{"id":318118,"date":"2026-03-25T11:08:24","date_gmt":"2026-03-25T11:08:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/318118\/"},"modified":"2026-03-25T11:08:24","modified_gmt":"2026-03-25T11:08:24","slug":"submarino-nuclear-sovietico-liberta-radiacao-ha-40-anos-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/318118\/","title":{"rendered":"Submarino nuclear sovi\u00e9tico liberta radia\u00e7\u00e3o h\u00e1 40 anos \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Antes de a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica afundar politicamente, j\u00e1 uma das maiores joias da coroa da sua Marinha tinha ensaiado esse destino \u2014 ao naufragar ao largo da Ilha do Urso, no Mar da Noruega, onde permanece parcialmente enterrado at\u00e9 hoje. Um estudo recente publicado na <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/abs\/10.1073\/pnas.2520144123\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista cient\u00edfica PNAS<\/a>, noticiado pelo <a href=\"https:\/\/elpais.com\/ciencia\/2026-03-23\/la-amenaza-del-komsomolets-un-submarino-sovietico-nuclear-libera-radiacion-desde-el-fondo-del-mar-desde-hace-cuatro-decadas.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">El Pa\u00eds<\/a>, voltou a olhar para o que resta do K-278 Komsomolets no fundo do mar. Apesar de a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter encontrado vest\u00edgios de plut\u00f3nio de grau militar nas amostras de \u00e1gua do mar, como atestou o autor principal do relat\u00f3rio, Justin Gwynn, descobriram medi\u00e7\u00f5es an\u00f3malas junto a uma sa\u00edda de ventila\u00e7\u00e3o do submarino nuclear: emiss\u00f5es de material radioativo muito acima dos valores normais registados naquelas \u00e1guas.<\/p>\n<p>O naufr\u00e1gio ocorreu a 7 de abril de 1989 durante uma miss\u00e3o no Atl\u00e2ntico Norte.\u00a0Um inc\u00eandio deflagrou num dos compartimentos traseiros e espalhou-se rapidamente atrav\u00e9s do sistema de ventila\u00e7\u00e3o, comprometendo v\u00e1rias \u00e1reas cr\u00edticas do K-278, constru\u00eddo em tit\u00e2nio e alimentado por energia nuclear. A tripula\u00e7\u00e3o ainda conseguiu trazer a embarca\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie, mas o desfecho j\u00e1 estava tra\u00e7ado: o Komsomolets, que entrou ao servi\u00e7o em 1983, acabou por afundar-se pouco depois. O <strong>acidente provocou a morte de 42 tripulantes<\/strong>, v\u00edtimas da exposi\u00e7\u00e3o prolongada \u00e0s \u00e1guas geladas. Apenas 27 sobreviveram.<\/p>\n<p>As primeiras investiga\u00e7\u00f5es conduzidas ainda pelas autoridades sovi\u00e9ticas sugeriram que o impacto do naufr\u00e1gio poder\u00e1 ter danificado os torpedos a bordo, permitindo o contacto entre material nuclear e a \u00e1gua do mar, segundo Gwynn, cientista s\u00e9nior da Autoridade Norueguesa para Seguran\u00e7a Radiol\u00f3gica e Nuclear, citado pelo jornal espanhol. No rescaldo de casos como o de Chernobyl, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica avan\u00e7ou com v\u00e1rias miss\u00f5es de inspe\u00e7\u00e3o com submers\u00edveis, com v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es de conten\u00e7\u00e3o: <strong>\u201cCobriram-se as rachas em ambos os lados do compartimento de torpedos [que tinham ogivas nucleares], taparam-se outras aberturas, preencheu-se o vazio no compartimento e selaram-se os tubos de torpedos\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>A mais recente investiga\u00e7\u00e3o, conduzida por institui\u00e7\u00f5es norueguesas, confirmou que ainda ocorriam fugas do reator, embora n\u00e3o cont\u00ednuas. Com concentra\u00e7\u00f5es de estr\u00f4ncio-90 e c\u00e9sio-137 at\u00e9 400.000 e 800.000 vezes superiores ao normal no mar da Noruega, foram tamb\u00e9m detetados plut\u00f3nio e ur\u00e2nio, indicando corros\u00e3o do combust\u00edvel nuclear. Com o envelhecimento da estrutura, os materiais que cont\u00eam o combust\u00edvel \u2014 normalmente protegidos por ligas met\u00e1licas \u2014 come\u00e7am a degradar-se, o que pode <strong>permitir a liberta\u00e7\u00e3o de part\u00edculas radioativas.<\/strong> \u201cSe essa estrutura se degrada, o ur\u00e2nio ou plut\u00f3nio deixa de estar confinado\u201d, explica Nuria Casacuberta, especialista em oceanografia f\u00edsica no Instituto Federal Su\u00ed\u00e7o de Tecnologia em Zurique (ETH Zurich).<\/p>\n<p>Ainda assim, os especialistas recordam que os oceanos cont\u00eam naturalmente pequenas quantidades de radioatividade, embora em n\u00edveis muito inferiores. \u201cUma pequena quantidade de radioatividade ainda existe em todos os oceanos, n\u00e3o apenas na superf\u00edcie\u201d, afirma Casacuberta \u2014 cerca de um becquerel (unidade de medi\u00e7\u00e3o radioativa),\u00a0 por metro c\u00fabico de \u00e1gua, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Quanto ao impacto ambiental, os dados recolhidos at\u00e9 agora apontam para efeitos limitados. \u201cEm algumas das amostras de organismos marinhos que recolhemos de ambos os lados do submarino, observ\u00e1mos baixas concentra\u00e7\u00f5es de c\u00e9sio-137, provavelmente devido a emiss\u00f5es cont\u00ednuas, mas <strong>n\u00e3o se espera que esses n\u00edveis tenham qualquer impacto sobre os pr\u00f3prios organismos<\/strong>\u201d, destaca Hilde Elise Heldal, investigadora do Departamento de Poluentes e Riscos Biol\u00f3gicos do Instituto Noruegu\u00eas de Pesquisa Marinha.<\/p>\n<p>O estudo, que conclui ser prov\u00e1vel a continua\u00e7\u00e3o das fugas do reator do Komsomolets, recomenda novas investiga\u00e7\u00f5es \u2014 <strong>mantendo sob observa\u00e7\u00e3o um vest\u00edgio submerso da Guerra Fria que ainda representa uma amea\u00e7a mais de 30 anos depois.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Antes de a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica afundar politicamente, j\u00e1 uma das maiores joias da coroa da sua Marinha tinha&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":318119,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[964,27,28,442,476,2270,22629,15,16,14,25,26,21,22,62,1009,12,13,19,20,20723,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-318118","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-ambiente","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-ciu00eancia","12":"tag-economia","13":"tag-energia","14":"tag-energia-nuclear","15":"tag-featured-news","16":"tag-featurednews","17":"tag-headlines","18":"tag-latest-news","19":"tag-latestnews","20":"tag-main-news","21":"tag-mainnews","22":"tag-mundo","23":"tag-natureza","24":"tag-news","25":"tag-noticias","26":"tag-noticias-principais","27":"tag-noticiasprincipais","28":"tag-oceanos","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-top-stories","32":"tag-topstories","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116289503780860322","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318118\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/318119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}