{"id":314391,"date":"2026-03-22T14:14:10","date_gmt":"2026-03-22T14:14:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/314391\/"},"modified":"2026-03-22T14:14:10","modified_gmt":"2026-03-22T14:14:10","slug":"maioria-da-populacao-diz-que-brasil-continua-despreparado-para-nova-pandemia-mostra-datafolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/314391\/","title":{"rendered":"Maioria da popula\u00e7\u00e3o diz que Brasil continua despreparado para nova pandemia, mostra Datafolha"},"content":{"rendered":"<p><strong>CL\u00c1UDIA COLLUCCI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) <\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos brasileiros avalia que o pa\u00eds n\u00e3o aprendeu o suficiente com a pandemia de Covid-19 e segue despreparado para enfrentar uma nova crise sanit\u00e1ria, mostra pesquisa Datafolha encomendada pelo Instituto Todos pela Sa\u00fade, entidade sem fins lucrativos que atua na \u00e1rea da epidemiologia.<\/p>\n<p>O levantamento revela que 53% consideram que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 preparado para uma futura epidemia ou pandemia, enquanto outros 28% avaliam que o pa\u00eds est\u00e1 pouco preparado. Apenas 18% dizem que h\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o para lidar com uma nova emerg\u00eancia, e 1% n\u00e3o sabe.<\/p>\n<p>A pesquisa, feita com 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todo o pa\u00eds, nos dias 10 e 11 de novembro de 2025, revela um cen\u00e1rio de desconfian\u00e7a generalizada e sensa\u00e7\u00e3o persistente de vulnerabilidade. A margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais, com n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%.<\/p>\n<p>Para especialistas, os dados indicam que a experi\u00eancia recente da Covid, que resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil, ainda n\u00e3o se traduziu em percep\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o institucional ou capacidade de resposta.<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico Gerson Penna, diretor-presidente do Todos pela Sa\u00fade, o problema \u00e9 mais profundo e antigo: o Brasil segue sem instrumentos institucionais e legais adequados para lidar com futuras pandemias. \u201cEssa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 de hoje. O Brasil est\u00e1 atrasado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ele diz que o mundo avan\u00e7ou nas \u00faltimas d\u00e9cadas na cria\u00e7\u00e3o de centros especializados em sa\u00fade p\u00fablica, enquanto o pa\u00eds ficou para tr\u00e1s. \u201cAt\u00e9 2000, existiam 54 institui\u00e7\u00f5es desse tipo. Entre 2000 e 2020, foram criadas 39. E, de 2020 para c\u00e1, mais 29. O mundo est\u00e1 se preparando, e a gente n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Deisy Ventura, professora titular da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, diz que o tema deveria estar no centro da agenda pol\u00edtica desde o in\u00edcio do atual mandato do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT). \u201cIsso deveria ter sido prioridade desde o primeiro ano\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para ela, o pa\u00eds falhou em fazer uma avalia\u00e7\u00e3o consistente da resposta \u00e0 pandemia de Covid, deixando de aprender com erros e acertos. \u201cN\u00e3o houve um balan\u00e7o s\u00e9rio sobre as cadeias de decis\u00e3o, os impactos da crise ou a governan\u00e7a da pandemia. Nem sequer constru\u00edmos uma base jur\u00eddica a partir da experi\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa Datafolha aponta que o sentimento predominante entre os brasileiros \u00e9 de preocupa\u00e7\u00e3o com novas crises sanit\u00e1rias. Quase metade dos entrevistados (49%) declara alto n\u00edvel de apreens\u00e3o diante do risco de novas epidemias ou pandemias, enquanto 36% manifestam n\u00edvel m\u00e9dio.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a tamb\u00e9m aparece quando os entrevistados comparam a experi\u00eancia recente com o futuro.<\/p>\n<p>Para 46%, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que estariam menos seguros em uma nova pandemia do que estiveram durante a Covid.<\/p>\n<p>De acordo com o m\u00e9dico Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o, ex-ministro da Sa\u00fade e pesquisador da Fiocruz, a preocupa\u00e7\u00e3o dos brasileiros dialoga com as do meio cient\u00edfico. \u201cH\u00e1 uma certeza de que haver\u00e1 uma nova pandemia. S\u00f3 n\u00e3o sabemos quando.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Ventura, fatores como conflitos armados, reemerg\u00eancia de doen\u00e7as e avan\u00e7o do negacionismo cient\u00edfico s\u00e3o elementos que ampliam os riscos. \u201cOs intervalos entre pandemias est\u00e3o ficando mais curtos. N\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a no modo de vida global que indique o contr\u00e1rio\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Penna, o aumento da percep\u00e7\u00e3o de risco n\u00e3o \u00e9 necessariamente negativo. \u201cO mundo hoje \u00e9 interligado. Um agente infeccioso pode se espalhar globalmente em poucos dias. As pessoas est\u00e3o tomando consci\u00eancia. Isso pode ajudar a pressionar por mudan\u00e7as estruturais.\u201d<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 inseguran\u00e7a, h\u00e1 um ponto de consenso \u20139 em cada 10 brasileiros afirmam que se sentiriam mais seguros caso o pa\u00eds tivesse um centro de controle de doen\u00e7as, que seria uma estrutura permanente, t\u00e9cnica e com autonomia operacional, dedicada \u00e0 resposta a emerg\u00eancias sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Penna, que j\u00e1 foi secret\u00e1rio de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, participou da elabora\u00e7\u00e3o de uma proposta nesse sentido. \u201cA gente foi buscar inspira\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, \u00c1frica, Austr\u00e1lia para construir algo adaptado ao SUS. \u00c9 uma institui\u00e7\u00e3o que assessora o governo com base cient\u00edfica nas fases de prepara\u00e7\u00e3o, resposta e resili\u00eancia\u201d, explica.<\/p>\n<p>O projeto prev\u00ea vincula\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas com governan\u00e7a compartilhada. \u201cSeria uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com conselho presidido pelo ministro da Sa\u00fade e participa\u00e7\u00e3o de estados, munic\u00edpios e entidades t\u00e9cnicas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para Penna, contudo, a cria\u00e7\u00e3o do centro s\u00f3 ser\u00e1 efetiva se vier acompanhada de uma mudan\u00e7a mais ampla: a aprova\u00e7\u00e3o de uma lei nacional de enfrentamento a emerg\u00eancias sanit\u00e1rias. \u201cA lei \u00e9, sem d\u00favida, a medida mais urgente. Hoje o Brasil n\u00e3o tem instrumento legal permanente para gerir uma pandemia.\u201d<\/p>\n<p>Ele lembra que, durante a Covid, o pa\u00eds precisou aprovar uma legisla\u00e7\u00e3o emergencial, que perdeu validade com o fim da crise. \u201cA gente fica sem base jur\u00eddica assim que a emerg\u00eancia acaba. Isso n\u00e3o pode acontecer.\u201d<\/p>\n<p>Segundo ele, um projeto j\u00e1 est\u00e1 pronto na Casa Civil e deve ser encaminhado ao Congresso. A proposta estabelece uma pol\u00edtica de Estado, suprapartid\u00e1ria, que permita atua\u00e7\u00e3o coordenada em futuras crises.<\/p>\n<p>Para Ventura, a sa\u00edda passa por uma pol\u00edtica estruturada, baseada em evid\u00eancias cient\u00edficas, com defini\u00e7\u00e3o clara de responsabilidades e mecanismos de prote\u00e7\u00e3o social. E que estabele\u00e7a regras sobre governan\u00e7a, vacina\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o. \u201cSem isso, vamos repetir os mesmos erros, independentemente de quem esteja no governo.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, em meio \u00e0 multiplicidade de fontes de informa\u00e7\u00e3o, m\u00e9dicos e profissionais de sa\u00fade s\u00e3o os mais confi\u00e1veis para a popula\u00e7\u00e3o: 58% dizem recorrer a esses especialistas durante emerg\u00eancias sanit\u00e1rias. Na sequ\u00eancia aparecem a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade), com 41%, e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e outras inst\u00e2ncias governamentais (40%).<\/p>\n<p>Pol\u00edticos, por outro lado, s\u00e3o citados por apenas 3% dos entrevistados como fontes confi\u00e1veis de informa\u00e7\u00e3o. Familiares e amigos aparecem com 20%, enquanto l\u00edderes religiosos somam 9%.<\/p>\n<p>A busca por informa\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente universal durante uma pandemia: 99% afirmam utilizar algum meio para se informar, recorrendo, em m\u00e9dia, a quatro canais diferentes. Profissionais ou unidades de sa\u00fade (88%), televis\u00e3o (78%), redes sociais (72%) e sites de not\u00edcias (71%) s\u00e3o os meios mais citados.<\/p>\n<p>Apesar disso, o ambiente informacional segue marcado por incertezas. Seis em cada dez brasileiros (61%) relatam ter tido dificuldade para saber em quem confiar durante uma epidemia ou pandemia, evidenciando o impacto da desinforma\u00e7\u00e3o. \u201cA propaganda contra a sa\u00fade p\u00fablica continua ativa e sem puni\u00e7\u00e3o. Isso deixa um p\u00e9ssimo progn\u00f3stico para as pr\u00f3ximas crises\u201d, afirma Ventura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"CL\u00c1UDIA COLLUCCIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) A maioria dos brasileiros avalia que o pa\u00eds n\u00e3o aprendeu o suficiente com&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":314392,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4619,116,52,7895,32,33,117],"class_list":["post-314391","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-datafolha","tag-health","tag-politica","tag-populacao","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116273248055676712","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314391","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=314391"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314391\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/314392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=314391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=314391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=314391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}