{"id":31151,"date":"2025-08-15T22:47:25","date_gmt":"2025-08-15T22:47:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31151\/"},"modified":"2025-08-15T22:47:25","modified_gmt":"2025-08-15T22:47:25","slug":"humberto-werneck-volta-a-bh-para-lancar-livro-de-cronicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31151\/","title":{"rendered":"Humberto Werneck volta a BH para lan\u00e7ar livro de cr\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">Radicado em S\u00e3o Paulo desde os anos 1970, o jornalista e escritor mineiro Humberto Werneck<strong> (foto)<\/strong> volta a Belo Horizonte na pr\u00f3xima semana para bate-papo e aut\u00f3grafos do mais recente livro. \u201cViagem no pa\u00eds da cr\u00f4nica\u201d (Tinta da China, 304 p\u00e1ginas), lan\u00e7ado em junho, ser\u00e1 um dos principais temas da conversa com Jos\u00e9 Eduardo Gon\u00e7alves em edi\u00e7\u00e3o especial do projeto \u201cLetra em cena\u201d, na ter\u00e7a-feira (19\/8), \u00e0s 19h, no Centro Cultural Unimed-BH Minas (R. da Bahia, 2244), com leitura de textos de Werneck por Arildo de Barros. \u201cJornalista de saber enciclop\u00e9dico quando se trata de refletir sobre a cr\u00f4nica, g\u00eanero no qual ele pontifica como um dos grandes, Humberto nos traz mais um tesouro lapidado com a verve habitual&#8221;, afirma Jos\u00e9 Eduardo. &#8220;O livro &#8216;Viagem no pa\u00eds da cr\u00f4nica&#8217; \u00e9 um verdadeiro invent\u00e1rio de temas e personagens que marcam a cr\u00f4nica brasileira. \u00c9 imposs\u00edvel sair desse livro sem o desejo febril de ler todos aqueles craques\u201d, complementa. As inscri\u00e7\u00f5es para o evento s\u00e3o gratuitas e podem ser feitas na Sympla.<\/p>\n<p class=\"texto\">Ainda na cidade natal, o autor de \u201cO desatino da rapaziada\u201d e \u201cO santo sujo\u201d autografa o novo livro (que traz um tristonho \u201cpatinho feio\u201d na capa, em refer\u00eancia ao tratamento pejorativo que a cr\u00f4nica costuma receber) no pr\u00f3ximo s\u00e1bado, \u00e0s 11h, na Livraria Quixote (R. Fernandes Tourinho, 274). \u201cEste livro re\u00fane quase 80 textos que escrevi para o <a href=\"https:\/\/cronicabrasileira.org.br\/artes-da-cronica\/15352\/um-genero-tipicamente-brasileiro\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Portal da Cr\u00f4nica Brasileira<\/a>, territ\u00f3rio aben\u00e7oado que nos oferece nada menos de 3.600 cr\u00f4nicas de grandes autores, a maioria delas jamais publicada em livro\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Confira, a seguir, a entrevista de Humberto Werneck ao Pensar do Estado de Minas.<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Que pa\u00eds \u00e9 narrado nas cr\u00f4nicas do livro?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">O pa\u00eds em quest\u00e3o \u00e9 aquele onde a cr\u00f4nica, trazida da Fran\u00e7a h\u00e1 mais de s\u00e9culo e meio, se sentiu em casa \u2013 mais \u00e0 vontade at\u00e9 do que no pa\u00eds de origem. Assim como o futebol, importado da Inglaterra, aqui ela se miscigenou, ganhou uma cara e uma cintura que n\u00e3o tinha l\u00e1. No livro em quest\u00e3o, a viagem se concentra no momento mais brilhante da bem-vinda forasteira: a chamada Era de Ouro de Cr\u00f4nica, cintilante de meados dos anos 1940 a meados dos 60.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Por que a cr\u00f4nica ainda \u00e9 considerada o patinho feio da literatura e o que a impede de virar cisne?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">A cr\u00f4nica foi rebaixada a patinho feio porque uns feitores da literatura nacional \u2013 cada vez menos numerosos, felizmente \u2013 torceram o empinado nariz e a carimbaram como subg\u00eanero das letras. Sou a favor de que a cr\u00f4nica, t\u00e3o pr\u00f3xima de n\u00f3s, assuma com orgulho o r\u00f3tulo de patinho feio, bem mais simp\u00e1tico que o de cisne, esse posudo parente. Posudo e bem-comportado. Sabia que os cisnes vivem em regime de monogamia?<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>A cr\u00f4nica, ou ao menos o g\u00eanero como foi estabelecido por nomes como Paulo Mendes Campos, Drummond e tantos outros, morreu no s\u00e9culo 20 ou ela \u00e9 \u201cum perp\u00e9tuo vaiv\u00e9m\u201d?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">A cr\u00f4nica sempre dependeu da imprensa para existir, e quando os meios digitais come\u00e7aram a sangrar os jornais e as revistas, tamb\u00e9m ela entrou em crise. Despejada, ainda n\u00e3o sabe onde poder\u00e1 morar. Mas assim como o jornalismo, que com certeza vai se adaptar e sobreviver \u00e0 crise da imprensa, nosso indispens\u00e1vel patinho feio tamb\u00e9m vai encontrar seu pouso.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Quando o cronista rende cr\u00f4nica? E quando a palavra \u00e9 assunto?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">A cr\u00f4nica, como a vejo, n\u00e3o \u00e9 lugar para quem se deleita na contempla\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio umbigo. O cronista genu\u00edno \u00e9 um observador apaixonado do que h\u00e1 em torno. O que n\u00e3o impede que ele \u00e0s vezes descubra em si mesmo algo digno de ser mostrado. Acontece quando o cronista topa com um caco de espelho, e esse espelho lhe devolve imagem mais interessante do que seu umbigo. Quanto \u00e0 palavra, a gente sabe que um bom observador costuma ser tamb\u00e9m um bom escutador.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Por que tantos mineiros se tornaram cronistas t\u00e3o conhecidos?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">H\u00e1 quem diga que em outros tempos o escritor mineiro esteve condenado ao isolamento e \u00e0 moral abafada da prov\u00edncia. Longe da praia, com a vis\u00e3o toldada pelo biombo das montanhas, o jeito foi refugiar-se na literatura, passando a viver no papel o que no mundo era impratic\u00e1vel. O tempo deu um jeito nisso, diz quem sustenta tal enredo, e Minas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aquela. Mas ficou nos mineiros o gosto de viver por escrito \u2013 inclusive entre aqueles que batem asas rumo a pra\u00e7as mais pr\u00f3digas em aplausos &amp; cifr\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Radicado em S\u00e3o Paulo desde os anos 1970, o jornalista e escritor mineiro Humberto Werneck (foto) volta a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31152,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,1404,114,115,874,2718,237,170,32,33],"class_list":{"0":"post-31151","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-cronica","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-escritor","13":"tag-jornalista","14":"tag-livro","15":"tag-livros","16":"tag-portugal","17":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31151\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}