{"id":309609,"date":"2026-03-18T14:23:12","date_gmt":"2026-03-18T14:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/309609\/"},"modified":"2026-03-18T14:23:12","modified_gmt":"2026-03-18T14:23:12","slug":"consumo-de-drogas-desce-em-lisboa-e-no-porto-e-aumenta-em-almada-droga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/309609\/","title":{"rendered":"Consumo de drogas desce em Lisboa e no Porto e aumenta em Almada | Droga"},"content":{"rendered":"<p>A an\u00e1lise das \u00e1guas residuais de Lisboa demonstra que houve uma diminui\u00e7\u00e3o do consumo de drogas il\u00edcitas entre 2024 e 2025. O que \u00e9 mais relevante nos dados, revelados esta quarta-feira, \u00e9 a descida acentuada da <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/19\/sociedade\/noticia\/lisboa-10-cidades-europeias-consomem-ecstasy-finsdesemana-2126426\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">utiliza\u00e7\u00e3o de MDMA<\/a> na cidade, quando, no ano anterior, Lisboa estava entre as dez cidades europeias com consumos mais elevados desta subst\u00e2ncia nos fins-de-semana.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 id\u00eantico no Porto, com a excep\u00e7\u00e3o de um ligeiro aumento da presen\u00e7a da cetamina nas \u00e1guas residuais. Ainda assim, aquela que j\u00e1 foi uma das cidades da Europa com consumos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/03\/20\/sociedade\/noticia\/porto-cidades-europeias-onde-consumo-cocaina-cresceu-2084140\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mais intensos<\/a> de coca\u00edna, em 2023, apresenta agora indicadores abaixo da m\u00e9dia europeia.<\/p>\n<p>Segundo o estudo Wastewater analysis and drugs \u2013 a European multi-city study, da organiza\u00e7\u00e3o SCORE, em colabora\u00e7\u00e3o com a Ag\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia sobre Drogas (EUDA, na sigla em ingl\u00eas), o consumo de subst\u00e2ncias il\u00edcitas desceu em Lisboa e no Porto, mas aumentou em Almada, a terceira cidade nacional abrangida. A cidade da Margem Sul registou subidas quanto ao consumo de coca\u00edna, anfetaminas e MDMA e ultrapassou o Porto no consumo de todas estas drogas il\u00edcitas.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de MDMA \u00e9 comum a 60% das 78 cidades dos 25 pa\u00edses (23 da Uni\u00e3o Europeia, Noruega e Turquia), com dados compar\u00e1veis entre 2024 e 2025, um universo de 72 milh\u00f5es de pessoas, inclu\u00eddas nas an\u00e1lises das amostras di\u00e1rias das \u00e1guas residuais. Com o objectivo de detectar vest\u00edgios de anfetaminas, metanfetaminas coca\u00edna, MDMA, cetamina e cannabis, as amostras foram recolhidas, numa semana, entre Mar\u00e7o e Maio do ano passado. As catinonas (quimicamente semelhantes \u00e0s anfetaminas) ficaram de fora, por falta de metodologia laboratorial.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Matias, analista cient\u00edfico da EUDA, observa que a descida de vest\u00edgios de MDMA (princ\u00edpio activo do ecstasy) pode dever-se a um conjunto de factores: \u201cMudan\u00e7a de padr\u00f5es de consumo, poss\u00edvel menor poder de compra ou menor frequ\u00eancia de contextos recreativos.\u201d Jo\u00e3o Matias acrescenta que a substitui\u00e7\u00e3o de MDMA por cetamina (ou ketamina) e catinonas tem vindo a ser referida em v\u00e1rios relat\u00f3rios, e que o facto de estarem acess\u00edveis e baratas, terem efeitos mais r\u00e1pidos e implicarem intervalos mais curtos de dosagem, ajudam a compreender a altera\u00e7\u00e3o. A descida (de 16%) foi mais evidente em cidades da Alemanha, \u00c1ustria e Eslov\u00e9nia, e foi superior \u00e0 registada durante a covid-19, quando a vida nocturna estava praticamente suspensa.<\/p>\n<p>Mais cetamina, mais coca<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do MDMA, de produ\u00e7\u00e3o europeia e exportada para outros continentes, o consumo de cetamina e de coca\u00edna aumentou no per\u00edodo em an\u00e1lise. No primeiro caso, Jo\u00e3o Matias refere que a sua utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida na popula\u00e7\u00e3o em geral, mas que o seu consumo problem\u00e1tico j\u00e1 levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/society\/2026\/feb\/18\/ketamine-addiction-making-teenagers-wet-the-bed-uk-first-specialist-clinic\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">cl\u00ednicas<\/a> de tratamento espec\u00edficas para este tipo de abuso no Reino Unido, mais frequente entre jovens, que a tomam de foram regular, com efeitos urol\u00f3gicos graves. O seu maior uso pode ser explicado por uma \u201cmaior disponibilidade e prefer\u00eancias daqueles que usam drogas, diminui\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o de risco\u201d a seu respeito, e por se tratar de um \u201cf\u00e1rmaco\u201d.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de cetamina nas \u00e1guas residuais europeias aumentou quase 41% nas cidades que comunicaram dados de 2024 e 2025. B\u00e9lgica, Alemanha e Pa\u00edses Baixos s\u00e3o os pa\u00edses de maior consumo na Uni\u00e3o Europeia. Embora menos do que a cetamina, as cargas de coca\u00edna nas \u00e1guas residuais aumentaram quase 22% e a detec\u00e7\u00e3o foi mais elevada na B\u00e9lgica, Espanha e Pa\u00edses Baixos.<\/p>\n<p>Se falarmos de anfetaminas, os n\u00edveis mais elevados est\u00e3o, como habitualmente, no Norte e Centro da Europa, e n\u00e3o foram encontradas em Lisboa, Porto e Almada. A ingest\u00e3o de metanfetaminas \u00e9 mais regular em cidades da Ch\u00e9quia e Eslov\u00e1quia, embora o seu crescimento tenha sido observado no Centro e Norte da Europa, com n\u00edveis mais elevados na Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e EUA, com os quais o SCORE compara os dados, uma vez que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o com trabalho epidemiol\u00f3gico de recolha em \u00e1guas residuais em pa\u00edses de diferentes continentes.<\/p>\n<p>O consumo da droga il\u00edcita mais consumida na Europa, a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/cannabis\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cannabis<\/a>, com uma estimativa de 24 milh\u00f5es de utilizadores no ano passado, aparenta estar constante: 33% das 63 cidades analisadas registaram um aumento, 44% uma descida e 22% uma estabiliza\u00e7\u00e3o. Os padr\u00f5es de consumo de drogas il\u00edcitas s\u00e3o, regra geral, os mesmos nas pequenas e nas grandes cidades, e \u00e9 no Norte e Centro da Europa que esse consumo \u00e9 mais elevado. O que dita as maiores diferen\u00e7as \u00e9 sempre uma quest\u00e3o de acesso e de contextos recreativos para a sua toma, mais frequentes nos meios urbanos mais populosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A an\u00e1lise das \u00e1guas residuais de Lisboa demonstra que houve uma diminui\u00e7\u00e3o do consumo de drogas il\u00edcitas entre&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":309610,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[7087,55097,27,28,22205,2624,15,16,14,25,26,797,21,22,62,12,13,19,20,462,32,23,24,58,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-309609","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-almada","9":"tag-anfetaminas","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-cannabis","13":"tag-droga","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-lisboa","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-mundo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-porto","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-sociedade","32":"tag-top-stories","33":"tag-topstories","34":"tag-ultimas","35":"tag-ultimas-noticias","36":"tag-ultimasnoticias","37":"tag-world","38":"tag-world-news","39":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116250634121921730","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309609"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309609\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/309610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}