-sempre-no-mercado-global-de-petroleo\/20260310\/69aff81cd34e28842c8192cb\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">subidas abruptas nos pre\u00e7os do crude<\/a> por causa da guerra que os EUA e Israel decidiram lan\u00e7ar contra o Ir\u00e3o \u2013 que, em retalia\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/medio-oriente\/irao\/vem-ai-o-efeito-domino-temos-uma-previsao-muito-segura-e-nada-animadora-de-que-vai-haver-aumento-generalizado-dos-precos-bens-alimentares-bens-de-consumo-e-nao-so\/20260309\/69aef9fed34edcee7c61ad27\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">fechou o Estreito de Ormuz<\/a>, com impacto direto na circula\u00e7\u00e3o comercial da mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>A abrir a cimeira estiveram Emmanuel Macron, presidente de Fran\u00e7a, e Ursula von der Leyen, presidente da Comiss\u00e3o Europeia, o que n\u00e3o deixa de ser \u201cengra\u00e7ado\u201d, ressalta Guimar\u00e3is, considerando o papel desempenhado por um e por outro na desacelera\u00e7\u00e3o da energia nuclear ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cVon der Leyen foi adepta do encerramento das centrais alem\u00e3s, creio que \u00e0 data era ministra da Defesa da Alemanha, e Macron arrancou a sua primeira campanha para o primeiro mandato [em 2017] a prometer que ia encerrar uma por\u00e7\u00e3o do parque nuclear franc\u00eas \u2013 e chegou, ali\u00e1s, a encerrar dois reatores sem necessidade nenhuma, porque ambos cumpriam os padr\u00f5es de seguran\u00e7a e rentabilidade, uma decis\u00e3o tomada sob press\u00e3o alem\u00e3.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1773255433_724_600.webp\" width=\"600\"\/><\/p>\n<p>Quase uma d\u00e9cada depois dessa campanha, tr\u00eas anos desde o encerramento dos \u00faltimos reatores nucleares alem\u00e3es, Macron e von der Leyen surgem numa frente unida pr\u00f3-nuclear, com o chefe de Estado a franc\u00eas a prometer uma aposta ainda maior em energia nuclear, em parte <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/energy\/france-harness-nuclear-power-ai-data-centres-says-macron-2026-03-10\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">para alimentar os sedentos centros de dados de intelig\u00eancia artificial<\/a> \u2013 um Macron a invocar o esp\u00edrito de Charles de Gaulle e a ideia de que \u201cn\u00e3o temos petr\u00f3leo mas temos ideias\u201d, o slogan da Fran\u00e7a do choque petrol\u00edfero de 73.<\/p>\n<p>O an\u00fancio feito no arranque da cimeira nuclear surgiu na esteira de um outro, quando na semana passada o presidente franc\u00eas, tamb\u00e9m num eco de Charles de Gaulle, proclamou o in\u00edcio de uma <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/franca\/nuclear\/isto-e-uma-ameaca-a-todos-nao-apenas-ao-irao-a-russia-ou-a-china-mas-a-todos-incluindo-os-eua-europa-vai-entrar-na-era-da-dissuasao-avancada\/20260302\/69a5bd48d34e28842c8143c9\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">nova era nuclear europeia de \u201cdissuas\u00e3o avan\u00e7ada\u201d<\/a>, que foi aceite por Berlim, ainda que <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/franca\/nuclear\/nova-doutrina-nuclear-macron-deixou-bem-claro-que-o-botao-vermelho-permanece-em-paris\/20260303\/69a6c4d0d34e28842c814acf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a contragosto<\/a>.\u00a0\u201cA quest\u00e3o \u00e9 que Fran\u00e7a precisa realmente de mais energia por causa dos parques de IA, necessidades que claramente n\u00e3o est\u00e3o a ser atendidas\u201d, destaca Julien Hoez, analista de geopol\u00edtica e editor do French Dispatch \u2013 que, como Guimar\u00e3is, tamb\u00e9m sublinha a ironia de von der Leyen ter integrado o governo que desmantelou o parque nuclear alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se trata apenas disso, acrescenta o analista franc\u00eas. \u201cQuando as pessoas pensam em energia nuclear, associam a energia ao armamento e \u00e9 um facto que ambas est\u00e3o inerentemente ligadas; para Fran\u00e7a, esta tamb\u00e9m \u00e9 uma maneira importante de garantir que podemos atender n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s nossas necessidades energ\u00e9ticas, mas tamb\u00e9m \u00e0s dos nossos vizinhos e aliados, o que efetivamente constitui um forte tipo de influ\u00eancia geopol\u00edtica.\u201d<\/p>\n<p>Portugal fora da corrida <\/p>\n<p>Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, a cimeira nuclear de Paris aconteceu na v\u00e9spera dos <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/energia-nuclear\/desastre-nuclear\/luis-guimarais-fukushima-15-anos-depois\/20260311\/69b126a4d34edcee7c61bb9c\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">15 anos do acidente nuclear na central de Fukushima<\/a>, na sequ\u00eancia de um tsunami devastador que atingiu a costa nip\u00f3nica a 11 de mar\u00e7o de 2011. Esse acidente marcou o in\u00edcio de uma nova crise nuclear, reavivando os receios e assombros que o desastre de Chernobyl em 1986 tinha feito erguer a n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas volvidas, os dois pa\u00edses diretamente afetados por acidentes nucleares, Jap\u00e3o e Ucr\u00e2nia, t\u00eam planos para retomar o nuclear, embora no caso de Kiev o acordo de constru\u00e7\u00e3o de novos reatores esteja em pausa for\u00e7ada no contexto da guerra \u2013 sendo que a central nuclear de Zaporizhzhia \u00e9 um dos grandes pontos de contenda nas negocia\u00e7\u00f5es em curso para tentar p\u00f4r fim ao conflito.\u00a0<\/p>\n<p>Atualmente, a energia nuclear corresponde a cerca de 9% da eletricidade produzida a n\u00edvel mundial, existindo cerca de 440 reatores em cerca de 30 pa\u00edses, de acordo com dados da Associa\u00e7\u00e3o Nuclear Mundial. A Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f3mica (AIEA), <a href=\"https:\/\/www.iaea.org\/newscenter\/mediaadvisories\/leaders-to-convene-at-nuclear-energy-summit-in-paris-10-march\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">copatrocinadora do evento em Paris<\/a>, calcula que a produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear poder\u00e1 duplicar at\u00e9 2050, esperando-se que a China acrescente 29 novos reatores aos 57 que j\u00e1 tem a operar. De acordo com Rafael Grossi, secret\u00e1rio-geral da AIEA, outros 40 pa\u00edses j\u00e1 come\u00e7aram a construir ou est\u00e3o interessados em construir reatores nucleares.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6221ed3b0cf2c7ea0f1d0cc0.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>Rafael Mariano Grossi, secret\u00e1rio-geral da AIEA<\/strong> foto\u00a0Lisa Leutner\/Associated Press <\/p>\n<p>Da lista constam pa\u00edses com uma dimens\u00e3o semelhante \u00e0 de Portugal, como \u00e9 o caso da Gr\u00e9cia ou de It\u00e1lia, sendo que no caso grego, aponta Lu\u00eds Guimar\u00e3is, a realidade \u00e9 que o pa\u00eds \u201cj\u00e1 tem uma esp\u00e9cie de central emprestada \u00e0s escondidas, paga um acordo especial para importar eletricidade nuclear da Bulg\u00e1ria\u201d. E a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem pode ser a dimens\u00e3o de cada pa\u00eds, adianta.<\/p>\n<p>\u201cQuando fazemos o planeamento de um sistema, n\u00e3o podemos pensar no que temos agora, temos de pensar no que vamos ter e no que vamos precisar daqui a 20, 30, 50 anos. E, neste caso, vamos come\u00e7ar por precisar de infraestruturas em larga escala. Os <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ursula-von-der-leyen\/medio-oriente\/a-europa-nao-e-produtora-de-petroleo-nem-de-gas-por-isso-venha-dai-a-energia-nuclear-von-der-leyen-anuncia-investimento\/20260310\/69aff937d34e28842c8192e7\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">200 milh\u00f5es de euros anunciados por von der Leyen<\/a> na cimeira s\u00e3o um bom come\u00e7o, mas o investimento necess\u00e1rio ser\u00e1 muito maior \u2013 estamos a falar de infraestrutura cr\u00edtica a n\u00edvel do continente europeu.\u201d<\/p>\n<p>Neste contexto, deve Portugal embalar nesta onda? Essa \u00e9 uma ideia que j\u00e1 tinha sido aflorada por Paulo Carmona, diretor-geral de Energia e Geologia, no rescaldo do \u201capag\u00e3o\u201d que deixou Portugal e Espanha \u00e0s escuras durante entre 10 e 20 horas h\u00e1 quase um ano, no que peritos da Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E) classificaram como o evento mais severo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas na Europa, na sequ\u00eancia de uma \u201ccascata de sobretens\u00f5es\u201d que se propagou rapidamente pela Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>Ouvido na comiss\u00e3o de Ambiente e Energia do Parlamento,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/empresas\/energia\/detalhe\/portugal-nao-precisa-de-nuclear-agora-mas-nao-se-deve-descartar-no-futuro-diz-dgeg\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Carmona disse<\/a> que \u201cPortugal n\u00e3o tem necessidade de ter um nuclear nesta altura\u201d, mas que essa hip\u00f3tese \u201cn\u00e3o se deve descartar pela quest\u00e3o da soberania energ\u00e9tica no futuro\u201d \u2013 sublinhando que essa \u00e9 e ser\u00e1 sempre uma decis\u00e3o pol\u00edtica, nunca apenas t\u00e9cnica. Mas &#8220;em termos de investimentos&#8221;, aponta Lu\u00eds Guimar\u00e3is&#8221;, &#8220;temos de o ver\u00a0de uma maneira t\u00e9cnica, como dizia Paulo Carmona, da DGEG [Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Energia e Geologia], que agora at\u00e9 est\u00e1 em processo de extin\u00e7\u00e3o \u2013 temos de planear para o consumo que esperamos ter com base no trilema das emiss\u00f5es, custo, abastecimento e seguran\u00e7a do abastecimento\u201d.<\/p>\n<p>O f\u00edsico nuclear invoca igualmente a import\u00e2ncia do <a href=\"https:\/\/www.jornaldenegocios.pt\/empresas\/energia\/detalhe\/governo-anuncia-estudo-sobre-custos-dos-sistemas-energeticos\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo sobre os custos totais do sistema <\/a>associados a diferentes tecnologias energ\u00e9ticas que o secret\u00e1rio de Estado da Energia, Jean Barroca, anunciou no final do ano passado. \u201cVai permitir perceber qual a mistura certa de eletricidade que \u00e9 mais fi\u00e1vel, mais barata e mais descarbonizada. E repare, n\u00f3s dizemos que nem usamos [energia nuclear], mas temos sete reatores aqui ao lado, em Espanha, e 7% do consumo nacional chega a ser do nuclear espanhol. S\u00f3 que agora Espanha vai desativar os reatores por quest\u00f5es pol\u00edticas, vai insistir no erro alem\u00e3o \u2013 quando agora \u00e9 a hora de p\u00f4r todas as cartas em cima da mesa.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/6842d829d34e3f0bae9f1715.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>Jean Barroca, secret\u00e1rio de Estado da Energia, anunciou em outubro que Portugal vai fazer um estudo sobre os custos totais do sistema associados a diferentes tecnologias energ\u00e9ticas. Para j\u00e1, nada indica que o nuclear venha a fazer parte do mix de energia produzida pelo pa\u00eds<\/strong> foto\u00a0Jos\u00e9 Sena Goul\u00e3o\/Lusa <\/p>\n<p>Novas tecnologias no mix energ\u00e9tico <\/p>\n<p>Na mesma interven\u00e7\u00e3o de Carmona na comiss\u00e3o parlamentar, a DGEG assumiu ter d\u00favidas quanto \u00e0 escala do pa\u00eds para acolher grandes centrais nucleares, elevando a possibilidade de Lisboa recorrer a novas tecnologias de produ\u00e7\u00e3o de energia at\u00f3mica &#8211; por exemplo, os chamados Pequenos Reatores Modulares (SMR, na sigla em ingl\u00eas), nos quais pa\u00edses como It\u00e1lia e os EUA j\u00e1 est\u00e3o a apostar.<\/p>\n<p>Aqui, como em tantas outras quest\u00f5es em torno do nuclear, Lu\u00eds Guimar\u00e3is considera que existe muita desinforma\u00e7\u00e3o, em particular quanto aos custos de produ\u00e7\u00e3o de SMR. \u201cAlguns desses reatores s\u00e3o mais caros por unidade de eletricidade produzida, para o tamanho que t\u00eam consomem mais material\u201d, refere o especialista portugu\u00eas, que apesar de tudo reconhece algumas vantagens dos SMR.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA grande vantagem \u00e9 que podem produzir mais do que eletricidade, h\u00e1 designs que permitem operar a temperaturas mais elevadas do que os reatores grandes, o que possibilita muitas aplica\u00e7\u00f5es interessantes para centrais de dessaliniza\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de vapor para a ind\u00fastria t\u00eaxtil e do papel \u2013 isto quando operados com gera\u00e7\u00e3o de eletricidade e produ\u00e7\u00e3o de calor industrial e produzidos a uma escala suficiente para baixar e otimizar os custos, como acontece numa linha de montagem.\u201d<\/p>\n<p>Podem ent\u00e3o os SMR ser uma op\u00e7\u00e3o para a Europa e em particular para Portugal? Guimar\u00e3is concede que sim, sempre enquanto parte de uma equa\u00e7\u00e3o alargada com fontes energ\u00e9ticas diversificadas. \u201cDiria que a Europa deve apostar num ou dois designs de SMR para centros industriais e, mais importante do que isso, num organismo regulador a n\u00edvel europeu que possibilite fazer a instala\u00e7\u00e3o e a monitoriza\u00e7\u00e3o o mais depressa poss\u00edvel; em Portugal falta um regulador nuclear, que \u00e9 obrigat\u00f3rio, e isso monta-se em dois anos\u00a0\u2013 mas ter um organismo europeu seria uma mais-valia.\u201d<\/p>\n<p>O facto, adianta o f\u00edsico portugu\u00eas, \u201c\u00e9 que, se olharmos de uma maneira desapaixonada para isto, vemos que o nuclear \u00e9 uma excelente alternativa, uma componente do mix el\u00e9trico juntamente com renov\u00e1veis como a h\u00eddrica, a solar, a e\u00f3lica\u2026\u201d. \u201cO nuclear \u00e9 a fonte mais segura que existe. Olhando para estat\u00edsticas vemos que \u00e9 ligeiramente mais segura que o solar \u2013 e, no final do dia, o objetivo \u00e9 esse, ter o nuclear como um dos componentes do mix el\u00e9trico.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/69b05270d34e28842c819920.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Render de um Pe<strong>queno Reator Modular (SMR, na sigla inglesa), mais pequeno que uma central nuclear tradicional e que tem a vantagem de operar a temperaturas mais elevadas do que os reatores maiores <\/strong>foto Cortesia de NuScale <\/p>\n<p>&#8220;Finalmente a Europa p\u00f5e na mesa uma alternativa fi\u00e1vel e de baixo carbono&#8221; <\/p>\n<p>Na cimeira nuclear de Paris, von der Leyen foi a primeira a assumir a <a href=\"https:\/\/sapo.pt\/artigo\/von-der-leyen-reducao-da-energia-nuclear-na-europa-foi-um-erro-estrategico-69b010cb8be2ad5b1f0ab8b9\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">desnucleariza\u00e7\u00e3o como \u201cum erro estrat\u00e9gico\u201d<\/a> \u2013 e ainda que n\u00e3o tenha feito refer\u00eancia \u00e0 Alemanha, esse \u00e9, de longe, o exemplo mais gritante desse erro. \u201cEsse \u00e9 um ponto muito interessante, essa rea\u00e7\u00e3o alem\u00e3 ao nuclear, no sentido em que uma por\u00e7\u00e3o significativa da popula\u00e7\u00e3o continua a apoiar os Verdes e a sua postura agressiva antinuclear, trazendo muitos pol\u00edticos a bordo\u201d, destaca o analista Julien Hoez.\u00a0<\/p>\n<p>Lu\u00eds Guimar\u00e3is, que viveu muitos anos na Alemanha, concorda em absoluto e destaca a \u201ccultura de antinuclearismo prim\u00e1rio\u201d que vigora desde a crise do petr\u00f3leo nos anos 70 e que \u00e9 alimentada at\u00e9 pelo Plano Nacional de Leitura que guia as escolas alem\u00e3s. \u201cOs reatores nucleares alem\u00e3es eram dos melhores do mundo, os \u00faltimos tr\u00eas a serem encerrados eram topo de gama, os alem\u00e3es eram proficientes na tecnologia e mesmo hoje em dia pode utilizar-se ur\u00e2nio no pa\u00eds para produzir calor mas n\u00e3o eletricidade. H\u00e1 uma central que n\u00e3o foi desativada que produz \u00e1gua quente com recurso a ur\u00e2nio \u2013 \u00e9 esquizofrenia cultural.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>O atual chanceler, Friedrich Merz, \u00e9 <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/alemanha\/olaf-scholz\/a-russia-invadiu-a-ucrania-e-a-torneira-da-alemanha-fechou-se-a-crise-e-tal-que-ate-o-regresso-ao-nuclear-esta-em-aberto\/20241216\/675b1466d34ea1acf271c191\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">favor\u00e1vel a um regresso ao nuclear<\/a>, mas Guimar\u00e3is diz compreender a sua relut\u00e2ncia em reabrir esse debate, \u201cat\u00e9 porque seria preciso mudar a componente legal, muito blindada\u201d, de Berlim. Facto \u00e9 que, se em tempos a Alemanha era exportadora de eletricidade, hoje \u00e9 o maior importador de energia, estando dependente do parque nuclear franc\u00eas, da Eslov\u00e1quia, da Ch\u00e9quia e at\u00e9 do carv\u00e3o da Pol\u00f3nia.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/675c07b2d34ea1acf271c998.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>A Alemanha encerrou os seus \u00faltimos reatores nucleares em 2023, mas mant\u00e9m uma central por desativar em que o ur\u00e2nio \u00e9 enriquecido para aquecer \u00e1gua mas n\u00e3o para produzir eletricidade<\/strong> foto\u00a0Daniel Peter\/AFP via Getty Images <\/p>\n<p>\u201cTemos uma Alemanha a que cham\u00e1vamos o motor industrial da Europa, mas <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/alemanha\/olaf-scholz\/a-russia-invadiu-a-ucrania-e-a-torneira-da-alemanha-fechou-se-a-crise-e-tal-que-ate-o-regresso-ao-nuclear-esta-em-aberto\/20241216\/675b1466d34ea1acf271c191\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">o motor est\u00e1 completamente gripado<\/a>, com eletricidade car\u00edssima. O pa\u00eds apostou as cartas todas no g\u00e1s russo e, em 2022, de repente viu que afinal o seu trunfo n\u00e3o era um \u00e1s de copas. <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/alemanha\/cdu\/a-russia-tirou-lhe-energia-a-china-esta-a-tirar-lhe-exportacoes-trump-quer-tirar-lhe-a-vantagem-comercial-a-alemanha-esta-em-ebulicao-para-se-tirar-disto\/20250202\/679f4bbad34e3f0bae99eff0\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">O modelo econ\u00f3mico alem\u00e3o implodiu<\/a>, acabou-se o g\u00e1s russo e o mercado autom\u00f3vel chin\u00eas est\u00e1 a fazer colapsar o alem\u00e3o. A Alemanha jogou todas as cartas e foram as cartadas erradas.\u201d<\/p>\n<p>E \u00e9 precisamente para n\u00e3o repetir o erro alem\u00e3o, nesta era que parece ecoar os anos 1970 mas de olhos postos no futuro, que podemos estar a assistir ao renascimento do nuclear. \u201cA Europa paga pela eletricidade quase o dobro do que se paga nos Estados Unidos e o triplo do que se paga na China \u2013 como fator de competitividade, isto \u00e9 fatal\u201d, sublinha Lu\u00eds Guimar\u00e3is, quando na verdade a Europa j\u00e1 tem uma grande vantagem.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos o min\u00e9rio necess\u00e1rio para fazer combust\u00edvel para as centrais, sendo que n\u00e3o \u00e9 preciso assim tanto\u201d, acrescenta o f\u00edsico. \u201cO ur\u00e2nio \u00e9 um dos min\u00e9rios end\u00f3genos do continente europeu; Espanha e Ch\u00e9quia t\u00eam reservas consider\u00e1veis de ur\u00e2nio \u2013 e temos grandes parceiros no Canad\u00e1 e no Cazaquist\u00e3o. O que finalmente vejo \u00e9 a Europa a p\u00f4r na mesa uma alternativa de baixo carbono e eletricidade fi\u00e1vel 24 horas por dia, sete dias por semana.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Macron e von der Leyen foram os anfitri\u00f5es de uma cimeira de energia nuclear em Paris, esta ter\u00e7a-feira,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":300803,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[22078,1305,609,836,611,27,88,8567,607,608,333,832,604,135,610,476,89,3118,447,90,22629,208,301,830,603,570,831,833,62,834,13,6165,835,602,6153,52,32,33,2272,29,1153],"class_list":["post-300802","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-aiea","tag-alemanha","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-business","tag-cimeira","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-economy","tag-eletricidade","tag-emmanuel-macron","tag-empresas","tag-energia-nuclear","tag-franca","tag-governo","tag-guerra","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-nuclear","tag-opiniao","tag-pais","tag-petroleo","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-renovaveis","tag-ultimas","tag-ursula-von-der-leyen"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=300802"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300802\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/300803"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=300802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=300802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=300802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}