{"id":309126,"date":"2026-03-18T05:05:08","date_gmt":"2026-03-18T05:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/309126\/"},"modified":"2026-03-18T05:05:08","modified_gmt":"2026-03-18T05:05:08","slug":"quanto-custa-construir-uma-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/309126\/","title":{"rendered":"quanto custa construir uma central?"},"content":{"rendered":"<p>        Especialista em energia nuclear aponta que o pa\u00eds poderia ter entre 1 e 2 gigawatts de pot\u00eancia, que custariam entre 8\/9 a 16\/18 mil milh\u00f5es de euros. Mas defende que o tema precisa de consenso pol\u00edtico pois a constru\u00e7\u00e3o abrange v\u00e1rias legislaturas e que n\u00e3o pode ir contra as popula\u00e7\u00f5es.    <\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre a energia nuclear regressou recentemente depois de Bruxelas ter anunciado 200 milh\u00f5es de euros para desenvolver tecnologias inovadoras.<\/p>\n<p>O tema em Portugal ficou marcado pela luta do povo de Ferrel em 1976 que conseguiu travar a central prevista para a vila do concelho de Peniche.<\/p>\n<p>Em 2005, houve nova tentativa para construir uma central nuclear em Portugal, com um custo de 3,5 mil milh\u00f5es de euros para construir 1.600 megawatts, mas o Governo de Jos\u00e9 S\u00f3crates rejeitou o projeto.<\/p>\n<p>Pode ser agora o momento certo para retomar a discuss\u00e3o? Bem, o Governo j\u00e1 chutou para canto o tema. \u201cPara a energia nuclear \u00e9 preciso um investimento inicial bastante elevado. Temos muito potencial renov\u00e1vel. A nossa aposta dever\u00e1 ser nas renov\u00e1veis\u201d, disse a ministra do Ambiente Maria da Gra\u00e7a Carvalho na semana passada.<\/p>\n<p>Mas quanto custaria uma central nuclear em Portugal? E qual a pot\u00eancia ideal para o pa\u00eds? O Jornal Econ\u00f3mico entrevistou o professor Bruno Soares Gon\u00e7alves, especialista em energia nuclear que fez as contas tendo por base projeto nucleares mais recentes.<\/p>\n<p>\u201cOito a nove mil milh\u00f5es de euros para um reator de um gigawatt. Penso que precisar\u00edamos de um a dois gigas. Tipicamente, os estudos de custos totais do sistema nos outros pa\u00edses t\u00eam apontando para qualquer coisa da ordem dos 20% [de pot\u00eancia] das necessidades do pa\u00eds para ser economicamente vi\u00e1vel. Mas aqui tudo depende de qual \u00e9 a perspetiva e como \u00e9 que enquadramos isso no nosso portf\u00f3lio [energ\u00e9tico]. N\u00e3o pode ser um valor tipo PNEC\u201d, segundo Bruno Gon\u00e7alves, destacando que as contas s\u00e3o uma estimativa em bruto.<\/p>\n<p>Olhando para exemplos l\u00e1 fora, destaca os Emirados \u00c1rabes Unidos que \u201cconstru\u00edram quatro reatores de origem sul-coreana. O primeiro foi mais caro, mas foram reduzindo os custos de reator para reator. O custo total j\u00e1 com custos de capital rondou os 24 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d, come\u00e7ou por dizer o presidente do Instituto de Plasmas e Fus\u00e3o Nuclear (IPFN).<\/p>\n<p>J\u00e1 os \u201cfornecedores chineses pensam que na Europa um reator da escala de um gigawatt poderia custar qualquer coisas entre sete a oito mil milh\u00f5es de euros\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas n\u00e3o podemos esquecer que um reator nuclear pode ser licenciado incialmente para 40 anos e pode ser estendido para 60 a 80 anos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O professor do Instituto Superior T\u00e9cnico (IST) destaca \u201cum aspeto importante: isto n\u00e3o se faz contra a popula\u00e7\u00e3o. H\u00e1 o contrato social com a popula\u00e7\u00e3o. Tem de haver uma discuss\u00e3o s\u00e9ria e cient\u00edfica. \u00c9 preciso salientar que o nuclear foi um fator de desenvolvimento regional nas zonas onde foi instalado porque atrai trabalhadores especializados, que v\u00eam com as suas fam\u00edlias, e acaba por se criar um conjunto de servi\u00e7os e muitas vezes vem associado um conjunto de ind\u00fastrias. Isto tudo acaba por ser um fator de desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>Bruno Soares Gon\u00e7alves pede assim \u201cuma estrat\u00e9gia para o pa\u00eds\u201d que passa por fazer o estudo dos custos totais do sistema el\u00e9trico.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes \u00e9 afirmado que o nuclear \u00e9 caro, mas a e\u00f3lica offshore flutuante que se tem discutido para Portugal est\u00e1 longe de ser barata\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cO nuclear tem que ser aceite transversalmente [a n\u00edvel pol\u00edtico] porque estamos a falar de uma estrat\u00e9gia para o pa\u00eds, n\u00e3o estamos a falar de uma estrat\u00e9gia governativa para um ciclo eleitoral. O estudo tem de ser feito e a estrat\u00e9gia tem que assentar em resultados cient\u00edficos. Pessoalmente, acho que o nuclear vai aparecer como uma op\u00e7\u00e3o natural\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>No caso de Almaraz, destaca que os reatores nucleares \u201csofrem melhorias cont\u00ednuas a cada interven\u00e7\u00e3o para corre\u00e7\u00e3o para substitui\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel. H\u00e1 melhorias que s\u00e3o introduzidas a repara\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas sempre no sentido de melhorar a sua seguran\u00e7a e de melhorar a sua fiabilidade. Ou seja, ao longo de 40 anos existem tamb\u00e9m melhorias que v\u00e3o melhorando. O que \u00e9 que n\u00e3o muda num reator em 40 anos? \u00c9 a cuba, a parte onde est\u00e1 inserido o combust\u00edvel. Nenhum reator hoje \u00e9 igual ao dia em que nasceu e que foi constru\u00eddo e entrou em opera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em Espanha, \u201cos reatores funcionam 90% do tempo. Funcionam como um rel\u00f3gio. Por isso, o custo e o investimento \u00e9 elevado. Mas temos que pensar a longo prazo o que \u00e9 que queremos\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso dos pequenos reatores modulares, at\u00e9 300 megawatts de pot\u00eancia, os valores variam, destaca, apontando alguns exemplos de custo de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade. \u201cTenho visto n\u00fameros da ordem dos 75 a 80 euros por megawatt hora. Nos Estados Unidos, est\u00e3o a apontar para valores nos 50-55 d\u00f3lares por megawatt hora. Existem alguns projetos que neste momento falam em valores da ordem dos 30 euros por megawatt hora, que s\u00e3o verdadeiramente competitivos, mas ainda ter\u00e3o que o demonstrar\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o an\u00fancio da Comiss\u00e3o Europeia, destacou que o \u201caspeto mais not\u00e1vel da declara\u00e7\u00e3o de Ursula von der Leyen foi assumir que o n\u00e3o ter dado continuidade ao nuclear foi um erro estrat\u00e9gico. Os 200 milh\u00f5es s\u00e3o um primeiro passo, em vista a depois haver investimentos futuros no pr\u00f3ximo programa-quadro de investimentos. Tudo indica que a Comiss\u00e3o quer que sejam pequenos reatores modulares\u201d.<\/p>\n<p>Em 2005, a localiza\u00e7\u00e3o admitida para o projeto promovido por Patrick Monteiro de Barros e Pedro Sampaio Nunes foi na zona da albufeira do Alqueva no Alentejo.<\/p>\n<p>Questionado quais as possibilidades para uma localiza\u00e7\u00e3o de uma central futura, o professor do Instituto Superior T\u00e9cnico (IST) destaca que o \u201cideal seria a norte de Lisboa, devido ao risco s\u00edsmico\u201d.<\/p>\n<p>Destaca que Sines tamb\u00e9m \u00e9 uma possibilidade, pois \u00e9 um local onde j\u00e1 existe e vai continuar a existir um grande consumo de eletricidade. Uma das vantagens \u00e9 a exist\u00eancia de um \u201clocal onde j\u00e1 houve uma central\u201d, referindo-se \u00e0 central de carv\u00e3o de Sines que fechou em janeiro de 2021, mas aponta que o \u201cmais natural\u201d seria a localiza\u00e7\u00e3o a norte de Lisboa, no caso de ser um reator de grandes dimens\u00f5es, fazendo tamb\u00e9m sentido numa zona onde j\u00e1 houvesse linhas de muito alta tens\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso de pequenos reatores modulares, \u201cat\u00e9 se pode pensar em v\u00e1rias localiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas de centros de dados, ou pr\u00f3ximas de grandes centros de consumo e instaladas localmente\u201d.<\/p>\n<p>Um dos problemas da produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear s\u00e3o os res\u00edduos produzidos e a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 enterr\u00e1-los. O especialista exemplifica: os res\u00edduos nucleares de toda a eletricidade que um portugu\u00eas consome ao longo da sua vida caberiam num ter\u00e7o de uma lata de refrigerante\u201d. D\u00e1 o exemplo da Su\u00e9cia e da Finl\u00e2ndia que enterram os res\u00edduos num \u201creposit\u00f3rio geol\u00f3gico profundo, seguro\u201d, mas que h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es a serem desenvolvidas ainda que visam o uso destes res\u00edduos para combust\u00edvel.<\/p>\n<p>Sobre a seguran\u00e7a destes projetos, destaca que os reatores como os de Chernobil s\u00f3 restam poucos sete na R\u00fassia que ser\u00e1 desativados at\u00e9 2030. No caso do acidente nuclear em Fukushima no Jap\u00e3o, destaca que o problema foi o tsunami ap\u00f3s o terramoto, e que o desenho da central n\u00e3o acautelava estas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAprendeu-se muito com Fukushima. E os reatores atuais beberam dos dados dos relat\u00f3rios de Fukishima para corrigirem o que n\u00e3o estava certo\u201d, sublinha.<\/p>\n<p>Em termos de v\u00edtima, Chernobil provocou quatro mil v\u00edtimas, com Fukushima a provocar 475, n\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o, mas sim devido ao processo de evacua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Especialista em energia nuclear aponta que o pa\u00eds poderia ter entre 1 e 2 gigawatts de pot\u00eancia, que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":309127,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[24159,27,28,55050,22491,22629,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-309126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-almaraz","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-bruno-soares-goncalves","tag-central","tag-energia-nuclear","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116248439990814838","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309126\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/309127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}