{"id":313238,"date":"2026-03-21T13:39:24","date_gmt":"2026-03-21T13:39:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/313238\/"},"modified":"2026-03-21T13:39:24","modified_gmt":"2026-03-21T13:39:24","slug":"milhares-de-militares-a-caminho-e-o-mundo-em-suspenso-atencao-da-guerra-vira-se-para-uma-ilha-pouco-maior-que-o-corvo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/313238\/","title":{"rendered":"Milhares de militares a caminho e o mundo em suspenso: aten\u00e7\u00e3o da guerra vira-se para uma ilha pouco maior que o Corvo"},"content":{"rendered":"<p>\t                Se o Estreito de Ormuz n\u00e3o abre a bem, abre a mal. Esta parece ser a l\u00f3gica da Casa Branca, que na mira tem um alvo que Donald Trump j\u00e1 conhecia bem em 1988<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">H\u00e1 uns dias era um alvo de pura \u201cdivers\u00e3o\u201d, mas h\u00e1 uma ilha perdida no meio do Golfo P\u00e9rsico que pode em breve passar a ser o centro da guerra no M\u00e9dio Oriente, amea\u00e7ando tornar o mercado energ\u00e9tico ainda mais ca\u00f3tico.<\/p>\n<p>Falamos da ilha de Kharg, que tem sensivelmente metade do tamanho da cidade do Porto e \u00e9 pouco maior que a ilha do Corvo, nos A\u00e7ores. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um alvo que Donald Trump conhece desde 1988. Foi nesse ano que, numa entrevista publicada no jornal <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2017\/jan\/12\/polly-toynbee-1988-interview-donald-trump\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">The Guardian<\/a>, o agora presidente dos Estados Unidos deu conta de que ali estava o cora\u00e7\u00e3o do regime: &#8220;Uma bala disparada contra os nossos homens ou navios e eu faria um grande n\u00famero na ilha de Kharg. Ia l\u00e1 e tomava-a&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Com o regime do Ir\u00e3o a resistir mais do que Estados Unidos e Israel podiam pensar, a guerra extravasou a dimens\u00e3o militar para atingir um pico econ\u00f3mico, ao ponto de a Ag\u00eancia Internacional de Energia j\u00e1 admitir que podemos estar perante a pior crise energ\u00e9tica da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Isso deve-se, em grande parte, ao encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passava grande parte do petr\u00f3leo e g\u00e1s natural que todo o mundo consome, j\u00e1 que \u00e9 tamb\u00e9m naquela regi\u00e3o, nomeadamente em pa\u00edses como Ar\u00e1bia Saudita, Iraque ou Catar, que grande parte destes combust\u00edveis f\u00f3sseis s\u00e3o produzidos.<\/p>\n<p>Isso faz com que a popularidade do presidente dos Estados Unidos em casa caia em flecha, j\u00e1 que a maior sensibilidade dos norte-americanos est\u00e1 mesmo na carteira. E quando ela come\u00e7a a gritar, como est\u00e1 a acontecer, eles gritam com ela, o que \u00e9 particularmente problem\u00e1tico quando estamos a meses de umas elei\u00e7\u00f5es intercalares que podem decidir se Donald Trump fica com ainda mais poder ou, se pelo contr\u00e1rio, v\u00ea um refor\u00e7o do Partido Democrata nos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que, segundo o <a href=\"https:\/\/www.axios.com\/2026\/03\/20\/iran-invasion-kharg-island-strait-hormuz\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Axios<\/a>, os Estados Unidos j\u00e1 t\u00eam em cima da mesa uma decis\u00e3o que vai escalar a guerra: a ocupa\u00e7\u00e3o da ilha de Kharg. O objetivo passa por tomar conta de todas as infraestruturas daquele pequeno peda\u00e7o de terreno. \u00c9 que apesar de n\u00e3o ser grande, \u00e9 um ponto nevr\u00e1lgico em toda a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do Ir\u00e3o, com uma infraestrutura petrol\u00edfera e naval de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica crucial para toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Escreve o portal norte-americano o objetivo de Washington, DC pode passar por ter uma grande vantagem estrat\u00e9gica, numa tentativa de obrigar o Ir\u00e3o a voltar atr\u00e1s e permitir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, onde os poucos navios que tentam arriscar s\u00e3o alvo de ataques incessantes, como aconteceu a uma embarca\u00e7\u00e3o tailandesa em que tr\u00eas membros da tripula\u00e7\u00e3o desapareceram depois de um proj\u00e9til atingir a casa das m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Com apenas 20 quil\u00f3metros quadradaos e a cerca de 25 quil\u00f3metros da estrat\u00e9gica cidade de Bushehr, onde h\u00e1 uma importante central nuclear, s\u00f3 Kharg exporta 90% de todo o petr\u00f3leo iraniano.<\/p>\n<p>E se a ilha at\u00e9 tem sido alvo de ataques, as infraestruturas petrol\u00edferas permanecem, para j\u00e1, intactas. O cen\u00e1rio contr\u00e1rio, nomeadamente a destrui\u00e7\u00e3o do armazenamento e exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, colocam o Ir\u00e3o num blackout que torna insustent\u00e1vel a vida do pa\u00eds como ela ainda existe.<\/p>\n<p>&#8220;Apenas uma palavra simples e os oleodutos v\u00e3o-se&#8221; afirmou Donald Trump no in\u00edcio desta semana na Casa Branca, antecipando que demoraria &#8220;muito tempo&#8221; a reconstruir tudo nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Ilha de Kharg\" height=\"1075\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1774100364_44_1000.jpg\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Esta imagem mostra a dimens\u00e3o da infraestrutura petrol\u00edfera na ilha de Kharg (AP) <\/p>\n<p>Ainda segundo o Axios, o plano est\u00e1 em cima da mesa, mas n\u00e3o h\u00e1 qualquer decis\u00e3o de Donald Trump, at\u00e9 porque na Casa Branca ainda h\u00e1 quem acredite na possibilidade de uma negocia\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o militar, mesmo que o Ir\u00e3o pare\u00e7a totalmente indispon\u00edvel para isso.<\/p>\n<p>Milhares de fuzileiros a caminho <\/p>\n<p>Se politicamente h\u00e1 d\u00favida, militarmente h\u00e1 prepara\u00e7\u00e3o. Enquanto na Casa Branca e Pent\u00e1gono se v\u00e3o discutindo os pr\u00f3ximos passos, os Estados Unidos j\u00e1 mobilizaram uma for\u00e7a expedicion\u00e1ria de fuzileiros para a regi\u00e3o. Chamam-lhes marines e s\u00e3o uma for\u00e7a especial de resposta r\u00e1pida, normalmente chamada para interven\u00e7\u00f5es rel\u00e2mpago e dif\u00edceis, como aconteceu na Venezuela h\u00e1 meses ou no Paquist\u00e3o h\u00e1 anos, em opera\u00e7\u00f5es que acabaram com a captura de Nicol\u00e1s Maduro e com a morte de Osama bin Laden, respetivamente.<\/p>\n<p>Esta unidade j\u00e1 passou por Singapura e est\u00e1 a seguir com toda a velocidade para o M\u00e9dio Oriente. A bordo leva 2.500 militares, mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma confirma\u00e7\u00e3o de qual o verdadeiro objetivo desta unidade, que para entrar em Kharg teria de passar pelo Estreito de Ormuz antes, o que exigiria um confronto militar quase direto com o Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Em paralelo, e de acordo com a ag\u00eancia Reuters, os\u00a0Estados Unidos <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/militares-norte-americanos\/eua\/ha-mais-militares-norte-americanos-a-caminho-do-medio-oriente-sao-milhares-e-seguem-em-dois-navios-de-combate\/20260320\/69bd693ad34e28842c81fe13\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">est\u00e3o a preparar<\/a> o envio de milhares de militares adicionais para o M\u00e9dio Oriente, incluindo fuzileiros e outros tripulantes. O refor\u00e7o inclui o destacamento do navio de assalto anf\u00edbio USS Boxer, acompanhado por uma Unidade Expedicion\u00e1ria de Fuzileiros (MEU, na sigla em ingl\u00eas) e por outros meios navais de apoio.<\/p>\n<p>Segundo o Wall Street Journal, os Estados Unidos e alguns dos seus aliados intensificaram a batalha ao enviarem avi\u00f5es de ataque que voam a baixa altitude e que devem atacar a Armada do Ir\u00e3o. Em paralelo, helic\u00f3pteros Apache devem estar prontos para derrubar os v\u00e1rios drones que circulam de forma incessante entre os dois lados do Estreito de Ormuz.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos aproximadamente de um m\u00eas para debilitar os iranianos e depois tomar a ilha\u201d, diz-se pelo Pent\u00e1gono, de acordo com os jornais norte-americanos.<\/p>\n<p>Embora Donald Trump tenha classificado a miss\u00e3o de libertar o Estreito de Ormuz como algo simples de se fazer, a hist\u00f3ria n\u00e3o joga a favor dos Estados Unidos. Basta lembrar o que aconteceu em Guadalcanal ou Iwo Jima, ilhas quase desconhecidas que se tornaram famosas por brutais perdas das for\u00e7as norte-americanas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se o Estreito de Ormuz n\u00e3o abre a bem, abre a mal. 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