{"id":31971,"date":"2025-08-16T15:17:32","date_gmt":"2025-08-16T15:17:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31971\/"},"modified":"2025-08-16T15:17:32","modified_gmt":"2025-08-16T15:17:32","slug":"cuidar-ate-quebrar-a-face-invisivel-da-medicina-veterinaria-megafone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/31971\/","title":{"rendered":"Cuidar at\u00e9 quebrar: a face invis\u00edvel da medicina veterin\u00e1ria | Megafone"},"content":{"rendered":"<p>A taxa de suic\u00eddio na medicina veterin\u00e1ria \u00e9 um problema global. Mas, em Portugal, continuamos a n\u00e3o falar disto.<\/p>\n<p>A comunidade internacional Not One More Vet (NOMV) nasceu em 2014, ap\u00f3s o suic\u00eddio da m\u00e9dica veterin\u00e1ria Sophia Yin. A miss\u00e3o: quebrar o sil\u00eancio. Em 2024, a comunidade celebrou dez anos \u2014 apoiando dezenas de milhares de profissionais. Em Portugal, o sil\u00eancio mant\u00e9m-se.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o brutais. Um estudo nacional revelou que 87% dos m\u00e9dicos veterin\u00e1rios apresentam sintomas de stress, e 25% sinais cl\u00ednicos de depress\u00e3o ou ansiedade severa. A taxa de suic\u00eddio \u00e9 3,5 vezes superior \u00e0 da popula\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea? Porque somos invis\u00edveis. Trabalhamos pela sa\u00fade p\u00fablica, seguran\u00e7a alimentar, preven\u00e7\u00e3o de zoonoses e bem-estar animal. Mas somos uma classe esquecida \u2014 pela sociedade, pelo Estado e, muitas vezes, pelos pr\u00f3prios pares. N\u00e3o h\u00e1 internato, tutoria ou plano de acolhimento para rec\u00e9m-formados. Terminamos a forma\u00e7\u00e3o e somos lan\u00e7ados para um mercado saturado, prec\u00e1rio e desregulado. Com sal\u00e1rios baixos, jornadas longas e press\u00e3o emocional constante.<\/p>\n<p>Num s\u00f3 dia, o m\u00e9dico veterin\u00e1rio faz consultas de cl\u00ednica geral, ortopedia, dermatologia, comportamento, urg\u00eancias. Diagnostica, opera, trata, comunica com os tutores \u2014 e tenta n\u00e3o falhar, porque \u201c\u00e9 o c\u00e3o da fam\u00edlia\u201d ou \u201co gato do filho\u201d. A responsabilidade \u00e9 imensa. E os recursos s\u00e3o escassos. E h\u00e1 a eutan\u00e1sia. Chamemos-lhe o que for: dar descanso, evitar sofrimento, decis\u00e3o m\u00e9dica. No fim do dia \u00e9 um ato de morte executado por quem tamb\u00e9m sentiu carinho por aquele animal. Um ato t\u00e9cnico que fere emocionalmente \u2014 e que se repete, sem tempo para processar ou curar.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m nos prepara para isto. E quando o sofrimento nos quebra, somos vistos como fracos. N\u00e3o h\u00e1 tempo para parar. E quando paramos, j\u00e1 \u00e9 tarde. O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 individual. \u00c9 sist\u00e9mico. Falta estrutura, apoio psicol\u00f3gico, planos de preven\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o emocional. Sobram burnout, agress\u00f5es de tutores, desvaloriza\u00e7\u00e3o profissional e solid\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Neste contexto, o argumento do \u201camor \u00e0 profiss\u00e3o\u201d esgota-se. Porque uma profiss\u00e3o que exige amor absoluto mas n\u00e3o devolve dignidade, est\u00e1 a roubar amor-pr\u00f3prio. Hoje, o que os m\u00e9dicos veterin\u00e1rios gritam n\u00e3o \u00e9 um lamento. \u00c9 um pedido de socorro. A quem quiser ouvir \u2014 e a quem continua a fingir que n\u00e3o sabe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A taxa de suic\u00eddio na medicina veterin\u00e1ria \u00e9 um problema global. 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