{"id":31279,"date":"2025-08-16T01:14:14","date_gmt":"2025-08-16T01:14:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31279\/"},"modified":"2025-08-16T01:14:14","modified_gmt":"2025-08-16T01:14:14","slug":"hilda-simoes-lopes-traz-a-tona-a-trajetoria-das-vivandeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31279\/","title":{"rendered":"Hilda Sim\u00f5es Lopes traz \u00e0 tona a trajet\u00f3ria das vivandeiras"},"content":{"rendered":"<p>A escritora e soci\u00f3loga Hilda Sim\u00f5es Lopes lan\u00e7a hoje o romance hist\u00f3rico Maya (Libretos, 312 p\u00e1ginas), no Instituto Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes Neto. Antes da sess\u00e3o de aut\u00f3grafos, a autora participa de um bate-papo com a doutora em Hist\u00f3ria, professora Lorena Gill, tamb\u00e9m coordenadora do N\u00facleo de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica da Universidade Federal de Pelotas. A obra estar\u00e1 \u00e0 venda no local a R$ 80,00.<\/p>\n<p>Maya come\u00e7ou a surgir, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, a partir de uma provoca\u00e7\u00e3o feita pelos pesquisadores Ad\u00e3o Monquelat, Major \u00c2ngelo Pires Moreira e M\u00e1rio Mattos para que ela escrevesse sobre as vivandeiras. A autora pelotense lembra que numa visita \u00e0 extinta livraria e sebo de Monquelat, que ficava na rua General Telles, encontrou estes amigos.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, eles falaram que n\u00e3o existia no Rio Grande do Sul um livro sobre as vivandeiras, somente no Uruguai e Argentina se encontrava literatura que trazia \u00e0 tona a vida dessas mulheres que acompanhavam os soldados nas guerras. \u201cChegamos a conclus\u00e3o que esse livro tem que ser escrito, mas para uma mulher e essa mulher tem que ser tu\u201d, disseram eles, relembra a autora sobre a tarefa que os pesquisadores tinham atribu\u00eddo a ela.<\/p>\n<p>A pesquisa inicial foi feita por esses historiadores, que entregaram o material a Hilda. A autora se debru\u00e7ou sobre o tema e foi em busca de informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo em Buenos Aires, para levantar a atua\u00e7\u00e3o combativa dessas mulheres .<\/p>\n<p><strong>Fic\u00e7\u00e3o e realidade<\/strong><\/p>\n<p>A protagonista Maya \u00e9 uma personagem fict\u00edcia, por\u00e9m a autora lembra que as viv\u00eancias tr\u00e1gicas da personagem eram comuns a muitas mulheres na condi\u00e7\u00e3o dela. Na trama de Hilda Sim\u00f5es Lopes, a adolescente baiana, chega ao Sul do Brasil ainda crian\u00e7a trazida pela m\u00e3e, Dandara, uma escrava sudanesa, vendida no in\u00edcio do s\u00e9culo 19 a um charqueador do extremo sul, da antiga Prov\u00edncia do Rio Grande.<\/p>\n<p><img aria-describedby=\"caption-attachment-20826\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-20826\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Cultura-Hilda-Simoes-Lopes-foto-Marco-Nedeff-3-844x1200.jpg\" alt=\"\" width=\"844\" height=\"1200\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-20826\" class=\"wp-caption-text\">Escritora pelotense mistura fic\u00e7\u00e3o e realidade na obra<\/p>\n<p>Depois da morte da m\u00e3e, a jovem tenta fugir da escravid\u00e3o e da viol\u00eancia. S\u00f3 e vilipendiada, Maya \u00e9 acolhida pelas vivandeiras. \u201cConto coisas absolutamente reais. Tudo o que ela vive \u00e9 real, \u00e9 a mulher na situa\u00e7\u00e3o mais terr\u00edvel\u201d, diz a autora.<\/p>\n<p>Sobre as vivandeiras, Hilda acrescenta: \u201cElas eram amantes, enfermeiras, cozinheiras, faziam at\u00e9 o cigarro, curavam, eram bruxas e na hora da luta, quando um soldado caia, elas pegavam as armas dele e seguiam lutando, mas n\u00e3o era s\u00f3 esse lado. Elas tamb\u00e9m tinham um lado devastador. Quando acabava a luta, tanto elas, quanto as \u2018chinas quarteleiras\u2019 do Prata, invadiam o campo e saqueavam os corpos. Elas pegavam tudo de valor que encontravam ali e brigavam muito\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ao colocar o leitor dentro do cen\u00e1rio das vivandeiras, Hilda exp\u00f5e sem rodeios a viol\u00eancia extrema a qual essas mulheres eram submetidas. Por\u00e9m, quando podiam respondiam na mesma moeda.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Maya de Hilda tem uma delicadeza interna muito grande, contrastando com a incivilidade do seu redor. Maya \u00e9 nutrida pela sabedoria dos povos origin\u00e1rios e os mitos africanos, ela conversa com a lua e as estrelas, emociona-se com as cores do poente e a eleg\u00e2ncia das gar\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas Hilda leva Maya ao encontro de outras mulheres, t\u00e3o fortes e t\u00e3o subjugadas, quanto as vivandeiras, e que tamb\u00e9m lutam pela sobreviv\u00eancia, mas com outras armas, que n\u00e3o as adagas afiadas.<\/p>\n<p>A partir de sua viv\u00eancia na capital, Maya se encontra entre mulheres reais revolucion\u00e1rias e ousadas, mulheres que sapateiam em cima do machismo, soltavam prisioneiros farroupilhas, brigavam pelo div\u00f3rcio, o voto feminino, por mulheres nas universidades e pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura.<\/p>\n<p><strong>PRESTIGIE<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>O qu\u00ea:<\/strong> lan\u00e7amento e sess\u00e3o de aut\u00f3grafos do romance hist\u00f3rico Maya, de Hilda Sim\u00f5es Lopes<\/li>\n<li><strong>Quando:<\/strong> hoje, \u00e0s 18h<\/li>\n<li><strong>Onde:<\/strong> Instituto Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes Neto, na rua Dom Pedro II, 810<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A escritora e soci\u00f3loga Hilda Sim\u00f5es Lopes lan\u00e7a hoje o romance hist\u00f3rico Maya (Libretos, 312 p\u00e1ginas), no Instituto&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31280,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-31279","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31279\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}