{"id":31737,"date":"2025-08-16T11:01:24","date_gmt":"2025-08-16T11:01:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31737\/"},"modified":"2025-08-16T11:01:24","modified_gmt":"2025-08-16T11:01:24","slug":"os-grandes-incendios-estao-a-ser-cada-vez-maiores-e-este-ano-e-particularmente-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31737\/","title":{"rendered":"Os grandes inc\u00eandios est\u00e3o a ser cada vez maiores&#8221; e este ano \u00e9 &#8220;particularmente grave"},"content":{"rendered":"<p>O investigador Domingos Xavier Viegas esteve \u00e0 conversa com o DN. Considerando que 2025 pode ficar na hist\u00f3ria dos piores anos ao n\u00edvel de fogos, o especialista no estudo de inc\u00eandios florestais afirma que as chamas est\u00e3o mais fortes e defende que o Governo devia ter &#8220;uma palavra, uma interven\u00e7\u00e3o, um aparecer, um dar a cara&#8221; nesta altura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Domingos Xavier Viegas diz que, muitas vezes, &#8220;as pessoas n\u00e3o t\u00eam a perce\u00e7\u00e3o do risco e subestimam-no&#8221;. Com isto, deixa um alerta: &#8220;O que est\u00e1 a acontecer agora no centro e no norte do pa\u00eds pode acontecer em qualquer parte.&#8221;<\/p>\n<p>Tanto este ano, como no ano passado, os inc\u00eandios t\u00eam sido muito localizados na zona interior do centro-norte de Portugal. Isto deve-se a qu\u00ea? H\u00e1 uma mudan\u00e7a no tipo de inc\u00eandios no pa\u00eds?<\/p>\n<p>Se compararmos, 2024 foi um ano completamente diferente deste. At\u00e9 meados de setembro, t\u00ednhamos uma \u00e1rea ainda muito pequena. Era mais baixa dos \u00faltimos quase 30 anos. Depois tivemos, em dois ou tr\u00eas dias, um inc\u00eandio pr\u00f3ximo de Albergaria-a-Velha, em que arderam cento e tal mil hectares. Isto mostra como as coisas podem mudar de dire\u00e7\u00e3o rapidamente. <strong>Este ano est\u00e1 a ser particularmente grave, na medida em que tivemos, no princ\u00edpio do ano, uma quantidade de precipita\u00e7\u00e3o muito elevada, de modo geral, por todo o pa\u00eds.<\/strong> Facilitou, digamos, o crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o fina que, a partir de junho, quando deixou de chover, foi secando. Claro que parte dela foi cortada, mas outra n\u00e3o, e alguma at\u00e9 voltou a crescer. O que estamos a ter \u00e9 que essa vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1, nesta altura, seca e dispon\u00edvel para suportar, n\u00e3o s\u00f3 a emiss\u00e3o, como a propaga\u00e7\u00e3o dos inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Isso acontece, de um modo ou de outro, por todo o pa\u00eds. Claro que em algumas regi\u00f5es, mais do que em outras, algumas foram mais afetadas por esse per\u00edodo de seca, mas o pa\u00eds teve essas condi\u00e7\u00f5es. Depois, nestes \u00faltimos dois ou tr\u00eas meses, desde junho at\u00e9 agora, n\u00e3o tem chovido e as condi\u00e7\u00f5es de secura t\u00eam vindo a agravar-se. <strong>As temperaturas t\u00eam sido muito altas e os indicadores que estamos a acompanhar na regi\u00e3o centro, com dados do IPMA v\u00e3o no mesmo sentido: este ano est\u00e1 a ser um dos dois ou tr\u00eas piores anos desde o in\u00edcio do s\u00e9culo<\/strong>. Temos refer\u00eancia aos anos de 2005, 2013, que j\u00e1 foram anos muito maus. <strong>Este ano \u00e9 compar\u00e1vel, ou at\u00e9 pior, que 2017 nos indicadores meteorol\u00f3gicos. Aqui na Universidade de Coimbra temos tamb\u00e9m a vantagem de dispor de dados que s\u00e3o emitidos praticamente diariamente no terreno, da humidade da vegeta\u00e7\u00e3o e de diferentes componentes, que nos indicam tamb\u00e9m que este ano estamos em valores muito, muito baixos.<\/strong> Os valores de humidade da manta morta s\u00e3o inferiores a 4 ou 5%, \u00e0 volta disso, e dos arbustivos \u00e0 volta dos 50%, o que tamb\u00e9m \u00e9 muito baixo. Nestes anos todos, s\u00e3o dos valores mais baixos de que temos registo.<\/p>\n<p>Isso deve-se a altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ou \u00e9 apenas conjuntural?<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dizer estritamente que \u00e9 uma coisa ou outra. \u00c9 o conjunto de v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. Mas, claramente,\u00a0estes per\u00edodos de altas temperaturas, com menor precipita\u00e7\u00e3o, podem ser atribu\u00eddos a altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, embora haja uma variabilidade interanual muito grande. H\u00e1 anos em que, digamos, o comportamento \u00e9 um, e noutros anos \u00e9 outro. O que se verifica \u00e9 que, com o aumento da temperatura, tem vindo a haver cada vez mais estes per\u00edodos de ondas de calor, como aquela que estamos a viver agora. E t\u00eam vindo a ser ondas de calor mais prolongadas, com menor precipita\u00e7\u00e3o, que \u00e9 bastante distribu\u00edda de uma forma mais irregular ao longo do ano. Este ano, em particular, estamos a ter esta situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 descrevi antes: uma concentra\u00e7\u00e3o de chuva muito elevada, no inverno, e agora uma s\u00e9rie de meses sem chuva. N\u00e3o sei exatamente qual a previs\u00e3o dos pr\u00f3ximos dias, algumas indicam que se ir\u00e1 manter, outras que se ir\u00e1 agravar. Mas, em rela\u00e7\u00e3o aos inc\u00eandios, se n\u00e3o houver chuva \u2013 e tem de ser abundante \u2013 por uma parte importante do territ\u00f3rio, infelizmente a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deve alterar muito. <strong>Mesmo que a temperatura baixe, a humidade de algumas camadas de combust\u00edvel \u00e9 muito baixa e n\u00e3o deve recuperar t\u00e3o depressa.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O investigador Domingos Xavier Viegas esteve \u00e0 conversa com o DN. 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