{"id":325485,"date":"2026-03-31T10:43:40","date_gmt":"2026-03-31T10:43:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/325485\/"},"modified":"2026-03-31T10:43:40","modified_gmt":"2026-03-31T10:43:40","slug":"tres-reservas-de-biosfera-ibericas-arriscam-perda-de-estatuto-unesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/325485\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas Reservas de Biosfera ib\u00e9ricas arriscam perda de estatuto | UNESCO"},"content":{"rendered":"<p>O selo internacional que certifica a Meseta Ib\u00e9rica, o Ger\u00eas\/Xur\u00e9s e o Tejo\/Tajo como Reservas da Biosfera pode vir a estar em risco \u2014 n\u00e3o por falta de natureza preservada, mas por insufici\u00eancia das pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis implementadas por hot\u00e9is e restaurantes que operam dentro destas \u00e1reas classificadas.<\/p>\n<p>Um novo estudo do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) revela que a sustentabilidade do territ\u00f3rio continua a depender essencialmente de medidas de baixo custo, deixando para tr\u00e1s interven\u00e7\u00f5es estruturais imprescind\u00edveis para garantir o estatuto concedido pela UNESCO.<\/p>\n<p>\u201cO estatuto de Reserva da Biosfera n\u00e3o depende apenas da natureza preservada; depende do que fazem diariamente hot\u00e9is e restaurantes\u201d, afirma Maria Cunha, investigadora do ISMT, em Coimbra. \u201cSe as actividades econ\u00f3micas aplicam apenas medidas b\u00e1sicas, o territ\u00f3rio pode deixar de cumprir a fun\u00e7\u00e3o para que foi classificado\u201d, alerta.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Parque Natural do Douro Internacional faz parte da Reserva da Biosfera Transfronteiri\u00e7a Meseta Ib\u00e9rica, reconhecida pela UNESCO. &#13;<br \/>\nNelson Garrido                    &#13;<\/p>\n<p>\u201cNuma Reserva da Biosfera, o estatuto assenta no cumprimento permanente de crit\u00e9rios internacionais: a classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas do estado da natureza, mas tamb\u00e9m do funcionamento da economia local\u201d, sublinha a investigadora e docente do ISMT.<\/p>\n<p>Investimentos estruturais s\u00e3o excep\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O estudo <a href=\"http:\/\/interacoes-ismt.com\/index.php\/revista\/article\/view\/627\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis em microempresas do sector hoteleiro ib\u00e9rico<\/a> incluiu 30 microempresas de alojamento e restaura\u00e7\u00e3o nas tr\u00eas reservas transfronteiri\u00e7as \u2014 <a href=\"https:\/\/www.biosfera-mesetaiberica.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Meseta Ib\u00e9rica<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2017\/11\/17\/local\/noticia\/dois-milhoes-para-promover-a-penedageres-e-o-xures-como-um-so-territorio-1792949\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Ger\u00eas<\/a> e <a href=\"https:\/\/tejo-tajo.reservasdabiosfera.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Tejo<\/a>. No total, foram analisados 14 hot\u00e9is e 16 restaurantes, maioritariamente com equipas entre quatro e seis trabalhadores. A investiga\u00e7\u00e3o incidiu sobre quatro dimens\u00f5es do funcionamento di\u00e1rio: efici\u00eancia energ\u00e9tica, uso da \u00e1gua, gest\u00e3o de res\u00edduos e compras sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>De acordo com o comunicado, estas empresas aplicam \u201csobretudo medidas simples e de baixo custo, como a separa\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e a poupan\u00e7a de \u00e1gua\u201d, mas avan\u00e7am \u201cmuito raramente\u201d para estrat\u00e9gias mais robustas, como energias renov\u00e1veis ou a reorganiza\u00e7\u00e3o interna de processos.<\/p>\n<p>No artigo cient\u00edfico publicado na revista Intera\u00e7\u00f5es, os autores defendem que \u201cestrat\u00e9gias intensivas em capital, como sistemas de energia solar e design interior sustent\u00e1vel, s\u00e3o raramente adoptadas\u201d. O sector \u00e9 dominado por microempresas, muitas com apenas quatro a seis trabalhadores, o que condiciona a capacidade de investimento, explicam.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        A \u00e1rea da Reserva da Biosfera Transfronteiri\u00e7a Ger\u00eas-Xur\u00e9s engloba o rio Laboreiro e a regi\u00e3o de Castro Laboreiro&#13;<br \/>\nAdriano Miranda                    &#13;<\/p>\n<p>Maria Cunha confirma esse padr\u00e3o: \u201cIdentific\u00e1mos sobretudo lacunas em medidas que exigem um investimento inicial mais elevado ou mudan\u00e7as estruturais na gest\u00e3o das empresas. As energias renov\u00e1veis e outras medidas de gest\u00e3o mais robustas s\u00e3o pouco comuns.\u201d<\/p>\n<p>Sustentabilidade, mas n\u00e3o s\u00f3 como slogan<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre inten\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica \u00e9 uma das conclus\u00f5es mais consistentes desta investiga\u00e7\u00e3o. Segundo o comunicado, falta agir: empres\u00e1rios e trabalhadores dizem valorizar a sustentabilidade, mas n\u00e3o conseguem integr\u00e1-la plenamente no funcionamento di\u00e1rio. O artigo cient\u00edfico acrescenta que os funcion\u00e1rios revelam \u201celevados n\u00edveis de consci\u00eancia e forte apoio \u00e0 sustentabilidade\u201d, enquanto os clientes observam estas pr\u00e1ticas apenas \u201ccom frequ\u00eancia moderada\u201d.<\/p>\n<p>Ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">Azul<\/a>, Maria Cunha acrescenta: \u201cOs colaboradores indicam que muitas pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis est\u00e3o presentes, mas os clientes referem que apenas as observam ocasionalmente. Isso sugere que a comunica\u00e7\u00e3o das iniciativas ambientais nem sempre \u00e9 clara ou sistem\u00e1tica\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o mostra que, embora exista consci\u00eancia ambiental e reconhecimento da import\u00e2ncia do estatuto, a sustentabilidade permanece numa esp\u00e9cie de limbo operacional: assume-se como valor, mas n\u00e3o se traduz em mudan\u00e7a estrutural.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Numa Reserva da Biosfera, o estatuto assenta no cumprimento permanente de crit\u00e9rios internacionais: a classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas do estado da natureza, mas tamb\u00e9m do funcionamento da economia local.<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nMaria Cunha, investigadora                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>O artigo cient\u00edfico recorda que este cen\u00e1rio \u00e9 coerente com a literatura internacional sobre microempresas do sector, onde \u201ca adop\u00e7\u00e3o de tecnologias amigas do ambiente permanece desigual\u201d e muitas vezes limitada por \u201cconstrangimentos financeiros, limita\u00e7\u00f5es de capital humano e desafios de infra-estrutura\u201d. No caso das Reservas da Biosfera ib\u00e9ricas, este desfasamento pode ser determinante. Como conclui Maria Cunha: \u201cPode existir paisagem preservada, mas o modelo deixa de ser considerado sustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>A promessa de sustentabilidade \u00e9 parte integrante da marca \u201cReserva da Biosfera\u201d, mas nem sempre corresponde \u00e0 experi\u00eancia do visitante. \u201cSe o visitante n\u00e3o reconhece diferen\u00e7a entre territ\u00f3rio classificado e n\u00e3o classificado, a designa\u00e7\u00e3o perde significado e utilidade\u201d, alerta Maria Cunha. A investigadora sublinha que, mesmo quando as pr\u00e1ticas existem, podem n\u00e3o gerar valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica: \u201cO desafio est\u00e1 em comunicar melhor esse valor aos clientes, mostrando que a sustentabilidade n\u00e3o \u00e9 apenas um custo.\u201d<\/p>\n<p>Fiscaliza\u00e7\u00e3o: multas ou incentivos?<\/p>\n<p>As Reservas da Biosfera integram o programa \u201cMan and the Biosphere\u201d (MaB) da UNESCO e s\u00e3o avaliadas atrav\u00e9s de revis\u00f5es peri\u00f3dicas internacionais, realizadas de dez em dez anos. A verifica\u00e7\u00e3o incide principalmente sobre o estado ecol\u00f3gico do territ\u00f3rio (habitats, \u00e1gua e paisagem), \u201cenquanto o funcionamento quotidiano das actividades econ\u00f3micas \u00e9 acompanhado de forma muito menos sistem\u00e1tica pelas entidades nacionais e regionais\u201d, refere o comunicado do ISMT.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o \u201cfunciona tamb\u00e9m como selo internacional de confian\u00e7a ambiental e influencia directamente a atractividade tur\u00edstica\u201d, sendo que, \u201cquando a experi\u00eancia do visitante n\u00e3o corresponde \u00e0 promessa de sustentabilidade, o valor associado ao destino diminui\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO que acontece \u00e9 que, quando as pr\u00e1ticas ambientais s\u00e3o limitadas ou pouco sistem\u00e1ticas, a press\u00e3o sobre os recursos naturais pode aumentar ao longo do tempo\u201d, esclarece Maria Cunha. A investigadora defende avalia\u00e7\u00f5es mais frequentes: \u201cA monitoriza\u00e7\u00e3o deve ser cont\u00ednua e peri\u00f3dica, e avalia\u00e7\u00f5es anuais ou bianuais seriam convenientes.\u201d<\/p>\n<p>Maria Cunha rejeita que a solu\u00e7\u00e3o passe essencialmente por puni\u00e7\u00e3o: \u201cA aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es pode desempenhar um papel, mas o caminho mais eficaz passa por incentivos, forma\u00e7\u00e3o e apoio t\u00e9cnico \u00e0s empresas.\u201d A correc\u00e7\u00e3o das lacunas \u201cn\u00e3o depende de novas regras, mas da aplica\u00e7\u00e3o efectiva das existentes\u201d, incluindo apoio t\u00e9cnico, incentivos financeiros e forma\u00e7\u00e3o. <strong>com Lusa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O selo internacional que certifica a Meseta Ib\u00e9rica, o Ger\u00eas\/Xur\u00e9s e o Tejo\/Tajo como Reservas da Biosfera pode&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":325486,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[964,785,27,28,3697,15,16,287,14,6395,25,26,352,21,22,1009,12,13,19,20,32,23,24,33,3204,17,18,1456,29,30,31,5391],"class_list":["post-325485","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-ambiente","tag-azul","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-conservacao-da-natureza","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-fugas","tag-headlines","tag-hoteis","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-local","tag-main-news","tag-mainnews","tag-natureza","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-sustentabilidade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-turismo","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-unesco"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116323379233285525","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325485\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/325486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}