{"id":318048,"date":"2026-03-25T09:55:06","date_gmt":"2026-03-25T09:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/318048\/"},"modified":"2026-03-25T09:55:06","modified_gmt":"2026-03-25T09:55:06","slug":"cern-leva-antimateria-para-fora-do-laboratorio-pela-primeira-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/318048\/","title":{"rendered":"CERN leva antimat\u00e9ria para fora do laborat\u00f3rio pela primeira vez"},"content":{"rendered":"<p>Uma curta viagem de cami\u00e3o, um enorme salto para a f\u00edsica de part\u00edculas.<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Cientistas levaram a <a href=\"https:\/\/pt.euronews.com\/2016\/12\/21\/fisica-ameaca-deus-cern-ve-pela-primeira-vez-espetro-de-luz-da-antimateria\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>antimat\u00e9ria<\/strong><\/a>, algumas das part\u00edculas mais raras do universo, para fora do laborat\u00f3rio e para a estrada pela primeira vez. Fizeram-no numa experi\u00eancia cuidadosamente controlada com um cami\u00e3o, que pode transformar a forma como \u00e9 estudada.<\/p>\n<p>Na F\u00e1brica de Antimat\u00e9ria do CERN, perto de Genebra, investigadores transportaram com cuidado cerca de 100 antiprot\u00f5es, num cami\u00e3o, dentro de um contentor especialmente concebido, numa experi\u00eancia de quatro horas destinada a demonstrar que podem ser deslocados em seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A antimat\u00e9ria \u00e9 extremamente fr\u00e1gil. Se os antiprot\u00f5es entram em contacto com mat\u00e9ria normal, mesmo por uma frac\u00e7\u00e3o de segundo, aniquilam-se e libertam energia.<\/p>\n<p>Para evitar isso, os antiprot\u00f5es s\u00e3o colocados numa caixa com cerca de um metro c\u00fabico, conhecida como uma &#8220;armadilha transport\u00e1vel de antiprot\u00f5es&#8221;, que recorre a \u00edmanes especiais arrefecidos a -269 graus Celsius (-452 Fahrenheit) e permite manter os antiprot\u00f5es suspensos num v\u00e1cuo, sem tocarem nas paredes interiores, que s\u00e3o feitas de&#8230; mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>A viagem de meia hora serviu para testar se as part\u00edculas conseguiam manter-se confinadas fora do ambiente controlado do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 importante conseguir transportar antimat\u00e9ria?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o porque \u00e9 que h\u00e1 tanto interesse na antimat\u00e9ria? Ela cont\u00e9m respostas para um dos maiores mist\u00e9rios da ci\u00eancia: porque \u00e9 que o universo existe na forma atual, explicou a f\u00edsica de part\u00edculas Tara Shears, da Universidade de Liverpool, que n\u00e3o participa no projeto,<\/p>\n<p>&#8220;A antimat\u00e9ria \u00e9 um dos maiores mist\u00e9rios que temos na ci\u00eancia. \u00c9, desde logo, muito rara, por isso n\u00e3o a conseguimos estudar muito.<\/p>\n<p>&#8220;Mas cont\u00e9m as chaves para percebermos literalmente porque \u00e9 que o universo \u00e9 como \u00e9, porque, quando o universo come\u00e7ou a existir, metade era feita de antimat\u00e9ria&#8221;, disse Shears.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia \u00e9 um primeiro passo para transportar antiprot\u00f5es para laborat\u00f3rios especializados noutros pontos da Europa, como a Universidade Heinrich Heine, em D\u00fcsseldorf, a cerca de oito horas de dist\u00e2ncia em condi\u00e7\u00f5es normais de condu\u00e7\u00e3o, para medi\u00e7\u00f5es de grande precis\u00e3o. Mas faz\u00ea-lo n\u00e3o \u00e9 tarefa simples.<\/p>\n<p>&#8220;No momento em que estes prot\u00f5es de antimat\u00e9ria entram em contacto com mat\u00e9ria normal, aniquilam-se. Desaparecem num simples clar\u00e3o de luz&#8221;, afirmou o professor Alan Barr, da Universidade de Oxford.<\/p>\n<p>Segundo o investigador, o grande desafio desta experi\u00eancia \u00e9 precisamente impedir que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;A tecnologia aprisiona prot\u00f5es de antimat\u00e9ria num v\u00e1cuo ultrafrio, suspensos por campos el\u00e9tricos e magn\u00e9ticos poderosos. Impede literalmente que toquem nas paredes do contentor. Este transporte \u00e9 uma prova de conceito. Mostra que, no futuro, poderemos fazer estas desloca\u00e7\u00f5es de forma rotineira e estudar a antimat\u00e9ria em detalhe&#8221;, explicou Barr.<\/p>\n<p>Acrescentou que, ao tentar fazer coisas t\u00e3o dif\u00edceis, &#8220;somos obrigados a inventar tecnologias que acabam por ser usadas noutros dom\u00ednios. N\u00e3o \u00e9 por isso que fazemos isto, mas \u00e9 o que acontece como efeito secund\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Que avan\u00e7os podem resultar deste desenvolvimento?<\/p>\n<p>Shears considera que o CERN iniciou uma longa caminhada de descoberta cient\u00edfica e que, neste momento, \u00e9 imposs\u00edvel imaginar que benef\u00edcios poder\u00e1 trazer \u00e0 humanidade no futuro.<\/p>\n<p>&#8220;Estou certa de que ter\u00e1 aplica\u00e7\u00f5es noutros dom\u00ednios. Simplesmente n\u00e3o lhe consigo dizer, por agora, quais ser\u00e3o, porque ainda n\u00e3o pens\u00e1mos nelas. Mas vamos pensar&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A Universidade Heinrich Heine \u00e9 considerada um local mais adequado para estudar em profundidade os antiprot\u00f5es, porque o CERN, com todas as suas outras atividades, gera muitas interfer\u00eancias magn\u00e9ticas que podem distorcer o estudo da antimat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Mas, para l\u00e1 chegarem, esses antiprot\u00f5es n\u00e3o podem tocar em nada durante o percurso.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 trabalho pela frente: a armadilha tem, por enquanto, no m\u00e1ximo quatro horas de autonomia e a viagem at\u00e9 D\u00fcsseldorf demora o dobro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma curta viagem de cami\u00e3o, um enorme salto para a f\u00edsica de part\u00edculas. 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