{"id":316776,"date":"2026-03-24T09:51:16","date_gmt":"2026-03-24T09:51:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/316776\/"},"modified":"2026-03-24T09:51:16","modified_gmt":"2026-03-24T09:51:16","slug":"combustiveis-portugal-so-nao-se-aproxima-dos-apoios-de-espanha-por-uma-questao-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/316776\/","title":{"rendered":"Combust\u00edveis: Portugal s\u00f3 n\u00e3o se aproxima dos apoios de Espanha &#8220;por uma quest\u00e3o pol\u00edtica&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                O primeiro-ministro espanhol Pedro S\u00e1nchez anunciou um pacote de medidas para travar os pre\u00e7os dos combust\u00edveis que em nada se assemelha \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do ISP anunciada por Portugal. Lisboa j\u00e1 fez saber noutras ocasi\u00f5es que n\u00e3o pode mexer no IVA sem autoriza\u00e7\u00e3o de Bruxelas. Mas Espanha p\u00f4de<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Os pre\u00e7os dos combust\u00edveis n\u00e3o param de aumentar desde o in\u00edcio da guerra no Ir\u00e3o, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Portugal. Os efeitos colaterais da guerra e do encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petr\u00f3leo\u00a0mundial, fazem sentir-se em diferentes partes do globo. Por isso mesmo, no caso da Europa, v\u00e1rios pa\u00edses anunciaram j\u00e1 medidas tempor\u00e1rias para tentar travar a subida dos valores dos combust\u00edveis e dos produtos energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Alemanha e Fran\u00e7a, por exemplo, optaram por respostas muito distintas. Se Berlim procurou estreitar as regras de mercado, para impedir a especula\u00e7\u00e3o e dar alguma previsibilidade aos consumidores (os operadores deixam de poder mexer nos pre\u00e7os v\u00e1rias vezes ao dia como at\u00e9 aqui), Fran\u00e7a apostou na fiscaliza\u00e7\u00e3o e montou uma opera\u00e7\u00e3o nacional de inspe\u00e7\u00f5es em postos de combust\u00edvel do pa\u00eds inteiro, procurando detetar e travar aumentos abusivos. J\u00e1 Espanha anunciou na \u00faltima sexta-feira <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/medio-oriente\/iva-dos-combustiveis-e-da-eletricidade-desce-para-metade-espanha-anuncia-o-maior-escudo-de-toda-a-europa-contra-a-subida-de-precos\/20260320\/69bd989fd34edcee7c621fce\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">um pacote de oito dezenas de medidas de apoio<\/a> aos consumidores e aos empres\u00e1rios, que passam pela redu\u00e7\u00e3o do IVA e tamb\u00e9m do imposto sobre os hidrocarbonetos (IEH da sigla em espanhol), o equivalente ao ISP portugu\u00eas. Portugal, \u00e0 semelhan\u00e7a do que fez em 2022, aquando do come\u00e7o da guerra na Ucr\u00e2nia, n\u00e3o mexeu no IVA e reduziu apenas o ISP e na propor\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para anular os ganhos do Estado com o IVA dos combust\u00edveis. Em 2022, o Governo portugu\u00eas alegou que n\u00e3o podia mexer no IVA por estar sujeito \u00e0s regras europeias.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o acumulada do ISP, desde que a medida foi anunciada, traduziu-se em 9,4 c\u00eantimos por litro,\u00a0no caso do gas\u00f3leo, e 5,1 c\u00eantimos no caso da gasolina. Mas o gas\u00f3leo j\u00e1 tem um aumento acumulado de 40 c\u00eantimos e a gasolina de 21. O impacto no bolso dos consumidores \u00e9, assim, pouco notado.<\/p>\n<p>Autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de Bruxelas <\/p>\n<p>Mas se Espanha pode mexer no IVA porque n\u00e3o o pode fazer Portugal? Na verdade, a Diretiva 2006\/112\/CE (conhecida como Diretiva do IVA) limita a liberdade dos Estados-membros de mexerem no Imposto sobre o Valor Acrescentado, impondo taxas m\u00ednimas obrigat\u00f3rias, bens e servi\u00e7os que podem ter taxas reduzidas e regras comuns de aplica\u00e7\u00e3o do imposto. Todos os pa\u00edses t\u00eam tr\u00eas n\u00edveis de taxa\u00e7\u00e3o do IVA \u2013 a taxa normal (em Portugal \u00e9 de 23%), a taxa reduzida (em Portugal \u00e9 de 13%) e a taxa muito reduzida, aplicada a determinados bens essenciais (em Portugal \u00e9 de 6%). Os pa\u00edses t\u00eam alguma margem de manobra, mas n\u00e3o podem criar novas taxas ou aplicar isen\u00e7\u00f5es ou mesmo redu\u00e7\u00f5es fora das regras europeias e precisam de aprova\u00e7\u00e3o do Conselho da Uni\u00e3o Europeia, em regra geral, por unanimidade.<\/p>\n<p>Espanha avan\u00e7ou, por\u00e9m, com uma descida do IVA dos combust\u00edveis (que n\u00e3o est\u00e3o na lista de bens essenciais) sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de Bruxelas, invocando a situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia e a eminente crise energ\u00e9tica com amea\u00e7as sem precedentes \u00e0 economia e sublinhando que \u00e9 uma medida tempor\u00e1ria. A medida j\u00e1 foi publicada no <a href=\"https:\/\/www.boe.es\/boe\/dias\/2026\/03\/21\/pdfs\/BOE-A-2026-6544.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Bolet\u00edn Oficial del Estado<\/a>, ter\u00e1 ainda de passar no parlamento, onde deve ter aprova\u00e7\u00e3o certa.<\/p>\n<p>O analista de pol\u00edtica Internacional e assuntos europeus Manuel Serrano, tamb\u00e9m comentador da CNN Portugal, acredita que o Governo portugu\u00eas s\u00f3 ainda n\u00e3o avan\u00e7ou para uma solu\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 de Espanha \u201cpor uma quest\u00e3o pol\u00edtica\u201d. \u201cAcho que \u00e9, sobretudo, um tema de prioridade pol\u00edtica. E Portugal tinha sempre a possibilidade de dizer \u2018eu n\u00e3o quero cumprir\u2019. N\u00e3o me parece uma \u00f3tima ideia, obviamente. Portugal preza por se apresentar como um bom aluno da Uni\u00e3o Europeia e quer cumprir\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>E \u00e9 pol\u00edtica, insiste Manuel Serrano, porque\u00a0\u201co tema n\u00e3o \u00e9 apenas o n\u00edvel dos impostos\u201d. \u201c\u00c9 o n\u00edvel dos impostos, mas \u00e9 tamb\u00e9m o seu peso relativo nos rendimentos e a forma como agrava o impacto nas empresas e na economia\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Descer o ISP ou o IVA, qual a melhor solu\u00e7\u00e3o? <\/p>\n<p>O fiscalista Jaime Esteves concorda e sublinha que se trata de \u201cuma decis\u00e3o pol\u00edtica e eventualmente econ\u00f3mico-financeira\u201d. Acredita mesmo que Portugal poderia reduzir o IVA dos combust\u00edveis \u201cat\u00e9 aos 13%\u201d, sem ferir as regras europeias. \u201cPortugal tem capacidade de se aproximar muito de Espanha na interven\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do perfil dos impostos. S\u00f3 n\u00e3o o faz por uma decis\u00e3o que se pode justificar com o receio de que as coisas ainda v\u00e3o esperar muito para ficar melhores e at\u00e9 podem piorar ou porque precisa desesperadamente da receita\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ainda assim, considera que a economia portuguesa e os consumidores teriam mais a ganhar com uma redu\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 eventual isen\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do ISP do que com a descida do IVA.<\/p>\n<p>\u201cO ISP reduzido acaba por ter pouco impacto na receita do Estado, ao contr\u00e1rio do IVA. Diria que, para o consumidor particular, o benef\u00edcio da descida de um ou de ou de outro \u00e9 equivalente. J\u00e1 para um consumidor que tenha a capacidade de deduzir o IVA, a descida do ISP seria mais interessante, porque, mais \u00e0 frente ainda poderia deduzir o IVA\u201d, explica.<\/p>\n<p>O especialista acrescenta ainda que \u201co problema da mexida das taxas de IVA \u00e9 sempre perceber se, depois do pre\u00e7o estar testado, a descida do IVA se vai repercutir no pre\u00e7o ou n\u00e3o\u201d, mas h\u00e1 sempre o risco de ambi\u00e7\u00e3o excessiva de quem vende. \u201cNum cen\u00e1rio de concorr\u00eancia real, o pre\u00e7o desceria, mas nunca se sabe\u201d, resume.<\/p>\n<p>Jaime Esteves n\u00e3o duvida do impacto que o aumento dos combust\u00edveis e a manuten\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os assim t\u00e3o elevados vai ter na economia portuguesa e pode at\u00e9 trazer impactos a fazer recordar a troika. Mas isso deve-se tamb\u00e9m ao facto de Portugal ter aprendido muito pouco com as li\u00e7\u00f5es do passado: \u201cA minha intui\u00e7\u00e3o \u00e9 que dev\u00edamos ter aproveitado os \u00faltimos dez anos para alterar significativamente a despesa do Estado. N\u00e3o o fizemos e isso significa que ao primeiro apert\u00e3o vamos entrar novamente em descalabro financeiro. And\u00e1mos a aumentar a despesa p\u00fablica durante estes anos, quando a dever\u00edamos ter reduzido ou estabilizado.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O primeiro-ministro espanhol Pedro S\u00e1nchez anunciou um pacote de medidas para travar os pre\u00e7os dos combust\u00edveis que em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":316777,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[609,836,611,27,88,607,608,855,333,832,604,135,610,476,89,90,640,301,830,2501,5453,23250,2502,603,570,831,833,62,834,13,835,602,6153,52,32,33,29],"class_list":["post-316776","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-business","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-combustiveis","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-espanha","tag-governo","tag-guerra","tag-impostos","tag-irao","tag-isp","tag-iva","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-petroleo","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116283538512646591","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316776\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/316777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}