{"id":329502,"date":"2026-04-03T10:50:11","date_gmt":"2026-04-03T10:50:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/329502\/"},"modified":"2026-04-03T10:50:11","modified_gmt":"2026-04-03T10:50:11","slug":"livro-narra-luto-depois-de-tragedia-em-aquila-03-04-2026-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/329502\/","title":{"rendered":"Livro narra luto depois de trag\u00e9dia em \u00c1quila &#8211; 03\/04\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Em uma noite de abril, as g\u00eameas Caterina e Olivia dormiam aninhadas no sof\u00e1, quando a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mundo\/ft0704200901.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">terra come\u00e7ou a tremer<\/a>. No meio de m\u00f3veis se batendo e espelhos quebrando, elas e Marco \u2014filho de Olivia\u2014 refugiaram-se sob a mesa de jantar. Quando o tremor deu lugar ao sil\u00eancio, Caterina e o sobrinho escaparam pela janela, mas Olivia voltou para buscar cal\u00e7as e sapatos para o filho. Foi nesse instante que um pilar de sustenta\u00e7\u00e3o ruiu, soterrando Olivia. Horas depois, os bombeiros a encontraram sem vida, com os dedos ainda estendidos na dire\u00e7\u00e3o do jeans de Marco.<\/p>\n<p>A forma como Caterina tenta reconstruir sua vida <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/amor-cronico\/2025\/10\/meu-luto-vai-durar-para-sempre-como-retomar-a-vida-com-a-presenca-dessa-ausencia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">enquanto lida com seu pr\u00f3prio luto<\/a>, com sua m\u00e3e e com a cria\u00e7\u00e3o de Marco conduzem a narrativa de &#8220;Bella Mia&#8221;, livro escrito pela italiana Donatella Di Pietrantonio e lan\u00e7ado pela Relic\u00e1rio Edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O abalo s\u00edsmico que ambienta a narrativa \u00e9 o que aconteceu de fato em 2009, na cidade de \u00c1quila, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/italia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">It\u00e1lia<\/a>, e que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2016\/08\/1807171-devastada-em-2009-cidade-italiana-de-aquila-e-laboratorio-de-pos-terremoto.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">deixou<\/a> 308 mortos, mais de 1.500 feridos, 15 desaparecimentos, centenas de edif\u00edcios em ru\u00ednas e milhares de desabrigados. Naquela noite, Pietrantonio estava em sua casa na cidade de Penne, a 80 km do epicentro, e mesmo assim o sentiu de forma intensa, descrito como um &#8220;tempo intermin\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>A autora morou por cerca de cinco anos em \u00c1quila, onde cursou odontologia. \u00c0 <b>Folha<\/b>, ela conta que escrever sobre um lugar ao qual se est\u00e1 afetiva e emocionalmente ligada \u00e9 uma prova \u00e1rdua, principalmente se narra o trecho mais dram\u00e1tico de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;Narra-se um luto coletivo que, no entanto, \u00e9 tamb\u00e9m meu pr\u00f3prio luto, utilizando uma dor pessoal como instrumento de <a href=\"https:\/\/feeds.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff2312200117.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">conhecimento e reconhecimento da dor alheia<\/a>. A personagem Caterina \u00e9, ao mesmo tempo, protagonista, testemunha e voz de um trauma que atingiu toda uma comunidade&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o se diz pretensiosa a ponto de pensar que seu livro possa ter ajudado os habitantes de \u00c1quila a elaborar o luto, mas diz acreditar que &#8220;a arte e a literatura tenham a fun\u00e7\u00e3o de fragmentar o bloco de pedra da dor e deixar que, entre os estilha\u00e7os, passe um pouco de luz&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2016\/09\/1818060-canalizamos-o-luto-para-uma-coisa-boa-a-arte-diz-autor-de-velho-chico.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pela arte<\/a> que Caterina consegue nomear e elaborar seu luto individual. A personagem descreve como a argila atinge a mesma temperatura da sua pele e carimba na massa as suas pr\u00f3prias &#8220;linhas da vida, do cora\u00e7\u00e3o e do destino&#8221;.<\/p>\n<p>Ela tinha se acostumado a viver na sombra da irm\u00e3, em uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel e defensiva, a \u00fanica que considerava sustent\u00e1vel para si. Quando Olivia morreu, a g\u00eamea se viu exposta e obrigada a assumir um protagonismo que n\u00e3o desejava.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse sustentar a si pr\u00f3pria e o seu luto, Caterina se descobre m\u00e3e ao ter que cuidar do sobrinho, um adolescente t\u00edmido e ranzinza. Marco expressa sua dor por meio do sil\u00eancio, usando fones de ouvido e recusando-se a falar.<\/p>\n<p>O ressentimento em rela\u00e7\u00e3o ao pai, Roberto, \u00e9 um ponto em comum na fam\u00edlia. A m\u00e3e das g\u00eameas o culpa pela morte da filha, dizendo que, se n\u00e3o fosse a separa\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o teria se mudado para a cidade e estaria viva. Desde o primeiro momento ap\u00f3s o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/terremoto\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">terremoto<\/a>, ela buscou socorro em Deus, rezando constantemente pela filha morta.<\/p>\n<p>A sua <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2023\/11\/a-sobrecarga-feminina-e-uma-realidade-e-possivel-lidar-com-isso.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">devo\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcio<\/a> \u00e9 outro ponto chave no conflito geracional que se apresenta na hist\u00f3ria. Principalmente no entendimento do que e como ser mulher.<\/p>\n<p>Enquanto a m\u00e3e representa um modelo de mulher ancorado no servi\u00e7o ao outro, as filhas s\u00e3o descritas como mulheres contempor\u00e2neas, libertadas e aut\u00f4nomas, que n\u00e3o se definem necessariamente por meio de uma figura masculina.<\/p>\n<p>Para Caterina, a emancipa\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 a liberdade de sofrer e se reconstruir de forma individual, sem estar presa aos modelos tradicionais de cuidadora eterna que a m\u00e3e acredita dever ocupar.<\/p>\n<p>Para a autora, esse movimento \u00e9 um percurso hist\u00f3rico de emancipa\u00e7\u00e3o feminina que se manifesta dentro de uma mesma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Elaborar o luto, segundo Pietrantonio, \u00e9 conservar a &#8220;luz das estrelas mortas&#8221; enquanto se caminha com as pr\u00f3prias pernas em dire\u00e7\u00e3o a uma autonomia que a trag\u00e9dia, paradoxalmente, a for\u00e7ou a conquistar.<\/p>\n<p>Ela afirma que todos vivem o luto de maneira singular, mas &#8220;a grande diferen\u00e7a reside na capacidade de integrar a perda na nova vida que vem depois, na qual a pessoa amada faz falta de modo doloroso, mas sua presen\u00e7a persiste na mem\u00f3ria, na bagagem de vida de quem fica&#8221;.<\/p>\n<p>    Todas<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Discuss\u00f5es, not\u00edcias e reflex\u00f5es pensadas para mulheres<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em uma noite de abril, as g\u00eameas Caterina e Olivia dormiam aninhadas no sof\u00e1, quando a terra come\u00e7ou&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":329503,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1031,1029,981,236,116,233,170,1339,8204,2558,32,1494,33,117,1030,4287],"class_list":["post-329502","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-autocuidado","tag-cuide-se","tag-familia","tag-folha","tag-health","tag-italia","tag-livros","tag-luto","tag-mae","tag-maternidade","tag-portugal","tag-producao-todas","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental","tag-terremoto"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116340393655886081","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=329502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/329502\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/329503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=329502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=329502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=329502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}