{"id":332581,"date":"2026-04-06T06:17:14","date_gmt":"2026-04-06T06:17:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/332581\/"},"modified":"2026-04-06T06:17:14","modified_gmt":"2026-04-06T06:17:14","slug":"a-china-ja-era-uma-superpotencia-na-area-da-energia-eolica-agora-esta-a-testar-turbinas-gigantes-suspensas-no-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/332581\/","title":{"rendered":"A China j\u00e1 era uma superpot\u00eancia na \u00e1rea da energia e\u00f3lica. Agora, est\u00e1 a testar turbinas gigantes suspensas no ar"},"content":{"rendered":"<p>\t                O S2000 concluiu um teste em janeiro, em Yibin, na prov\u00edncia de Sichuan, flutuando a 2.000 metros (6.600 p\u00e9s) e ligando-se com sucesso \u00e0 rede el\u00e9trica, num feito in\u00e9dito para a empresa<\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica est\u00e1 novamente a ganhar balan\u00e7o. Desta vez, literalmente.<\/p>\n<p>Na China, um projeto de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento que junta v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es criou uma s\u00e9rie de prot\u00f3tipos de turbinas flutuantes de grande escala. Os aer\u00f3statos, cheios de h\u00e9lio e ligados ao solo por um cabo de amarra\u00e7\u00e3o que transmite eletricidade, podem flutuar a milhares de p\u00e9s de altitude e foram propostos como uma alternativa port\u00e1til e de baixo impacto \u00e0s turbinas e\u00f3licas convencionais.<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 liderada pela Universidade de Tsinghua, em Pequim, em colabora\u00e7\u00e3o com a startup Beijing SAWES Energy Technology Co., Ltd. Designado por Stratospheric Airborne Wind Energy Systems (SAWES), o primeiro prot\u00f3tipo foi apresentado em outubro de 2024 e, desde ent\u00e3o, os modelos t\u00eam aumentado de dimens\u00e3o e altitude. O modelo mais recente, o SAWES Type S2000, \u00e9 o primeiro sistema a\u00e9reo de produ\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica da classe dos megawatts, afirma a empresa, que tamb\u00e9m usa a designa\u00e7\u00e3o The SAWES Company.<\/p>\n<p>O S2000 concluiu um teste em janeiro, em Yibin, na prov\u00edncia de Sichuan, flutuando a 2.000 metros (6.600 p\u00e9s) e ligando-se com sucesso \u00e0 rede el\u00e9trica, num feito in\u00e9dito para a empresa. Durante o teste, a turbina gerou 385 quilowatt-hora de eletricidade \u2014 o suficiente para alimentar uma casa m\u00e9dia nos Estados Unidos durante cerca de 13 dias.<\/p>\n<p>O S2000 mede 60 metros de comprimento e 40 metros de altura e largura, e integra 12 turbinas com uma capacidade total de 3 megawatts, segundo a The SAWES Company. Em compara\u00e7\u00e3o, a turbina e\u00f3lica mais potente do mundo, fabricada pela empresa chinesa Dongfang Electric Corporation, tem 340 metros de altura, segundo not\u00edcias publicadas, e apresenta uma capacidade de 26 megawatts.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1775456233_867_f_webp.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Vista traseira do prot\u00f3tipo S2000, que tem 40 metros (131 p\u00e9s) de altura e 60 metros (197 p\u00e9s) de comprimento e possui 12 turbinas. A empresa SAWES <\/p>\n<p>Jianxiao Wang, professor associado de investiga\u00e7\u00e3o em big data na Universidade de Pequim, que participou no projeto, afirmou que o SAWES tem v\u00e1rias vantagens ambientais face \u00e0s turbinas convencionais.<\/p>\n<p>\u201cUsamos at\u00e9 90% menos material do que as turbinas e\u00f3licas tradicionais, n\u00e3o precisamos de funda\u00e7\u00f5es maci\u00e7as de bet\u00e3o, nem de uma torre de a\u00e7o, nem perturbamos o ecossistema do solo\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cTem um impacto visual e sonoro muito reduzido\u2026 ao n\u00edvel do solo \u00e9 basicamente silencioso e cria uma obstru\u00e7\u00e3o visual muito menor no horizonte.\u201d<\/p>\n<p>O professor Wang defendeu ainda que as turbinas a\u00e9reas s\u00e3o mais f\u00e1ceis de evitar pelas aves do que os parques e\u00f3licos tradicionais. (Estudos estimam que as turbinas e\u00f3licas matem entre 140.000 e 679.000 aves por ano nos Estados Unidos \u2014 um n\u00famero relevante, embora muito inferior ao das aves mortas por linhas el\u00e9tricas, estimado em dezenas de milh\u00f5es, e muit\u00edssimo inferior ao das aves mortas por gatos, que poder\u00e1 chegar aos 4 mil milh\u00f5es, segundo uma revis\u00e3o de dados.)<\/p>\n<p>Um dos casos de utiliza\u00e7\u00e3o atualmente em desenvolvimento situa-se numa ilha da prov\u00edncia de Guangdong, no sul da China, onde o espa\u00e7o em terra \u00e9 limitado e protegido do ponto de vista ambiental, o que inviabiliza a instala\u00e7\u00e3o de turbinas e\u00f3licas convencionais, acrescentou.<\/p>\n<p>At\u00e9 ao final de 2025, tinham sido submetidas 51 patentes, segundo a empresa.<\/p>\n<p>A equipa de engenharia conseguiu avan\u00e7os na ci\u00eancia dos materiais e na engenharia el\u00e9trica, disse Wang, recorrendo a tecidos comp\u00f3sitos avan\u00e7ados para manter o aer\u00f3stato leve e, ao mesmo tempo, minimizar a fuga de h\u00e9lio. O SAWES usa modela\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e intelig\u00eancia artificial, o que lhe permite subir e descer automaticamente para encontrar as velocidades de vento ideais. A investiga\u00e7\u00e3o sugere que isto pode aumentar bastante a produ\u00e7\u00e3o de energia em compara\u00e7\u00e3o com a capta\u00e7\u00e3o a uma altura fixa.<\/p>\n<p>Wang Lei, porta-voz da The SAWES Company, afirmou que, no curto prazo, o SAWES \u00e9 \u201cadequado para fornecimento de energia em zonas remotas, talvez energia fora da rede e energia de emerg\u00eancia\u201d, incluindo zonas de cat\u00e1strofe, sublinhando a relativa facilidade com que o sistema pode ser transportado quando se encontra desinsuflado.<\/p>\n<p>Olhando mais para o futuro, considera que h\u00e1 aplica\u00e7\u00f5es no fornecimento de energia para a ind\u00fastria e para infraestruturas, acrescentando que o \u201cobjetivo final\u201d da empresa \u00e9 fornecer energia limpa \u00e0 rede, substituindo parte da eletricidade de origem f\u00f3ssil no cabaz energ\u00e9tico.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1775456233_730_f_webp.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Turbinas e\u00f3licas no condado de Jinhu, cidade de Huai&#8217;an, na prov\u00edncia de Jiangsu, no leste da China. A China tornou-se uma superpot\u00eancia em energia e\u00f3lica, contribuindo com uma grande percentagem para a nova capacidade global nos \u00faltimos anos. CN-STR\/AFP via Getty Images <\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia Internacional da Energia (IEA), o crescimento global da energia e\u00f3lica ter\u00e1 de mais do que quadruplicar at\u00e9 2030 para se atingir um cen\u00e1rio energ\u00e9tico de emiss\u00f5es l\u00edquidas nulas. A capacidade global est\u00e1 atualmente no caminho para quase duplicar at\u00e9 2030, atingindo 2.000 GW. A China tem sido um l\u00edder mundial no setor, tendo acrescentado dois ter\u00e7os da nova capacidade global de energia e\u00f3lica em 2023 (o ano mais recente com dados publicados pela IEA).<\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica \u00e9 abundante, mas est\u00e1 distribu\u00edda de forma muito irregular pelo mundo. A velocidade m\u00e9dia do vento varia, e a densidade m\u00e9dia de pot\u00eancia do vento \u2014 o indicador usado para determinar o potencial energ\u00e9tico \u2014 varia ainda mais. Entre os fatores que influenciam estes valores est\u00e3o a localiza\u00e7\u00e3o, a hora do dia e a geografia.<\/p>\n<p>O professor Wang acredita que, devido \u00e0 elevada altitude do SAWES, onde as velocidades do vento s\u00e3o mais fortes e consistentes, o sistema poder\u00e1 produzir energia em mais locais terrestres do que as turbinas convencionais instaladas no solo.<\/p>\n<p>Mark C. Kelly, professor associado do Departamento de Sistemas de Vento e Energia da Universidade T\u00e9cnica da Dinamarca, afirmou que era dif\u00edcil avaliar esta alega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Num e-mail, disse que a investiga\u00e7\u00e3o revista por pares mostrou que \u201cv\u00e1rios AWE (sistemas a\u00e9reos de energia e\u00f3lica) conseguem captar os ventos mais fortes que ocorrem com mais frequ\u00eancia a altitudes superiores \u00e0s das turbinas e\u00f3licas convencionais\u201d. Ressalvou, no entanto, que o comportamento do vento acima dos 100 metros \u201cn\u00e3o \u00e9 simples\u201d.<\/p>\n<p>Kelly acrescentou que n\u00e3o tinha visto publica\u00e7\u00f5es revistas por pares sobre o prot\u00f3tipo SAWES, nem quaisquer dados verificados de forma independente sobre a produ\u00e7\u00e3o el\u00e9trica do SAWES a altitudes superiores a 1.000 metros. Al\u00e9m disso, mostrou interesse em conhecer a base e a valida\u00e7\u00e3o da tecnologia de amarra\u00e7\u00e3o do SAWES, uma vez que o comprimento do cabo tem revelado ser um fator limitador nos sistemas AWE j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1775456234_108_f_webp.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   O S2000 durante um teste realizado em janeiro em Yibin, prov\u00edncia de Sichuan, China. SAWES <\/p>\n<p>As turbinas suspensas por papagaios e os sistemas de energia por papagaio em voo transversal, em que o movimento do cabo est\u00e1 ligado a um gerador no solo, t\u00eam sido testados no s\u00e9culo XXI. Tamb\u00e9m j\u00e1 foram prototipadas turbinas e\u00f3licas com aer\u00f3statos. A empresa californiana Airbine Renewable Energy Systems trabalha h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada num conceito de conjunto de turbinas tubulares. O sistema BAT (Buoyant Airborne Turbine) da Altaeros Energies foi testado em 2014 e podia subir at\u00e9 aos 1.000 p\u00e9s. (Desde ent\u00e3o, a Altaeros avan\u00e7ou para outros projetos com aer\u00f3statos que n\u00e3o envolvem energia e\u00f3lica.) Mas estes sistemas t\u00eam sido, em regra, relativamente pequenos e com produ\u00e7\u00e3o inferior \u00e0 do SAWES.<\/p>\n<p>Os dirig\u00edveis (incluindo os aer\u00f3statos) est\u00e3o sujeitos a muitas das mesmas regras que as aeronaves civis nos Estados Unidos, incluindo restri\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o a\u00e9reo. Por exemplo, s\u00e3o necess\u00e1rias autoriza\u00e7\u00f5es especiais para voar acima dos 500 p\u00e9s, havendo tamb\u00e9m restri\u00e7\u00f5es junto de aeroportos e em zonas onde a visibilidade ao n\u00edvel do solo seja inferior a tr\u00eas milhas.<\/p>\n<p>O projeto SAWES est\u00e1 a trabalhar no acrescento de mais dispositivos de comunica\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o aos futuros aer\u00f3statos, criando aquilo a que chama AeroMatrix.<\/p>\n<p>\u201cPodemos alargar a fun\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de energia a um dirig\u00edvel multifuncional\u201d, disse o professor Wang, \u201cincluindo comunica\u00e7\u00e3o sem fios, servi\u00e7os de carregamento para drones ou outras aeronaves el\u00e9tricas. Pode at\u00e9 servir como esta\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica (n\u00f3 de computa\u00e7\u00e3o localizado) para c\u00e1lculos em GPU, ligando sat\u00e9lites espaciais, voos a\u00e9reos e redes integradas em terra.\u201d<\/p>\n<p>A The SAWES Company, a Universidade de Pequim, a Universidade de Tsinghua e o Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o em Informa\u00e7\u00e3o Aeroespacial da Academia Chinesa das Ci\u00eancias colaboraram todos no SAWES, no \u00e2mbito de um Projeto Nacional-Chave de Investiga\u00e7\u00e3o, cujo financiamento e cujos detalhes a equipa do projeto disse n\u00e3o estar autorizada a divulgar.<\/p>\n<p>A empresa afirma que o projeto j\u00e1 est\u00e1 a preparar a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de prot\u00f3tipos, que ser\u00e1 testada mais tarde este ano a altitudes superiores e durante mais tempo, com produ\u00e7\u00e3o est\u00e1vel de energia.<\/p>\n<p>*\ufeffAaron Cooper contribuiu para este artigo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O S2000 concluiu um teste em janeiro, em Yibin, na prov\u00edncia de Sichuan, flutuando a 2.000 metros (6.600&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":332582,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[609,836,611,27,88,358,607,608,333,832,604,135,610,476,89,3118,90,2270,37356,301,830,603,570,831,833,62,834,13,835,602,52,32,33,57702,29],"class_list":["post-332581","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-business","tag-china","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-economy","tag-eletricidade","tag-empresas","tag-energia","tag-eolicas","tag-governo","tag-guerra","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-turbinas","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116356307141969225","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=332581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332581\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/332582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=332581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=332581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=332581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}