{"id":327868,"date":"2026-04-02T02:35:22","date_gmt":"2026-04-02T02:35:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/327868\/"},"modified":"2026-04-02T02:35:22","modified_gmt":"2026-04-02T02:35:22","slug":"os-eua-agora-significam-caos-a-china-significa-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/327868\/","title":{"rendered":"Os EUA agora significam &#8220;caos&#8221;, a China significa &#8220;paz&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                AN\u00c1LISE | \u00c9 EUA contra Ir\u00e3o e no fim ganha a China <\/p>\n<p>Querer\u00e1 a China ser mediadora de paz entre os EUA e o Ir\u00e3o? <\/p>\n<p>por\u00a0<strong>Simone McCarthy<\/strong> e <strong>Sophia Saifi<\/strong>, CNN<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A influ\u00eancia da China esteve em destaque esta semana ap\u00f3s o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros paquistan\u00eas, Ishaq Dar, ter visitado Pequim ter\u00e7a-feira para conversa\u00e7\u00f5es com o seu hom\u00f3logo Wang Yi \u2013 um encontro que acontece numa altura em que Islamabad se tem posicionado como mediadora de paz no conflito no Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>Num comunicado sobre a \u201crestaura\u00e7\u00e3o da paz\u201d divulgado ter\u00e7a-feira, ambos os pa\u00edses apelaram a um \u201ccessar-fogo imediato\u201d, a conversa\u00e7\u00f5es de paz \u201co mais rapidamente poss\u00edvel\u201d e a uma paz duradoura, apoiada pela ONU.<\/p>\n<p>\u201cA China e o Paquist\u00e3o apoiam as partes relevantes no in\u00edcio de conversa\u00e7\u00f5es\u201d, afirmaram os dois lados na sua iniciativa de cinco pontos, divulgada ap\u00f3s o que Islamabad descreveu como \u201choras de empenho\u201d entre Dar e Wang.<\/p>\n<p>Esta iniciativa \u00e9 a vis\u00e3o mais detalhada que Pequim apresentou at\u00e9 agora sobre como resolver o conflito. E apela tamb\u00e9m \u00e0 seguran\u00e7a das rotas mar\u00edtimas; ao fim dos ataques contra civis e alvos n\u00e3o militares; e \u00e0 salvaguarda da soberania e seguran\u00e7a, tanto do Ir\u00e3o como dos estados do Golfo.<\/p>\n<p>Mas essa posi\u00e7\u00e3o, manifestada em tra\u00e7os gerais, tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es sobre quais as medidas concretas que Pequim tomaria num futuro processo de paz. At\u00e9 que ponto est\u00e1 disposta a envolver-se profundamente num conflito que decorre numa regi\u00e3o inst\u00e1vel, onde equilibra rela\u00e7\u00f5es com parceiros de ambos os lados?<\/p>\n<p>Fontes oficiais paquistanesas disseram \u00e0 CNN que um dos temas que Dar provavelmente discutiria enquanto estivesse na China era a possibilidade de Pequim atuar como garante para assegurar um acordo de paz.<\/p>\n<p>Duas fontes paquistanesas confirmaram tamb\u00e9m que, enquanto decorria em Islamabad, no in\u00edcio desta semana, uma reuni\u00e3o a quatro entre a Turquia, a Ar\u00e1bia Saudita, o Egito e o Paquist\u00e3o, o presidente do Paquist\u00e3o, Asif Ali Zardari, manteve reuni\u00f5es na embaixada chinesa para discutir a situa\u00e7\u00e3o regional em curso.<\/p>\n<p>O porta-voz do Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros do Paquist\u00e3o recusou responder a perguntas na ter\u00e7a-feira relativas \u00e0s discuss\u00f5es com a China, afirmando que estas conversa\u00e7\u00f5es s\u00e3o demasiado \u201csens\u00edveis e matizadas\u201d para que o Minist\u00e9rio fa\u00e7a quaisquer declara\u00e7\u00f5es baseadas em suposi\u00e7\u00f5es. O Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da China n\u00e3o respondeu imediatamente a um pedido de coment\u00e1rio da CNN.<\/p>\n<p>O Ir\u00e3o tem dado sinais mistos. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou na ter\u00e7a-feira que o pa\u00eds estava pronto para parar de lutar sob certas condi\u00e7\u00f5es, \u201cespecialmente as garantias necess\u00e1rias para evitar a recorr\u00eancia da agress\u00e3o\u201d, de acordo com os meios de comunica\u00e7\u00e3o estatais iranianos. Ao mesmo tempo, o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou que o Ir\u00e3o est\u00e1 preparado para \u201cpelo menos seis meses\u201d de guerra.<\/p>\n<p>O Paquist\u00e3o ofereceu-se para acolher conversa\u00e7\u00f5es entre o seu vizinho Ir\u00e3o e os EUA, aproveitando a sua posi\u00e7\u00e3o como uma pot\u00eancia com la\u00e7os est\u00e1veis com ambos. A viagem de Dar \u00e0 China na ter\u00e7a-feira foi feita a convite de Wang, de acordo com comunicados de ambos os minist\u00e9rios dos Neg\u00f3cios Estrangeiros.<\/p>\n<p>Um fiador? <\/p>\n<p>Embora se apresente como uma voz pela paz e um mediador respons\u00e1vel neste conflito global, \u00e9 esperado que Pequim avance com cautela.<\/p>\n<p>\u201cA China tem todos os incentivos para exibir a sua media\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica\u201d, diz Tong Zhao, membro s\u00e9nior do Carnegie Endowment for International Peace. \u201cQuer que o mundo veja um contraste: enquanto os Estados Unidos geram tumulto e caos, a China posiciona-se como uma for\u00e7a para o desescalonamento, estabilidade e paz.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO que Pequim est\u00e1 realmente disposta a contribuir materialmente, no entanto, \u00e9 outra quest\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira tentativa da China de se apresentar como pacificadora em conflitos internacionais.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1775097322_724_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi\u200b\u200b\u200b\u200b <\/p>\n<p>Pequim acolheu conversa\u00e7\u00f5es ap\u00f3s confrontos fronteiri\u00e7os entre a Tail\u00e2ndia e o Camboja no ano passado. Tamb\u00e9m apresentou propostas de v\u00e1rios pontos para acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia \u2013 embora com efeito limitado, com os cr\u00edticos a dizerem que esses esfor\u00e7os foram mais um exerc\u00edcio de polimento da imagem da China do que tentativas sinceras de concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Relativamente ao atual conflito, os estrategas chineses podem ver benef\u00edcios no facto de os EUA estarem retidos num impasse, o que prejudica a credibilidade norte-americana global devido a uma guerra economicamente ruinosa; ainda assim, Pequim teme as repercuss\u00f5es que isto possa ter na sua pr\u00f3pria economia, fortemente dependente das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m altamente improv\u00e1vel que Pequim aceite qualquer tipo de papel como garante que exija a contribui\u00e7\u00e3o de meios militares ou garantias para assegurar a paz. Paralelamente a isto, a China \u00e9 amplamente vista como tendo uma influ\u00eancia limitada em quest\u00f5es de seguran\u00e7a no M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 claro o que tal arranjo implicaria. Uma fonte diplom\u00e1tica conhecedora das negocia\u00e7\u00f5es a quatro em Islamabad diz \u00e0 CNN que a quest\u00e3o foi levantada enquanto os quatro pa\u00edses envolvidos exploravam diferentes formas de \u201ccolmatar de uma forma criativa as lacunas entre as v\u00e1rias partes interessadas\u201d.<\/p>\n<p>Um tal arranjo seria contr\u00e1rio \u00e0 retic\u00eancia da China em assumir compromissos militares. Pequim veria tamb\u00e9m com bons olhos a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a qualquer acordo que a obrigasse a fiscalizar e a punir as viola\u00e7\u00f5es do cessar-fogo, sobretudo um que pudesse, potencialmente, arrast\u00e1-la para um conflito com os EUA.<\/p>\n<p>Embora a China mantenha um tratado de defesa m\u00fatua de d\u00e9cadas com a Coreia do Norte, tem tradicionalmente evitado alian\u00e7as e apelado a uma reformula\u00e7\u00e3o do modelo de seguran\u00e7a internacional liderado pelos EUA.<\/p>\n<p>\u201cCom certeza que, \u00e0 medida que o poder duro e brando da China cresce, h\u00e1 um debate interno crescente sobre se Pequim deve mobilizar as suas capacidades de forma mais proativa para expandir a influ\u00eancia global e consolidar o seu estatuto como pot\u00eancia l\u00edder. Ainda assim, o Ir\u00e3o \u00e9 um cen\u00e1rio improv\u00e1vel para tal investimento\u201d, afirma Zhao.<\/p>\n<p>Mediadora de paz? <\/p>\n<p>A China tem seguido uma linha diplom\u00e1tica cuidadosa ao longo de mais de quatro semanas de guerra no Ir\u00e3o, apelando a um cessar-fogo e realizando uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es e conversa\u00e7\u00f5es sobre o assunto. Mas tamb\u00e9m tem sido clara sobre onde pensa que deve residir o \u00edmpeto para acabar com o conflito \u2013 e as suas ramifica\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas globais.<\/p>\n<p>\u201cAquele que deu o n\u00f3 deve ser o que o desata\u201d, disse o enviado da China para o M\u00e9dio Oriente, Zhai Jun, na semana passada, numa clara refer\u00eancia aos EUA e a Israel, quando questionado sobre as circunst\u00e2ncias em que se podia alcan\u00e7ar um cessar-fogo.<\/p>\n<p>Os analistas chineses tamb\u00e9m refletem uma consci\u00eancia aguda por parte de Pequim quanto aos desafios profundamente enraizados na resolu\u00e7\u00e3o de um conflito onde os dois lados t\u00eam pouca confian\u00e7a e muita animosidade.<\/p>\n<p>\u201cA China pediu a ambos os lados um cessar-fogo imediato, mas duvido que algum lado ou\u00e7a realmente esse tipo de conselho nesta fase. Para os Estados Unidos, j\u00e1 est\u00e3o presos no dilema de terem de se aguentar; para o Ir\u00e3o, eles precisam de uma vingan\u00e7a que, pelo menos, salve as apar\u00eancias\u201d, diz o coronel s\u00e9nior (retirado) Zhou Bo, membro s\u00e9nior do Centro de Estrat\u00e9gia e Seguran\u00e7a Internacional da Universidade de Tsinghua, em Pequim.<\/p>\n<p>A China pode n\u00e3o assumir um papel nas conversa\u00e7\u00f5es de paz, uma vez que o Paquist\u00e3o j\u00e1 assumiu essa posi\u00e7\u00e3o, acrescenta.<\/p>\n<p>Pequim desempenhou, de facto, um papel fundamental na media\u00e7\u00e3o de uma reaproxima\u00e7\u00e3o entre o Ir\u00e3o e o rival de longa data, a Ar\u00e1bia Saudita, em 2023. E a vis\u00e3o alternativa do l\u00edder chin\u00eas Xi Jinping para a seguran\u00e7a internacional inclui Pequim como mediadora.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es da China com os principais intervenientes neste conflito, incluindo o Ir\u00e3o e os EUA, bem como o Paquist\u00e3o, podiam ajud\u00e1-la a ter acesso a todos os lados nas conversa\u00e7\u00f5es de paz, segundo Wang Yiwei, diretor do Instituto de Assuntos Internacionais da Universidade Renmin, em Pequim.<\/p>\n<p>Mas a China tamb\u00e9m est\u00e1 a pesar as implica\u00e7\u00f5es da sua diplomacia para as suas pr\u00f3prias prioridades, em particular a visita esperada do presidente dos EUA, Donald Trump, \u00e0 China em maio e outra diplomacia futura prevista entre os dois l\u00edderes este ano.<\/p>\n<p>A China podia procurar desempenhar um papel como um gesto de boa vontade para com os EUA, mas tamb\u00e9m tem estado cautelosa para que a guerra n\u00e3o prejudique essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos que o Ir\u00e3o ou qualquer outro fen\u00f3meno prejudique esta confian\u00e7a\u201d, afirma Wang, da Universidade Renmin, referindo-se aos futuros interc\u00e2mbios diplom\u00e1ticos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"AN\u00c1LISE | \u00c9 EUA contra Ir\u00e3o e no fim ganha a China Querer\u00e1 a China ser mediadora de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":327869,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[8],"tags":[609,836,611,27,28,358,607,608,333,832,604,135,610,476,413,15,16,20759,301,830,14,5453,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":["post-327868","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-principais-noticias","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-china","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-eua","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-golfo","tag-governo","tag-guerra","tag-headlines","tag-irao","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327868\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/327869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}