{"id":314155,"date":"2026-03-22T09:43:10","date_gmt":"2026-03-22T09:43:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/314155\/"},"modified":"2026-03-22T09:43:10","modified_gmt":"2026-03-22T09:43:10","slug":"cancro-colorretal-ja-e-o-mais-mortal-entre-jovens-adultos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/314155\/","title":{"rendered":"Cancro colorretal j\u00e1 \u00e9 o mais mortal entre jovens adultos"},"content":{"rendered":"<p>\t                Tinha 31 anos e era saud\u00e1vel. As dores foram desvalorizadas e o diagn\u00f3stico chegou tarde: cancro colorretal em est\u00e1dio avan\u00e7ado. Esta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a de idosos<\/p>\n<p>Jenna Scott recorda a alegria de estar gr\u00e1vida do seu primeiro e \u00fanico filho. Recorda-se tamb\u00e9m das fortes dores abdominais.<\/p>\n<p>Durante a gravidez, alertou os m\u00e9dicos para o desconforto persistente. Disseram-lhe que era normal, que as dores &#8220;faziam parte&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Mas, depois de dar \u00e0 luz um beb\u00e9 saud\u00e1vel, a dor n\u00e3o desapareceu. Manteve-se.<\/p>\n<p>Mais de um ano depois, Scott recebeu um diagn\u00f3stico que abalou a sua vida: cancro do c\u00f3lon em est\u00e1dio 4. Tinha 31 anos.<\/p>\n<p>\u201cFizemos uma colonoscopia e, quando acordei, estavam o meu marido, o m\u00e9dico e quatro enfermeiros no quarto. O gastroenterologista disse que nem precisava de enviar nada para an\u00e1lise para saber que eu tinha cancro\u201d, refere Scott, agora com 39 anos, num email.<\/p>\n<p>O cancro em est\u00e1dio 4, tamb\u00e9m conhecido como cancro metast\u00e1tico, significa que a doen\u00e7a se espalhou do local de origem para outras partes do corpo. No caso de Scott, explica, o cancro passou do c\u00f3lon para o f\u00edgado.<\/p>\n<p>&#8220;Fizemos uma colonoscopia e, quando acordei, estavam o meu marido, o m\u00e9dico e quatro enfermeiras no quarto. O gastroenterologista disse que nem precisava de enviar nada para an\u00e1lise para saber que eu tinha cancro&#8221;, refere Scott, agora com 39 anos, num email.<\/p>\n<p>O cancro em est\u00e1dio 4, tamb\u00e9m conhecido como cancro metast\u00e1tico, significa que a doen\u00e7a se espalhou do local de origem para outras partes do corpo. No caso de Scott, explica, o cancro passou do c\u00f3lon para o f\u00edgado.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre fui muito ativa e saud\u00e1vel. Fui atleta toda a vida. Nem sequer cresci a comer carne vermelha. De um momento para o outro, a minha vida mudou de forma completamente inesperada&#8221;, diz. &#8220;Fiquei em choque, porque a palavra &#8216;cancro&#8217; n\u00e3o fazia parte do meu mundo. Cancro significa morte.&#8221;<\/p>\n<p>Numa tend\u00eancia preocupante, o cancro colorretal surge agora como o mais mort\u00edfero entre jovens adultos.<\/p>\n<p>O cancro colorretal ultrapassou outros tipos de cancro e tornou-se a principal causa de morte por cancro entre pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos, a partir de 2023, segundo um estudo publicado em janeiro na revista m\u00e9dica JAMA.<\/p>\n<p>De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o, as mortes por cancro do c\u00f3lon e do reto neste grupo et\u00e1rio aumentaram 1,1% por ano desde 2005. Como resultado, o cancro colorretal passou de quinta principal causa de morte por cancro entre menores de 50 anos, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, para a primeira em 2023.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sabemos por que raz\u00e3o est\u00e1 a aumentar&#8221;, afirma o m\u00e9dico Ahmedin Jemal, vice-presidente s\u00e9nior de vigil\u00e2ncia, preven\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o em servi\u00e7os de sa\u00fade da American Cancer Society e autor principal do estudo.<\/p>\n<p>&#8220;A mortalidade associada \u00e0s outras principais causas de morte por cancro em jovens adultos com menos de 50 anos est\u00e1 a diminuir. \u00c9 apenas a mortalidade por cancro colorretal que est\u00e1 a aumentar, mas ainda n\u00e3o compreendemos totalmente o que est\u00e1 por detr\u00e1s deste crescimento&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Scott, ativista da organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Colorectal Cancer Alliance, considera os novos dados preocupantes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos de tratamento &#8211; que inclu\u00edram quimioterapia, terap\u00eauticas dirigidas e cirurgia &#8211; est\u00e1 agora em estado est\u00e1vel. Ainda assim, explica que tem de &#8220;continuar a quimioterapia e os\u00a0terap\u00eauticas dirigidas indefinidamente&#8221;, porque sempre que interrompeu o tratamento no passado, o cancro regressou e espalhou-se para outros \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Enquanto prossegue os tratamentos, Scott diz que o seu objetivo \u00e9 &#8220;um dia vir a ser av\u00f3&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 &#8220;uma doen\u00e7a de idosos&#8221; <\/p>\n<p>Para este estudo, Jemal e a sua equipa na American Cancer Society analisaram os n\u00fameros anuais e as taxas de mortalidade por cancro entre pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos, entre 1990 e 2023, com base em dados do National Center for Health Statistics, dos Centros de Controlo e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC).<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o os dados mais completos de que dispomos&#8221;, afirma Jemal.<\/p>\n<p>Os investigadores analisaram as cinco principais causas de morte por cancro neste grupo et\u00e1rio. Conclu\u00edram que, no total, entre 1990 e 2023, mais de 1,2 milh\u00f5es de pessoas morreram de cancro nos Estados Unidos antes dos 50 anos, sendo que a taxa de mortalidade caiu 44% nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Os dados mostram ainda que as mortes diminu\u00edram em todos os principais tipos de cancro, com exce\u00e7\u00e3o do cancro colorretal.<\/p>\n<p>Entre as cinco principais causas de morte por cancro em pessoas com menos de 50 anos, a redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual entre 2014 e 2023 foi de 0,3% no cancro do c\u00e9rebro, 1,4% no cancro da mama, 2,3% na leucemia e 5,7% no cancro do pulm\u00e3o, segundo os dados.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo indicam que, em 2023, as cinco principais causas de morte por cancro entre pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos eram:<\/p>\n<ol>\n<li>Cancro colorretal<\/li>\n<li>Cancro da mama<\/li>\n<li>Cancro do c\u00e9rebro<\/li>\n<li>Cancro do pulm\u00e3o<\/li>\n<li>Leucemia<\/li>\n<\/ol>\n<p>&#8220;N\u00e3o esper\u00e1vamos que o cancro colorretal atingisse este n\u00edvel t\u00e3o rapidamente, mas \u00e9 agora claro que j\u00e1 n\u00e3o pode ser considerado uma doen\u00e7a de idosos&#8221;, afirma Jemal, num comunicado.<\/p>\n<p>&#8220;Temos de refor\u00e7ar a investiga\u00e7\u00e3o para perceber o que est\u00e1 a impulsionar este aumento exponencial de casos de cancro nas gera\u00e7\u00f5es nascidas desde 1950&#8221;, acrescenta. &#8220;Entretanto, as pessoas entre os 45 e os 49 anos representam metade dos diagn\u00f3sticos em menores de 50, pelo que o aumento da ades\u00e3o ao rastreio pode prevenir tanto a doen\u00e7a como a morte.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto jovem adulta com cancro colorretal, Scott diz que os resultados do estudo foram &#8220;bastante perturbadores&#8221; para si.<\/p>\n<p>&#8220;O que tem de acontecer para chamar mais aten\u00e7\u00e3o para esta doen\u00e7a e para as pessoas que hoje s\u00e3o mais afetadas? Porque continuam adultos aparentemente saud\u00e1veis e crian\u00e7as a morrer desta doen\u00e7a? Porque est\u00e3o as mulheres a ser cada vez mais afetadas? Como prevenir algo quando nem n\u00f3s nem a equipa m\u00e9dica sabemos como surgiu em primeiro lugar?&#8221;, questiona Scott, num email. &#8220;Temos de travar este aumento da mortalidade.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com a <a href=\"https:\/\/colorectalcancer.org\/basics\/facts-and-statistics#:~:text=Colorectal%20cancer%20is%20the%20fourth%20most%20common%20cancer%20in,among%20men%20and%20women%20combined.&amp;text=Each%20year%2C%20about%20150%2C000%20Americans%20are%20diagnosed%20with%20colorectal%20cancer.&amp;text=More%20than%2050%2C000%20people%20will%20die%20from%20colorectal%20cancer%20this%20year.&amp;text=One%20in%2024%20people%20will,colorectal%20cancer%20in%20their%20lifetime.\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Colorectal Cancer Alliance<\/a>, s\u00e3o diagnosticados quase 60 novos casos de cancro colorretal por dia em pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos &#8211; o equivalente a um diagn\u00f3stico a cada 25 minutos.<\/p>\n<p>Rastreio e sintomas do cancro colorretal <\/p>\n<p>O novo estudo \u00e9 um alerta importante para que as pessoas com menos de 50 anos mantenham os rastreios em dia, afirma Jemal. Para quem tem risco m\u00e9dio de cancro colorretal, recomenda-se <a href=\"https:\/\/www.cdc.gov\/colorectal-cancer\/screening\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">iniciar o rastreio regular aos 45 anos<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto, &#8220;apenas 37% dos adultos entre os 45 e os 49 anos t\u00eam o rastreio do cancro colorretal em dia&#8221;, refere.<\/p>\n<p>&#8220;O rastreio do cancro colorretal n\u00e3o s\u00f3 permite detetar a doen\u00e7a numa fase precoce, como tamb\u00e9m remover p\u00f3lipos antes de evolu\u00edrem para cancro&#8221;, explica. &#8220;\u00c9 um dos dois tipos de rastreio que n\u00e3o s\u00f3 detetam o cancro precocemente como tamb\u00e9m o previnem &#8211; o outro \u00e9 o rastreio do cancro do colo do \u00fatero.&#8221;<\/p>\n<p>A nova investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;oportuna&#8221; e evidencia um &#8220;sinal de alerta&#8221;, afirma a m\u00e9dica Y. Nancy You, professora no University of Texas MD Anderson Cancer Center e diretora do programa de cancro colorretal de in\u00edcio precoce da institui\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>Sublinha que, embora o rastreio do cancro colorretal em adultos mais jovens, aparentemente saud\u00e1veis e sem sintomas, seja crucial, &#8220;isso \u00e9 apenas parte da hist\u00f3ria. Existe uma enorme lacuna &#8211; e uma oportunidade &#8211; no diagn\u00f3stico e tratamento r\u00e1pidos de pessoas que j\u00e1 apresentam sintomas&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os <a href=\"https:\/\/www.cancer.org\/cancer\/types\/colon-rectal-cancer\/detection-diagnosis-staging\/signs-and-symptoms.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">sintomas mais comuns do cancro colorretal<\/a> est\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>sangue nas fezes ou hemorragia retal;<\/li>\n<li>altera\u00e7\u00f5es dos h\u00e1bitos intestinais sem causa aparente &#8211; como diarreia, obstipa\u00e7\u00e3o ou fezes mais estreitas &#8211; durante mais de alguns dias;<\/li>\n<li>dor abdominal persistente ou c\u00f3licas;<\/li>\n<li>fraqueza ou fadiga;<\/li>\n<li>perda de peso sem causa aparente;<\/li>\n<li>sensa\u00e7\u00e3o persistente de evacua\u00e7\u00e3o incompleta, mesmo ap\u00f3s ir \u00e0 casa de banho.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8220;Existe um n\u00famero imposs\u00edvel de quantificar de jovens adultos com sintomas compat\u00edveis com cancro colorretal que acabam por ignor\u00e1-los &#8211; por estarem ocupados ou com receio &#8211; ou que recorrem ao sistema de sa\u00fade mas encontram um profissional que desvaloriza a situa\u00e7\u00e3o, atribuindo-a, por exemplo, a uma hemorroida, sem avan\u00e7ar para exames adicionais&#8221;, explica You, referindo-se a situa\u00e7\u00f5es em que os sintomas s\u00e3o, por vezes, desvalorizados pelos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1, claramente, atrasos no diagn\u00f3stico de jovens adultos que j\u00e1 apresentam sintomas&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 atrasos no diagn\u00f3stico do cancro, aumenta a probabilidade de a doen\u00e7a ser detetada em fases mais avan\u00e7adas, como os est\u00e1dios 3 ou 4. Nesses casos, o cancro pode j\u00e1 ter-se espalhado para al\u00e9m do tumor inicial, atingindo tecidos pr\u00f3ximos ou outras partes do corpo, o que torna o tratamento mais dif\u00edcil e reduz as hip\u00f3teses de sobreviv\u00eancia, independentemente da idade.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o aumento das mortes por cancro colorretal parece estar a ocorrer numa altura em que mais pessoas com menos de 50 anos s\u00e3o diagnosticadas em fases avan\u00e7adas da doen\u00e7a, afirma a m\u00e9dica Andrea Cercek, oncologista especializada em tumores gastrointestinais no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, que n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>No caso do cancro colorretal, &#8220;as pessoas com menos de 45 anos n\u00e3o s\u00e3o rastreadas, pelo que s\u00f3 s\u00e3o diagnosticadas quando surgem sintomas. Em muitos desses casos, cerca de tr\u00eas quartos, os sintomas j\u00e1 refletem uma doen\u00e7a muito mais avan\u00e7ada, o que se traduz em piores resultados, independentemente da idade&#8221;, explica Cercek, acrescentando que o estudo evidencia a necessidade de diagnosticar rapidamente os doentes mais jovens e de n\u00e3o desvalorizar os seus sintomas com base na idade.<\/p>\n<p>Estima-se que mais de 60% dos doentes com cancro colorretal com menos de 50 anos sejam diagnosticados quando a doen\u00e7a j\u00e1 se encontra em est\u00e1dio 3 ou 4.<\/p>\n<p>&#8220;Nos mais jovens, diagn\u00f3sticos em fases mais avan\u00e7adas est\u00e3o associados a menor sobreviv\u00eancia&#8221;, afirma Christine Molmenti, professora associada e epidemiologista do cancro na Northwell Health, em Nova Iorque, que n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho acompanhado muitos doentes com menos de 50 anos com esta doen\u00e7a e \u00e9 algo profundamente triste&#8221;, afirma. &#8220;Pela experi\u00eancia que temos, muitos destes doentes s\u00e3o saud\u00e1veis. Est\u00e3o em boa forma. Alguns s\u00e3o at\u00e9 atletas. Houve doentes que n\u00e3o sobreviveram, cujos pais nos contaram que tinham corrido uma maratona quatro meses antes de receberem o diagn\u00f3stico de cancro do c\u00f3lon em est\u00e1dio 4. Muitas vezes, os mais jovens ignoram os sintomas ou estes s\u00e3o desvalorizados. Por isso, \u00e9 fundamental aumentar a consciencializa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tinha 31 anos e era saud\u00e1vel. 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