{"id":332815,"date":"2026-04-06T11:20:18","date_gmt":"2026-04-06T11:20:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/332815\/"},"modified":"2026-04-06T11:20:18","modified_gmt":"2026-04-06T11:20:18","slug":"inflacao-vai-penalizar-ainda-mais-as-familias-mas-as-receitas-do-estado-vao-engordar-pode-o-governo-dar-mais-apoios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/332815\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o vai penalizar ainda mais as fam\u00edlias, mas as receitas do Estado v\u00e3o engordar. Pode o Governo dar mais apoios?"},"content":{"rendered":"<p>\t                At\u00e9 que ponto pode o Estado aproveitar este extra para refor\u00e7ar a resposta \u00e0s fam\u00edlias e empresas? Os economistas aplaudem a prud\u00eancia do executivo nos an\u00fancios, uma vez que a dura\u00e7\u00e3o do conflito no M\u00e9dio Oriente e dos seus impactos \u00e9 uma inc\u00f3gnita. Mas deixam um aviso: ter\u00e3o de existir mais medidas, que podem absorver, com muita rapidez, o refor\u00e7o nas receitas dos impostos. S\u00e3o medidas para todos ou s\u00f3 para quem mais precisa? As opini\u00f5es dividem-se<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">\u00c9 tudo \u201cuma quest\u00e3o de tempo\u201d. O aviso vem dos economistas: depois da \u201cprud\u00eancia\u201d e do \u201cfoco\u201d, o Governo vai ter de avan\u00e7ar com novas medidas para atenuar o impacto que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ter nas contas das fam\u00edlias. Os n\u00fameros de mar\u00e7o mostram uma <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/ine\/inflacao\/taxa-de-inflacao-em-portugal-acelera-para-2-7-em-marco\/20260331\/69cb8736d34e28842c825d85\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">subida dos pre\u00e7os de 2,7% em mar\u00e7o<\/a>, \u00e0 boleia dos combust\u00edveis, mas que contamina tamb\u00e9m a conta do supermercado.<\/p>\n<p>\u201cTenho poucas d\u00favidas de que esta crise se vai arrastar no tempo\u201d, resume o economista Jo\u00e3o Rodrigues dos Santos, coordenador cient\u00edfico da \u00e1rea de Gest\u00e3o e Economia da Universidade Europeia.<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que, \u201cno curto prazo\u201d, o Governo \u201cbeneficia\u201d com a infla\u00e7\u00e3o, encaixando mais impostos pela via indireta \u2013 tal como aconteceu na anterior crise inflacionista, em 2022 e 2023, com a guerra na Ucr\u00e2nia, em que o Estado arrecadou mais em impostos do que estava previsto. Vamos ver a escala mais \u00e0 frente neste artigo.<\/p>\n<p>\u201cCom a infla\u00e7\u00e3o, temos o Governo a aumentar as receitas fiscais por essa via. O que \u00e9 dif\u00edcil, nesta situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 antecipar qual ser\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o que vamos ter nos pr\u00f3ximos tempos\u201d, tra\u00e7a o economista Filipe Grilo, professor da Porto Business School. H\u00e1, contudo, uma coisa que parece certa: desta vez, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o dever\u00e1 ficar perto dos n\u00edveis recorde de 2022 e 2023.<\/p>\n<p>Haver\u00e1, para Jo\u00e3o Rodrigues dos Santos, uma \u201cprova dos nove\u201d para o Governo: \u201cquando a come\u00e7ar a ser muito dif\u00edcil abastecer o dep\u00f3sito para muitas fam\u00edlias, prejudicando outros campos da sua vida, como o consumo de bens essenciais\u201d. \u00c9 que, para muitas fam\u00edlias, o carro \u00e9 a \u00fanica forma de chegar ao trabalho \u2013 e a \u00faltima coisa em que podem cortar.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/67cecb9dd34ef72ee4433b7d.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Combust\u00edveis est\u00e3o a mexer com a infla\u00e7\u00e3o. E o impacto faz-se sentir tamb\u00e9m no supermercado (Charly Triballeau\/AFP\/Getty Images) <\/p>\n<p>Margem de &#8220;centenas de milh\u00f5es&#8221; <\/p>\n<p>No <a href=\"https:\/\/www.eo.gov.pt\/politicaorcamental\/OrcamentodeEstado\/OE2026_doc16_Relatorio.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Or\u00e7amento do Estado para 2026<\/a>, o Governo estima uma receita fiscal de 67.065 milh\u00f5es de euros. Uma estimativa assente num cen\u00e1rio macroecon\u00f3mico que prev\u00ea um crescimento da economia de 2,3% e uma taxa de infla\u00e7\u00e3o de 2,1%. Com uma infla\u00e7\u00e3o mais alta ser\u00e1 poss\u00edvel, no entanto, obter mais receita fiscal, mas tamb\u00e9m ter\u00e1 de se levar em conta uma eventual contra\u00e7\u00e3o do consumo devido \u00e0 subida dos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Ainda assim, os economistas falam em \u201ccentenas de milh\u00f5es de euros\u201d que o Estado encaixa a mais devido \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. S\u00f3 que o Estado tamb\u00e9m vai gastando na mesma propor\u00e7\u00e3o: veja-se que o <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/combustiveis\/gasolina\/governo-aprova-apoios-de-150-milhoes-de-euros-por-mes-na-area-dos-combustiveis\/20260327\/69c685e3d34e28842c823f4e\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">pacote mensal de 150 milh\u00f5es que j\u00e1 foi anunciado pelo executivo<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cA cr\u00edtica que fa\u00e7o ao Governo est\u00e1 no facto de ainda n\u00e3o nos ter apresentado cen\u00e1rios\u201d, aponta Filipe Grilo. E, sem esses cen\u00e1rios, ningu\u00e9m sabe ao certo quanto \u00e9 que tudo isto vai custar. Nem durante quanto tempo.<\/p>\n<p>&#8220;O Governo tamb\u00e9m quer cultivar a imagem externa de disciplina or\u00e7amental&#8221; <\/p>\n<p>Prud\u00eancia, cautela, foco. S\u00e3o as palavras escolhidas pelos economistas para descrever a atitude do Governo, mesmo que as fam\u00edlias exijam mais medidas para conseguirem lidar com este novo impacto.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 quem defenda que o Governo est\u00e1 a ser cauteloso e quem considere que est\u00e1 a ser pouco ambicioso. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o das descidas do Imposto sobre os Produtos Petrol\u00edferos (ISP), as medidas adotadas concentram-se sobretudo em setores espec\u00edficos e nos grupos mais desfavorecidos. S\u00e3o, por isso, medidas muito menos \u2018impactantes\u2019 do que as de outros pa\u00edses, como Espanha\u201d, descreve o economista Ricardo Ferraz, professor no ISEG e na Universidade Lus\u00f3fona.<\/p>\n<p>\u201cO Governo n\u00e3o est\u00e1 a gerir mal nesta fase, tendo em conta que n\u00e3o sabe a dura\u00e7\u00e3o desta crise. H\u00e1 um <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/geral\/portugal-fecha-2025-com-excedente-acima-do-previsto-pelo-governo\/20260326\/69c512fcd34edcee7c6250ef\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">excedente or\u00e7amental de 0,7%<\/a> em 2025, que d\u00e1 uma margem, mas que \u00e9 uma margem limitada. Por isso, est\u00e1 a apostar em apoios cir\u00fargicos, tempor\u00e1rios, para franjas da popula\u00e7\u00e3o mais desfavorecidas e para o tecido empresarial mais afetado. Al\u00e9m disso, o Governo tamb\u00e9m quer cultivar a imagem externa de disciplina or\u00e7amental\u201d, resume Jo\u00e3o Rodrigues dos Santos.<\/p>\n<p>Tendo em conta que toda e qualquer medida tem impacto or\u00e7amental, est\u00e1 em curso uma estrat\u00e9gia, simplifica Ricardo Ferraz, de \u201ccolocar pouca carne no assador\u201d. \u201cSe as coisas se prolongarem e agravarem, adotar\u00e1 medidas adicionais procurando, ainda assim, n\u00e3o penalizar, de forma significativa, o saldo or\u00e7amental\u201d, considera.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69c68cffd34e28842c823fb2.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Lu\u00eds Montenegro tem apresentado medidas, mas muitas fam\u00edlias consideram que n\u00e3o s\u00e3o suficientes (Miguel A. Lopes\/Lusa) <\/p>\n<p>O caminho \u00e9 pelo IVA Zero? <\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 margem or\u00e7amental. Acredito que o Governo n\u00e3o est\u00e1 a mostrar os trunfos todos, para acomodar novas medidas tendo em conta a evolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o\u201d, reitera Filipe Grilo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, que medidas poder\u00e3o ser essas? \u00c9 aqui que as opini\u00f5es dos economistas se dividem.<\/p>\n<p>\u201cSe continuarmos com esta crise, o IVA Zero, apesar de incluir aqueles que n\u00e3o precisam tanto, \u00e9 uma medida de f\u00e1cil implementa\u00e7\u00e3o. No meu entender, o Governo n\u00e3o ter\u00e1 outra alternativa\u201d, argumenta Jo\u00e3o Rodrigues dos Santos.<\/p>\n<p>J\u00e1 Filipe Grilo socorre-se de um <a href=\"https:\/\/www.bportugal.pt\/napp_wrapper\/333200?utm\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo do Banco de Portugal, de 2025<\/a>, que mostra que \u201cmais de um quarto\u201d da despesa com a redu\u00e7\u00e3o do IVA se concentrou \u201cnos 20% dos agregados com maior rendimento\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 v\u00e1rias probabilidades. A come\u00e7ar pelo que fez Ant\u00f3nio Costa, com um cheque adicional para as fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis. \u00c9 mais extrema, mas tamb\u00e9m f\u00e1cil. Outra medida direcionada passaria pelo IVA Zero na tarifa social da eletricidade\u201d, aponta o economista da Porto Business School.<\/p>\n<p>Quanto ganhou o Estado na \u00faltima crise da infla\u00e7\u00e3o? <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Basta viajar no tempo, para 2022 e 2023, para perceber o impacto de uma crise inflacionista na acumula\u00e7\u00e3o de impostos indiretos. Antes da guerra na Ucr\u00e2nia, em janeiro, a taxa de infla\u00e7\u00e3o em Portugal estava nos 3,3%. Haveria de escalar at\u00e9 aos 10,1% em outubro de 2023. E s\u00f3 regressaria a valores considerados normais um ano depois, com 2,1%.<\/p>\n<p>E o que aconteceu \u00e0s receitas fiscais neste per\u00edodo? O Or\u00e7amento do Estado para 2022 previa uma receita fiscal de 48.592 milh\u00f5es de euros. S\u00f3 de impostos indiretos, a receita prevista era de 27.686 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>A Conta Geral do Estado desse ano haveria de confirmar o encaixe acima das previs\u00f5es. A receita fiscal atingiu os 52.884 milh\u00f5es de euros, mais 8,8%. Nos impostos indiretos, a receita foi de 29.501 milh\u00f5es, mais 6,6%.<\/p>\n<p>Verificou-se o mesmo em 2023. O Governo previa uma receita fiscal de 53.637 milh\u00f5es de euros. Destes, 29.559 milh\u00f5es em impostos indiretos. A Conta Geral do Estado viria a confirmar uma receita fiscal de 59.642 milh\u00f5es, mais 11,2% do que o valor inscrito no OE2023. Nos impostos indiretos, a receita foi de 32.512 milh\u00f5es, mais 9,9%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Na pr\u00e1tica, o Estado ganha mais, mas o pa\u00eds n\u00e3o produz mais. E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 o verdadeiro risco deste cen\u00e1rio: com um custo de vida mais elevado, se o consumo se retrai em for\u00e7a, as empresas deixam de produzir tanto, e deixa de haver tantos postos de trabalho para preencher.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto n\u00e3o houver receio no mercado de trabalho, com despedimentos e retra\u00e7\u00e3o no crescimento, o consumo das fam\u00edlias vai retrair, mas o IVA vai compensar mais do que a retra\u00e7\u00e3o real\u201d, explica o economista Filipe Grilo.<\/p>\n<p>H\u00e1, pelo menos, uma vantagem para Portugal neste contexto, dizem os economistas: com a incerteza no mundo, o pa\u00eds, pela sua localiza\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, pode ganhar no turismo, segurando assim a economia.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69ab2a8dd34edcee7c6196df.webp\" width=\"800\"\/> <\/p>\n<p>   Portugal e Espanha est\u00e3o a seguir caminhos diferentes na resposta a esta crise (Lusa) <\/p>\n<p>E Espanha, \u00e9 bom exemplo? <\/p>\n<p>S\u00e3o inevit\u00e1veis as compara\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses. A come\u00e7ar aqui pelo lado, por Espanha, onde o governo decidiu <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/inflacao\/crise\/inflacao-vai-penalizar-ainda-mais-as-familias-mas-as-receitas-do-estado-vao-engordar-pode-o-governo-dar-mais-apoios\/20260406\/IVA%20dos%20combust\u00edveis%20e%20da%20eletricidade%20desce%20para%20metade\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">descer o IVA dos combust\u00edveis e da eletricidade para metade<\/a>.<\/p>\n<p>Basta ver que Portugal \u00e9 o nono pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com os combust\u00edveis mais caros, com os impostos a <a href=\"https:\/\/www.erse.pt\/media\/nr0jvo3l\/3t2025-boletim-pre%C3%A7os-ue-27.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">pesaram mais 21 c\u00eantimos por litro face a Espanha<\/a>, numa an\u00e1lise anterior ao an\u00fancio do primeiro-ministro espanhol Pedro S\u00e1nchez.<\/p>\n<p>Apesar de reconhecerem que as medidas espanholas podem parecer mais \u2018atrativas\u2019 para as fam\u00edlias, os economistas alertam para os custos a longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o medidas, do meu ponto de vista, exageradas, porque podem colocar uma press\u00e3o inflacionista adicional na economia\u201d, reage Jo\u00e3o Rodrigues dos Santos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso avisar que a situa\u00e7\u00e3o espanhola, daqui a dois anos, ser\u00e1 complicada, com d\u00edvida. Est\u00e1 a criar concorr\u00eancia desleal entre empresas. E a criar a ideia errada de que o dinheiro espanhol vem do c\u00e9u, de que n\u00e3o vai haver sacrif\u00edcios\u201d, remata Filipe Grilo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"At\u00e9 que ponto pode o Estado aproveitar este extra para refor\u00e7ar a resposta \u00e0s fam\u00edlias e empresas? 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