{"id":327336,"date":"2026-04-01T20:01:11","date_gmt":"2026-04-01T20:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/327336\/"},"modified":"2026-04-01T20:01:11","modified_gmt":"2026-04-01T20:01:11","slug":"trump-quer-mandar-a-europa-para-um-ninho-de-vespas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/327336\/","title":{"rendered":"Trump quer &#8220;mandar a Europa para um ninho de vespas&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                Ao fim de mais de um m\u00eas de guerra, o Estreito de Ormuz permanece fechado e Donald Trump parece estar disposto a deixar o problema nas m\u00e3os dos aliados. Segundo os especialistas ouvidos pela CNN Portugal, \u00e0 Europa resta &#8220;esperar&#8221; que passe a &#8220;cortina de fumo&#8221; porque &#8220;acabar a guerra com o estreito fechado \u00e9 algo que n\u00e3o pode ser interpretado como uma opera\u00e7\u00e3o militar bem-sucedida&#8221; e Trump pode n\u00e3o estar disposto a correr esse risco<\/p>\n<p>Um dia depois de admitir que a sua \u201ccoisa favorita\u201d seria \u201ctomar o petr\u00f3leo do Ir\u00e3o\u201d, Donald Trump parece estar a preparar-se para terminar o conflito com Teer\u00e3o, mesmo sem garantias de que o Estreito de Ormuz venha a ser reaberto.<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio que tamb\u00e9m n\u00e3o parece preocupar o presidente norte-americano, tendo em conta que, segundo ele, os EUA t\u00eam petr\u00f3leo \u201cem abund\u00e2ncia\u201d e at\u00e9 est\u00e3o prontos para o vender \u201ca todos aqueles pa\u00edses que n\u00e3o conseguem obter combust\u00edvel por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComprem aos EUA, n\u00f3s temos em abund\u00e2ncia\u201d, escreveu na sua rede social, Truth Social, encorajando os aliados a \u201cganhar alguma coragem tardia\u201d para intervir na guerra e <a href=\"https:\/\/truthsocial.com\/@realDonaldTrump\/posts\/116323481956698353\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u201cirem buscar o seu pr\u00f3prio petr\u00f3leo\u201d<\/a>. \u201cSimplesmente tomem-no. Os EUA j\u00e1 n\u00e3o estar\u00e3o l\u00e1 para vos ajudar, tal como voc\u00eas n\u00e3o estiveram l\u00e1 para n\u00f3s. O Ir\u00e3o foi, essencialmente, dizimado. A parte dif\u00edcil j\u00e1 est\u00e1 feita\u201d, sublinhou ainda.\u00a0<\/p>\n<p>Mas mant\u00e9m-se a possibilidade de \u201ctudo isto serem cortinas de fumo\u201d, criadas pelo l\u00edder americano para incentivar a Europa a envolver-se na &#8220;trapalhada monumental que inventou no M\u00e9dio Oriente&#8221;, avisa Francisco Pereira Coutinho, especialista em direito internacional. E pode estar a faz\u00ea-lo, aplicando press\u00e3o sobre os aliados para que conduzam uma interven\u00e7\u00e3o militar naquela passagem estrat\u00e9gica, tentando \u201cabrir o estreito pela for\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Para o comentador da CNN Portugal, Donald Trump tenta partilhar as responsabilidades do conflito com a Europa ao mesmo tempo que sup\u00f5e que o fecho do Estreito de Ormuz s\u00f3 tem impacto sobre o velho continente e sobre a \u00c1sia. Ao faz\u00ea-lo, diz, \u201cest\u00e1 a tentar p\u00f4r-nos a discutir uma realidade que n\u00e3o existe\u201d, numa altura em que o aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis \u00e9 generalizado e est\u00e1 a subir \u201cem todo o lado, inclusivamente nos Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que Trump saia [do conflito], o mais prov\u00e1vel \u00e9 o estreito continuar fechado durante algum tempo e isso vai ter impactos tamb\u00e9m sobre os Estados Unidos. Isto definitivamente n\u00e3o tem ades\u00e3o \u00e0 realidade para ele simplesmente estar a dizer: \u2018Eu j\u00e1 fiz a minha parte, agora v\u00e3o l\u00e1 voc\u00eas e fa\u00e7am a vossa\u2019\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, uma retirada dos EUA neste momento \u201cdeixaria furiosos os seus aliados na regi\u00e3o\u201d, lembra Francisco Pereira Coutinho, reconhecendo que o fecho da rota afeta os europeus, mas \u00e9 particularmente problem\u00e1tico para os pa\u00edses asi\u00e1ticos e para os pa\u00edses do Golfo, que \u201cn\u00e3o v\u00e3o exportar petr\u00f3leo sem pagar ao Ir\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise do tenente-general Rafael Martins, especialista militar da CNN Portugal, esta n\u00e3o passa de mais uma tentativa de Donald Trump \u201cmandar a Europa para um ninho de vespas que a Europa n\u00e3o criou\u201d, atrav\u00e9s daquilo que \u201cpode ser apenas uma argumenta\u00e7\u00e3o de press\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNeste momento, a Europa tem de ser muito serena, esperar at\u00e9 ao dia 6 e ver se \u00e9 tudo um \u2018bluff\u2019 negocial, ou se \u00e9 concentra\u00e7\u00e3o de mais armamento e mais for\u00e7as para opera\u00e7\u00f5es de maior dimens\u00e3o\u201d, explica Rafael Martins, observando que uma retirada dos EUA do conflito seria uma \u201cirresponsabilidade\u201d, especialmente \u201csem deixar uma porta aberta para a negocia\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Francisco Pereira Coutinho, h\u00e1 ainda uma outra leitura a fazer do discurso de Donald Trump &#8211; uma que se insere no contexto de elei\u00e7\u00f5es que se avizinha. \u201cEle est\u00e1 a tentar usar uma narrativa para dizer que fez o que podia e que foi tudo um grande sucesso\u201d, aponta, \u201cporque se sente acossado, ao ver o pre\u00e7o do petr\u00f3leo subir, a ter impacto na economia mundial, americana e v\u00eam a\u00ed elei\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, sublinha o comentador, \u00e9 que \u201cacabar a guerra com o estreito fechado \u00e9 algo que n\u00e3o pode ser interpretado como uma opera\u00e7\u00e3o militar bem-sucedida\u201d e os iranianos \u201csabem isto\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe os EUA sa\u00edrem e o Ir\u00e3o mantiver o estreito fechado, isto vai ter impacto sobre os Estados Unidos e toda a gente vai apontar o dedo aos americanos como respons\u00e1veis pela crise\u201d, salienta, argumentando que dessa maneira Teer\u00e3o \u201cn\u00e3o tem nenhum incentivo para libertar a rota imediatamente\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 uma vantagem para o Ir\u00e3o na reabertura de Ormuz <\/p>\n<p>Por sua vez, Rafael Martins destaca o eventual pagamento de uma portagem para navegar atrav\u00e9s da passagem estrat\u00e9gica como a principal vantagem da reabertura do Estreito de Ormuz para o Ir\u00e3o. Isto num momento em que grande parte da infraestrutura iraniana foi afetada pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel.<\/p>\n<p>\u201cO Ir\u00e3o vai ficar extremamente debilitado no fim desta guerra, vai precisar de dinheiro para se reconstruir e para se reabilitar nas infraestruturas que j\u00e1 est\u00e3o destru\u00eddas e naquelas que ainda v\u00e3o ser destru\u00eddas\u201d.<\/p>\n<p>A fonte de rendimento que adv\u00e9m das exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s e de petr\u00f3leo, \u201cse de facto se mantiver operacional e se os EUA n\u00e3o derem cabo daquilo\u201d, pode n\u00e3o ser suficiente, considera o especialista militar.<\/p>\n<p>Ainda que com um \u201celevado clima de tens\u00e3o\u201d, o tenente-general mant\u00e9m-se otimista quanto a uma negocia\u00e7\u00e3o entre o regime iraniano e os europeus, que \u201cn\u00e3o foram t\u00e3o ofensivos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo fim, acho que vai haver um certo pragmatismo para passarmos \u00e0 fase seguinte, uma fase em que o Ir\u00e3o se adapta a uma nova condi\u00e7\u00e3o. Porque se n\u00e3o o conseguir fazer, aquilo vai ficar verdadeiramente mau com os seus vizinhos, porque a Ar\u00e1bia Saudita e todos os pa\u00edses que est\u00e3o do outro lado do Golfo, n\u00e3o v\u00e3o ficar de bem com o Ir\u00e3o e v\u00e3o ver sempre ali uma amea\u00e7a emergente.\u201d<\/p>\n<p>Se, por outro lado, o Ir\u00e3o se mantiver focado nos EUA, pode n\u00e3o ser assim t\u00e3o trabalhoso manter o estreito fechado, considera Francisco Pereira Coutinho. Mesmo depois de Donald Trump alegar que eliminou a Marinha e a For\u00e7a A\u00e9rea iranianas, o especialista sublinha que o pa\u00eds continua a ter drones e isso \u201c\u00e9 o suficiente para atacar tr\u00eas ou quatro navios e ningu\u00e9m passa sem autoriza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que alguns pa\u00edses europeus se tornam menos recetivos \u00e0 instrumentaliza\u00e7\u00e3o do seu territ\u00f3rio para auxiliar os esfor\u00e7os de guerra dos EUA, ambos os especialistas est\u00e3o de acordo quanto ao papel que a Europa est\u00e1 disposta a assumir no conflito: a discuss\u00e3o por via diplom\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cA Europa n\u00e3o quer ir. N\u00e3o quer, de forma belicista, avan\u00e7ar com meios a\u00e9reos e navais, que \u00e9 o mais eficaz para j\u00e1 na fase inicial, e expor-se a uma realidade para a qual n\u00e3o est\u00e1 preparada, tendo outra frente ativa, que \u00e9 uma frente leste da Ucr\u00e2nia ainda por resolver\u201d, indica\u00a0Rafael Martins, acrescentando que os europeus n\u00e3o parecem estar dispostos a \u201capagar um inc\u00eandio que o pr\u00f3prio Donald Trump iniciou\u201d.<\/p>\n<p>E mesmo que a hip\u00f3tese fosse vi\u00e1vel para a Europa, alerta Francisco Pereira Coutinho, enviar tropas para o M\u00e9dio Oriente \u201cseria impens\u00e1vel\u201d, j\u00e1 que \u201cs\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel resolver a quest\u00e3o negociando com o Ir\u00e3o e pagando-lhe\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao fim de mais de um m\u00eas de guerra, o Estreito de Ormuz permanece fechado e Donald Trump&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":327337,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[8],"tags":[609,44074,836,611,27,28,607,608,333,832,604,135,610,92,476,52306,413,445,15,16,301,830,14,5453,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-327336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-principais-noticias","tag-alerta","tag-aliados","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-donald-trump","tag-economia","tag-estreito-de-ormuz","tag-eua","tag-europa","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-guerra","tag-headlines","tag-irao","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327336"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327336\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/327337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}