{"id":323359,"date":"2026-03-29T15:36:10","date_gmt":"2026-03-29T15:36:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/323359\/"},"modified":"2026-03-29T15:36:10","modified_gmt":"2026-03-29T15:36:10","slug":"escultura-as-tres-gracas-inspira-misterio-na-novela-e-em-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/323359\/","title":{"rendered":"Escultura \u2018As Tr\u00eas Gra\u00e7as\u2019 inspira mist\u00e9rio na novela e em BH"},"content":{"rendered":"<p>A escultura das \u201cTr\u00eas Gra\u00e7as\u201d ocupa o centro de gravidade da atual novela das nove da Globo \u2013 que, n\u00e3o por acaso, tem como t\u00edtulo justamente o nome deste trabalho. Originada em um mito grego, a representa\u00e7\u00e3o dessas tr\u00eas figuras femininas em compasso de dan\u00e7a inspirou artistas em todo o mundo, sobretudo ap\u00f3s o Renascimento, a partir do s\u00e9culo XIV, quando passaram a ser um tema mais ou menos recorrente.\u00a0<\/p>\n<p>Lida como s\u00edmbolo de uma idealizada harmonia \u2013 combinando atributos como alegria, eleg\u00e2ncia e jovialidade \u2013, a hist\u00f3ria mitol\u00f3gica foi revisitada por diversas correntes art\u00edsticas, inclusive pelo modernismo brasileiro, inspirando obras de escultores como o belo-horizontino Alfredo Ceschiatti. \u00c9 atribu\u00eddo a ele um exemplar de \u201cAs Tr\u00eas Gra\u00e7as\u201d em exposi\u00e7\u00e3o na capital mineira desde meados de 2013. Uma obra que, a exemplo da vers\u00e3o da novela, \u00e9 tamb\u00e9m cercada de mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em BH, a pe\u00e7a pode ser vista no hall de entrada do Minas T\u00eanis Clube, no Lourdes, regi\u00e3o Centro-Sul, onde chegou por meio de um antigo associado, membro de uma tradicional fam\u00edlia minasclubista. Ele doou a escultura ao ent\u00e3o presidente do equipamento h\u00e1 13 anos, conforme registram os documentos consultados pelo Centro de Mem\u00f3ria a pedido da reportagem. No termo de doa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, exigiu que seu nome fosse mantido em anonimato. N\u00e3o h\u00e1 registros de cerim\u00f4nias celebrando a chegada das Tr\u00eas Gra\u00e7as ao lugar ou mais detalhes sobre aquele trabalho \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 propriamente uma novidade em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhos do escultor mineiro.<\/p>\n<p>Pesquisadora da obra legada por Ceschiatti, Gisele Guedes conta que o artista deixou poucos documentos que certificam que as esculturas foram feitas por ele \u2013 o que pode gerar questionamentos sobre a autoria, levantando a hip\u00f3tese de que a obra possa ser uma c\u00f3pia n\u00e3o autorizada ou uma r\u00e9plica autorizada. Ela, no entanto, n\u00e3o indica que este seja o caso da escultura exposta no Minas T\u00eanis Clube.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" title=\"Image from Assets\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/entretenimento-escultura--as-tr-s-gra-as--chegou-ao-minas-t-nis-clube-em-2013-1774628448.jpeg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1064\"\/>&#13;<br \/>\nEscultura &#8216;As Tr\u00eas Gra\u00e7as&#8217; chegou ao Minas T\u00eanis Clube em 2013 |\u00a0<strong>Cr\u00e9dito: Fred Magno\/O TEMPO<\/strong>&#13;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que, diferentemente da hist\u00f3ria apresentada na novela, em algumas pe\u00e7as criadas por ele n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de \u201cassinatura secreta\u201d. Para piorar, ela lembra n\u00e3o ser incomum que ele fizesse diferentes leituras para um mesmo tema.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m da escultura exposta em BH, h\u00e1 uma vers\u00e3o da mesma obra fotografada em 1956 por Marcel Gautherot na Casa das Canoas, que o arquiteto Oscar Niemeyer projetou e viveu por 10 anos, que fica na estrada das Canoas no Rio de Janeiro. H\u00e1 tamb\u00e9m vers\u00f5es encontradas em casas de leil\u00e3o. A reportagem identificou an\u00fancios de uma pe\u00e7a em bronze patinado e cinzelado, medindo 110 x 80 cm, com cachet da Fundi\u00e7\u00e3o Zani, sendo vendida com lances a partir de R$ 65 mil.<\/p>\n<p>Como Ceschiatti fez releitura de mito grego<\/p>\n<p>Na leitura da pesquisadora Gisele Guedes, a for\u00e7a de \u201cAs Tr\u00eas Gra\u00e7as\u201d, na vers\u00e3o de Alfredo Ceschiatti, est\u00e1 justamente naquilo que escapa \u00e0 individualiza\u00e7\u00e3o das figuras. \u201cEssa quest\u00e3o de trabalhar as figuras femininas e, inclusive, temas mais tradicionais \u00e9 comum na produ\u00e7\u00e3o dele. H\u00e1 v\u00e1rios exemplos em que ele trabalha com a forma feminina, mais sempre nessa dire\u00e7\u00e3o de diluir ritmo, harmonia, n\u00e3o trabalhando com uma visualidade espec\u00edfica. Vide este caso, onde n\u00e3o temos uma obra sobre tr\u00eas figuras individuais, mas, sim, um conjunto, uma harmonia\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Ela prossegue examinando que a escultura, mais do que representar personagens, tematiza as rela\u00e7\u00f5es. \u201cEla n\u00e3o \u00e9 uma cena, n\u00e3o \u00e9 uma narrativa, n\u00e3o \u00e9 um retrato, n\u00e3o \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o. Eu acredito que ela funciona como uma estrutura de rela\u00e7\u00f5es. S\u00e3o os corpos, os volumes, o espa\u00e7o, e essa dan\u00e7a entre elas que interessam\u201d, defende.<\/p>\n<p>Essa leitura, prossegue Gisele, \u00e9 aleg\u00f3rica de como Ceschiatti vai se inserir no modernismo brasileiro. Ao estudar esculturas em Belo Horizonte, especialmente no recorte das d\u00e9cadas de 1940 e 1950, ela identifica nesse per\u00edodo uma transforma\u00e7\u00e3o formal que aparece nas obras do artista. \u201cEle entra nesse per\u00edodo da passagem da d\u00e9cada de 40 para a d\u00e9cada de 50, que tem essa transi\u00e7\u00e3o da modernidade, quando as formas mais cl\u00e1ssicas est\u00e3o sendo adaptadas, est\u00e3o sendo mais simplificadas e geometrizadas\u201d, examina.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que, para ela, reside uma das chaves de sua relev\u00e2ncia. \u201cO que sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o nele foi essa capacidade de lidar com temas tradicionais e trazer uma vis\u00e3o diferenciada, trazer um aspecto diferente e integrado com o tempo dele mesmo. Essa quest\u00e3o de trabalhar a forma na sua ess\u00eancia\u201d, menciona, citando a recorr\u00eancia de motivos cl\u00e1ssicos \u2013 como o das Tr\u00eas Gra\u00e7as \u2013 n\u00e3o aparece na forma de simples repeti\u00e7\u00e3o. \u201cEle \u00e9 um artista que consegue pegar um tema tradicional, porque \u2018As Tr\u00eas Gra\u00e7as\u2019 \u00e9 um tema mitol\u00f3gico, e, a partir dele, oferecer uma vers\u00e3o nova\u201d, ressalta, elogiando a liberdade com que o escultor explora varia\u00e7\u00f5es de um mesmo motivo.\u00a0<\/p>\n<p>Essa multiplicidade do seu trabalho, por\u00e9m, acaba alimentando d\u00favidas \u2013 sobretudo quando associada \u00e0 escassez de registros. E \u00e9 justamente nesse ponto que a investiga\u00e7\u00e3o encontra seus limites. \u201cIsso \u00e9 uma coisa que realmente \u00e9 comum. At\u00e9 no Museu de Arte da Pampulha (MAP), os registros das pe\u00e7as s\u00e3o muito breves. \u00c0s vezes a gente n\u00e3o tem nem informa\u00e7\u00f5es de quem doou\u201d, conta.\u00a0<\/p>\n<p>Para contornar essas lacunas, Gisele precisou recorrer a outras fontes durante sua pesquisa. \u201cO que eu fiz foi buscar nos jornais, na Hemeroteca, no Arquivo da Cidade, para tentar encontrar dados sobre essas encomenda e doa\u00e7\u00f5es\u201d, diz, contextualizando que informa\u00e7\u00f5es mais precisas s\u00f3 s\u00e3o encontradas no caso de obras vinculadas a projetos espec\u00edficos, como o Conjunto Moderno da Pampulha \u2013 ele criou, por exemplo, esculturas para a Igreja de S\u00e3o Francisco de Assis, projetada por Oscar Niemeyer. \u201cEssas obras foram encomendadas para ficar l\u00e1, ent\u00e3o existe uma demanda anterior, que \u00e9 mais f\u00e1cil de localizar\u201d, menciona.<\/p>\n<p>Na novela, obra \u00e9 inspirada por escultura do s\u00e9culo XIX\u00a0<\/p>\n<p>Na novela \u201cTr\u00eas Gra\u00e7as\u201d, criada e escrita por Aguinaldo Silva, Virg\u00edlio Silva e Z\u00e9 Dassilva, com acertada dire\u00e7\u00e3o de Luiz Henrique Rios, a escultura que d\u00e1 nome \u00e0 trama exerce uma for\u00e7a gravitacional que atrai diferentes n\u00facleos e ganha contornos um qu\u00ea sobrenaturais.\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" title=\"Image from Assets\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/entretenimento-escultura-de-1-8-m-e-cerca-de-220-kg-foi-criada-pela-equipe-de-cenografia-da-globo-17.jpeg\" alt=\"\" width=\"1212\" height=\"806\"\/>&#13;<br \/>\nEscultura criada pela equipe de cenografia dos Est\u00fadios Globo tem 1,8 m de altura e pesa 220 kg |\u00a0<strong>Cr\u00e9dito: Estevam Avellar\/Globo\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong>&#13;<\/p>\n<p>Tratada como um objeto carregado de misticismo, a obra \u00e9 associada a uma esp\u00e9cie de maldi\u00e7\u00e3o: todos aqueles que a possuem acabam, em alguma medida, sofrendo perdas e revezes. \u00c9 o que acontece com Rog\u00e9rio, personagem de Eduardo Moscovis, com Arminda, vivida por Grazi Massafera, e tamb\u00e9m com os grupos de Gerluce, de Sophie Charlotte, e Kasper, interpretado por Miguel Falabella.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a pe\u00e7a exerce um fasc\u00ednio persistente sobre praticamente todos os personagens, que passam a desej\u00e1-la obsessivamente ou simplesmente t\u00eam dificuldades de se afastar dela \u2013 que, discretamente, vai ocupando lugar central na narrativa.<\/p>\n<p>Para dar forma a esse objeto de desejo, cen\u00f3grafos dos Est\u00fadios Globo produziram uma escultura de cerca de 1,80 m, em resina com p\u00f3 de m\u00e1rmore, inspirada em vers\u00f5es consagradas da hist\u00f3ria da arte. A refer\u00eancia mais c\u00e9lebre \u00e9 a de Antonio Canova, um dos principais nomes do neoclassicismo. Sua primeira vers\u00e3o foi encomendada pela imperatriz dos franceses Jos\u00e9phine de Beauharnais, esposa de Napole\u00e3o, que morreu antes da conclus\u00e3o da obra, esculpida entre 1814 e 1817. Hoje, a pe\u00e7a integra o acervo do Museu Hermitage, em S\u00e3o Petersburgo, na R\u00fassia. Outra vers\u00e3o do escultor est\u00e1 no Victoria and Albert Museum, em Londres.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" title=\"Image from Assets\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/entretenimento-escultura--as-tr-s-gra-as---de-antonio-canova--no-victoria-and-albert-museum--em-lond.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"731\"\/>&#13;<br \/>\nDetalhe da escultura &#8216;As Tr\u00eas Gra\u00e7as&#8217;, de Antonio Canova, no Victoria and Albert Museum, em Londres |\u00a0<strong>Cr\u00e9dito: Museu Victoria and Albert\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong>&#13;<\/p>\n<p>O tema tamb\u00e9m foi retomado por outros artistas ao longo dos s\u00e9culos. H\u00e1 interpreta\u00e7\u00f5es de James Pradier, expostas no Museu do Louvre, em Paris, na Fran\u00e7a; de Christian Gottfried J\u00fcchtzer, no Museu de Artes e Of\u00edcios de Hamburgo, na Alemanha; e de Bertel Thorvaldsen, no Museu Thorvaldsens, em Copenhague, na Dinamarca. Em comum, todas partem de uma mesma matriz mitol\u00f3gica, que atravessa s\u00e9culos de hist\u00f3ria da arte.<\/p>\n<p>Como explica o personagem Kasper na pr\u00f3pria novela, a escultura remete \u00e0s tr\u00eas filhas de Zeus: Eufrosina, associada \u00e0 alegria; Aglaia, ligada \u00e0 gra\u00e7a e \u00e0 eleg\u00e2ncia; e Thalia, vinculada \u00e0 juventude e \u00e0 beleza.<\/p>\n<p>Habitantes do Olimpo e descritas como dan\u00e7arinas, elas aparecem de forma pontual na mitologia grega, mas ganharam proje\u00e7\u00e3o sobretudo a partir do Renascimento, quando passaram a ser interpretadas como s\u00edmbolo de harmonia e de uma idealiza\u00e7\u00e3o do corpo e das rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A escultura das \u201cTr\u00eas Gra\u00e7as\u201d ocupa o centro de gravidade da atual novela das nove da Globo \u2013&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":323360,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,14876,204,114,115,2454,753,2931,32341,32,33,4376],"class_list":["post-323359","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-arte-e-design","tag-arte","tag-arte-e-design","tag-artedesign","tag-arts","tag-arts-and-design","tag-artsanddesign","tag-bh","tag-design","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-escultura","tag-globo","tag-novela","tag-obra-de-arte","tag-portugal","tag-pt","tag-tres-gracas"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116313206899631691","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/323359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=323359"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/323359\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/323360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=323359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=323359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=323359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}