{"id":33346,"date":"2025-08-17T16:52:12","date_gmt":"2025-08-17T16:52:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/33346\/"},"modified":"2025-08-17T16:52:12","modified_gmt":"2025-08-17T16:52:12","slug":"nova-imagem-revela-visao-sem-precedentes-do-terceiro-objeto-interestelar-observado-a-passar-pelo-nosso-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/33346\/","title":{"rendered":"Nova imagem revela vis\u00e3o sem precedentes do terceiro objeto interestelar observado a passar pelo nosso sistema solar"},"content":{"rendered":"<p>Uma nova imagem revelou o vislumbre mais n\u00edtido de sempre de um visitante interestelar a passar pelo nosso sistema solar.<\/p>\n<p>O Telesc\u00f3pio Hubble e a sua Wide Field Camera 3 [c\u00e2mara de campo amplo] obtiveram uma vista incr\u00edvel do cometa 3I\/ATLAS, que veio de fora do nosso sistema solar, a 21 de julho, quando este estava a 445 milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra.<\/p>\n<p>Na imagem, pode ver-se um casulo de poeira em forma de l\u00e1grima a sair do n\u00facleo gelado do cometa. O n\u00facleo de um cometa \u00e9 o seu n\u00facleo s\u00f3lido, feito de gelo, poeira e rochas. Quando os cometas se aproximam de estrelas como o Sol, o calor faz com que libertem g\u00e1s e poeira, o que cria as suas caudas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>O vener\u00e1vel telesc\u00f3pio \u00e9 apenas um dos muitos que est\u00e3o a ser usados para seguir o cometa, descoberto pela primeira vez a 1 de julho, \u00e0 medida que se aproxima a uma velocidade de 209.000 quil\u00f3metros por hora. A sua velocidade faz do 3I\/ATLAS o objeto mais r\u00e1pido origin\u00e1rio de fora do nosso sistema solar a ser observado a viajar atrav\u00e9s dele.<\/p>\n<p>Novas observa\u00e7\u00f5es, como as feitas com o Hubble, est\u00e3o a lan\u00e7ar mais luz sobre o tamanho do cometa. O pequeno n\u00facleo, que n\u00e3o pode ser visto diretamente, pode ter at\u00e9 5,6 quil\u00f3metros de di\u00e2metro ou 305 metros de largura, de acordo com um <a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2508.02934\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">novo artigo<\/a> aceite pelo The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n<p>Entretanto, outros telesc\u00f3pios espaciais como o James Webb Space Telescope, o Transiting Exoplanet Survey Satellite e o Neil Gehrels Swift Observatory, juntamente com observa\u00e7\u00f5es terrestres do W.M. Keck Observatory no Havai, poder\u00e3o revelar mais sobre a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do objeto. Espera-se que o cometa permane\u00e7a vis\u00edvel aos telesc\u00f3pios terrestres at\u00e9 setembro, antes de passar demasiado perto do Sol para ser visto at\u00e9 reaparecer do outro lado da nossa estrela no in\u00edcio de dezembro.<\/p>\n<p>Mas subsistem grandes quest\u00f5es sobre o 3I\/ATLAS, algumas das quais poder\u00e3o ser imposs\u00edveis de responder &#8211; incluindo a sua origem exata.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m sabe de onde veio o cometa. \u00c9 como vislumbrar uma bala de espingarda durante um mil\u00e9simo de segundo. N\u00e3o se pode projetar isso com precis\u00e3o para descobrir onde come\u00e7ou o seu percurso&#8221;, diz o autor principal do estudo, David Jewitt, professor de astronomia na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Los Angeles, em comunicado.<\/p>\n<p>Um visitante veloz <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1755449532_903_1000.webp\"\/> <\/p>\n<p>   Os astr\u00f3nomos da Ag\u00eancia Espacial Europeia observaram o cometa interestelar 3I\/ATLAS no in\u00edcio de julho. ESA\/Observat\u00f3rio de Las Cumbres <\/p>\n<p>Embora o cometa pare\u00e7a comportar-se como os que t\u00eam origem no nosso sistema solar &#8211; como evidenciado pela pluma de poeira que o Hubble captou &#8211; a velocidade do 3I\/ATLAS \u00e9 um indicador de que se trata de um visitante de outro sistema solar da nossa gal\u00e1xia.<\/p>\n<p>Os cientistas estimam que tem estado a viajar pelo espa\u00e7o interestelar h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. \u00c0 medida que os objetos viajam pelo espa\u00e7o, sofrem um efeito de fisga gravitacional ao passarem por estrelas e viveiros estelares, o que aumenta o seu impulso. Assim, quanto mais tempo o 3I\/ATLAS tiver passado no espa\u00e7o, mais depressa se move.<\/p>\n<p>O cometa \u00e9 apenas o terceiro objeto interestelar conhecido a ser observado no nosso sistema solar, depois do <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2017\/11\/20\/world\/first-interstellar-object-solar-system\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Oumuamua em 2017<\/a> e do <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2021\/03\/30\/world\/interstellar-comet-2i-borisov-origin-scn-trnd\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">2I\/Borisov em 2019<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cO 3I, em particular, \u00e9 not\u00e1vel devido \u00e0 sua velocidade\u201d, observa Matthew Hopkins, estudante de doutoramento no departamento de f\u00edsica da Universidade de Oxford, no Reino Unido, autor de um estudo separado sobre o objeto. \u201cEsta velocidade \u00e9 muito \u00fatil para n\u00f3s, em particular, porque nos \u00faltimos anos eu e os meus coautores temos vindo a construir um modelo que nos permite prever propriedades de (objetos interestelares), tais como a sua idade e composi\u00e7\u00e3o, apenas a partir da sua velocidade.\u201d<\/p>\n<p>Para Hopkins, a descoberta do 3I\/ATLAS foi incrivelmente fortuita. A descoberta ocorreu apenas cinco dias depois de ele ter terminado o seu trabalho de doutoramento, que envolveu muito tempo gasto a fazer previs\u00f5es sobre futuras descobertas de objetos interestelares. Dentro de alguns meses, Hopkins iniciar\u00e1 uma bolsa de investiga\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-doutoramento na Universidade de Canterbury, na Nova Zel\u00e2ndia, onde continuar\u00e1 a investigar o 3I\/ATLAS.<\/p>\n<p>Durante os seus estudos de doutoramento, Hopkins e os seus colaboradores na Nova Zel\u00e2ndia desenvolveram o modelo \u014ctautahi-Oxford, uma combina\u00e7\u00e3o de dados da popula\u00e7\u00e3o estelar da Via L\u00e1ctea e de modelos de forma\u00e7\u00e3o de sistemas planet\u00e1rios que podem ajudar os astr\u00f3nomos a determinar como devem ser as popula\u00e7\u00f5es de objetos interestelares. Agora, Hopkins \u00e9 o autor principal de um <a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2507.05318\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo separado sobre o 3I\/ATLAS<\/a>.<\/p>\n<p>Detetar objetos interestelares no futuro <\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil determinar a idade dos objetos interestelares, mas Hopkins e os seus colegas acreditam que o 3I\/ATLAS tem cerca de 67% de hip\u00f3teses de ter mais de 7,6 mil milh\u00f5es de anos &#8211; enquanto o nosso Sol, o sistema solar e os seus cometas t\u00eam apenas 4,5 mil milh\u00f5es de anos, afirma.<\/p>\n<p>\u00c9 um puro acaso que o cometa interestelar tenha entrado no nosso sistema solar &#8211; mas n\u00e3o \u00e9 totalmente raro, considera Hopkins. Na maior parte das vezes, n\u00e3o vemos estes visitantes.<\/p>\n<p>\u201cOs objetos interestelares est\u00e3o sempre a passar pelo Sistema Solar, especialmente os mais pequenos, que s\u00e3o mais numerosos: 80 do tamanho do Oumuamua (cerca de 200 metros de di\u00e2metro) passam pela \u00f3rbita de J\u00fapiter todos os anos, mas s\u00e3o demasiado pequenos para serem detetados, a n\u00e3o ser que se aproximem muito da Terra\u201d, escreveu Hopkins num e-mail.<\/p>\n<p>No entanto, os astr\u00f3nomos est\u00e3o ansiosos por ter o Observat\u00f3rio Vera C. Rubin [situado no Chile], que divulgou as suas primeiras imagens este ver\u00e3o, a varrer os c\u00e9us em busca de objetos interestelares. Com o seu enorme espelho prim\u00e1rio de 8,4 metros de di\u00e2metro, o observat\u00f3rio consegue detetar objetos pequenos, t\u00e9nues e distantes &#8211; e est\u00e1 a varrer todo o c\u00e9u de tr\u00eas em tr\u00eas noites, o que permite ao telesc\u00f3pio ver melhor os objetos interestelares que se movem rapidamente.<\/p>\n<p>Os coautores de Hopkins estimam que o Rubin poder\u00e1 espiar entre cinco e 50 objetos interestelares nos pr\u00f3ximos dez anos, e Hopkins est\u00e1 otimista quanto a esta \u00faltima hip\u00f3tese. A descoberta de mais objetos interestelares pode ajudar os astr\u00f3nomos a determinar a sua variedade ou semelhan\u00e7a, especialmente porque os tr\u00eas primeiros s\u00e3o t\u00e3o diferentes uns dos outros, aponta Hopkins.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00faltimo turista interestelar faz parte de uma popula\u00e7\u00e3o de objetos anteriormente n\u00e3o detetados, que ir\u00e3o emergir gradualmente\u201d, indica Jewitt. &#8220;Isto \u00e9 agora poss\u00edvel porque temos poderosas capacidades de observa\u00e7\u00e3o do c\u00e9u que n\u00e3o t\u00ednhamos antes. Ultrapass\u00e1mos um limiar&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma nova imagem revelou o vislumbre mais n\u00edtido de sempre de um visitante interestelar a passar pelo nosso&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33347,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[10496,609,836,611,27,109,107,108,607,608,333,832,604,135,610,476,301,830,10625,10626,603,570,831,833,62,1149,834,13,835,602,52,32,33,105,103,104,2560,106,110,29],"class_list":{"0":"post-33346","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-3i-atlas","9":"tag-alerta","10":"tag-analise","11":"tag-ao-minuto","12":"tag-breaking-news","13":"tag-ciencia","14":"tag-ciencia-e-tecnologia","15":"tag-cienciaetecnologia","16":"tag-cnn","17":"tag-cnn-portugal","18":"tag-comentadores","19":"tag-costa","20":"tag-crime","21":"tag-desporto","22":"tag-direto","23":"tag-economia","24":"tag-governo","25":"tag-guerra","26":"tag-hubble","27":"tag-interestelar","28":"tag-justica","29":"tag-live","30":"tag-mais-vistas","31":"tag-marcelo","32":"tag-mundo","33":"tag-nasa","34":"tag-negocios","35":"tag-noticias","36":"tag-opiniao","37":"tag-pais","38":"tag-politica","39":"tag-portugal","40":"tag-pt","41":"tag-science","42":"tag-science-and-technology","43":"tag-scienceandtechnology","44":"tag-sistema-solar","45":"tag-technology","46":"tag-tecnologia","47":"tag-ultimas"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33346\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}