{"id":33750,"date":"2025-08-17T23:23:22","date_gmt":"2025-08-17T23:23:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/33750\/"},"modified":"2025-08-17T23:23:22","modified_gmt":"2025-08-17T23:23:22","slug":"la-ha-bombardeamentos-e-sirenes-aqui-podem-descansar-e-sorrir-vir-a-portugal-e-sinonimo-de-tranquilidade-para-estas-familias-ucranianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/33750\/","title":{"rendered":"L\u00e1 h\u00e1 bombardeamentos e sirenes. Aqui podem descansar e sorrir. Vir a Portugal \u00e9 sin\u00f3nimo de tranquilidade para estas fam\u00edlias ucranianas"},"content":{"rendered":"<p>\t                V\u00eam para Portugal na esperan\u00e7a de ter uns dias de tranquilidade. Um grupo de jovens ucranianos, entre os 2 e os 16 anos, acompanhados pelas m\u00e3es chegaram a Lisboa na passada segunda-feira. Este \u00e9 um projeto que visa ajudar fam\u00edlias ucranianas e \u201cmostrar que o mundo n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o mau\u201d<\/p>\n<p>Mykhailo tinha um ano quando as tropas russas invadiram o territ\u00f3rio ucraniano. Sabe que o pai morreu a defender o pa\u00eds. Tamb\u00e9m sabe que o pa\u00eds est\u00e1 em guerra. Mas n\u00e3o percebe o que realmente se passa. N\u00e3o tem medo dos tiros, sirenes ou explos\u00f5es que assolam o pa\u00eds h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. Pensa que s\u00e3o fogo de artif\u00edcio ou trovoada nos dias de chuva.\u00a0<\/p>\n<p>Vem de um pa\u00eds em guerra, onde o caos, a desordem e o perigo se tornaram o novo normal para o <a href=\"https:\/\/www.economicsandpeace.org\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/GPI-2024-web.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">s\u00e9timo pa\u00eds mais seguro do mundo<\/a>. Foi para l\u00e1 (para c\u00e1) que Mykhailo veio com a m\u00e3e, Daria. No mesmo avi\u00e3o vieram mais fam\u00edlias ucranianas, ou melhor, mais crian\u00e7as e jovens ucranianos com as suas m\u00e3es. Os pais, soldados de guerra, perderam a vida.\u00a0<\/p>\n<p>Foi entre ramos de flores, bandeiras ucranianas e cartazes a dizer \u201c\u041b\u0410\u0421\u041a\u0410\u0412\u041e \u041f\u0420\u041e\u0421\u0418\u041c\u041e\u201d (\u201cbem-vindos\u201d, em portugu\u00eas), que foram recebidos no aeroporto de Lisboa. Assim que foram vistos, automaticamente ecoou repetidas vezes a palavra \u201cUkrayina\u201d, num coro que pretendia acolh\u00ea-los e mostrar que ali estavam seguros. Rostos cansados e pouco expressivos, ainda que algumas mulheres se tenham mostrado emocionadas com o momento.\u00a0<\/p>\n<p>Nadia tem dois filhos &#8211; Andriy de 13 e Bohdan de 10 anos &#8211; e \u00e9 a primeira vez que sai da Ucr\u00e2nia. Andriy diz que \u00e0s vezes consegue estar calmo; outras vezes, por causa dos bombardeamentos, n\u00e3o. Moram numa aldeia perto de Sumy e, numa conversa com a tradu\u00e7\u00e3o do presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadokha, Nadia diz \u00e0 CNN Portugal que a guerra mudou a sua vida. Perdeu o marido e tenta agora reorganizar e reconstruir tudo.<\/p>\n<p>Estas m\u00e3es e os 16 jovens e crian\u00e7as v\u00eam de Sumy, cidade no norte da Ucr\u00e2nia que faz fronteira com a cidade russa Kursk, e que tem sido fortemente afetada pelos ataques, nomeadamente depois da ofensiva iniciada por Kiev naquela regi\u00e3o da R\u00fassia. Chegaram a Lisboa na segunda-feira, numa viagem que come\u00e7ou dois dias antes, no s\u00e1bado \u00e0 noite. Foi na Pol\u00f3nia que apanharam o avi\u00e3o que os trouxe at\u00e9 Portugal. Passavam poucos minutos das 16:00 quando aterraram no aeroporto Humberto Delgado.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o andavam de um lado para o outro desorientados &#8211; at\u00e9 chegaram bem organizados -, mas \u00e9 a primeira vez que ali est\u00e3o. Ali\u00e1s, \u00e9 a primeira vez que visitam Portugal e para muitos \u00e9 a primeira vez que viajam para fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cDescansar um bocadinho das sirenes, dos bombardeamentos, da guerra\u201d, diz Nadia, que expressa o seu desejo para estes dias. Durante os 10 dias que v\u00e3o estar em Portugal, esperam poder descansar. Aqui, os mais novos, podem aproveitar em plenitude a vida de crian\u00e7a que l\u00e1 n\u00e3o lhes \u00e9 permitida.\u00a0<\/p>\n<p>Uma ideia que no in\u00edcio \u201cn\u00e3o era grande\u201d, mas que mais tarde, e com o apoio de outras entidades, cresceu e se tornou poss\u00edvel noutros moldes. \u201cH\u00e1 seis amigas que pensavam que iam convidar algumas fam\u00edlias para as suas casas\u201d, conta \u00e0 CNN Portugal Nat\u00e1liia Varha, presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Ucranianas em Portugal.\u00a0<\/p>\n<p>Foi numa reuni\u00e3o dessa mesma associa\u00e7\u00e3o, \u201ccriada para ajudar mulheres e crian\u00e7as ucranianas e tamb\u00e9m para ajudar a Ucr\u00e2nia a vencer esta guerra com a R\u00fassia\u201d, que surgiu a ideia de acolher em Portugal fam\u00edlias ucranianas cujos pais morreram, \u201cfam\u00edlias que pagam um pre\u00e7o muito alto\u201d com esta guerra, diz Nat\u00e1liia Varha.\u00a0<\/p>\n<p>Com a ajuda das mulheres que fazem parte desta associa\u00e7\u00e3o e de outras institui\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es, a ideia tornou-se poss\u00edvel. &#8220;N\u00f3s podemos fazer mais&#8221;, foi o que pensaram.\u00a0<\/p>\n<p>Daria j\u00e1 percorreu v\u00e1rias cidades desde o in\u00edcio do conflito. De Mariupol foi para Lviv, de Lviv para Sumy e h\u00e1 cerca de seis meses que est\u00e1 em Kiev. \u201cEu quero muito que o meu filho esteja vivo. Eu procuro uma cidade que n\u00e3o seja perigosa.\u201d Ficou vi\u00fava um m\u00eas ap\u00f3s o in\u00edcio da invas\u00e3o russa e, desde ent\u00e3o, apesar do receio que sente, quer salvar a vida do filho e procura o local mais seguro, mesmo que isso implique mudar de cidade.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAcho que j\u00e1 estou habituada ao que est\u00e1 a acontecer. Eu ou\u00e7o explos\u00f5es e reajo de forma muito contida para n\u00e3o assustar o meu filho.\u201d<\/p>\n<p>Este projeto, \u201cCrian\u00e7as dos Her\u00f3is aquecidas pelo sol e pelo amor\u201d, promete oferecer dias inesquec\u00edveis a estas m\u00e3es e crian\u00e7as. \u201cO maior objetivo \u00e9 ajudar estas crian\u00e7as para lhes mostrar que o mundo n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o mau, que h\u00e1 pa\u00edses onde n\u00e3o h\u00e1 guerra, e ajudar a esquecer estes momentos tr\u00e1gicos que vivem na Ucr\u00e2nia, e viveram, ao perder os familiares mais pr\u00f3ximos. Ajudar a que estas crian\u00e7as tenham uma juventude\u201d, afirma Pavlo Sadokha.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsperemos que consigam descansar e esquecer um bocadinho a guerra. Com esta a\u00e7\u00e3o queremos dar o exemplo para outros tamb\u00e9m o fazerem, para que as crian\u00e7as da Ucr\u00e2nia n\u00e3o sofram tanto com esta guerra, que parece que n\u00e3o t\u00eam ainda fim\u201d, acrescenta.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cPor um lado, d\u00e1 para sentir tristeza porque \u00e9 uma guerra que n\u00e3o tem fim. Por outro, \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o grande porque vamos receber crian\u00e7as e m\u00e3es de soldados falecidos e tentar proporcionar durante duas semanas paz, amor e carinho\u201c, refere Maria Jo\u00e3o Ramos, que integra a sec\u00e7\u00e3o de A\u00e7\u00e3o Social da Junta de Freguesia de Benfica, na \u00e1rea de Refugiados e Habita\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Sempre com o objetivo de \u201cfazer mais por essas fam\u00edlias\u201d, como diz Nat\u00e1liia Varha, este \u00e9 um projeto que conta com o apoio da Associa\u00e7\u00e3o de Ucranianos em Portugal, da Embaixada da Ucr\u00e2nia em Portugal, da Junta de Freguesia de Benfica e de algumas empresas, como a Arquiconsult.\u00a0<\/p>\n<p>Dias de praia e piscina, visita ao Ocean\u00e1rio de Lisboa, ao Badoca Safari Park, ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, al\u00e9m de um passeio pela vila hist\u00f3rica de \u00d3bidos, s\u00e3o algumas das atividades programadas para os dias em Portugal.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Daria sente-se profundamente grata por esta oportunidade. Nadia deseja que possam descansar. Olena e os filhos j\u00e1 tiveram de passar mais de 14 horas escondidos por causa das sirenes e para estes dias diz que quer tranquilidade, descansar e sorrir. No dia 21 deste m\u00eas regressam todos para a Ucr\u00e2nia. At\u00e9 l\u00e1, t\u00eam uns dias para aproveitar longe dos bombardeamentos, das sirenes e do caos.\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"V\u00eam para Portugal na esperan\u00e7a de ter uns dias de tranquilidade. 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