{"id":327643,"date":"2026-04-01T23:34:12","date_gmt":"2026-04-01T23:34:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/327643\/"},"modified":"2026-04-01T23:34:12","modified_gmt":"2026-04-01T23:34:12","slug":"armando-alves-o-artista-que-se-dividiu-entre-a-pintura-e-as-artes-graficas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/327643\/","title":{"rendered":"Armando Alves: o artista que se dividiu entre a pintura e as artes gr\u00e1ficas"},"content":{"rendered":"<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread\">Al\u00e9m da obra na pintura, o seu percurso ficou marcado, a partir do final dos anos 1960, pela valoriza\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o da \u00e1rea das artes gr\u00e1ficas, introduzindo-as no ensino a n\u00edvel acad\u00e9mico, na edi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e na publicidade.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread2\">A morte de Armando Alves, que em novembro passado foi homenageado pela cooperativa \u00c1rvore, no Porto, com uma retrospetiva da sua obra, foi anunciada esta ter\u00e7a-feira pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.<\/p>\n<p>Em 2006, Armando Alves foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem do M\u00e9rito e, em 2009, recebeu o Pr\u00e9mio de Artes Casino da P\u00f3voa.<\/p>\n<p>Nascido em 7 de novembro de 1935, em Estremoz, distrito de \u00c9vora, Armando Jos\u00e9 Ruivo Alves estudou na Escola de Artes Decorativas Ant\u00f3nio Arroio, em Lisboa, e na Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP), onde concluiu o curso de Pintura com 20 valores, fazendo assim parte, em 1968, do grupo Os Quatro Vintes (com \u00c2ngelo de Sousa, Jorge Pinheiro e Jos\u00e9 Rodrigues).<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro1\">Ainda estudante universit\u00e1rio de pintura na ESBAP, come\u00e7ou a dividir o seu trabalho na \u00e1rea gr\u00e1fica, vindo a destacar-se na dire\u00e7\u00e3o de obras liter\u00e1rias, produ\u00e7\u00e3o de cartazes comemorativos e publicit\u00e1rios, de cat\u00e1logos de exposi\u00e7\u00f5es e programas de concertos e de atividades desportivas.<\/p>\n<p>Com \u00c2ngelo de Sousa (1938-2011), Jos\u00e9 Rodrigues (1936-2016) e Jorge Pinheiro (1931), todos formados com a nota m\u00e1xima, apresentou v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es no final da d\u00e9cada de 1960, nomeadamente na Galeria Domingues Alvarez (Porto, 1968), na Galeria Zen (Porto, 1969), na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa, 1970) e na Galeria Jacques Desbri\u00e8re (Paris, 1970).<\/p>\n<p>Entre 1962 a 1973, Armando Alves foi professor assistente na ESBAP, onde introduziu o estudo das artes gr\u00e1ficas &#8211; hoje denominada design gr\u00e1fico &#8211; \u00e1rea que desde cedo lhe interessou, e da qual viria a tornar-se pioneiro naquela cidade.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro2\">Enquanto em Lisboa j\u00e1 estavam ativos v\u00e1rios designers que se destacavam &#8211; como V\u00edtor Palla e Sebasti\u00e3o Rodrigues -, no Porto, Armando Alves foi considerado o primeiro a construir uma mem\u00f3ria gr\u00e1fica da vida cultural da cidade, desenvolvendo ali a atividade profissional.<\/p>\n<p>No entanto, o artista definiu sempre, em entrevistas, que a sua identidade era essencialmente a de pintor, e que as artes gr\u00e1ficas eram &#8220;uma continuidade&#8221; da sua pintura.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do Porto<\/p>\n<p>Na sua &#8220;Autobiografia&#8221;, publicada no Jornal de Letras Artes e Ideias (JL), em maio de 2009, dispon\u00edvel no site da Galeria S\u00e3o Mamede, Armando Alves fala da import\u00e2ncia do Porto, onde se fixou.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro3\">&#8220;O Porto significou o conhecimento de novos amigos, a descoberta de uma cidade onde acabaria por me radicar&#8221;, l\u00ea-se no texto do artista. &#8220;Significou ainda a experi\u00eancia da arte que, nos ateliers de cada um se punha em pr\u00e1tica, e que nos caf\u00e9s se debatia, sobretudo no Majestic, \u00e0 noite. Este era um dos espa\u00e7os de frequ\u00eancia obrigat\u00f3ria a par de outros de que recordo os espet\u00e1culos do Teatro Experimental do Porto, em que cheguei a colaborar, a Livraria e a galeria Divulga\u00e7\u00e3o, o Cine Clube do Porto e os Col\u00f3quios da Casa dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. A\u00ed nos encontr\u00e1vamos para trocar ideias e massacrar os ouvidos dos &#8216;pides&#8217; que nos escutavam tirando apontamentos&#8230;&#8221;, escreveu o pintor, recordando o peso da pol\u00edcia pol\u00edtica da ditadura na vida quotidiana.<\/p>\n<p>A Cooperativa \u00c1rvore, de que fez parte, \u00e9 tamb\u00e9m destacada na sua &#8220;Autobiografia&#8221;: &#8220;Na vida cultural e art\u00edstica da cidade, o aparecimento da \u00c1rvore foi um acontecimento de import\u00e2ncia capital para o Porto. A\u00ed trabalh\u00e1mos muito e realiz\u00e1mos encontros que levaram a grandes discuss\u00f5es com que, convictamente, tent\u00e1vamos mudar o mundo. N\u00e3o sei se o mundo ter\u00e1 mudado, mas muita coisa se transformou com a \u00c1rvore que, no presente, continua a lutar para sobreviver com dignidade&#8221;.<\/p>\n<p>Armando Alves dirigiu graficamente a obra &#8220;Cartas Portuguesas&#8221;, atribu\u00eddas a Mariana Alcoforado, traduzidas por Eug\u00e9nio de Andrade, com desenhos de Jos\u00e9 Rodrigues, numa edi\u00e7\u00e3o especial comemorativa dos 300 anos de publica\u00e7\u00e3o do texto original.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro4\">Este romance epistolar publicado no s\u00e9culo XVII, em franc\u00eas, re\u00fane um conjunto de cartas de amor que ter\u00e3o sido escritas por uma freira portuguesa &#8211; Soror Mariana Alcoforado (1640-1723) &#8211; a partir de um convento de Beja, para um oficial franc\u00eas.<\/p>\n<p>Armando Alves prosseguiu o seu trabalho no design gr\u00e1fico, dirigindo a obra &#8220;Varia\u00e7\u00f5es sobre um Corpo&#8221;, antologia de poesia er\u00f3tica contempor\u00e2nea organizada por Eug\u00e9nio de Andrade, novamente com desenhos de Jos\u00e9 Rodrigues.<\/p>\n<p>Na mesma linha, dirigiu &#8220;Versos e alguma prosa de Luis de Cam\u00f5es&#8221;, antologia organizada tamb\u00e9m por Eug\u00e9nio de Andrade, comemorativa dos 450 anos do nascimento do poeta, e realizou a &#8220;Biblioteca Camiliana&#8221;, dirigida por Alexandre Cabral.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro5\">Armando Alves esteve profissionalmente ligado a tr\u00eas editoras: a Editorial Inova (1968), a Editorial Limiar (1975) e a Editorial Oiro do Dia (1980).<\/p>\n<p>Na pintura, come\u00e7ou pela figura\u00e7\u00e3o, aproximando-se do universo neorrealista, optando em seguida por um &#8220;informalismo mat\u00e9rico&#8221;, caracterizado por uma &#8220;rudeza textural e por um cromatismo baseado em ocres e tons quentes&#8221;, segundo dados biogr\u00e1ficos da Infop\u00e9dia.<\/p>\n<p>A sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica da d\u00e9cada de 1970, influenciada pelo sentido l\u00fadico da arte pop brit\u00e2nica, &#8220;reflete o regresso \u00e0 problem\u00e1tica do objeto, explorando, atrav\u00e9s de formas estilizadas, a conjuga\u00e7\u00e3o de formas bidimensionais e tridimensionais&#8221;.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro6\">&#8220;As superf\u00edcies polidas e brilhantes de cores vivas, resultantes de uma execu\u00e7\u00e3o cuidada e sofisticada que o artista pretende tornar evidente, caracterizam esses objetos-esculturas&#8221;, refere ainda o seu perfil.<\/p>\n<p>A partir dos anos 1980, &#8220;retoma os valores da paisagem que reformula \u00e0 luz de um abstracionismo l\u00edrico&#8221;, e que o acompanharam ao longo da carreira.<\/p>\n<p>O artista admitiu tamb\u00e9m a grande influ\u00eancia da origem alentejana na sua obra &#8211; as cores, a terra, a seara, a linha do horizonte, as \u00e1rvores e a luz &#8211; regi\u00e3o pela qual sempre teve &#8220;um amor especial&#8221;, como dizia.<\/p>\n<p>Estremoz no mapa pessoal<\/p>\n<p>Na &#8220;Autobiografia&#8221; de 2009, Estremoz regressa ao seu mapa pessoal, num contexto da vida em democracia.<\/p>\n<p>&#8220;O 25 de Abril implicou a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade em que vivemos&#8221;, escreveu Armando Alves nesse texto. &#8220;Os dias que se sucederam \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o foram inesquec\u00edveis. Fui chamado a intervir e colaborei em muitas situa\u00e7\u00f5es, dando contributos na \u00e1rea do design gr\u00e1fico em que cheguei a fazer cartazes pelo telefone, diretamente com as gr\u00e1ficas. Participei em muitas a\u00e7\u00f5es de rua, nomeadamente na realiza\u00e7\u00e3o de grandes pain\u00e9is murais que foram, em determinado momento, muito importantes no alertar das pessoas para as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias que todos ansiosamente esper\u00e1vamos.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, passada a euforia&#8221;, prosseguiu Armando Alves, &#8220;veio a realidade e a necessidade de voltar \u00e0 terra e, de ent\u00e3o para c\u00e1, temos assistido a uma s\u00e9rie intermin\u00e1vel de avan\u00e7os e recuos, talvez inevit\u00e1veis para consolidar a democracia que todos desejamos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Entretanto vou vivendo com a minha fam\u00edlia em Matosinhos e Estremoz com a preocupa\u00e7\u00e3o de o fazer tranquilamente e de acordo com os valores em que acredito&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>Armando Alves realizou exposi\u00e7\u00f5es em Portugal e no estrangeiro desde 1958, nomeadamente em Madrid, Antu\u00e9rpia e Paris, em 1961, em Bagdade, em 1966, mais tarde, nos anos 1980, na ARCOmadrid (1986 e 1987) e na Feira de Arte de Paris de 1987.<\/p>\n<p>O pintor est\u00e1 representado em cole\u00e7\u00f5es do Centro de Arte Moderna da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, em Lisboa, do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, da C\u00e2mara Municipal de Matosinhos, entre muitas outras de diferentes institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com a Universidade do Porto, nas p\u00e1ginas dedicadas a &#8220;antigos estudantes ilustres&#8221;, ao longo da carreira Armando Alves &#8220;alcan\u00e7ou importantes pr\u00e9mios e distin\u00e7\u00f5es, como o primeiro pr\u00e9mio na Mostra de Artes Gr\u00e1ficas Grafiporto 83, no Museu Nacional de Soares dos Reis, e o grau de Grande Oficial da Ordem do M\u00e9rito&#8221;, nas comemora\u00e7\u00f5es do 10 de junho de 2006, realizadas na Alf\u00e2ndega do Porto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Al\u00e9m da obra na pintura, o seu percurso ficou marcado, a partir do final dos anos 1960, pela&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":327644,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[144],"tags":[57162,207,205,206,1753,203,201,202,204,114,115,6899,32,33],"class_list":["post-327643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-arte-e-design","tag-armando-alves","tag-arte","tag-arte-e-design","tag-artedesign","tag-artes","tag-arts","tag-arts-and-design","tag-artsanddesign","tag-design","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-pintura","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116332073244179700","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327643\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/327644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}