{"id":328166,"date":"2026-04-02T08:31:13","date_gmt":"2026-04-02T08:31:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/328166\/"},"modified":"2026-04-02T08:31:13","modified_gmt":"2026-04-02T08:31:13","slug":"economia-dos-eua-esta-em-sofrimento-e-e-por-isso-que-trump-quer-por-fim-a-guerra-no-irao-mesmo-sem-alcancar-os-objetivos-que-pretendia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/328166\/","title":{"rendered":"Economia dos EUA est\u00e1 &#8220;em sofrimento&#8221; e \u00e9 por isso que Trump quer p\u00f4r fim \u00e0 guerra no Ir\u00e3o, mesmo sem alcan\u00e7ar os objetivos que pretendia"},"content":{"rendered":"<p>\t                A guerra contra o Ir\u00e3o tem sido marcada por avan\u00e7os e recuos da administra\u00e7\u00e3o dos EUA quanto aos seus objetivos e linhas vermelhas. Donald Trump diz agora que o conflito pode chegar ao fim j\u00e1 no final de abril, deixando para outros a responsabilidade de reabrir o Estreito de Ormuz, fulcral para o tr\u00e1fego mundial de petr\u00f3leo e outras mat\u00e9rias-primas. Analistas falam numa estrat\u00e9gia &#8220;profundamente irrespons\u00e1vel&#8221; e a relativa imunidade econ\u00f3mica dos EUA \u00e9 uma miragem. Com os eleitores norte-americanos a sentirem o impacto da guerra no bolso, a popularidade das pol\u00edticas econ\u00f3micas de Trump atingiu um novo m\u00ednimo hist\u00f3rico. E no atual contexto, &#8220;mesmo que haja um acordo de paz ou um cessar-fogo, o Ir\u00e3o vai continuar a ter mais controlo sobre a infla\u00e7\u00e3o dos EUA do que o pr\u00f3prio Trump&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">O carrossel de <a href=\"https:\/\/www.ms.now\/rachel-maddow-show\/maddowblog\/white-house-continues-to-emphasize-trumps-feelings-on-u-s-policy-in-iran\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">\u201csensa\u00e7\u00f5es\u201d de Donald Trump<\/a> levou o presidente norte-americano a indicar esta semana que poder\u00e1 p\u00f4r fim \u00e0 guerra contra o Ir\u00e3o \u201cdentro de duas a tr\u00eas semanas\u201d sem reabrir o Estreito de Ormuz \u2013 cujo encerramento tem levado a um aumento sustentado dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, com reflexo imediato no pre\u00e7o por litro de combust\u00edvel que cada consumidor paga nos postos de abastecimento.<\/p>\n<p>\u201cNesta crise, como j\u00e1 estamos a ver com o encerramento do Estreito, a economia mundial fica completamente ref\u00e9m\u201d, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/irao\/kharg\/trump-tem-sob-o-seu-comando-o-exercito-mais-bem-preparado-do-planeta-mas-nao-sabe-usa-lo-com-a-frieza-de-dwight-d-eisenhower\/20260331\/69cab585d34edcee7c62798f\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">diz Ant\u00f3nio Costa Silva<\/a>, engenheiro de minas e petr\u00f3leo e tamb\u00e9m ex-ministro da Economia de Portugal. \u201cAntes da guerra, passavam pelo Estreito de Ormuz 20 milh\u00f5es de barris de crude por dia, 5 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo refinado, 20% do g\u00e1s natural liquefeito, e tamb\u00e9m um ter\u00e7o dos fertilizantes mundiais e uma parte significativa de metais como o alum\u00ednio. A depend\u00eancia \u00e9 total.\u201d<\/p>\n<p>No dia em que Trump deu a indica\u00e7\u00e3o de que a guerra pode estar perto do fim sem que Ormuz reabra no imediato, j\u00e1 depois de ter proferido coisas semelhantes e o seu contr\u00e1rio ao longo das \u00faltimas semanas, o pre\u00e7o do Brent \u2013 refer\u00eancia global que influencia fortemente os pre\u00e7os da gasolina e do gas\u00f3leo \u2013 subiu para 114 d\u00f3lares o barril.\u00a0<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da guerra, a 28 de fevereiro, as fam\u00edlias dos EUA t\u00eam estado a pagar quase 80 centavos de d\u00f3lar a mais por gal\u00e3o (cerca de 3,78 litros) de combust\u00edvel a cada abastecimento \u2013 o equivalente a mais de 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares em custos adicionais di\u00e1rios. Posto de outra forma, est\u00e3o em causa 10 mil milh\u00f5es de gastos extra com combust\u00edveis para os consumidores at\u00e9 ao final desta semana em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis pr\u00e9-guerra \u2013 o que, <a href=\"https:\/\/www.nbcnews.com\/news\/us-news\/iran-economic-fallout-womens-final-four-bracket-morning-rundown-rcna265977\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">segundo Patrick De Haan<\/a>, analista-chefe da Gas Buddy, que acompanha a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, corresponde a menos 35 d\u00f3lares de rendimento dispon\u00edvel para cada fam\u00edlia ao final do m\u00eas.<\/p>\n<p>O impacto da guerra e do fecho do Estreito nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis \u201c\u00e9 apenas o in\u00edcio\u201d, <a href=\"https:\/\/time.com\/article\/2026\/03\/18\/gas-groceries-war-in-iran-cost-of-living-crisis\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">aponta a revista Time<\/a>. Neste momento, as fam\u00edlias americanas j\u00e1 est\u00e3o a sofrer com o aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. E com o aproximar das f\u00e9rias de primavera e do ver\u00e3o, os americanos v\u00e3o deparar-se tamb\u00e9m com o aumento dos pre\u00e7os dos voos, agora que o custo do combust\u00edvel de avia\u00e7\u00e3o est\u00e1 85% superior aos pre\u00e7os pr\u00e9-guerra.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69cd391ad34edcee7c62911f.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Em pouco mais de um m\u00eas, a guerra no Ir\u00e3o levou a 10 mil milh\u00f5es de despesa adicional com combust\u00edveis para os consumidores norte-americanos at\u00e9 ao final da semana em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis pr\u00e9-guerra. foto\u00a0Stephanie Scarbrough\/AP <\/p>\n<p>Nos supermercados, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito diferente e o preju\u00edzo ser\u00e1 sentido duas vezes. Primeiro, no imediato, o aumento do pre\u00e7o do gas\u00f3leo elevar\u00e1 os custos do transporte dos produtos agr\u00edcolas do campo para as prateleiras dos supermercados; depois, daqui a uns meses, vir\u00e1 o choque de o aumento do pre\u00e7o dos fertilizantes se propagar a toda a cadeia de abastecimento agr\u00edcola.\u00a0Tudo aponta para que haja uma inevit\u00e1vel <a href=\"https:\/\/time.com\/collections\/davos-2026\/7339214\/global-affordability-crisis-cost-of-living-inflation-politics\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">crise do custo de vida<\/a> e que os riscos de press\u00f5es inflacionistas, que j\u00e1 pairavam antes dos primeiros ataques ao Ir\u00e3o, se agravem nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Mesmo que a guerra termine <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/aominuto\/652125bed34e65afa2f62245\/evento\/69cc4837d34edcee7c628972?utm_source=whatsapp&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=shared_site\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">daqui a \u201cduas ou tr\u00eas semanas\u201d<\/a>, como Trump sugere agora, o impacto n\u00e3o vai ficar por aqui nem se traduzir\u00e1 num \u00fanico aumento de pre\u00e7os, antes numa s\u00e9rie de aumentos sucessivos com efeito imediato nas carteiras dos consumidores. Para que a situa\u00e7\u00e3o volte ao normal, ser\u00e3o precisos v\u00e1rios passos, a come\u00e7ar pela reabertura do Estreito de Ormuz. E se, no in\u00edcio do conflito, o presidente norte-americano prometia uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para o problema, agora, ao segundo m\u00eas da guerra, as autoridades federais est\u00e3o a moderar as expectativas de reabertura do Estreito e a transferir a responsabilidade para o Ir\u00e3o, admitindo que tal pode n\u00e3o acontecer no curto prazo.<\/p>\n<p>Trump tamb\u00e9m disse, entretanto, aos aliados para serem eles a ir \u201cbuscar o petr\u00f3leo\u201d a Ormuz, declarando ao New York Post que acredita que o Estreito ir\u00e1 reabrir automaticamente, mas que na sua perspetiva, depois de ter aniquilado \u201co pa\u00eds, eles [iranianos] n\u00e3o t\u00eam mais for\u00e7as, ent\u00e3o os pa\u00edses que usam o Estreito que o abram\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 para tentar reabri-lo que Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, vai hoje <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2026\/apr\/01\/hormuz-strait-talks-britain-starmer\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">liderar uma reuni\u00e3o de 35 pa\u00edses<\/a>\u00a0para &#8220;avaliar todas as medidas diplom\u00e1ticas e pol\u00edticas vi\u00e1veis para restabelecer a liberdade de navega\u00e7\u00e3o, garantir a seguran\u00e7a dos navios e marinheiros retidos e retomar a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias vitais&#8221;. Para os EUA, p\u00f4r fim \u00e0s opera\u00e7\u00f5es militares deixando a reabertura do Estreito a cargo de uma for\u00e7a distinta da coliga\u00e7\u00e3o vai diminuir a sua influ\u00eancia sobre Teer\u00e3o. Os europeus e as monarquias do Golfo est\u00e3o\u00a0apenas interessados numa miss\u00e3o restrita focada em Ormuz e n\u00e3o em alcan\u00e7ar objetivos estrat\u00e9gicos mais amplos por via de bombardeamentos a alvos estrat\u00e9gicos iranianos. E a grande quest\u00e3o \u00e9 que mesmo que o Estreito reabra, o regresso aos pre\u00e7os pr\u00e9-guerra est\u00e1 longe de ser imediato \u2013 e isso tamb\u00e9m se aplica aos EUA.<\/p>\n<p>Para tal, as instala\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e de g\u00e1s natural do Golfo P\u00e9rsico ter\u00e3o de conseguir retomar as suas opera\u00e7\u00f5es a n\u00edveis m\u00ednimos, um processo que levar\u00e1, no m\u00ednimo, semanas a estar conclu\u00eddo se o conflito terminar e que, no pior dos cen\u00e1rios, levar\u00e1 muito mais tempo, considerando as dificuldades de reconstruir as infraestruturas que ficaram parcial ou totalmente destru\u00eddas nos ataques de drones e m\u00edsseis iranianos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel isolar os EUA dos danos econ\u00f3micos&#8221; <\/p>\n<p>Aparte a f\u00faria de Trump com os aliados da NATO, que ontem levou o presidente norte-americano a retomar a <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/aominuto\/652125bed34e65afa2f62245\/evento\/69ccec24d34edcee7c628bdb?utm_source=whatsapp&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=shared_site\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">amea\u00e7a de abandonar a alian\u00e7a atl\u00e2ntica<\/a>, fontes da administra\u00e7\u00e3o dizem que o presidente norte-americano sabe que a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 \u201cinsustent\u00e1vel\u201d. Foi o que <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2026-03-31\/trump-s-exasperation-over-iran-grows-signaling-hastened-exit\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">noticiou a Bloomberg em exclusivo<\/a> na ter\u00e7a-feira, citando fontes pr\u00f3ximas de Trump sob anonimato, j\u00e1 depois de a sua equipa ter sugerido que a reabertura do Estreito de Ormuz ter\u00e1 deixado de ser condi\u00e7\u00e3o sine qua non para os EUA baterem em retirada do Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>A sugest\u00e3o de um desfecho para breve at\u00e9 pode acalmar o nervosismo dos investidores. Mas deixar o futuro do Estreito indeterminado contribuiria muito pouco para amenizar a volatilidade da economia global nos pr\u00f3ximos tempos. Como apontava ontem Suzanne Maloney, especialista em assuntos do Ir\u00e3o do Brookings Institute, p\u00f4r fim \u00e0s opera\u00e7\u00f5es militares sem garantias de que Ormuz ser\u00e1 reaberto seria \u201cincrivelmente irrespons\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs mercados energ\u00e9ticos s\u00e3o inerentemente globais e n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de isolar os EUA dos danos econ\u00f3micos que j\u00e1 est\u00e3o a ocorrer e que v\u00e3o agravar-se exponencialmente se o Estreito continuar fechado\u201d, disse a especialista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/world\/middle-east\/trump-iran-war-strait-of-hormuz-ee950ad4\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">ao Wall Street Journal<\/a>, sublinhando que EUA e Israel n\u00e3o podem esquivar-se \u00e0s consequ\u00eancias da guerra que decidiram iniciar em conjunto.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69cd38c3d34e28842c827087.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   &#8220;Sendo um exportador l\u00edquido de petr\u00f3leo e alimentos, os EUA s\u00e3o menos impactados por uma crise energ\u00e9tica do que outras grandes economias industrializadas, como a Europa e o Jap\u00e3o, mas os consumidores americanos s\u00e3o fortemente afetados por um aumento nos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo e dos alimentos\u201d. foto\u00a0Jenny Kane\/AP <\/p>\n<p>Como aponta a Bloomberg, todos os acontecimentos recentes sugerem que a guerra deixou de estar sob controlo exclusivo dos EUA e de Israel \u2013 e isso representa um enorme risco pol\u00edtico para o presidente norte-americano, que fez campanha sob a promessa de n\u00e3o iniciar novas guerras e cujo Partido Republicano corre agora s\u00e9rios riscos de perder o controlo do Congresso nas elei\u00e7\u00f5es intercalares de novembro.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que Trump est\u00e1 agora inclinado a p\u00f4r fim ao conflito sem realmente poder clamar vit\u00f3ria \u2013 o regime que dizia querer derrubar continua a controlar o Ir\u00e3o e as travessias mar\u00edtimas no Estreito de Ormuz. Segundo uma das fontes citadas pela Bloomberg, \u201c\u00e9 o sofrimento econ\u00f3mico causado pela guerra que mais preocupa a Casa Branca, j\u00e1 que h\u00e1 altos funcion\u00e1rios que est\u00e3o cada vez mais apreensivos com o perigo que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica representa para os legisladores republicanos candidatos \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o querer admitir publicamente aquilo que v\u00e1rios respons\u00e1veis dentro do governo norte-americano assumem em conversas oficiosas com jornalistas, mas as sondagens mais recentes mostram os efeitos nefastos da estrat\u00e9gia b\u00e9lica de Trump, ou falta dela, entre o eleitorado. De acordo com <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2026\/04\/01\/politics\/cnn-poll-trump-approval-rating-economy?cid=ios_app\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">um inqu\u00e9rito de opini\u00e3o da CNN<\/a> divulgado esta quarta-feira, a taxa de aprova\u00e7\u00e3o do presidente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua gest\u00e3o da economia atingiu um novo m\u00ednimo hist\u00f3rico de 31%, refletindo o crescente pessimismo dos norte-americanos sobre o tema que descrevem consistentemente como o mais importante.<\/p>\n<p>Dois ter\u00e7os dos inquiridos na sondagem dizem que as pol\u00edticas de Trump pioraram as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas nos EUA, o que representa um aumento de 10 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a janeiro; apenas 27% dos inquiridos aprovam a forma como a administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 a lidar com a infla\u00e7\u00e3o, contra os 44% que se posicionavam dessa forma h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>&#8220;EUA entraram na guerra numa situa\u00e7\u00e3o financeira insustent\u00e1vel&#8221; <\/p>\n<p>Na \u00faltima sexta-feira, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o do G7, o secret\u00e1rio de Estado dos EUA j\u00e1 tinha tra\u00e7ado uma linha entre acabar com a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, dizendo que seria inaceit\u00e1vel se, ap\u00f3s o fim das opera\u00e7\u00f5es militares, o Ir\u00e3o continuasse a ditar o controlo da passagem mar\u00edtima, mas remetendo a responsabilidade para terceiros. \u201cO mundo inteiro deveria estar indignado com isso\u201d, disse Marco Rubio, antes de contrapor: \u201cN\u00f3s somos afetados por isso um pouco, mas o resto do mundo \u00e9 muito mais afetado.\u201d<\/p>\n<p>Isto \u00e9 verdade, mas s\u00f3 at\u00e9 certo ponto. <a href=\"https:\/\/www.aei.org\/economics\/the-economic-consequences-of-the-iran-war\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Como aponta Desmond Lachman<\/a>, especialista em macroeconomia do American Enterprise Institute, \u201cos EUA, sendo um exportador l\u00edquido de petr\u00f3leo e alimentos, s\u00e3o menos impactados por uma crise energ\u00e9tica do que outras grandes economias industrializadas, como a Europa e o Jap\u00e3o, mas os consumidores americanos s\u00e3o fortemente afetados por um aumento nos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo e dos alimentos\u201d. E no\u00a0domin\u00f3 de efeitos da guerra no M\u00e9dio Oriente, os EUA tamb\u00e9m est\u00e3o longe de estar imunes a outro fator, continua Lachman na sua an\u00e1lise. \u201cUm obst\u00e1culo \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica ainda mais importante relacionado com o Ir\u00e3o pode vir de taxas de juro mais altas no longo prazo, especialmente relevante considerando que os EUA entraram na guerra numa situa\u00e7\u00e3o financeira p\u00fablica insustent\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/67f53beed34ef72ee4447a6a.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   A guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Ir\u00e3o est\u00e1 a provar-se uma dor de cabe\u00e7a para Jerome Powell, presidente da Reserva Federal norte-americana; h\u00e1 duas semanas, o Fed manteve as taxas de juro inalteradas, mas os mercados acreditam que poder\u00e1 subi-las j\u00e1 em julho. foto\u00a0Chip Somodevilla\/Getty Images <\/p>\n<p>Dados do Gabinete Or\u00e7amental do Congresso (CBO) mostram que, ainda antes de se incluir o aumento dos gastos com Defesa decorrentes desta guerra, j\u00e1 estava previsto que o d\u00e9fice or\u00e7amental dos EUA iria provavelmente ultrapassar os 6% do PIB por um longo per\u00edodo \u2013 com o CBO a antecipar que, ao ritmo atual, a d\u00edvida p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho da economia iria exceder, at\u00e9 2030, o elevado n\u00edvel do p\u00f3s-II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Na sua atualiza\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) previu esta semana que a infla\u00e7\u00e3o nos EUA dever\u00e1 situar-se nos 4,2% em 2026, um aumento acentuado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anterior proje\u00e7\u00e3o de 2,8% e bem acima dos 2,7% projetados pela Reserva Federal (Fed) na sua pr\u00f3pria atualiza\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica divulgada h\u00e1 uma semana. A OCDE diz que o Fed e os outros bancos centrais \u201ct\u00eam de permanecer vigilantes\u201d perante as amea\u00e7as inflacionistas, ainda que as avalia\u00e7\u00f5es sobre o impacto da guerra no Ir\u00e3o no m\u00e9dio e longo prazo sejam d\u00edspares.<\/p>\n<p>Dentro dos EUA, os mercados acreditam que, face aos riscos, o Fed vai subir as taxas de juro ainda este ano, considerando que uma <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/markets-bet-fed-rate-hike-soon-july-2026-03-20\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">subida j\u00e1 em julho<\/a>\u00a0\u00e9 30% mais prov\u00e1vel do que a manuten\u00e7\u00e3o ou a redu\u00e7\u00e3o das taxas diretoras. Pelo contr\u00e1rio, os economistas norte-americanos acreditam num cen\u00e1rio menos negro, prevendo que podem ficar inalteradas at\u00e9 setembro e que poder\u00e1 at\u00e9 haver uma redu\u00e7\u00e3o ainda este ano, apesar das preocupa\u00e7\u00f5es com a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/business\/fed-still-set-cut-us-rates-late-this-year-say-economists-rejecting-market-2026-03-26\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">sondagem da Reuters<\/a> divulgada na pen\u00faltima semana de mar\u00e7o, quase tr\u00eas quartos dos economistas inquiridos \u2013 61 de um total de 82, previram que o Fed vai manter as taxas inalteradas no pr\u00f3ximo trimestre, contra cerca de dois ter\u00e7os de economistas que, duas semanas antes, acreditavam numa redu\u00e7\u00e3o para entre 3,25% e 3,5% at\u00e9 ao final de junho. O inqu\u00e9rito foi divulgado uma semana depois de o banco central norte-americano ter mantido as taxas de juro inalteradas no intervalo entre os 3,5% e os 3,75%, o mesmo valor de dezembro\u00a0\u2013 com v\u00e1rios membros do Fed a admitirem que os elevados riscos de infla\u00e7\u00e3o tornam improv\u00e1vel uma redu\u00e7\u00e3o das taxas, apesar das press\u00f5es de Trump nesse sentido.<\/p>\n<p>\u201cAs expectativas de infla\u00e7\u00e3o parecem estar bem ancoradas al\u00e9m do curto prazo, mas mesmo assim \u00e9 algo que eventualmente talvez tenhamos de considerar em rela\u00e7\u00e3o ao que fazer\u201d, disse Jerome Powell, l\u00edder da Reserva Federal, h\u00e1 duas semanas. \u201cAinda n\u00e3o estamos a enfrentar realmente isso, porque n\u00e3o sabemos quais ser\u00e3o os efeitos econ\u00f3micos, mas teremos certamente em considera\u00e7\u00e3o esse contexto mais amplo quando tomarmos uma decis\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&#8220;O que se ouve falar \u00e9 de 200 d\u00f3lares&#8221; por barril de petr\u00f3leo <\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, no mesmo dia em que o presidente sugeriu que a guerra pode acabar at\u00e9 ao final de abril, a taxa de juro dos t\u00edtulos do Tesouro americano a 10 anos ressentiram-se, ap\u00f3s v\u00e1rios bancos centrais estrangeiros terem <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/1c4189e9-36af-4779-b862-d868cf2aff76?syn-25a6b1a6=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">reduzido drasticamente as suas reservas<\/a> desses t\u00edtulos para o n\u00edvel mais baixo desde 2012. Assustados com o impacto da guerra nas suas economias e divisas, pa\u00edses importadores de petr\u00f3leo como a \u00cdndia, a Turquia e a Tail\u00e2ndia est\u00e3o a vender t\u00edtulos do governo dos EUA, com\u00a0alguns bancos centrais a intervir nos mercados cambiais para sustentar as suas moedas \u2013 uma medida que, normalmente, envolve a venda de d\u00f3lares americanos.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69cd3f35d34edcee7c62919e.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Cerca de 1.000 navios est\u00e3o retidos no Estreito de Ormuz devido ao bloqueio parcial imposto pelo Ir\u00e3o em resposta aos ataques dos EUA e de Israel iniciados a 28 de fevereiro. foto\u00a0Altaf Qadri\/AP <\/p>\n<p>Entretanto, o Eurasia Group, que faz consultoria de risco pol\u00edtico, fala em 55% de probabilidades de a guerra durar at\u00e9 maio e calcula que, se o Ir\u00e3o continuar a atacar as infraestruturas petrol\u00edferas vizinhas, o pre\u00e7o por barril suba acima dos 150 d\u00f3lares. \u201cN\u00e3o h\u00e1 op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para impedir que os pre\u00e7os do petr\u00f3leo subam para perto dos 200 d\u00f3lares por barril se o Estreito de Ormuz permanecer fechado\u201d, <a href=\"https:\/\/www.axios.com\/2026\/04\/01\/oil-prices-200-barrel-strait-hormuz\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">diz ao Axios, Jason Bordoff<\/a>, diretor executivo do Centro de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica Global da Universidade de Columbia.<\/p>\n<p>Na semana passada, numa confer\u00eancia mundial de energia em Houston, no Texas, o historiador econ\u00f3mico Daniel Yergin recusou-se a dar previs\u00f5es espec\u00edficas, mas assumiu que \u201co que se ouve falar \u00e9 de 200 d\u00f3lares [por barril de petr\u00f3leo]\u201d se a guerra n\u00e3o terminar em breve. E as reservas de curto prazo que t\u00eam ajudado a conter as subidas de pre\u00e7o do petr\u00f3leo est\u00e3o a diminuir. \u201cOs navios que escaparam do Estreito de Ormuz antes do in\u00edcio [da guerra] chegaram ao porto\u201d, disse o ex-secret\u00e1rio de Estado dos EUA, John Kerry, na mesma confer\u00eancia. \u201cAgora est\u00e3o vazios.\u201d<\/p>\n<p>Na \u00faltima madrugada, Trump discursou \u00e0 na\u00e7\u00e3o, u<a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2026\/04\/01\/world\/live-news\/iran-war-us-trump-oil\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">m discurso antecipado pela CNN internacional citando fonte da Casa Branca<\/a> no qual o presidente confirmou que pretende p\u00f4r fim \u00e0 guerra num prazo m\u00e1ximo de tr\u00eas semanas.\u00a0No entanto, h\u00e1 pouco que Trump possa dizer por agora para reverter os danos j\u00e1 causados, em todo o mundo, mas tamb\u00e9m nos EUA. Como aponta o analista Manuel Serrano \u00e0 CNN Portugal: \u201cCheg\u00e1mos a esta l\u00f3gica em que, mesmo que haja um acordo de paz, um cessar-fogo, o que seja, o Ir\u00e3o vai continuar a ter mais impacto e mais controlo sobre a infla\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos do que o pr\u00f3prio Donald Trump. Acho que esta ideia \u00e9 essencial\u201d.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A guerra contra o Ir\u00e3o tem sido marcada por avan\u00e7os e recuos da administra\u00e7\u00e3o dos EUA quanto aos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":328167,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,607,608,855,333,832,604,135,610,92,476,52306,413,15,16,301,830,14,1215,5453,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,6153,52,32,23,24,4437,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-328166","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-combustiveis","16":"tag-comentadores","17":"tag-costa","18":"tag-crime","19":"tag-desporto","20":"tag-direto","21":"tag-donald-trump","22":"tag-economia","23":"tag-estreito-de-ormuz","24":"tag-eua","25":"tag-featured-news","26":"tag-featurednews","27":"tag-governo","28":"tag-guerra","29":"tag-headlines","30":"tag-inflacao","31":"tag-irao","32":"tag-justica","33":"tag-latest-news","34":"tag-latestnews","35":"tag-live","36":"tag-main-news","37":"tag-mainnews","38":"tag-mais-vistas","39":"tag-marcelo","40":"tag-mundo","41":"tag-negocios","42":"tag-news","43":"tag-noticias","44":"tag-noticias-principais","45":"tag-noticiasprincipais","46":"tag-opiniao","47":"tag-pais","48":"tag-petroleo","49":"tag-politica","50":"tag-portugal","51":"tag-principais-noticias","52":"tag-principaisnoticias","53":"tag-taxas-de-juro","54":"tag-top-stories","55":"tag-topstories","56":"tag-ultimas","57":"tag-ultimas-noticias","58":"tag-ultimasnoticias","59":"tag-world","60":"tag-world-news","61":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=328166"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328166\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/328167"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=328166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=328166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=328166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}