{"id":307550,"date":"2026-03-17T01:15:07","date_gmt":"2026-03-17T01:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/307550\/"},"modified":"2026-03-17T01:15:07","modified_gmt":"2026-03-17T01:15:07","slug":"nova-cepa-do-virus-da-mpox-recombinante-preocupa-oms-16-03-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/307550\/","title":{"rendered":"Nova cepa do v\u00edrus da Mpox recombinante preocupa OMS &#8211; 16\/03\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente, em fevereiro de 2026, dois achados simult\u00e2neos reposicionaram o debate sobre a <a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/mpox\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">mpox<\/a>, doen\u00e7a infecciosa viral causada por um v\u00edrus da mesma fam\u00edlia da var\u00edola humana. A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/oms\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade)<\/a> relatou a detec\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus recombinante in\u00e9dito que os testes laboratoriais convencionais n\u00e3o conseguiram identificar corretamente. A nova cepa \u00e9 formada pela fus\u00e3o de elementos de duas linhagens gen\u00e9ticas j\u00e1 conhecidas do v\u00edrus (clados Ib e IIb), uma ligada ao surto global de 2022 e outra a um surto mais recente em pa\u00edses africanos.<\/p>\n<p>No final do m\u00eas em que a nova cepa foi identificada, o resultado de um grande estudo com o medicamento tecovirimat ampliou a preocupa\u00e7\u00e3o. Principal antiviral usado contra a var\u00edola e outros v\u00edrus do g\u00eanero Orthopoxvirus, ao qual tamb\u00e9m pertence o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/02\/saiba-como-se-proteger-da-mpox-brasil-ja-registrou-57-casos-neste-ano.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">v\u00edrus da mpox,<\/a> o medicamento vinha sendo empregado de forma emp\u00edrica no tratamento da doen\u00e7a, sobretudo em casos graves ou em pacientes com maior risco de complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Publicado no New England Journal of Medicine, o <a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2506495\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ensaio cl\u00ednico STOMP<\/a> mostrou, por\u00e9m, que o tecovirimat n\u00e3o reduziu o tempo de resolu\u00e7\u00e3o das les\u00f5es, n\u00e3o aliviou a dor nem acelerou a elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. O resultado enfraquece uma das principais apostas terap\u00eauticas contra a doen\u00e7a justamente num momento em que o cen\u00e1rio da mpox se torna mais incerto.<\/p>\n<p>O estudo envolveu 344 adultos imunocompetentes com mpox confirmada do clado 2 \u2014em sua maioria com doen\u00e7a leve a moderada\u2014 foram sorteados para receber tecovirimat oral ou placebo por 14 dias, em um estudo randomizado e duplo-cego, isto \u00e9, com distribui\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria entre os grupos e sem que pacientes ou pesquisadores soubessem quem estava recebendo o antiviral ou o placebo.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o mostrou evid\u00eancia de benef\u00edcio cl\u00ednico do antiviral em rela\u00e7\u00e3o ao placebo: a resolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica (com cicatriza\u00e7\u00e3o das les\u00f5es e a melhora dos sintomas) ocorreu em 83% dos pacientes tratados, percentual praticamente id\u00eantico ao do grupo placebo, com 84%. A diferen\u00e7a m\u00e9dia na intensidade da dor foi de apenas 0,1 ponto em uma escala de 0 a 10, e a elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus ocorreu em ritmo semelhante nos dois grupos.<\/p>\n<p>O achado ganha ainda mais for\u00e7a quando analisado em conjunto com o <a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2412439?utm_source=chatgpt.com\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo PALM007<\/a>, realizado na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, que chegou \u00e0 mesma conclus\u00e3o para o clado 1. Juntos, os dois ensaios enfraquecem a justificativa para o uso rotineiro do medicamento em adultos. O ponto mais delicado \u00e9 que imunocomprometidos, gestantes e crian\u00e7as \u2014grupos de maior risco\u2014 n\u00e3o foram adequadamente contemplados nesses estudos. A principal lacuna terap\u00eautica, portanto, continua aberta justamente para quem mais pode precisar de tratamento.<\/p>\n<p>Por que a nova cepa exige aten\u00e7\u00e3o e medidas imediatas<\/p>\n<p>A OMS avalia que essa cepa provavelmente est\u00e1 mais disseminada do que os registros atuais sugerem. Isso porque os dois casos confirmados at\u00e9 agora foram detectados no Reino Unido e na \u00cdndia, mas ambos envolvem hist\u00f3rico de viagem internacional \u2014um a um pa\u00eds da \u00c1sia-Pac\u00edfico e outro a um pa\u00eds da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, n\u00e3o identificados publicamente. Em outras palavras, a circula\u00e7\u00e3o do recombinante j\u00e1 envolve ao menos quatro pa\u00edses, em tr\u00eas regi\u00f5es da OMS, ainda que nem todos tenham sido nomeados.<\/p>\n<p>A nova cepa recombinante preocupa por uma raz\u00e3o pr\u00e1tica: nos dois casos, no Reino Unido e na \u00cdndia, os testes convencionais de PCR usados para diferencia\u00e7\u00e3o de clados n\u00e3o conseguiram caracterizar corretamente o novo v\u00edrus. Apenas o sequenciamento gen\u00f4mico completo mostrou que n\u00e3o se tratava de um clado (linhagem gen\u00e9tica) j\u00e1 descrito, mas de um v\u00edrus recombinante, <a href=\"https:\/\/www.idsociety.org\/science-speaks-blog\/2025\/mpox-in-2025-what-we-know-what-we-have-and-what-needs-to-happen-next\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">com elementos gen\u00e9ticos de ambos<\/a>.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre os clados (linhagens gen\u00e9ticas) ajuda a dimensionar por que a nova cepa da mpox merece mais aten\u00e7\u00e3o. O clado IIb, associado ao surto global de 2022, apresentou letalidade inferior a 0,1% em pa\u00edses de alta renda. O clado Ib, por sua vez, predominante na \u00c1frica Central, tem sido relacionado a quadros mais graves, com letalidade estimada entre 3% e 5% nos casos suspeitos e taxas que podem chegar a 11% entre crian\u00e7as e pessoas imunocomprometidas. N\u00e3o se trata de uma diferen\u00e7a marginal.<\/p>\n<p>Entre janeiro de 2024 e maio de 2025, 26 pa\u00edses africanos notificaram mais de 139 mil casos suspeitos e cerca de 1.788 mortes. No Brasil, n\u00e3o houve \u00f3bitos registrados em 2024 e 2025, mas a confirma\u00e7\u00e3o do clado Ib em S\u00e3o Paulo, em mar\u00e7o de 2025, mudou a natureza do risco: o pa\u00eds deixou de lidar apenas com a variante ligada ao surto anterior e passou a conviver com a possibilidade de circula\u00e7\u00e3o de uma forma associada a desfechos mais graves, segundo o informe semanal do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>O que precisa acontecer agora \u00e9 relativamente claro. A vigil\u00e2ncia precisa incorporar o sequenciamento gen\u00f4mico de forma mais sistem\u00e1tica, porque o PCR convencional n\u00e3o identifica cepas recombinantes. Na assist\u00eancia, os <a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/mmwr\/volumes\/72\/wr\/mm7209a4.htm\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">protocolos cl\u00ednicos<\/a> precisam ser revistos \u00e0 luz das evid\u00eancias mais recentes, j\u00e1 que o tecovirimat n\u00e3o se sustenta como uso rotineiro em pacientes imunocompetentes, ao mesmo tempo que os grupos mais vulner\u00e1veis seguem necessitando de alternativas terap\u00eauticas e de acompanhamento mais cuidadoso. E, do ponto de vista da preven\u00e7\u00e3o, a vacina\u00e7\u00e3o dos grupos priorit\u00e1rios n\u00e3o deveria esperar um novo surto para ganhar escala: a janela para agir \u00e9 agora.<\/p>\n<p>Como se proteger<\/p>\n<p>A principal forma de preven\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel hoje \u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o. No Brasil, o imunizante ofertado pelo SUS para grupos priorit\u00e1rios \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/mmwr\/volumes\/71\/wr\/mm7149a5.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jynneos (MVA-BN)<\/a>, imunizante de terceira gera\u00e7\u00e3o aprovada para mpox, que mostrou efic\u00e1cia estimada entre 70% e 85% na preven\u00e7\u00e3o de casos sintom\u00e1ticos durante o surto de 2022, com benef\u00edcio adicional quando aplicada at\u00e9 96 horas ap\u00f3s uma exposi\u00e7\u00e3o de risco. A oferta tem sido direcionada a grupos com maior vulnerabilidade ou risco de exposi\u00e7\u00e3o, como homens que fazem sexo com homens com m\u00faltiplos parceiros, profissionais do sexo, pessoas vivendo com HIV e trabalhadores da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Outra vacina com prote\u00e7\u00e3o cruzada contra a mpox \u00e9 a ACAM2000, derivada da imuniza\u00e7\u00e3o contra a var\u00edola. Ela n\u00e3o integra a estrat\u00e9gia adotada no SUS e tem uso mais restrito, porque est\u00e1 associada a mais efeitos adversos e \u00e9 contraindicada para pessoas imunocomprometidas. No horizonte, uma vacina de mRNA desenvolvida pela Moderna apresentou resultados promissores em modelos animais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da vacina\u00e7\u00e3o, seguem valendo medidas b\u00e1sicas de preven\u00e7\u00e3o: evitar contato direto com les\u00f5es cut\u00e2neas ou mucosas de pessoas com suspeita de mpox e buscar atendimento diante do surgimento de les\u00f5es na pele, sobretudo se vierem acompanhadas de febre e aumento dos g\u00e2nglios linf\u00e1ticos ap\u00f3s uma exposi\u00e7\u00e3o de risco. Em casos graves, com manifesta\u00e7\u00f5es extensas ou em pacientes com imunossupress\u00e3o avan\u00e7ada, as orienta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas provis\u00f3rias dos CDC ajudam a balizar a condu\u00e7\u00e3o. Estudos sobre mpox <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(23)00273-8\/fulltext\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">em pessoas com HIV avan\u00e7ado<\/a> mostram tamb\u00e9m por que o grupo exige aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Recentemente, em fevereiro de 2026, dois achados simult\u00e2neos reposicionaram o debate sobre a mpox, doen\u00e7a infecciosa viral causada&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":307551,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[9397,236,116,1175,10196,32,33,117,4483,33288],"class_list":["post-307550","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-aids","tag-folha","tag-health","tag-hiv","tag-mpox","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-sus","tag-variola-dos-macacos"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116241873328848182","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=307550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/307550\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/307551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=307550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=307550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=307550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}