{"id":316535,"date":"2026-03-24T03:47:11","date_gmt":"2026-03-24T03:47:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/316535\/"},"modified":"2026-03-24T03:47:11","modified_gmt":"2026-03-24T03:47:11","slug":"deixar-paciente-com-doenca-arterial-periferica-escolher-ritmo-de-exercicio-melhora-adesao-ao-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/316535\/","title":{"rendered":"Deixar paciente com doen\u00e7a arterial perif\u00e9rica escolher ritmo de exerc\u00edcio melhora ades\u00e3o ao tratamento"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Sa\u00fade\n                            <\/p>\n<p>                            Deixar paciente com doen\u00e7a arterial perif\u00e9rica escolher ritmo de exerc\u00edcio melhora ades\u00e3o ao tratamento<\/p>\n<p class=\"summary\">Pesquisa indica que permitir a autossele\u00e7\u00e3o da velocidade de caminhada, mesmo que menor, n\u00e3o reduz os efeitos cardiovasculares ben\u00e9ficos na compara\u00e7\u00e3o com a terapia-padr\u00e3o<\/p>\n<p>\n                                 Sa\u00fade\n                            <\/p>\n<p>                                                        Deixar paciente com doen\u00e7a arterial perif\u00e9rica escolher ritmo de exerc\u00edcio melhora ades\u00e3o ao tratamento<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Pesquisa indica que permitir a autossele\u00e7\u00e3o da velocidade de caminhada, mesmo que menor, n\u00e3o reduz os efeitos cardiovasculares ben\u00e9ficos na compara\u00e7\u00e3o com a terapia-padr\u00e3o<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/57478.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(57478,'files\/post\/57478.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">As diretrizes internacionais recomendam sess\u00f5es de caminhada realizadas at\u00e9 o surgimento da dor; quando tiveram liberdade para escolher o ritmo, os participantes reduziram levemente a intensidade e a velocidade m\u00e9dia caiu para cerca de 2,6 km por hora (imagem: <a href=\"https:\/\/br.freepik.com\/autor\/tawatchai07\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Tawatchai07<\/a>\/<a href=\"https:\/\/tinyurl.com\/57td9e5t\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Freepik<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Fernanda Bassette | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 A doen\u00e7a arterial perif\u00e9rica (DAP) \u00e9 um dist\u00farbio vascular cr\u00f4nico marcado pelo estreitamento progressivo das art\u00e9rias que irrigam os membros inferiores. Esse processo dificulta a circula\u00e7\u00e3o do sangue e aumenta o risco de eventos cardiovasculares, fazendo com que atividades cotidianas simples, como caminhar, passem a ser um desafio. O sintoma mais caracter\u00edstico \u00e9 a claudica\u00e7\u00e3o intermitente: dor, queima\u00e7\u00e3o ou c\u00e2imbra nas pernas que surgem durante o esfor\u00e7o e melhoram com o repouso.<\/p>\n<p>Embora menos conhecida do que a hipertens\u00e3o ou o diabetes, a DAP \u00e9 relativamente comum entre pessoas idosas. Estimativas internacionais apontam preval\u00eancia entre 3% e 5% da popula\u00e7\u00e3o e estudos regionais sugerem que at\u00e9 10% dos adultos mais velhos no Brasil possam apresentar a doen\u00e7a. Os principais fatores de risco s\u00e3o os mesmos das doen\u00e7as cardiovasculares: tabagismo, diabetes, hipertens\u00e3o e colesterol elevado.<\/p>\n<p>O tratamento cl\u00ednico da DAP tem no exerc\u00edcio f\u00edsico um de seus pilares. As diretrizes internacionais recomendam sess\u00f5es de caminhada em intensidade moderada, realizadas at\u00e9 o surgimento da dor, com pausas para descanso. Essa estrat\u00e9gia j\u00e1 demonstrou benef\u00edcios importantes, como a redu\u00e7\u00e3o aguda da press\u00e3o arterial ap\u00f3s o exerc\u00edcio. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, o desconforto provocado pela dor se transforma em uma das principais barreiras \u00e0 ades\u00e3o aos programas de atividade f\u00edsica \u2013 por isso a busca por estrat\u00e9gias menos dolorosas e mais vi\u00e1veis no dia a dia \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>\u201cA l\u00f3gica de pedir para o paciente caminhar at\u00e9 sentir dor funciona e tem resultados eficazes, e por isso \u00e9 defendida. Mas isso sempre me incomodou\u201d, diz o profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/69165\/raphael-mendes-ritti-dias\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Raphael Mendes Ritti<\/strong><\/a>, professor e pesquisador da Universidade Nove de Julho (Uninove). \u201cA gente sabe que cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel n\u00e3o pratica atividade f\u00edsica regularmente. A\u00ed voc\u00ea pega um paciente idoso, com dificuldade para caminhar, e diz que ele precisa fazer exerc\u00edcio sentindo dor. Isso \u00e9 uma barreira enorme\u201d, diz.<\/p>\n<p>Foi a partir desse inc\u00f4modo que Ritti e sua equipe decidiram realizar estudos para testar uma alternativa: o impacto da caminhada em intensidade autosselecionada. Nesse modelo, em vez de seguir a regra de caminhar at\u00e9 sentir dor, o pr\u00f3prio paciente escolhe o ritmo, a intensidade, a dura\u00e7\u00e3o das s\u00e9ries e os momentos de pausa. A pergunta central era simples: ser\u00e1 que uma abordagem mais flex\u00edvel manteria os benef\u00edcios cardiovasculares do exerc\u00edcio?<\/p>\n<p>Para responder a isso, os pesquisadores do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias da Reabilita\u00e7\u00e3o da Uninove selecionaram 20 pacientes com DAP e os acompanharam durante sess\u00f5es de caminhada em esteira, monitoradas com uso de frequenc\u00edmetro e aferi\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial. A investiga\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/104839\/efeitos-agudos-da-caminhada-com-intensidade-autosselecionada-e-realizada-ate-a-dor-maxima-no-prazer-\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>apoiada<\/strong><\/a> pela FAPESP, seguiu tr\u00eas frentes principais: a primeira foi entender como o paciente organiza a pr\u00f3pria sess\u00e3o quando tem autonomia, que intensidade escolhe, como distribui o esfor\u00e7o e quanto tempo consegue caminhar sem parar. A segunda avaliou o impacto cardiovascular dessas escolhas, medindo o n\u00edvel de estresse fisiol\u00f3gico imposto ao cora\u00e7\u00e3o e aos vasos. A terceira analisou a experi\u00eancia subjetiva do exerc\u00edcio, investigando percep\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o, dor e prazer. Os resultados foram <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/40627734\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicados<\/strong><\/a> no Journal of Cardiopulmonary Rehabilitation and Prevention.<\/p>\n<p>Na prescri\u00e7\u00e3o da caminhada tradicional \u2013 guiada pelas diretrizes internacionais \u2013, a intensidade do percurso foi ajustada pelos pesquisadores para provocar dor moderada nos participantes. Para esses pacientes, isso correspondeu, em m\u00e9dia, a uma velocidade de 3,4 km por hora na esteira. \u201cPode parecer muito lento, mas \u00e9 suficiente para provocar dor em quem tem doen\u00e7a arterial perif\u00e9rica. Para uma pessoa sem a doen\u00e7a, esse ritmo \u00e9 praticamente um passeio\u201d, explica Ritti.<\/p>\n<p>Quando tiveram liberdade para escolher o ritmo da caminhada, os participantes reduziram levemente a intensidade e a velocidade m\u00e9dia caiu para cerca de 2,6 km por hora. Do ponto de vista fisiol\u00f3gico, isso se traduziu em uma carga cardiovascular um pouco menor: enquanto a sess\u00e3o guiada pela diretriz levou os pacientes a aproximadamente 77% da frequ\u00eancia card\u00edaca m\u00e1xima, na sess\u00e3o autosselecionada esse valor ficou em torno de 66%.<\/p>\n<p>A surpresa dos pesquisadores veio ao analisar o conjunto dos dados. \u201cQuando a intensidade da caminhada foi imposta, isso realmente gerou um estresse fisiol\u00f3gico maior, mas a diferen\u00e7a em compara\u00e7\u00e3o com a intensidade autosselecionada foi muito menor do que a gente imaginava\u201d, afirma o profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/716237\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Max Duarte de Oliveira<\/strong><\/a>, um dos autores do estudo. Isso significa que caminhar no pr\u00f3prio ritmo, sem esperar sentir dor, reduziu o desconforto e promoveu respostas cardiovasculares importantes, incluindo a redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial ap\u00f3s o exerc\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Mais tempo<\/strong><\/p>\n<p>Outro achado importante foi a forma como os pacientes organizaram o exerc\u00edcio. Na sess\u00e3o com prescri\u00e7\u00e3o tradicional, seguindo as diretrizes, a caminhada foi fragmentada em blocos de tr\u00eas a cinco minutos, intercalados por pausas quando a dor surgia. J\u00e1 na sess\u00e3o com intensidade definida pelos pacientes, os participantes conseguiram caminhar por per\u00edodos mais longos e cont\u00ednuos, chegando a uma m\u00e9dia de 13 minutos sem interrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEles preferiram fazer menos s\u00e9ries, por mais tempo, mesmo em um ritmo mais lento, do que repetir o ciclo de caminhar, parar por causa da dor e recome\u00e7ar\u201d, explica Oliveira. Apesar dessas diferen\u00e7as, a dist\u00e2ncia total percorrida ao final das sess\u00f5es foi semelhante: cerca de 1.700 metros na caminhada guiada pela diretriz e 1.500 metros na caminhada autosselecionada.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia subjetiva do exerc\u00edcio tamb\u00e9m foi diferente dependendo da intensidade escolhida. Os pesquisadores avaliaram a chamada resposta afetiva, que \u00e9 uma medida psicofisiol\u00f3gica que indica prazer ou desprazer relatado pelo pr\u00f3prio paciente durante a atividade. Os resultados apontam que os pacientes relataram sensa\u00e7\u00f5es mais positivas quando caminhavam no ritmo que escolheram em compara\u00e7\u00e3o com a caminhada imposta, que foi associada a n\u00edveis mais baixos de prazer.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma evid\u00eancia muito s\u00f3lida de que exerc\u00edcios associados a experi\u00eancias negativas t\u00eam baixa chance de continuidade. N\u00e3o adianta o exerc\u00edcio ser eficaz do ponto de vista fisiol\u00f3gico se o paciente n\u00e3o consegue sustent\u00e1-lo no dia a dia\u201d, diz o professor Ritti.<\/p>\n<p>De acordo com os autores, os resultados desses estudos levantam uma discuss\u00e3o em torno do tratamento convencional da DAP. \u201cOs nossos dados sugerem que permitir ao paciente escolher o pr\u00f3prio ritmo do exerc\u00edcio reduz a dor, melhora a experi\u00eancia e n\u00e3o altera os benef\u00edcios agudos\u201d, afirma Ritti. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 avaliar se essa estrat\u00e9gia funciona no longo prazo. \u201cA hip\u00f3tese \u00e9 que, ao permitir que o exerc\u00edcio seja menos doloroso e mais prazeroso, a intensidade autosselecionada pode transformar a caminhada de uma obriga\u00e7\u00e3o dif\u00edcil em um h\u00e1bito poss\u00edvel, podendo ampliar o impacto do exerc\u00edcio sobre a sa\u00fade cardiovascular desses pacientes\u201d, conclui Ritti.<\/p>\n<p>O artigo Comparison of cardiovascular and perceptual responses during guideline-recommended and self-selected intensity exercises in patients with peripheral artery disease \u2013 a randomized crossover study pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/journals.lww.com\/jcrjournal\/abstract\/2025\/11000\/comparison_of_cardiovascular_and_perceptual.5.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>journals.lww.com\/jcrjournal\/abstract\/2025\/11000\/comparison_of_cardiovascular_and_perceptual.5.aspx<\/strong><\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sa\u00fade Deixar paciente com doen\u00e7a arterial perif\u00e9rica escolher ritmo de exerc\u00edcio melhora ades\u00e3o ao tratamento Pesquisa indica que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":316536,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[24593,55929,55939,55936,55937,6642,55932,55933,55931,5474,55940,55934,116,3158,55935,55941,32,33,55938,46968,55928,117,4211,55930],"class_list":["post-316535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-arterias","tag-autosselecao","tag-caimbra-nas-pernas","tag-circulacao-do-sangue","tag-claudicacao-intermitente","tag-colesterol","tag-dap","tag-disturbio-vascular-cronico","tag-doenca-arterial-periferica","tag-dor","tag-esforco","tag-estreitamento-progressivo","tag-health","tag-hipertensao","tag-membros-inferiores","tag-pessoas-idosas","tag-portugal","tag-pt","tag-queimacao","tag-repouso","tag-ritmo-de-exercicio","tag-saude","tag-tabagismo","tag-velocidade-de-caminhada"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116282107204467400","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316535\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/316536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}