{"id":30357,"date":"2025-08-15T10:54:08","date_gmt":"2025-08-15T10:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/30357\/"},"modified":"2025-08-15T10:54:08","modified_gmt":"2025-08-15T10:54:08","slug":"julia-gama-fernandes-lanca-o-primeiro-livro-de-poemas-com-noticias-submarinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/30357\/","title":{"rendered":"J\u00falia Gama Fernandes lan\u00e7a o primeiro livro de poemas com \u2018Not\u00edcias submarinas\u2019"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-772936\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noticias-submarinas-2-urutau-700x467.jpg\" alt=\"noticias submarinas julia gama \" width=\"700\" height=\"467\" title=\"J\u00falia Gama Fernandes lan\u00e7a o primeiro livro de poemas com \u2018Not\u00edcias submarinas\u2019 1\"  \/>Ap\u00f3s sucesso na Flip, J\u00falia Gama lan\u00e7a livro de poemas em Juiz de Fora (Foto: Arquivo pessoal)<\/p>\n<p>J\u00falia tem medo do mar e seu eu l\u00edrico n\u00e3o sabe pegar jacar\u00e9. Nem por isso deixa de mergulhar nas profundezas do oceano em \u201cNot\u00edcias submarinas\u201d, seu primeiro livro de poemas, que aproveita justamente a pr\u00f3pria inibi\u00e7\u00e3o para refletir sobre a escrita, os atravessamentos do tempo e os movimentos de partida. Mineira com os p\u00e9s firmes no ch\u00e3o, ela se lan\u00e7ou a esse universo t\u00e3o desconhecido com olhar detalhista, de quem escava algo dif\u00edcil de traduzir e de quem reconhece nos mais diferentes elementos os tesouros da poesia.\u00a0 Com 29 anos completos na data desta mat\u00e9ria, a autora prepara o lan\u00e7amento da obra em Juiz de Fora, no Meiuca, \u00e0s 16h deste s\u00e1bado (16), depois de seus poemas tamb\u00e9m terem aportado em Paraty, durante a Flip, quando sua obra ficou entre as mais vendidas da editora <a href=\"https:\/\/editoraurutau.com\/titulo\/noticias-submarinas-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" data-wpel-link=\"external\">Urutau<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-772935\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/noticias-submarinas-urutau-667x1000.jpg\" alt=\"noticias submarinas\" width=\"270\" height=\"405\" title=\"J\u00falia Gama Fernandes lan\u00e7a o primeiro livro de poemas com \u2018Not\u00edcias submarinas\u2019 2\"  \/>(Reprodu\u00e7\u00e3o\/Urutau)<\/p>\n<p>Guiada pela ep\u00edgrafe do professor e escritor Edimilson de Almeida Pereira, \u201ca mem\u00f3ria \u00e9 um curso em parte naveg\u00e1vel\u201d, J\u00falia conta que buscou usar a escrita como instrumento de liberdade, ainda que fosse tateando como fazer isso. Todos os poemas da obra foram escritos e reescritos h\u00e1 cerca de dois anos, quando ela tamb\u00e9m foi percebendo que o que escrevia podia deixar de ocupar um lugar mais \u00edntimo e chegar \u00e0 superf\u00edcie. Mas foi s\u00f3 depois que ela notou algo que daria uma unidade ao projeto: \u201cComecei a perceber que, no que vinha escrevendo, tinha uma linha mar\u00edtima. Eram poemas que falavam sobre\u00a0 \u00e1gua e sobre mergulho, faziam alus\u00f5es \u00e0s passagens aqu\u00e1ticas\u201d, conta J\u00falia. No verso de \u201cRecife\u201d, j\u00e1 mostra isso: \u201cos nossos barcos\/se dividem no mar bravio\/ n\u00e3o quero ser de mim mesma\/ nem dessa terra profunda\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Esse processo de curadoria dos poemas, para ela, foi um dos principais para chegar ao que pensou como procedimento est\u00e9tico para o livro, que tem menos de 60 p\u00e1ginas. \u201cEu considero um livro simples, mas que tamb\u00e9m \u00e9 ambicioso em algum lugar. \u00c9 um primeiro livro, ent\u00e3o acho que tem que ser, tenho que querer dizer algo com ele\u201d, explica. Essa intencionalidade tamb\u00e9m \u00e9 um tra\u00e7o importante do seu trabalho, que ela enxerga por meio da organiza\u00e7\u00e3o da obra, que \u00e9 dividida nas partes \u201cnavegar\u201d, \u201caportar\u201d e \u201czarpar\u201d. Enquanto na primeira parte J\u00falia escreve trabalhando com raiva ou medo, na segunda, ela j\u00e1 deixa suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias seguirem em frente e, na \u00faltima, olha pro futuro com coragem.<a href=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/noticias\/cultura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\" data-wpel-link=\"internal\"><strong><br \/><\/strong><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 justamente essa mistura de sensa\u00e7\u00f5es que o mar lhe causa \u2014 e da onde tamb\u00e9m come\u00e7ou a elaborar o t\u00edtulo, com duas palavras no feminino, n\u00e3o por acaso. A elabora\u00e7\u00e3o de sua linguagem po\u00e9tica surgiu enquanto ela escrevia sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado na \u00e1rea de <a href=\"https:\/\/www2.ufjf.br\/cinema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" data-wpel-link=\"external\">Cinema<\/a>, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e tamb\u00e9m percebe que encontrou ali a possibilidade de elaborar o que parecia pequeno e cotidiano. \u201cO mar, pra mim, sempre simbolizou algo inalcan\u00e7\u00e1vel, como se eu n\u00e3o pudesse entrar no mar sem sentir esse medo e esse repuxo que ele faz pra gente ir. Mas isso tamb\u00e9m simboliza uma certa possibilidade de ir mesmo assim.\u201d<\/p>\n<p>O fazer do cerzir<\/p>\n<p>Enquanto o cerzir dos poemas de J\u00falia combinam e incorporam os elementos naveg\u00e1veis, a sua linguagem liter\u00e1ria re\u00fane pontos mi\u00fados de trabalho: \u00e9 o caso da interfer\u00eancia do audiovisual. No livro, essa refer\u00eancia aparece no poema dedicado ao cineasta Hollis Frampton e ao poema chamado \u201cDente canino\u201d, mas n\u00e3o s\u00f3. Ela entende que as imagens e a pr\u00f3pria escolha pela poesia est\u00e3o totalmente relacionadas \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o.\u00a0 \u201cEscrevo poesia desde pequena, mas encarar o que escrevia como poesia e como um trabalho liter\u00e1rio \u00e9 mais recente\u201d, explica. Mas as refer\u00eancias tamb\u00e9m apareceram por meio de m\u00fasicas e at\u00e9 de uma foto do acervo pessoal do namorado.<\/p>\n<p>Diretora do curta \u201cPivete\u201d, ao lado de Ariel Rezende, exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes em 2023, al\u00e9m de trabalhar como assistente de dire\u00e7\u00e3o, ela pegou parte do pragmatismo que aprendeu no cinema para se voltar para o trabalho, para o fazer e refazer. \u201cA poesia \u00e9 mais imag\u00e9tica e menos descritiva. Fui entendendo que gosto disso, porque acho que se perdem possibilidades quando fecha muito o texto\u201d, explica.<\/p>\n<p><b>Navegar cada dia mais<\/b><\/p>\n<p>Trabalhar com os pr\u00f3prios medos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escrita foi algo que, pra ela, comp\u00f4s muito do que eram os desafios de dar forma ao \u201cNot\u00edcias submarinas\u201d. \u201cEu n\u00e3o me considero uma pessoa t\u00edmida, mas acho que sou uma pessoa inibida. Acho que isso aparece no livro, tem uma conten\u00e7\u00e3o que tento explorar, porque quando entendo que podia fazer desses medos [do mar e de escrever] material da pr\u00f3pria escrita, algo mudou pra mim. N\u00e3o seria \u201cescrava\u201d desses medos, escreveria com eles\u201d, diz. Para ela, foi preciso deixar de se importar com o destino dos poemas, e se guiar pelo pr\u00f3prio ato de escrever.<\/p>\n<p>E fica tamb\u00e9m not\u00e1vel por suas pr\u00f3prias palavras, como no poema \u201cImaginar\u201d, que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 a mesma inibi\u00e7\u00e3o do come\u00e7o, mas uma necessidade de continuar: \u201cpara integrar a fantasia de menina\/ de navegar cada dia mais\u201d. Tamb\u00e9m em \u201cep\u00edlogo\u201d, finalizando o livro, ela n\u00e3o quer mais ter medo de seus cadernos. E por isso acha t\u00e3o oportuno o lan\u00e7amento, quando pode continuar compartilhando essas procuras com outras pessoas. \u201cAcho que o lan\u00e7amento est\u00e1 sendo leve por isso, \u00e9 como se eu j\u00e1 n\u00e3o me preocupasse tanto com o que o trabalho virou, porque ele j\u00e1 existe, j\u00e1 independe de mim\u201d, reflete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s sucesso na Flip, J\u00falia Gama lan\u00e7a livro de poemas em Juiz de Fora (Foto: Arquivo pessoal) J\u00falia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30358,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-30357","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30357\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}