{"id":325407,"date":"2026-03-31T09:17:09","date_gmt":"2026-03-31T09:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/325407\/"},"modified":"2026-03-31T09:17:09","modified_gmt":"2026-03-31T09:17:09","slug":"trump-tem-sob-o-seu-comando-o-exercito-mais-bem-preparado-do-planeta-mas-nao-sabe-usa-lo-com-a-frieza-de-dwight-d-eisenhower","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/325407\/","title":{"rendered":"Trump tem sob o seu comando o ex\u00e9rcito mais bem preparado do planeta&#8221; mas n\u00e3o sabe us\u00e1-lo com &#8220;a frieza de Dwight D. Eisenhower"},"content":{"rendered":"<p>\t                Num mundo em descarboniza\u00e7\u00e3o, o plano de Trump para controlar o petr\u00f3leo do Ir\u00e3o, depois de uma interven\u00e7\u00e3o com o mesmo intuito na Venezuela, faz lembrar uma can\u00e7\u00e3o de Wilson Simonal que versa assim: &#8220;Nem vem de garfo que hoje \u00e9 dia de sopa&#8221;. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o haja ganhos de curto prazo para os EUA, cuja administra\u00e7\u00e3o atual v\u00ea no petr\u00f3leo n\u00e3o s\u00f3 uma ferramenta de influ\u00eancia econ\u00f3mica como uma arma de coer\u00e7\u00e3o a ser usada contra rivais e aliados. No longo prazo, contudo, quem ganha \u00e9 a China<\/p>\n<p>Parece cada vez mais claro que a guerra iniciada h\u00e1 um m\u00eas contra o Ir\u00e3o \u00e9 apenas mais uma numa s\u00e9rie de jogadas arriscadas de Donald Trump para garantir que os EUA s\u00e3o reis e senhores do petr\u00f3leo mundial. Na v\u00e9spera dos primeiros ataques ao Ir\u00e3o, o presidente norte-americano subiu a um palanque na cidade costeira de Corpus Christi, no Texas, para se congratular com o facto de estar a \u201cconsolidar o estatuto dos EUA enquanto a maior superpot\u00eancia energ\u00e9tica do planeta\u201d. Um m\u00eas depois, este domingo, assumiu <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/3bd9fb6c-2985-4d24-b86b-23b7884031f5?syn-25a6b1a6=1\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">em entrevista ao Financial Times<\/a>\u00a0(FT) que o seu maior desejo \u00e9 tomar o petr\u00f3leo do Ir\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cPara ser sincero, o que eu mais quero \u00e9 ficar com o petr\u00f3leo do Ir\u00e3o, mas algumas pessoas est\u00fapidas nos EUA dizem: \u2018Porque \u00e9 que est\u00e1 a fazer isso?\u2019. Mas s\u00e3o pessoas est\u00fapidas\u201d, afirmou, comparando o objetivo de controlar os fluxos de petr\u00f3leo iraniano \u201cpor tempo indefinido\u201d aos da interven\u00e7\u00e3o militar na Venezuela, no arranque deste ano.<\/p>\n<p>No caso do Ir\u00e3o, o objetivo \u00e9 praticamente inalcan\u00e7\u00e1vel sem o <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/irao\/ilha-de-kharg-a-salvacao-economica-do-irao-que-trump-diz-querer-tomar\/20260330\/69ca4f88d34edcee7c6272fd\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">controlo da ilha de Kharg<\/a>, o principal centro de exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural do pa\u00eds, e do Estreito de Ormuz. Questionado pelo FT sobre como planeia concretizar o plano, Trump respondeu: \u201cTalvez tomemos a ilha de Kharg, talvez n\u00e3o. Temos muitas op\u00e7\u00f5es. Isso significa que ter\u00edamos de ficar l\u00e1 [em Kharg] por algum tempo. N\u00e3o acho que eles tenham qualquer defesa. Pod\u00edamos tomar [a ilha] com muita facilidade\u201d.<\/p>\n<p>Para os especialistas, contudo, isso seria <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ilha-de-kharg\/kharg\/trump-diz-que-e-facil-tomar-a-ilha-de-kharg-militares-discordam-e-extremamente-perigoso-numero-de-soldados-dos-eua-mortos-vai-ser-muito-grande\/20260330\/69caa7a9d34e28842c825914\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">uma miss\u00e3o suicida<\/a>. \u201cSe olhar para Kharg, v\u00ea que a ilha tem 20 quil\u00f3metros quadrados &#8211; e os EUA pretendem fazer o qu\u00ea, tomar a ilha? E porqu\u00ea? Porque recebe hidrocarbonetos que o Ir\u00e3o produz?&#8221;, questiona Ant\u00f3nio Costa Silva, engenheiro de minas e petr\u00f3leos e ex-ministro da Economia. \u201cA ilha \u00e9 muito pequena. Se os EUA a invadirem, as for\u00e7as militares v\u00e3o estar concentrad\u00edssimas, ser\u00e3o um alvo brutal de tudo o que vem da costa do Ir\u00e3o, a 26 quil\u00f3metros.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"1185\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1774919769_674_600.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <a href=\"https:\/\/img.iol.pt\/image\/id\/69ca536dd34edcee7c627374\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">carregue aqui para ver o mapa em tamanho maior<\/a> <\/p>\n<p>Os problemas come\u00e7am, mas est\u00e3o longe de acabar a\u00ed, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a costa do Ir\u00e3o que est\u00e1 a uma curta dist\u00e2ncia de Kharg \u2013 como refere Costa Silva, \u201ca ilha fica muito perto das maiores instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas dos tr\u00eas grandes pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico\u201d, Iraque, Kuwait e Ar\u00e1bia Saudita. E se essas instala\u00e7\u00f5es ficarem parcial ou totalmente destru\u00eddas em ataques retaliat\u00f3rios do Ir\u00e3o ap\u00f3s a tomada de Kharg, incluindo a joia da coroa saudita, que produz oito milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia, \u201cvamos ter um problema muito s\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei que tipo de opera\u00e7\u00e3o \u00e9 que os EUA est\u00e3o a planear e \u00e9 evidente que Trump tem sob o seu comando o ex\u00e9rcito mais bem preparado do planeta, mas \u00e9 preciso ver os riscos \u2013 e sabemos que ele n\u00e3o liga aos riscos, como ficou claro quando decidiu avan\u00e7ar com esta interven\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Assim o mostra um artigo do Wall Street Journal sobre como \u00e9 que tudo se desenrolou nos dias que precederam os primeiros ataques ao Ir\u00e3o, com fontes a indicarem que o general Dan Caine, chefe do Estado Maior das For\u00e7as Armadas, avisou Trump dos riscos de iniciar uma guerra contra o Ir\u00e3o \u2013 a come\u00e7ar pelo encerramento do Estreito de Ormuz, ao que Trump respondeu que tal n\u00e3o iria acontecer \u201cporque o regime vai colapsar antes disso\u201d. Um m\u00eas depois, os resultados est\u00e3o \u00e0 vista.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um presidente que age e toma decis\u00f5es com base em impulsos egoc\u00eantricos e narcisistas\u201d, sublinha Costa Silva, que faz o contraponto com Dwight D. Eisenhower, 34.\u00ba presidente dos EUA \u2013 \u201co paradigma do l\u00edder com sensatez, frieza e sentido anal\u00edtico: estava rodeado de falc\u00f5es que queriam que ele usasse armas nucleares contra a China no Estreito de Taiwan e ele resistiu; que queriam que ele usasse armas nucleares para acabar com a guerra da Coreia e ele resistiu; este n\u00e3o, Trump tem impulsos descontrolados e n\u00e3o me parece que isto v\u00e1 resultar\u201d.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"775\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1774948628_73_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Dwight D. Eisenhower foi presidente dos EUA entre 1953 e 1961; durante o seu mandato, resistiu \u00e0 press\u00e3o dos falc\u00f5es para usar armas nucleares na China e na Coreia. foto DR <\/p>\n<p>Uma &#8220;luta tit\u00e2nica&#8221; <\/p>\n<p>Supondo que Trump consegue tomar Kharg, supondo que, por algum motivo, o Ir\u00e3o n\u00e3o retalia, supondo que os EUA passavam a controlar o fluxo de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural produzido pelos iranianos, estar\u00edamos diante de uma mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica no mercado global energ\u00e9tico?\u00a0Sendo os Estados Unidos o maior produtor de petr\u00f3leo e g\u00e1s do mundo, deitar as m\u00e3os \u00e0s primeiras e terceiras maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo, respetivamente Venezuela e Ir\u00e3o, parece uma jogada de mestre. Mas nem tudo \u00e9 o que parece, a come\u00e7ar pela viabilidade dessas reservas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA Venezuela n\u00e3o produz nem sequer um milh\u00e3o de barris e a indica\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 que \u00e9 muito caro abrir produ\u00e7\u00e3o nova\u201d, sublinha Ricardo Marques, analista de Informa\u00e7\u00e3o de Mercados Financeiros. \u201cNo seu auge, no in\u00edcio dos anos 2000, a Venezuela produzia dois milh\u00f5es de barris por dia, agora estava a produzir menos de um milh\u00e3o. O que a Venezuela tem, sim, \u00e9 muitas reservas prov\u00e1veis, que com investimento poder\u00e1 aumentar a produ\u00e7\u00e3o de forma significativa, mas esse investimento \u00e9 caro e que empresas \u00e9 que v\u00e3o para l\u00e1 abrir po\u00e7os? Uma coisa \u00e9 explorar o que j\u00e1 l\u00e1 est\u00e1, outra coisa \u00e9 esperar anos para que comece a render, sem se saber como estar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o daqui a uns anos \u2013 basta ver que a Exxon Mobil disse logo que n\u00e3o estava interessada em investir na Venezuela.\u201d<\/p>\n<p>No caso do Ir\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante, adianta o especialista, e depois h\u00e1 o caso concreto da ilha de Kharg, que n\u00e3o \u00e9 um local de extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. \u201cKharg \u00e9 onde os iranianos refinam o petr\u00f3leo, \u00e9 onde o petr\u00f3leo chega para ser refinado e depois exportado. Os iranianos v\u00e3o mandar o petr\u00f3leo para l\u00e1 se forem os EUA a controlar a ilha?\u201d, questiona Ricardo Marques.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estou a ver que isto v\u00e1 acrescentar grande coisa ao poderio dos EUA relativamente a estes recursos\u201d, vaticina Ant\u00f3nio Costa Silva. \u201cNo que toca \u00e0 Venezuela, n\u00e3o \u00e9 l\u00edquido que Trump consiga capitalizar isto, o potencial est\u00e1 l\u00e1, mas a produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera \u00e9 das menos significativas do mundo \u2013 e com o Ir\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, produz cerca de 3 milh\u00f5es de barris por dia, at\u00e9 porque quer um quer outro estiveram sujeitos a san\u00e7\u00f5es, logo n\u00e3o captaram investimentos nem desenvolveram tecnologia.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/695e6065d34e0ec52ec1ccea.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <strong>Imagem da refinaria El Palito em Puerto Cabello, na Venezuela, o pa\u00eds que possui as maiores reservas prov\u00e1veis de petr\u00f3leo do mundo;\u00a0\u201ca Venezuela n\u00e3o produz nem sequer um milh\u00e3o de barris e a indica\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 que \u00e9 muito caro abrir produ\u00e7\u00e3o nova\u201d, refere o analista de mercados Ricardo Marques<\/strong> foto Jesus Vargas\/Getty Images <\/p>\n<p>Ao final de um m\u00eas, o que a guerra contra o Ir\u00e3o tem mostrado \u00e9 a depend\u00eancia mundial profunda do Estreito de Ormuz, por onde passam n\u00e3o apenas combust\u00edveis f\u00f3sseis \u2013 na ordem dos 20 milh\u00f5es de barris de crude por dia antes do fecho, 5 milh\u00f5es deles refinados, e 20% dos g\u00e1s natural liquefeito (GNL) \u2013 mas tamb\u00e9m um ter\u00e7o dos fertilizantes usados em todo o mundo e uma parte significativa de metais como o alum\u00ednio. E \u201catacar Kharg significa incendiar ainda mais o M\u00e9dio Oriente\u201d, considera Costa Silva, deixando os aliados dos EUA no Golfo P\u00e9rsico com \u201cgrande desconforto\u201d quanto ao que Trump poder\u00e1 decidir a seguir.<\/p>\n<p>A outra pe\u00e7a do xadrez \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o do mercado petrol\u00edfero em rela\u00e7\u00e3o ao mercado da eletricidade, com o especialista a invocar uma \u201cluta tit\u00e2nica\u201d na base das jogadas de risco de Trump. Com o planeta a consumir cerca de 100 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia, n\u00e3o foi esse o mercado que mais cresceu em 2024, um \u201cano fundamental\u201d que confirmou uma mudan\u00e7a de paradigma em rota oposta \u00e0s apostas de Trump.<\/p>\n<p>\u201cQuando Trump capta os recursos da Venezuela ou do Ir\u00e3o, isso far\u00e1 pouco sentido se olharmos para o m\u00e9dio e longo prazo, quando estamos num processo de descarboniza\u00e7\u00e3o da economia mundial\u201d, aponta o especialista. \u201cEm 2024, o consumo mundial de eletricidade aumentou acima da m\u00e9dia, 4,3% acima do crescimento da economia mundial, e o que \u00e9 que se passou com o petr\u00f3leo? Ficou est\u00e1vel, teve um aumento mas ligeiro, na ordem dos 0,8%. O pano de fundo que tem suscitado estas interven\u00e7\u00f5es do presidente americano \u00e9 uma luta tit\u00e2nica entre os petroestados e os eletroestados\u201d \u2013 e s\u00e3o estes \u00faltimos, com a China como grande baluarte, que est\u00e3o a ganhar a corrida.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1774948629_835_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Trump com o presidente da China, Xi Jinping. foto DR\u200b\u200b\u200b\u200b\u200b <\/p>\n<p>A vingan\u00e7a de Edison, a vit\u00f3ria da China <\/p>\n<p>Ser\u00e1 uma corrida ao jeito da lebre e da tartaruga, considerando que a depend\u00eancia do petr\u00f3leo e de outros combust\u00edveis f\u00f3sseis continua elevada \u2013 em 1992, na Confer\u00eancia do Rio, os pa\u00edses eram dependentes deles em 86,5% e esse valor caiu mas muito pouco, para uns meros 81% na atualidade. Ainda assim, n\u00e3o h\u00e1 como parar a descarboniza\u00e7\u00e3o \u2013 como refere Costa Silva, \u201ctem uma import\u00e2ncia de matriz mundial e todas estas crises mostram que as economias t\u00eam de se eletrificar, sob o risco de andarmos em crise permanente\u201d. E a China j\u00e1 percebeu isso.<\/p>\n<p>Enquanto Trump ocupa pa\u00edses para controlar os fluxos de petr\u00f3leo e investe milhares de milh\u00f5es em infraestruturas e produ\u00e7\u00e3o dentro de portas, Pequim \u00e9 hoje respons\u00e1vel por um ter\u00e7o da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade mundial e o pa\u00eds que mais investe em energias renov\u00e1veis \u2013 o dobro dos EUA e da Europa juntos \u2013, usando os dividendos disso para desenvolver o setor industrial. Neste momento, as energias limpas j\u00e1 representam mais de 20% do PIB chin\u00eas, a par e passo de grandes desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos, embora continue a ser o maior consumidor de carv\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos numa grande luta que faz lembrar aquela aposta extraordin\u00e1ria dos anos 1900 nas ruas de Nova Iorque entre Thomas Edison e Henry Ford\u201d, lembra Costa Silva. \u201cEdison dizia que a eletricidade ia ganhar, Ford dizia que era o petr\u00f3leo \u2013 Ford ganhou, mas 100 e tal anos depois, estamos \u00e0 beira de uma transforma\u00e7\u00e3o muito grande.\u201d<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, contudo, que no curto prazo os EUA n\u00e3o ganhem com isto \u2013 e n\u00e3o tanto do ponto de vista energ\u00e9tico, mas sim estrat\u00e9gico. \u201cA quest\u00e3o mais abrangente \u00e9 que controlar o petr\u00f3leo da Venezuela e do Ir\u00e3o daria a Washington n\u00e3o apenas influ\u00eancia econ\u00f3mica, mas tamb\u00e9m poder de coer\u00e7\u00e3o sobre aliados e advers\u00e1rios\u201d, dizHoussein al-Malla, especialista em estudos de conflitos do Instituto Alem\u00e3o de Estudos Globais e Regionais (GIGA).<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"429\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1774948629_4_600.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n  <a href=\"https:\/\/img.iol.pt\/image\/id\/69c65423d34edcee7c625c67\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">carregue aqui para ver o mapa em tamanho maior<\/a> <\/p>\n<p>&#8220;Os importadores da Europa, da \u00cdndia e da \u00c1sia Oriental ficariam ainda mais expostos \u00e0s decis\u00f5es pol\u00edticas dos EUA justamente no momento em que tentam diversificar as suas economias para se protegerem dos choques geopol\u00edticos&#8221;, adianta Al-Malla. &#8220;\u00c9 por isso que a import\u00e2ncia do que Trump disse na entrevista ao FT reside menos na viabilidade do projeto [de tomar Kharg] e mais no que ele sinaliza sobre a grande estrat\u00e9gia dos EUA \u2013 uma tentativa de transformar a geografia energ\u00e9tica em hierarquia pol\u00edtica.&#8221;<\/p>\n<p>Isso j\u00e1 est\u00e1 patente, por exemplo, na forma como Trump cortou o fornecimento de petr\u00f3leo a Cuba para a subjugar \u00e0s suas vontades, em mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a em que a for\u00e7a \u00e9 oleosa, viscosa e negra. \u201cUns EUA sob controlo do petr\u00f3leo da Venezuela, que representa o controlo do Hemisf\u00e9rio Ocidental, e do Ir\u00e3o, que representa a domin\u00e2ncia do Golfo, n\u00e3o influenciariam apenas o mercado \u2013 ficariam muito mais pr\u00f3ximos da sala de comando geopol\u00edtica do sistema energ\u00e9tico global.\u201d<\/p>\n<p>E quem mais ganha com isso \u00e9\u2026 isso mesmo, a China, que est\u00e1 sossegada mas \u201ca prestar toda a aten\u00e7\u00e3o\u201d \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es dos EUA, sublinha Ant\u00f3nio Costa Silva &#8211; a China est\u00e1 a ver Trump cometer \u201cerro atr\u00e1s de erro\u201d, no M\u00e9dio Oriente e tamb\u00e9m na \u00c1sia, com o desmantelamento dos sistemas de defesa na Coreia e no Jap\u00e3o para refor\u00e7ar as defesas no Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 num dia em que os EUA estavam a desmantelar uma das suas bases da Coreia do Sul, foram reportados mais de mil sat\u00e9lites chineses concentrados ali, a observar tudo o que se passava. A China est\u00e1 a estudar muito bem tudo o que Trump faz \u2013 e \u00e9 como dizem os te\u00f3ricos da ind\u00fastria da guerra, que na China \u00e9 milenar: quando o teu inimigo est\u00e1 a fazer disparates, n\u00e3o o interrompas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Num mundo em descarboniza\u00e7\u00e3o, o plano de Trump para controlar o petr\u00f3leo do Ir\u00e3o, depois de uma interven\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":325408,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,358,607,608,786,333,832,604,135,610,92,476,3118,2270,413,15,16,33136,301,830,14,5453,603,54855,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,6153,52,32,23,24,17,18,29,30,31,3023,63,64,65],"class_list":["post-325407","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-china","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-combustiveis-fosseis","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-donald-trump","tag-economia","tag-eletricidade","tag-energia","tag-eua","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-gas-natural","tag-governo","tag-guerra","tag-headlines","tag-irao","tag-justica","tag-kharg","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-petroleo","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-venezuela","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325407"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325407\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/325408"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}