{"id":307038,"date":"2026-03-16T16:30:10","date_gmt":"2026-03-16T16:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/307038\/"},"modified":"2026-03-16T16:30:10","modified_gmt":"2026-03-16T16:30:10","slug":"mudancas-simples-em-utis-reduzem-infeccao-grave-em-bebes-16-03-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/307038\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as simples em UTIs reduzem infec\u00e7\u00e3o grave em beb\u00eas &#8211; 16\/03\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Mudan\u00e7as em pr\u00e1ticas de cuidado em UTIs neonatais, como reduzir o uso desnecess\u00e1rio de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/10\/uma-em-cada-seis-infeccoes-no-mundo-e-resistente-a-antibioticos-diz-oms.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">antibi\u00f3ticos<\/a> e antecipar a alimenta\u00e7\u00e3o com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/09\/estudo-desvenda-mecanismo-imunologico-envolvido-na-amamentacao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">leite materno<\/a>, reduziram em 18,5% a incid\u00eancia de sepse tardia, infec\u00e7\u00e3o que \u00e9 a principal causa de morte<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2022\/08\/pesquisa-identifica-possivel-causa-de-partos-prematuros.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> entre prematuros de muito baixo peso<\/a>. O resultado vem de um projeto conduzido pela Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais (RBPN) em 12 centros neonatais entre 2021 e 2023.<\/p>\n<p>A sepse afeta especialmente beb\u00eas que nascem com menos de 1,5 kg e pode ocorrer de duas formas: precoce, quando surge at\u00e9 o terceiro dia de vida e est\u00e1 associada a fatores maternos, como rompimento prematuro da bolsa, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/05\/a-cada-dois-segundos-nasceu-um-bebe-prematuro-no-mundo-afirma-oms.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">parto prematuro<\/a> e infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria; e tardia, ligada a fatores ambientais e que aparece ap\u00f3s os primeiros tr\u00eas dias.<\/p>\n<p>Ao nascer, esses prematuros t\u00eam<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/02\/bebes-prematuros-passam-a-contar-com-imunizante-contra-bronquiolite-no-sus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> sistema imunol\u00f3gico imaturo <\/a>e frequentemente dependem de dispositivos de suporte \u00e0 vida, como ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e acesso venoso central para nutri\u00e7\u00e3o, o que aumenta a vulnerabilidade a infec\u00e7\u00f5es. Embora essenciais, esses equipamentos tamb\u00e9m podem funcionar como porta de entrada para agentes infecciosos.<\/p>\n<p>Desde 1997, a RBPN re\u00fane centros universit\u00e1rios de refer\u00eancia para coletar dados sobre prematuros de muito baixo peso e desenvolver estrat\u00e9gias para <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/maternar\/2025\/09\/nova-lei-reforca-acoes-para-prevenir-partos-prematuros.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">melhorar a assist\u00eancia nas UTIs neonatais<\/a>. A sepse tardia tornou-se um dos principais focos da rede por ser uma condi\u00e7\u00e3o potencialmente evit\u00e1vel com mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas de cuidado.<\/p>\n<p>Em 2009, um grupo de trabalho passou a acompanhar fatores associados a infec\u00e7\u00e3o nas unidades participantes. Na \u00e9poca, a incid\u00eancia chegava a 25%, ou seja, 1 em cada 4 beb\u00eas apresentava sepse tardia. Mesmo com alertas \u00e0s equipes, o \u00edndice continuou crescendo e chegou a 30% em 2020, o que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um projeto de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As pediatras Ligia Maria Suppo de Souza Rugolo e Maria Regina Bentlin, da Faculdade de Medicina da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/unesp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Unesp<\/a> (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu, foram designadas pela rede para coordenar o projeto DownLOS \u2014sigla em ingl\u00eas para sepse tardia (late onset sepsis). A iniciativa volunt\u00e1ria prop\u00f4s mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas assistenciais e levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos casos em 67% das unidades participantes.<\/p>\n<p>Metodologia para interven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Para atacar os principais fatores associados \u00e0 ocorr\u00eancia de sepse tardia em beb\u00eas prematuros de muito baixo peso, primeiro, era preciso identific\u00e1-los. E verificar se sua incid\u00eancia era observada em todas as unidades participantes do projeto. Para isso, as pesquisadoras decidiram adotar metodologias de melhoria de qualidade j\u00e1 reconhecidas.<\/p>\n<p>&#8220;Para esse levantamento inicial utilizamos o m\u00e9todo PDCA, que contempla as etapas de planejar, fazer, verificar e agir; e os Diagramas de Ishikawa e de Pareto, que s\u00e3o ferramentas para identificar e organizar as causas e solu\u00e7\u00f5es para um problema&#8221;, diz Bentlin.<\/p>\n<p>Dentre as pr\u00e1ticas que favorecem a incid\u00eancia da sepse tardia as pesquisadoras identificaram o uso de antibi\u00f3ticos nas primeiras 48 horas de vida em beb\u00eas sem infec\u00e7\u00e3o; as complica\u00e7\u00f5es relacionadas ao cateter venoso central, utilizado para administra\u00e7\u00e3o de medicamentos e nutri\u00e7\u00e3o dos prematuros; e o in\u00edcio tardio da utiliza\u00e7\u00e3o do leite materno para a nutri\u00e7\u00e3o dos prematuros.<\/p>\n<p>&#8220;Usar antibi\u00f3tico precocemente em rec\u00e9m-nascidos prematuros leva a uma disbiose, ou seja, causa altera\u00e7\u00f5es na flora intestinal e favorece infec\u00e7\u00f5es. Percebemos que esse era um ponto muito sens\u00edvel na Rede&#8221;, explica Bentlin.<\/p>\n<p>&#8220;E o outro ponto era a alimenta\u00e7\u00e3o. Alimentar o beb\u00ea com o leite da m\u00e3e precocemente \u00e9 a melhor estrat\u00e9gia. E a gente percebeu que havia um atraso nos nossos centros. Quando eu priorizo a nutri\u00e7\u00e3o a partir do leite materno, eu tamb\u00e9m consigo remover mais cedo o cat\u00e9ter vascular e reduzir suas complica\u00e7\u00f5es&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Conclu\u00eddo o mapeamento, o projeto passou a implementar mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas assistenciais com metas adaptadas \u00e0 realidade de cada centro. Para organizar tarefas e responsabilidades, os pesquisadores adotaram a ferramenta de gest\u00e3o 5W2H, sigla em ingl\u00eas para sete perguntas orientadoras: o qu\u00ea, por qu\u00ea, onde, quando, quem, como e quanto custa.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Levando em considera\u00e7\u00e3o a diversidade dos centros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infraestrutura, recursos humanos e pr\u00e1ticas assistenciais de que cada um dispunha, tamb\u00e9m foram aplicados dois question\u00e1rios para as equipes multidisciplinares de m\u00e9dicos, enfermeiros e t\u00e9cnicos de enfermagem.<\/p>\n<p>&#8220;Para cada item apontado [associado \u00e0 sepse tardia], foi definido o que fazer, como fazer, o nome da pessoa respons\u00e1vel&#8221;, diz Bentlin. &#8220;E cada unidade tinha liberdade, dentre esses indicadores que foram selecionados, para definir como chegar a esse objetivo. E a partir dos question\u00e1rios definimos as metas individuais. Porque alguns centros tinham incid\u00eancia de sepse de 45%, enquanto outros apresentavam \u00edndice menor, de 15% ou 20%. A proposta de redu\u00e7\u00e3o era proporcional, segundo a realidade de cada um.&#8221;<\/p>\n<p>Resultados<\/p>\n<p>Durante o estudo entre 2021 e 2023, foram inclu\u00eddos os rec\u00e9m-nascidos prematuros com idade gestacional entre 22 e 36 semanas, pesando entre 400 g e 1.499 g, sem malforma\u00e7\u00f5es e internados em UTI neonatal por mais de 72 horas, um total de 1.993 beb\u00eas.<\/p>\n<p>Entre as pr\u00e1ticas, os centros deveriam reduzir as complica\u00e7\u00f5es relacionadas aos cateteres centrais, suspender os antibi\u00f3ticos em beb\u00eas n\u00e3o infectados em at\u00e9 48 horas, incentivar a extra\u00e7\u00e3o de leite materno para in\u00edcio da alimenta\u00e7\u00e3o nas primeiras 24 horas de vida e alimenta\u00e7\u00e3o completa, sem necessidade de acesso venoso e nutri\u00e7\u00e3o por via endovenosa, at\u00e9 o 11\u00ba dia de vida.<\/p>\n<p>Metade dos centros atingiu a meta para complica\u00e7\u00f5es relacionadas a cateteres umbilicais e 92% para cateteres percut\u00e2neos. Os antibi\u00f3ticos foram suspensos em 48 horas em 67% dos rec\u00e9m-nascidos n\u00e3o infectados. A extra\u00e7\u00e3o precoce de leite materno e a alimenta\u00e7\u00e3o por sonda foram alcan\u00e7adas em 44% e 75% dos casos, respectivamente. E 58% dos rec\u00e9m-nascidos atingiram nutri\u00e7\u00e3o completa at\u00e9 o 11\u00ba dia de vida. Com isso, metade dos centros atingiram as metas individuais estabelecidas e 67% registraram redu\u00e7\u00e3o na ocorr\u00eancia de sepse tardia. Isso contribuiu para uma diminui\u00e7\u00e3o geral na incid\u00eancia de sepse de 18,5%.<\/p>\n<p>Para Rugolo, os grandes destaques do projeto foram as metas adapt\u00e1veis \u00e0 realidade de cada centro e o constante di\u00e1logo entre a equipe de pesquisa e as unidades participantes por meio de reuni\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Nessas reuni\u00f5es peri\u00f3dicas, sempre tivemos o cuidado, ao receber os dados dos centros, de compilar e fazer apresenta\u00e7\u00f5es dos resultados de forma anonimizada&#8221;, diz a docente. &#8220;Cada centro sabia a sua sigla, mas a gente podia discutir sem nenhum constrangimento. E essa troca de experi\u00eancias foi muito enriquecedora.&#8221;<\/p>\n<p>Outro ponto importante, segundo as pesquisadoras, foi a escolha dos indicadores a serem trabalhados. Uma vez que os centros da RBPN pertencem a institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino, em muitos casos enfrentam desafios relacionados \u00e0 infraestrutura, equipamentos e m\u00e3o de obra. Assim, as a\u00e7\u00f5es propostas deveriam ser fact\u00edveis e de baixo custo.<\/p>\n<p>&#8220;Mostramos que a sepse \u00e9 uma causa de morte que pode ser evit\u00e1vel. E para isso existem medidas que podem ser adotadas sem custo, que dependem apenas das nossas a\u00e7\u00f5es no dia a dia. Do contr\u00e1rio, o projeto n\u00e3o sairia do papel e n\u00e3o teria o impacto que teve&#8221;, esclarece Bentlin.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximas etapas<\/p>\n<p>Os atuais 24 centros da RBPN foram convidados em janeiro de 2026 para uma nova etapa do projeto, agora com a participa\u00e7\u00e3o de enfermeiros e t\u00e9cnicos de enfermagem que integram as equipes de assist\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Essa n\u00e3o deve ser uma preocupa\u00e7\u00e3o apenas do m\u00e9dico respons\u00e1vel por uma UTI neonatal. A equipe toda da unidade precisa estar envolvida e vestir a camisa. O engajamento \u00e9 algo que vamos incentivar nessa segunda etapa do projeto&#8221;, afirma Rugolo.<\/p>\n<p>A professora diz que a expectativa \u00e9 que a a\u00e7\u00e3o se popularize e seja replicada para al\u00e9m da rede. &#8220;Foi uma iniciativa que deu certo e pode ser adotada por qualquer unidade neonatal. N\u00e3o precisa ser universit\u00e1ria. Qualquer unidade tem condi\u00e7\u00e3o de monitorar esses indicadores e melhorar suas pr\u00e1ticas.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mudan\u00e7as em pr\u00e1ticas de cuidado em UTIs neonatais, como reduzir o uso desnecess\u00e1rio de antibi\u00f3ticos e antecipar a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":307039,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[5362,7474,236,116,15379,8408,32,54791,33,117,15380,9661],"class_list":["post-307038","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-amamentacao","tag-bebes","tag-folha","tag-health","tag-jornal-da-unesp","tag-leite-materno","tag-portugal","tag-prematuridade","tag-pt","tag-saude","tag-unesp","tag-uti"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116239808890695130","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=307038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307038\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/307039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=307038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=307038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=307038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}