{"id":30711,"date":"2025-08-15T16:19:25","date_gmt":"2025-08-15T16:19:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/30711\/"},"modified":"2025-08-15T16:19:25","modified_gmt":"2025-08-15T16:19:25","slug":"o-novo-rock-do-barreiro-sai-da-toca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/30711\/","title":{"rendered":"O novo rock do Barreiro sai da TOCA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Este artigo foi originalmente publicado na revista Time Out Lisboa,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.timeout.pt\/lisboa\/pt\/noticias\/nesta-primavera-vamos-em-busca-das-ultimas-aldeias-de-lisboa-042925\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">edi\u00e7\u00e3o 673 \u2014\u00a0Primavera 2025<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Guilherme Firmino tinha 15 anos quando entrou pela primeira vez no Est\u00fadio King, a base de opera\u00e7\u00f5es da associa\u00e7\u00e3o barreirense Hey! Pachuco. \u201cNa altura, n\u00e3o fazia grande coisa. Sa\u00eda da escola e ia para casa; n\u00e3o sabia tocar um instrumento, n\u00e3o ia a concertos. Mas o [David] Yala e o Marco [Amado], que eram os outros dois membros da minha banda, tinham ouvido falar do Programa Jovens M\u00fasicos\u201d, recorda o cantor e guitarrista, hoje com 25 anos e um dos respons\u00e1veis pela TOCA, que continua o trabalho do antigo Programa Jovens M\u00fasicos, garantindo aos adolescentes do Barreiro uma sala de ensaios gratuita, entre outros apoios.<\/p>\n<p>A vida de Guilherme mudou muito desde 2015. Dantes, sentava-se atr\u00e1s de uma bateria que mal sabia tocar, era membro de uns tais de Arroz com Feij\u00e3o e a m\u00fasica era pouco mais do que um passatempo \u2013 \u201cuma desculpa para estar com os vv ao fim do dia\u201d, recorda. Agora, toca guitarra que se desunha, al\u00e9m de compor as m\u00fasicas e escrever as letras de Humana Taranja, uma\u00a0 das grandes promessas do novo rock nacional, convidada no in\u00edcio de Mar\u00e7o para inaugurar o Coliseu Club, a mais recente sala de concertos da capital. S\u00f3 n\u00e3o deixou de tocar com David Yala, nem de ensaiar nos est\u00fadios da Hey! Pachuco.<\/p>\n<p>\u00c9 ele quem recebe a Time Out num Est\u00fadio King que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo em que entrou em 2015. H\u00e1 uns anos que a Hey! Pachuco saiu do n\u00famero 8 da Rua da CUF, no Barreiro, e se instalou uns metros acima, num edif\u00edcio mais luminoso, na Rua Gay Lussac, 9. Guilherme ajudou a fazer as mudan\u00e7as e, juntamente com o cabecilha Carlos Ramos, mais conhecido por Nick Nicotine ou Suave, e outros elementos da associa\u00e7\u00e3o, fez do espa\u00e7o um est\u00fadio. Com boa vontade e tutoriais de Youtube, ergueram paredes de pladur, insonorizaram salas, fizeram o que foi preciso. E, passado pouco tempo, abriram a TOCA \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Outra vez.<\/p>\n<p>A actual TOCA difere do velho Programa Jovens M\u00fasicos apenas no nome e no patroc\u00ednio, que dantes era da Ba\u00eda do\u00a0Tejo, uma empresa de gest\u00e3o territorial e explora\u00e7\u00e3o de parques empresariais, e hoje \u00e9 a C\u00e2mara Municipal do Barreiro, atrav\u00e9s do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (PRR). \u201cAbri o est\u00fadio em 2008 e por volta de 2011 comecei a perceber que isto era utilizado sobretudo por malta que trabalha, que paga o aluguer do est\u00fadio \u00e0 noite para vir ensaiar, mais as grava\u00e7\u00f5es. Mas durante o dia t\u00ednhamos a sala vazia, porque a malta que tem dinheiro para ensaiar est\u00e1 a ganh\u00e1-lo durante o dia, para vir gast\u00e1-lo \u00e0 noite\u201d, diz Carlos Ramos, meio a rir-se. \u201cEm 2012, sabendo que havia putos sem dinheiro para alugar uma sala de ensaios, lembrei-me de montar este projecto e tentar arranjar alguns apoios.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"54068c47-cfb1-1ee6-ac94-9f37b0d9e711\" class=\"photo lazy inline\" loading=\"lazy\" data-component=\"lazy-embed\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755274762_38_image.webp.webp\" alt=\"TOCA\" data-caption=\"\" data-credit=\"Rita Gazzo\" data-width-class=\"\" data-image-id=\"106300726\"\/>&#13;<br \/>\nRita Gazzo&#13;<\/p>\n<p>\u201cFalei com a Ba\u00eda do Tejo, que era quem alugava o espa\u00e7o, e eles aceitaram baixar a renda em troca de fornecermos o est\u00fadio para a comunidade. E, desde a\u00ed, temos tentado manter o programa a funcionar\u201d, continua a contar o veterano barreirense. \u201cS\u00f3 que houve uma altura, j\u00e1 pr\u00e9-pandemia, em que a Ba\u00eda do Tejo mudou de administra\u00e7\u00e3o\u00a0 e perdemos esse apoio.\u201d Os Humana Taranja j\u00e1 tinham nascido entretanto, das cinzas dos Feij\u00e3o Com Arroz, e eram parte da fam\u00edlia Hey! Pachuco. \u201cCome\u00e7aram a parar mais no est\u00fadio, e a levar isto para a frente em conjunto connosco. E quando surgiu a oportunidade, p\u00f3s-pandemia, de ir buscar financiamento para a mesma tipologia de projecto, atrav\u00e9s do PRR, aproveit\u00e1mos\u201d, conclui.<\/p>\n<p>A chama do rock and roll n\u00e3o se apaga<\/p>\n<p>A s\u00e9rie documental Dan\u00e7a Camarra, realizada por Eduardo Moras entre 2016 e 2018, conta a hist\u00f3ria da m\u00fasica no Barreiro desde 1940 at\u00e9 ao final do s\u00e9culo XX. Foi o caminho aberto por sucessivas gera\u00e7\u00f5es de m\u00fasicos, mas sobretudo o trabalho e atitude do it yourself de bandas dos 90s como os Gasoleene, os Unladylike Scream ou os Toast que, no ano 2000, convenceu Carlos Gomes e os amigos a come\u00e7arem a associa\u00e7\u00e3o e editora Hey! Pachuco. \u201c[Nos anos 90] tinhas os Sonic Youth a bater, os Nirvana do Bleach, os Mudhoney e toda aquela\u00a0 cena de Seattle mais ruidosa. E apareceram aqui umas bandas fixes que gravaram e editaram comercialmente em editoras feitas por eles e de forma independente\u201d, rememora o m\u00fasico nascido em 1977. \u201cN\u00e3o me lembro se os Gasoleene fazem uma edi\u00e7\u00e3o de autor, se foi na Moneyland, do Jo\u00e3o Paulo Feliciano. Porque a dado ponto, pronto, o Rafael Toral e essa malta toda das Caldas dava-se com o pessoal daqui\u201d, continua a contar. Pelo meio, v\u00eam \u00e0 baila outras editoras indie nacionais, como a Bee Keeper de Elsa Pires e a Milkshake de Lu\u00eds Futre. \u201cLembro-me que o Rafael Toral gravou um single dos Gasoleene no Alburrica, um bar com esta largura, s\u00f3 com um microfone. E saiu em vinil.\u201d<\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>            <img decoding=\"async\" class=\"video_splash lazyload\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755274763_897_sddefault.jpg\" loading=\"lazy\"\/><\/p>\n<p>Inspirado neles, Carlos Gomes dividiu-se por dezenas de bandas e assumiu um sem fim de identidades. Foi Nickie Santero, Nick Nicotine e Suave, integrou Los Santeros, a Nicotine\u2019s Orchestra, The Act-Ups, The Ballyhoos, The Jack Shits. \u201cN\u00e3o tinha 60 e tal discos gravados hoje se n\u00e3o fosse isso. Queria era gravar as can\u00e7\u00f5es e mostr\u00e1-las. Controlo\u00a0de qualidade? Zero\u201d, assume.<\/p>\n<p>Durante quase duas d\u00e9cadas, ao mesmo tempo que documentava em disco a evolu\u00e7\u00e3o das principais estirpes de rock aut\u00f3ctones, organizou o saudoso Barreiro Rocks e um n\u00famero infind\u00e1vel de outros concertos; abriu um est\u00fadio; e, por fim, para garantir que a chama do rock barreirense n\u00e3o se apagava, lan\u00e7ou o Programa Jovens M\u00fasicos. Hoje, os ainda jovens Humana Taranja ou os Walter Walter, que tamb\u00e9m passaram pelo programa, s\u00e3o duas das mais destacadas bandas barreirenses. No entanto, j\u00e1 h\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos a sair da TOCA. Guilherme destaca os Beach Wreck, bando de \u201cmi\u00fados na casa dos 20\u201d que recentemente tocou no Disgra\u00e7a, com Walter Walter e Rita Linda; acompanhou The Parkinsons e Democrash na primeira Noite Sabotage na SMUP, em Outubro; e participou no Fast Eddie\u2019s Fest, h\u00e1 cerca de um ano. Al\u00e9m de lhes abrir as portas do Est\u00fadio King, a Hey! Pachuco tem-lhes indicado as portas de salas de concertos onde podem e devem bater. Como indicou aos Humana Taranja, no come\u00e7o.<\/p>\n<p>Os Beach Wreck editaram as primeiras tr\u00eas can\u00e7\u00f5es no final de Outubro, e a boa aceita\u00e7\u00e3o\u00a0 que o single \u201cThe Lighthouse\u201d tem tido n\u00e3o surpreende quem os v\u00ea regularmente na sala de ensaios. \u201cJ\u00e1 s\u00e3o banda\u201d, declara Suave, orgulhoso. \u201cQuando aqui entra um conjunto de putos, muitas vezes, topas quem vai continuar na m\u00fasica ou n\u00e3o. Com o Guilherme e o Yala percebi isso\u201d, acrescenta. Outros, por\u00e9m, acabam por desistir. \u201cH\u00e1 malta que vem uma vez, ensaia e n\u00e3o aparece mais\u201d, reconhece Carlos. \u201cComo tens uma liga\u00e7\u00e3o com a comunidade escolar,\u00a0 no in\u00edcio do ano v\u00eam todos entusiasmados, por\u00e9m, quando chega ali a Primavera\/Ver\u00e3o, h\u00e1 bandas que acabam e j\u00e1 n\u00e3o voltam.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" id=\"b9d77dbe-7bec-9632-a02c-968ac4ac1bb4\" class=\"photo lazy inline\" loading=\"lazy\" data-component=\"lazy-embed\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755274765_4_image.webp.webp\" alt=\"TOCA\" data-caption=\"\" data-credit=\"Rita Gazzo\" data-width-class=\"\" data-image-id=\"106300728\"\/>&#13;<br \/>\nRita Gazzo&#13;<\/p>\n<p>Actualmente, al\u00e9m dos Beach Wreck, h\u00e1 mais quatro novos grupos a ensaiarem dedicadamente todas as semanas na TOCA, e outros que v\u00e3o entrando e saindo de cena. A maioria dos participantes tem entre 14 e 20 anos, segundo Guilherme Firmino. Al\u00e9m disso, nota que h\u00e1 cada vez mais mulheres a tocarem nestas bandas. \u201cJ\u00e1 sentia isso quando o programa come\u00e7ou\u201d, reconhece Carlos Ramos. \u201cMas h\u00e1 cada vez mais.\u201d E ainda bem. Isso contribui para que o meio esteja \u201cmenos t\u00f3xico\u201d, segundo o co-fundador da Hey! Pachuco.<\/p>\n<p>O apoio do PRR termina no final deste ano, por\u00e9m toda a gente espera que a C\u00e2mara Municipal do Barreiro n\u00e3o abdique deste projecto, aberto a jovens at\u00e9 aos 25 anos. Desde a d\u00e9cada passada, a iniciativa fez muito pelo rock local. Mas n\u00e3o s\u00f3. Promoveu valores e sentimentos de comunidade e entreajuda. Coisas que nunca fizeram tanta falta como agora. Tomara que a sua chama nunca se apague.<\/p>\n<p><strong>\ud83c\udf7f Mais m\u00fasica: <a href=\"https:\/\/www.timeout.pt\/lisboa\/pt\/musica\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">fique a par das principais novidades com a Time Out<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\ud83c\udfc3 O \u00faltimo \u00e9 um ovo podre: cruze a meta no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TimeOutLisboa\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Facebook<\/strong><\/a><strong>,\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/timeoutlisboa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong> e\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaImNsW6LwHeF5LgS52C\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Whatsapp<\/strong><\/a><\/p>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Este artigo foi originalmente publicado na revista Time Out Lisboa,\u00a0edi\u00e7\u00e3o 673 \u2014\u00a0Primavera 2025 Guilherme Firmino tinha 15 anos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":30712,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[141],"tags":[6444,114,115,149,150,6445,32,33],"class_list":{"0":"post-30711","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-musica","8":"tag-categorias-musica","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-music","12":"tag-musica","13":"tag-noticias-musica","14":"tag-portugal","15":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30711"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30711\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30712"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}