{"id":310246,"date":"2026-03-19T01:28:12","date_gmt":"2026-03-19T01:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/310246\/"},"modified":"2026-03-19T01:28:12","modified_gmt":"2026-03-19T01:28:12","slug":"na-barragem-do-alto-rabagao-em-tras-os-montes-testa-se-o-futuro-da-energia-solar-energias-renovaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/310246\/","title":{"rendered":"Na Barragem do Alto Rabag\u00e3o, em Tr\u00e1s-os-Montes, testa-se o futuro da energia solar | Energias renov\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>As turbinas e\u00f3licas nas colinas que circundam a Barragem do Alto Rabag\u00e3o, em Montalegre, s\u00e3o sinal de que o vento ali n\u00e3o \u00e9 brincadeira nenhuma. \u201cAs pessoas nunca acreditam, mas o efeito do vento aqui, no planalto, pode provocar ondas de 1,5 metros\u201d, contou Pedro Oliveira, director de novas tecnologias e projectos especiais na EDP. Ele fez as honras na visita feita de barco at\u00e9 \u00e0 outra ponta da barragem, onde est\u00e3o os pain\u00e9is solares flutuantes que hoje s\u00e3o um verdadeiro laborat\u00f3rio ao ar livre para testar novas solu\u00e7\u00f5es para tecnologias renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>A \u00e1gua est\u00e1 muito azul e brilhante, com a copa de algumas \u00e1rvores a espreitar junto \u00e0 margem, como prova de que a albufeira da Barragem do Alto Rabag\u00e3o, em Tr\u00e1s-os-Montes, est\u00e1 quase na cota m\u00e1xima \u2013 mais uns 20 a 30 cent\u00edmetros, e chegar-se-ia aos 880 metros do armazenamento pleno. O dia da visita foi escolhido a dedo: tinha de estar sol, e o vento n\u00e3o soprava t\u00e3o agreste como de costume. Ainda assim, o frio era cortante na desloca\u00e7\u00e3o de barco at\u00e9 aos cerca de 2600 metros quadrados (m2) de pain\u00e9is solares flutuantes instalados na barragem, feita contra o vento.<\/p>\n<p>Os primeiros pain\u00e9is solares flutuantes que a EDP instalou foram postos ali, em 2016, para testar o conceito de hibridiza\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis \u2013 ou seja, a combina\u00e7\u00e3o de duas ou mais fontes renov\u00e1veis, neste caso h\u00eddrica e solar, num \u00fanico ponto de conex\u00e3o \u00e0 rede \u2013, no qual a el\u00e9ctrica portuguesa foi pioneira no pa\u00eds. Porqu\u00ea no Alto Rabag\u00e3o? \u201cPorque se funcionasse aqui, onde as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas s\u00e3o t\u00e3o severas, funcionaria em qualquer lado\u201d, explicou Pedro Oliveira.<\/p>\n<p>Neve na barragem<\/p>\n<p>\u00c9 assim t\u00e3o extremo? \u201cAinda neste Inverno, os pain\u00e9is solares flutuantes estiveram cobertos de neve\u201d, exemplificou o respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>O teste-piloto funcionou muito bem, o<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/01\/22\/azul\/noticia\/nao-faltam-areas-baixo-conflito-portugal-cumprir-metas-energia-solar-ate-2030-2161949\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> conceito foi provado<\/a>, e em 2022 a EDP instalou uma superf\u00edcie muito maior de pain\u00e9is solares flutuantes na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2022\/05\/09\/azul\/noticia\/maior-central-solar-flutuante-europa-fica-alqueva-pronta-funcionar-2005470\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Barragem de Alqueva<\/a>, que tem quatro hectares \u2013 ou 40 mil m2. No Alto Rabag\u00e3o s\u00e3o produzidos 220 kW (quilowatts), enquanto no Alqueva se produzem 5 MW (megawatts). \u201cPortanto, 20 vezes mais\u201d, sublinhou Pedro Oliveira.<\/p>\n<p>Ainda como compara\u00e7\u00e3o, em 2025 a Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente emitiu parecer desfavor\u00e1vel ao projecto da central solar flutuante da albufeira do Cabril, nos concelhos de Pedr\u00f3g\u00e3o Grande, Pampilhosa da Serra e Sert\u00e3, que contava com uma grande oposi\u00e7\u00e3o de autarcas e da popula\u00e7\u00e3o local, mas que abrangeria <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/04\/azul\/noticia\/ambiente-chumba-central-solar-flutuante-albufeira-cabril-2138928\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">33 hectares<\/a> (330 mil m2).<\/p>\n<p>Mas, agora, a ideia \u00e9 fazer da instala\u00e7\u00e3o-piloto um laborat\u00f3rio flutuante. \u201cO projecto Floating PV Lab surge da necessidade que identific\u00e1mos de acelerar o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es flutuantes\u201d, explica o respons\u00e1vel da EDP. \u201cComo tivemos impacto no sector, somos muito abordados para testar novas solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Havia a necessidade de ter um espa\u00e7o onde as empresas pudessem vir demonstrar as novas solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que est\u00e3o a desenvolver em ambiente real\u201d, conclui.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Os pain\u00e9is solares flutuantes no Alto Rabag\u00e3o estendem-se por cerca de 2600 m2 &#13;<br \/>\nManuel Roberto                    &#13;<\/p>\n<p>Duas empresas est\u00e3o j\u00e1 a fazer ensaios em condi\u00e7\u00f5es reais no Alto Rabag\u00e3o. Uma delas \u00e9 a norueguesa Fred. Olsen 1848, que est\u00e1 a testar o seu sistema de b\u00f3ias de tens\u00e3o autom\u00e1tica para sistemas fotovoltaicos flutuantes, para validar como funciona com varia\u00e7\u00f5es de n\u00edvel de \u00e1gua. E em condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas que podem ser bastante extremas.<\/p>\n<p>\u201cO Alto Rabag\u00e3o \u00e9 uma das zonas mais exigentes que temos. Tanto do ponto de vista da amplitude t\u00e9rmica, com temperaturas muito altas no Ver\u00e3o e negativas no Inverno, que p\u00f5em muito stress nos materiais, como por causa do vento, que provoca uma ondula\u00e7\u00e3o significativa, que representa um stress mec\u00e2nico na plataforma e nas jun\u00e7\u00f5es dos flutuadores\u201d, explica Pedro Oliveira.<\/p>\n<p>Acelerar a tecnologia<\/p>\n<p>O que ganha a companhia el\u00e9ctrica com isto? \u201cO principal benef\u00edcio para a EDP \u00e9 acelerar o desenvolvimento da tecnologia, porque acreditamos no solar flutuante, do ponto de vista internacional: n\u00e3o \u00e9 apenas uma solu\u00e7\u00e3o para Portugal ou para Espanha, mas para os v\u00e1rios mercados em que estamos, onde h\u00e1 um potencial interessante\u201d, salienta Pedro Oliveira.<\/p>\n<p>\u201cEstando pr\u00f3ximos do desenvolvimento da tecnologia, ganhamos uma vantagem competitiva porque temos acesso a tudo o que est\u00e1 a aparecer como novidade e ser testado, ainda sem saber se funciona ou n\u00e3o\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>Neste momento, a solu\u00e7\u00e3o solar flutuante \u00e9 ainda \u201cmarginal\u201d na produ\u00e7\u00e3o de energia da EDP. \u201cTemos apenas tr\u00eas projectos-piloto, dois em Portugal, e um em Singapura, com uma pot\u00eancia total instalada de cerca de dez megawatts\u201d, adianta Pedro Oliveira. Para se ter uma ideia de quanto isto representa, menciona a capacidade total da EDP: \u201cN\u00e3o sei de cor o n\u00famero exacto, est\u00e1 sempre a variar, mas a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 na ordem dos 33 gigawatts [um gigawatt \u00e9 igual a mil megawatts]\u201d.<\/p>\n<p>A viabilidade econ\u00f3mica destes projectos ainda \u00e9 um desafio. \u201cO que queremos \u00e9 promover o desenvolvimento da tecnologia, para reduzir custos e tornar estes projectos mais competitivos, para que no futuro tenham um peso maior no nosso portf\u00f3lio\u201d, conclui Pedro Oliveira.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        O projecto da empresa norueguesa Fred. Olsen que est\u00e1 a ser testado nas condi\u00e7\u00f5es extremas da Barragem do Rabag\u00e3o&#13;<br \/>\nManuel Roberto                    &#13;<\/p>\n<p>Os flutuadores, e as amarra\u00e7\u00f5es, a parte da estrutura que impede que os pain\u00e9is andem \u00e0 deriva pela barragem, estruturas que ali no Alto Rabag\u00e3o se baseiam numa esp\u00e9cie de cordas el\u00e1sticas e \u00e2ncoras para manter o solar flutuante em posi\u00e7\u00e3o, representam cerca de dois ter\u00e7os dos custos. O projecto que a norueguesa Fred. Olsen est\u00e1 a testar na barragem de Tr\u00e1s-os-Montes, por exemplo, inova porque usa solu\u00e7\u00f5es de engenharia diferentes: em vez de el\u00e1sticos, usa um sistema de correntes com pesos, \u201cque pode vir a reduzir custos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As turbinas e\u00f3licas nas colinas que circundam a Barragem do Alto Rabag\u00e3o, em Montalegre, s\u00e3o sinal de que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":310247,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[785,5455,27,28,7598,353,2270,15845,5041,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,2272,3204,17,18,29,30,31],"class_list":["post-310246","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-azul","tag-barragens","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-edp","tag-em-destaque","tag-energia","tag-energia-solar","tag-energias-renovaveis","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-renovaveis","tag-sustentabilidade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=310246"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310246\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/310247"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=310246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=310246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=310246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}