{"id":335360,"date":"2026-04-08T09:17:13","date_gmt":"2026-04-08T09:17:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/335360\/"},"modified":"2026-04-08T09:17:13","modified_gmt":"2026-04-08T09:17:13","slug":"uma-casa-ja-custa-180-mais-do-que-ha-10-anos-o-pior-e-que-quanto-mais-tempo-passa-pior-sera-fugir-a-uma-espiral-em-forma-de-catastrofe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/335360\/","title":{"rendered":"Uma casa j\u00e1 custa 180% mais do que h\u00e1 10 anos. O pior \u00e9 que quanto &#8220;mais tempo passa&#8221; pior ser\u00e1 fugir a uma &#8220;espiral&#8221; em forma de &#8220;cat\u00e1strofe&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>\t                Governador do Banco de Portugal reconhece que este \u00e9 &#8220;o maior risco interno&#8221; que Portugal enfrenta. Vitor Reis, antigo presidente do IHRU, recua a 2012 para demonstrar a efic\u00e1cia da solu\u00e7\u00e3o de que Ant\u00f3nio Costa e Lu\u00eds Montenegro tiveram e t\u00eam medo. Entre as consecutivas subidas, Paulo Caiado, vice-presidente da AFEMIP, encontra &#8220;um facto&#8221; animador, mas alerta: &#8220;N\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel que os pre\u00e7os das casas baixem&#8221;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Este \u00e9 um artigo sobre os \u00faltimos n\u00fameros do Eurostat sobre a infla\u00e7\u00e3o no mercado habitacional em Portugal, mas come\u00e7a com uma hist\u00f3ria, contada por V\u00edtor Reis, o antigo presidente do Instituto da Habita\u00e7\u00e3o e da Reabilita\u00e7\u00e3o Urbana (IHRU), para explicar a &#8220;espiral&#8221; que \u00e9 a crise habitacional nacional: &#8220;A hist\u00f3ria de algu\u00e9m que tem de construir uma ponte\u00a0e que tem uma dist\u00e2ncia entre as duas margens que est\u00e1 sempre a aumentar&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Durante os \u00faltimos dez anos, entre 2015 e 2025, <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/casas\/habitacao\/precos-das-casas-cresceram-180-em-portugal-entre-2015-e-2025\/20260407\/69d4deccd34edcee7c62bd36\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Portugal foi o pa\u00eds da Zona Euro em que o pre\u00e7o da habita\u00e7\u00e3o mais aumentou<\/a>. De acordo com os dados publicados esta ter\u00e7a-feira pelo Eurostat, referentes ao \u00faltimo trimestre de 2025, uma casa que, em 2015, custasse 100 mil euros, agora custa 280 mil euros, correspondente a <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/casas\/habitacao\/precos-das-casas-cresceram-180-em-portugal-entre-2015-e-2025\/20260407\/69d4deccd34edcee7c62bd36\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">uma infla\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de 180%<\/a>.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"356\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69d539aed34edcee7c62c3a1.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Veja a imagem no tamanho original <a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69d539aed34edcee7c62c3a1.webp\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.\u00a0Pre\u00e7os e custo das rendas de im\u00f3veis (Fonte: Eurostat) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Perante os dados prenunciados pela tend\u00eancia do mercado habitacional nacional nos \u00faltimos, Vitor Reis, antigo presidente do Instituto da Habita\u00e7\u00e3o e da Reabilita\u00e7\u00e3o Urbana (IHRU), \u00e9 perent\u00f3rio em afirmar que s\u00f3 h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o para a crise habitacional em Portugal: &#8220;Se n\u00e3o houver um efetivo e grande aumento da oferta de habita\u00e7\u00f5es, isto n\u00e3o p\u00e1ra&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;E h\u00e1 pior, porque quanto mais tempo passarmos com esta espiral\u00a0que temos,\u00a0mais tempo vai ser necess\u00e1rio para inverter esta cat\u00e1strofe&#8230; Mais tempo vai ser necess\u00e1rio para sairmos deste buraco&#8221;, remata o antigo respons\u00e1vel m\u00e1ximo do IHRU.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 11px;\">Numa compara\u00e7\u00e3o num per\u00edodo temporal menor, ao equiparar-se os pre\u00e7os de venda dos \u00faltimos trimestres de 2025 e 2024, o Eurostat deteta um aumento de 18,9%. No entanto, mesmo comparando-se os pre\u00e7os praticados no fim do pen\u00faltimo (setembro) e do \u00faltimo (dezembro) trimestres de 2025, \u00e9 poss\u00edvel identificar-se uma infla\u00e7\u00e3o de 4%.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"667\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69d539aed34e28842c82a2d4.webp\" width=\"609\"\/> <\/p>\n<p>   Veja a imagem no tamanho original <a href=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/69d539aed34e28842c82a2d4.webp\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. Pre\u00e7os das casas &#8211; Taxas de varia\u00e7\u00e3o trimestrais e anuais, 1\u00ba trimestre de 2025 &#8211; 4\u00ba trimestre de 2025 (Fonte:\u00a0Eurostat) <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 11px;\">Por sua vez, Paulo Caiado, vice-presidente da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o dos Profissionais e Empresas de Media\u00e7\u00e3o Imobili\u00e1ria de Portugal (AFEMIP), identifica um sinal positivo tanto nos dados agora apresentados pelo Eurostat como pelos dados que t\u00eam vindo a ser anunciados pelo Instituto Nacional de Estat\u00edticas (INE): &#8220;Os\u00a0n\u00fameros o que demonstram \u00e9 que tem vindo a diminuir a valoriza\u00e7\u00e3o,\u00a0ou seja, a valoriza\u00e7\u00e3o continua, mas tem vindo a diminuir e isso \u00e9 um facto&#8221;.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel da AFEMIP considera ainda que h\u00e1 &#8220;outro dado muito importante&#8221; que \u00e9 necess\u00e1rio ver pelo modo como esta &#8220;valoriza\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser constitu\u00edda&#8221;. Paulo Caiado detalha que, nos dois ou tr\u00eas \u00faltimos anos, &#8220;v\u00e1rios concelhos afastados dos centros urbanos, que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o a primeira linha perif\u00e9rica, mas sim a segunda linha perif\u00e9rica, est\u00e3o a ter grande press\u00e3o de procura&#8221;, dando como exemplo os casos de Salvaterra de Magos, Lourinh\u00e3 ou Sobral de Monte Agra\u00e7o, junto \u00e0 cidade de Lisboa.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o concelhos que est\u00e3o a ter grande procura e os pre\u00e7os a\u00ed,\u00a0at\u00e9 porque t\u00eam pouca oferta, partiram de patamares muito mais baixos que os pre\u00e7os de Lisboa.\u00a0Estamos a falar em pre\u00e7os que s\u00e3o um quarto, um quinto dos pre\u00e7os praticados em Lisboa.\u00a0A press\u00e3o \u00e9 muito grande e os pre\u00e7os nestes locais t\u00eam subido muito e, quando essa m\u00e9dia \u00e9 apurada, temos valoriza\u00e7\u00f5es que podem ser 30, 40, 50% num ano e, quando \u00e9 integrada na m\u00e9dia nacional, temos um valor que reflete realidades muito distintas&#8221;, explica o especialista.<\/p>\n<p>&#8220;O maior risco interno que enfrentamos&#8221; <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 11px;\">O governador do Banco de Portugal (BdP) foi um dos primeiros a reagir, no X, aos novos dados do Eurostat. N\u00e3o lhe chamou &#8220;cat\u00e1strofe&#8221;, nem &#8220;buraco&#8221;, mas utilizou uma express\u00e3o que pode ser entendida como uma utiliza\u00e7\u00e3o ex\u00edmia da figura de estilo que \u00e9 o eufemismo: &#8220;O maior risco interno que enfrentamos tem sido a pronunciada subida dos pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom:11px\">Tal como Vitor Reis, \u00c1lvaro Santos Pereira garante que \u201ca solu\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma: oferta, oferta, oferta\u201d. O governador defende que\u00a0\u201cs\u00f3 assim \u00e9 que este enorme desequil\u00edbrio entre oferta e procura pode ser resolvido, atenuando a subida vertiginosa dos pre\u00e7os das casas\u201d,\u00a0lembrando ainda que, \u201cdurante d\u00e9cadas, a oferta de casas excedeu a procura, o que ajudou a expandir o parque habitacional do pa\u00eds e moderar o crescimento dos pre\u00e7os\u201d, mas, nos \u00faltimos anos, a \u201csitua\u00e7\u00e3o inverteu-se e atualmente a procura de casas est\u00e1 bastante acima da oferta\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\">\n<p lang=\"pt\">Um dos desenvolvimentos mais significativos dos \u00faltimos anos e, porventura, o maior risco interno que enfrentamos, tem sido a pronunciada subida dos pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o.<br \/>\u00a0<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o aumentaram 140% entre 2016 e 2025. A maioria deste aumento (80%) ocorreu desde 2019.\u2026 <a href=\"https:\/\/t.co\/1nCmiyMHeQ\" rel=\"nofollow\">pic.twitter.com\/1nCmiyMHeQ<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> \u2014 Alvaro Santos Pereira (@santospereira_a) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/santospereira_a\/status\/2038179546843746792?ref_src=twsrc%5Etfw\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">March 29, 2026<\/a>\n<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cNeste sentido, tudo o que fizermos para agilizar os licenciamentos e a constru\u00e7\u00e3o e a reabilita\u00e7\u00e3o de casas \u00e9 bem vindo\u201d, apela o governador do BdP,\u00a0acrescentando que \u201ch\u00e1 algo mais que podemos fazer: apostar de forma decisiva na habita\u00e7\u00e3o social ou na habita\u00e7\u00e3o a pre\u00e7os mais acess\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>O problema, aponta Vitor Reis, \u00e9 que &#8220;construir de raiz demora tempo&#8221;. &#8220;S\u00e3o ciclos que podem ter de 4 a 7 anos e, mesmo assim, seriam necess\u00e1rias duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas a construir de novo para criar uma oferta suficiente&#8221; e \u00e9 por isso que o ex-presidente do IHRU garante que &#8220;s\u00f3 h\u00e1 uma forma&#8221; de responder ao estado de s\u00edtio habitacional em que o pa\u00eds caiu: &#8220;Aproveitar o stock existente&#8221;. E como se colocam as casas desocupadas no mercado? Vitor Reis entende que esta \u00e9 mais uma pergunta de resposta \u00fanica: &#8220;Reforma-se o arrendamento&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Mas estes dois governos de Lu\u00eds\u00a0 Montenegro seguem as passadas dos governos de Ant\u00f3nio Costa e o exemplo mais significativo disso \u00e9 o facto de n\u00e3o revogarem aquele limite de 2% no aumento de rendas&#8221;, diz Vitor Reis, que considera que &#8220;este \u00e9 um\u00a0dos fatores que est\u00e1 a contribuir para as rendas n\u00e3o baixarem, porque\u00a0a partir do momento que criaram aqui um espectro, um fantasma, de que n\u00e3o se pode aumentar mais de 2% o valor da renda quando se celebra um novo contrato, o que se est\u00e1 a fazer \u00e9 empurrar os valores para cima, ou seja, isto tem precisamente o efeito contr\u00e1rio daquilo que se anuncia que se pretende com ele&#8221;.<\/p>\n<p>A ideia de Vitor Reis \u00e9 que a estrat\u00e9gia a longo prazo passe pela &#8220;expans\u00e3o urbana e constru\u00e7\u00e3o nova&#8221;; enquanto a estrat\u00e9gia a curto prazo se deve focar no &#8220;aproveitamento do stock existente, fazendo com que o que est\u00e1 devoluto entre no mercado e entre na oferta&#8221;. Na resposta aos c\u00e9ticos, o antigo presidente do IHRU recua a 2012, \u00e0 reforma do arrendamento, que foi batizada pelo &#8220;PCP como a lei dos despejos&#8221; e ficou conhecida como a &#8220;lei Cristas&#8221;. &#8220;Seis\u00a0anos depois, tivemos uma coisa verdadeiramente \u00fanica em Portugal,\u00a0que foi mais de 140 mil casas no arrendamento, n\u00e3o foram novos contratos, foram 140 mil novas casas no mercado de arrendamento&#8221;, explica, referindo que foi &#8220;um \u00e9 um n\u00famero nunca visto na nossa hist\u00f3ria&#8221; por se alterar uma &#8220;simples&#8221; lei.<\/p>\n<p>&#8220;Nem sequer foi uma completa liberaliza\u00e7\u00e3o do arrendamento e\u00a0tivemos este boom, que foi aquilo que nos permitiu atravessar a crise grav\u00edssima da Troika,\u00a0sem termos um problema habitacional&#8221;, detalha Vitor Reis, lembrando que &#8220;\u00e9 bom recordar&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel que os pre\u00e7os das casas baixem&#8221; <\/p>\n<p>Sem rodeios, Paulo Caiado assegura que &#8220;n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel que os pre\u00e7os das casas baixem&#8221;, justificando que este \u00e9 um mercado que est\u00e1 a ser &#8220;principalmente alavancado pela venda de casas&#8221;. O especialista real\u00e7a que \u00e9 isso mesmo que possibilita que &#8220;o mercado no segmento residencial tenha sido um mercado em que o valor transacionado, em 2025, previsivelmente tenha superado a barreira dos 40 mil milh\u00f5es de euros&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O\u00a0dinheiro que alimenta o mercado de habita\u00e7\u00e3o, vem maioritariamente de dois s\u00edtios: da banca, que representa um pouco menos de metade do volume financeiro\u00a0transacionado em 2025 no segmento da habita\u00e7\u00e3o,\u00a0em torno dos 20 mil milh\u00f5es de euros; e o outro \u00e9 o proveito da venda de casas, os portugueses n\u00e3o tinham economias de 20 mil milh\u00f5es de euros&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Paulo Caiado destaca, no entanto, que um mercado assente nestes pressupostos &#8220;gera um problema grande\u00a0para quem n\u00e3o tem casa nenhuma e tem cada vez maior dificuldade em aceder ao mercado&#8221;, como \u00e9 o caso dos jovens. &#8220;Para quem tem casa, para 73% dos agregados familiares portugueses\u00a0que s\u00e3o propriet\u00e1rios de uma casa,\u00a0a sua casa valer tr\u00eas vezes mais do que valia h\u00e1 20 anos n\u00e3o \u00e9 um problema, \u00e9 uma \u00f3tima not\u00edcia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel um jovem casal comprar um apartamento em Lisboa,\u00a0no Porto, com os seus rendimentos de trabalho. Mas n\u00e3o \u00e9 agora, como n\u00e3o era h\u00e1 meia d\u00fazia de anos&#8221;, remata o vice-presidente do AFEMIP.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\">\n<p lang=\"pt\">Durante d\u00e9cadas, a oferta de casas excedeu a procura, o que ajudou a expandir o parque habitacional do pa\u00eds e moderar o crescimento dos pre\u00e7os.<br \/>Nos \u00faltimos anos a situa\u00e7\u00e3o inverteu-se e atualmente a procura de casas est\u00e1 bastante acima da oferta (slide 1). O resultado \u00e9\u2026 <a href=\"https:\/\/t.co\/5xQ6FGC1P9\" rel=\"nofollow\">pic.twitter.com\/5xQ6FGC1P9<\/a><\/p>\n<p> \u2014 Alvaro Santos Pereira (@santospereira_a) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/santospereira_a\/status\/2039008243020660982?ref_src=twsrc%5Etfw\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">March 31, 2026<\/a>\n<\/p><\/blockquote>\n<p>Em toda a Uni\u00e3o Europeia, o caso portugu\u00eas apenas \u00e9 superado pela realidade na Hungria, onde, nos mesmo 10 anos, o pre\u00e7o da habita\u00e7\u00e3o disparou 290%. A mesma casa de 100 mil euros (208 mil florins h\u00fangaros) custaria agora 390 mil euros (811,5 mil florins h\u00fangaros).<\/p>\n<p>Ainda assim, estes s\u00e3o n\u00fameros que sem uma an\u00e1lise sustentada enganam, porque &#8220;estamos muito pior do que a Hungria&#8221;, alerta Vitor Reis. O conhecedor do parque habitacional nacional salienta que esta diferen\u00e7a percentual no caso h\u00fangaro est\u00e1 a ser muito exacerbada pelo facto de que, em 2015, os pre\u00e7os dos im\u00f3veis estavam muito abaixo da m\u00e9dia europeia. &#8220;Naquilo que \u00e9 o principal indicador da acessibilidade \u00e0 habita\u00e7\u00e3o,\u00a0que \u00e9 o r\u00e1cio pre\u00e7o-casas-rendimento, Portugal \u00e9 o pa\u00eds da Europa onde o afastamento \u00e9 maior&#8221;, adianta.<\/p>\n<p>A subida do pre\u00e7o das casas em Portugal suplanta largamente os acr\u00e9scimos m\u00e9dios da UE. O Eurostat destaca que, em m\u00e9dia, o pre\u00e7o das casas nos Estados-membros aumentaram 5,5% e as rendas ficaram 3,2% mais caras em compara\u00e7\u00e3o com o \u00faltimo trimestre de 2024 e subiram 0,8% e as rendas 0,6%, quando comparadas com o terceiro trimestre de 2025. Durante a \u00faltima d\u00e9cada, os pre\u00e7os das casas na UE aumentaram 64,9% e os arrendamentos 21,8%.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 o caso finland\u00eas. O Eurostat destaca que a Finl\u00e2ndia foi o \u00fanico pa\u00eds em que os pre\u00e7os das casas diminu\u00edram entre 2015 e 2025 (-3%). Os especialistas concordam que a probabilidade de um cen\u00e1rio id\u00eantico de defla\u00e7\u00e3o vir a ocorrer em Portugal \u00e9 quase nula.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/65c21b3fd34e371fc0bcc64d.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   No fim de mar\u00e7o, Lisboa atingiu um <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/m2\/cnn-tv\/mercado\/numero-da-semana-t8-ep3-precos-da-habitacao-em-lisboa-2025\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">novo recorde <\/a>em mar\u00e7o, tendo ultrapassado pela primeira vez a meta dos 5 mil euros p\u200b\u200b\u200b\u200b\u200bor m2\u200b\u200b\u200b\u200b\u200b\u00a0(Fonte: AP) <\/p>\n<p>Contudo, como lembra Paulo Caiado, esta \u00e9 um paradigma que tem dois pontos de vista, porque com o mercado de compra e venda de im\u00f3veis &#8220;n\u00e3o h\u00e1 nenhum problema, h\u00e1 sim um problema para as pessoas que n\u00e3o t\u00eam casa&#8221;. &#8220;O mercado n\u00e3o \u00e9 problema nenhum, portanto, deixem-no sossegado, est\u00e1 tudo a funcionar bem, o problema \u00e9 que, ao estar a funcionar bem,\u00a0ao estar a valorizar-se, est\u00e1 a aumentar a exclus\u00e3o habitacional&#8221;, refere, lembrando que &#8220;as casas est\u00e3o-se a valorizar, quem est\u00e1 dentro do mercado, est\u00e1 bem, quem tem um apartamento em Lisboa,\u00a0vende o apartamento e tem uma dota\u00e7\u00e3o financeira\u00a0que nunca pensou em ter na vida,\u00a0tem uma valoriza\u00e7\u00e3o das suas poupan\u00e7as\u00a0absolutamente fant\u00e1stica&#8221;. &#8220;Ser\u00e1 muito dif\u00edcil explicar a\u00a0esse agregado familiar\u00a0que \u00e9 um problema que a casa que compraram por 200 mil euros h\u00e1 10 anos agora vale 500 mil euros&#8221;.<\/p>\n<p>Vitor Reis considera que h\u00e1 um \u00faltimo fator a contribuir para este fen\u00f3meno de exclus\u00e3o habitacional: &#8220;N\u00e3o\u00a0\u00e9 poss\u00edvel omitir um milh\u00e3o de pessoas, um\u00a0aumento populacional de 10%,\u00a0uma varia\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica de 10% e n\u00e3o ter uma crise naquilo que \u00e9 a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos\u00a0e dos principais mercados, porque entra tudo em rutura&#8221;, referindo-se aos n\u00fameros da imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O\u00a0que est\u00e1 a acontecer \u00e9 que a press\u00e3o deste aumento populacional de 10%\u00a0n\u00e3o \u00e9 de gente que vem para comprar casa.\u00a0\u00c9 de gente que vem para arrendar um quarto.\u00a0Ou at\u00e9 uma cama. E, portanto, o problema \u00e9 que a press\u00e3o e o esmagamento sobre o mercado de arrendamento\u00a0faz com que muita gente esteja a ser atirada borda fora&#8221; de T1, T2 ou T3 para que os im\u00f3veis seja alugados ao quarto ou \u00e0 cama,\u00a0explica o antigo presidente do IHRU. &#8220;Isto est\u00e1 a acontecer em todo o pa\u00eds e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um fen\u00f3meno de Lisboa e do Porto&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>E afinal como se constr\u00f3i a ponte das margens em constante aumento? &#8220;N\u00e3o mais se consegue acabar a ponte, porque, \u00e0 medida que vai acrescentando e se vai percebendo que, afinal, agora s\u00f3 se precisa de mais 20 metros na ponte,\u00a0a dist\u00e2ncia entre as margens aumentou para 40&#8221;, culmina Vitor Reis, deixando ainda uma \u00faltima pergunta: &#8220;A quest\u00e3o aqui \u00e9 &#8211; tem este governo coragem para ir fazer uma reforma de liberaliza\u00e7\u00e3o do arrendamento?\u00a0N\u00e3o tem.\u00a0E est\u00e1 mais do que demonstrado que n\u00e3o tem. N\u00e3o quer e n\u00e3o mexe.&#8221;<\/p>\n<p>\t            <script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Governador do Banco de Portugal reconhece que este \u00e9 &#8220;o maior risco interno&#8221; que Portugal enfrenta. 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