{"id":337973,"date":"2026-04-10T07:42:11","date_gmt":"2026-04-10T07:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/337973\/"},"modified":"2026-04-10T07:42:11","modified_gmt":"2026-04-10T07:42:11","slug":"trump-cometeu-um-erro-estrategico-no-estreito-de-ormuz-agora-o-irao-tem-um-as-de-trunfo-na-mao-e-esta-a-joga-lo-nestas-negociacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/337973\/","title":{"rendered":"Trump cometeu um erro estrat\u00e9gico no Estreito de Ormuz. Agora o Ir\u00e3o tem um &#8220;\u00e1s de trunfo&#8221; na m\u00e3o &#8211; e est\u00e1 a jog\u00e1-lo nestas negocia\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>\t                O Ir\u00e3o anunciou uma portagem aos navios que queiram passar no Estreito de Ormuz e quer impor um limite de 15 embarca\u00e7\u00f5es por dia. Mas esta \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o agrada a ningu\u00e9m &#8211; nem aos EUA, nem \u00e0 Europa, nem aos pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico<\/p>\n<p>O Ir\u00e3o parte para as negocia\u00e7\u00f5es de um acordo de paz com os Estados Unidos levando consigo a sua maior cartada. O controlo do Estreito de Ormuz \u00e9, na \u00f3tica do especialista em Direito Internacional Francisco Pereira Coutinho, um verdadeiro &#8220;\u00e1s de trunfo&#8221; que pode ajudar o regime a ter uma alavanca nas negocia\u00e7\u00f5es que a\u00ed v\u00eam, enquanto um fr\u00e1gil cessar-fogo se tenta aguentar.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, as \u00faltimas informa\u00e7\u00f5es apontam que o Ir\u00e3o vai permitir a passagem de um m\u00e1ximo de 15 embarca\u00e7\u00f5es por dia atrav\u00e9s do Estreito de Ormuz, informou a ag\u00eancia de not\u00edcias estatal russa TASS, citando uma fonte iraniana n\u00e3o identificada. Esta informa\u00e7\u00e3o, que ainda n\u00e3o foi confirmada por nenhum outro \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o, surgiu depois de\u00a0Hamid Hosseini, porta-voz da Uni\u00e3o dos Exportadores de Petr\u00f3leo, G\u00e1s e Produtos Petroqu\u00edmicos do Ir\u00e3o, ter declarado ao <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/02aefac4-ea62-48db-9326-c0da373b11b8?syn-25a6b1a6=1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Financial Times <\/a>que o Ir\u00e3o ia cobrar taxas de portagem &#8211; pagas em criptomoedas &#8211; a todos os petroleiros que passem pelo estreito e avaliar cada embarca\u00e7\u00e3o, podendo estar em cima da mesa um pre\u00e7o de dois milh\u00f5es de d\u00f3lares por embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O estreito n\u00e3o est\u00e1 aberto, os navios n\u00e3o est\u00e3o a passar. O Ir\u00e3o mant\u00e9m o controlo do Estreito de Ormuz. E essa \u00e9 uma mensagem importante que est\u00e1 a ser passada&#8221;, afirma Francisco Pereira Coutinho \u00e0 CNN Portugal.\u00a0&#8220;H\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria, por isso n\u00e3o sabemos bem o que \u00e9 verdade sobre o acordo. Mas at\u00e9 agora o que n\u00f3s sabemos \u00e9 que est\u00e3o a passar menos navios do que antes do cessar-fogo ter sido anunciado. \u00c9 uma arma de press\u00e3o que o Ir\u00e3o tem sobre a economia mundial e isso significa tamb\u00e9m sobre os EUA.&#8221;\u00a0<\/p>\n<p>Esta escalada da situa\u00e7\u00e3o no Estreito de Ormuz &#8220;mostra a <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/eua\/irao\/trump-subestimou-o-fecho-do-estreito-de-ormuz-como-retaliacao-do-irao\/20260313\/69b3d151d34edcee7c61d1c9\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">derrota estrat\u00e9gica de Trump<\/a>&#8220;, afirma Francisco Pereira Coutinho. Antes da interven\u00e7\u00e3o americana, &#8220;o estreito estava aberto, o Ir\u00e3o nunca tinha feito isto. E agora o Ir\u00e3o tem esta arma nas negocia\u00e7\u00f5es&#8221;. Talvez por saber isso, o presidente dos Estados Unidos vai continuando com as amea\u00e7as &#8211; a \u00faltima das quais prometeu a abertura da via, seja com a participa\u00e7\u00e3o de Teer\u00e3o ou n\u00e3o, o que soa a uma amea\u00e7a clara, at\u00e9 porque o regime dos aiatolas est\u00e1 a fazer um &#8220;pobre trabalho&#8221; nesta parte.<\/p>\n<p>Embora o cessar-fogo tenha sido <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/irao\/trump-anuncia-cessar-fogo-de-duas-semanas-com-o-irao-e-espera-chegar-a-paz-total-nesse-periodo\/20260407\/69d589c9d34edcee7c62c697\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">anunciado <\/a>no final de ter\u00e7a-feira, o dia seguinte registou o menor tr\u00e1fego de navios atrav\u00e9s do Estreito de Ormuz desde o final de mar\u00e7o, segundo dados da Kpler, empresa global de rastreamento de navios. Apenas cinco navios graneleiros transitaram pelo estreito, sem que nenhum petroleiro ou gasoduto fizesse a travessia, informou a empresa. Isto mesmo significa que um dos grandes objetivos da reabertura continua por cumprir, j\u00e1 que o petr\u00f3leo continua sem sair do Golfo P\u00e9rsico, zona que antes de 28 de fevereiro produzia um quinto dos barris di\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os armadores ocidentais n\u00e3o arriscam passar por ali enquanto n\u00e3o s\u00e3o conhecidos mais pormenores sobre se e como o estreito poder\u00e1 ser reaberto, sem que nenhuma embarca\u00e7\u00e3o estivesse atualmente a aventurar-se pela travessia, com exce\u00e7\u00e3o das ligadas ao Ir\u00e3o. \u201cO cessar-fogo pode criar oportunidades de tr\u00e2nsito, mas ainda n\u00e3o oferece total seguran\u00e7a mar\u00edtima\u201d, disse a Maersk, a segunda maior empresa de transporte mar\u00edtimo do mundo, acrescentando que continuaria a adotar uma \u201cabordagem cautelosa\u201d.<\/p>\n<p>Esta quinta-feira de manh\u00e3, o ministro da Ind\u00fastria dos Emirados \u00c1rabes Unidos, Sultan al Jaber, afirmou que havia 230 navios &#8220;carregados de petr\u00f3leo e prontos para zarpar&#8221;, mas impedidos de o fazer devido ao bloqueio do <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/irao\/israel\/o-que-e-o-estreito-de-ormuz-e-porque-e-tao-importante\/20250623\/685912cbd34ef72ee4477960\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estreito<\/a>\u00a0&#8211; uma faixa de \u00e1gua com apenas 34km de largura entre o Ir\u00e3o e Om\u00e3, proporciona a passagem do Golfo P\u00e9rsico para o Oceano \u00cdndico e \u00e9 a principal rota para cerca de um quinto do fornecimento mundial de petr\u00f3leo e outros bens vitais, incluindo fertilizantes.<\/p>\n<p>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"436\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1775806931_176_600.webp\" width=\"600\"\/><br \/>\n   <strong>O Estreito de Ormuz<\/strong>\u00a0 <\/p>\n<p>O Ir\u00e3o praticamente fechou o porto desde o in\u00edcio do conflito, no final de fevereiro, o que levou a uma redu\u00e7\u00e3o da oferta e a um aumento dos pre\u00e7os globais do petr\u00f3leo. Al Jaber exigiu que todas as embarca\u00e7\u00f5es tenham liberdade de navegar pelo corredor sem restri\u00e7\u00f5es, porque &#8220;nenhum pa\u00eds tem direito leg\u00edtimo a determinar quem pode passar e sob que condi\u00e7\u00f5es&#8221;. Exigiu ainda que os produtores de energia &#8220;possam restabelecer a produ\u00e7\u00e3o em larga escala de forma r\u00e1pida e segura&#8221;.<\/p>\n<p>O tr\u00e2nsito no Estreito de Ormuz \u00e9 uma das quest\u00f5es mais dif\u00edceis que os negociadores dos EUA e do Ir\u00e3o enfrentam na sua tentativa de transformar um <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/cessar-fogo\/de-um-lado-10-pontos-e-do-outro-15-as-exigencias-de-eua-e-irao-e-o-ponto-de-situacao-do-cessar-fogo\/20260408\/69d6689ad34edcee7c62ccd7\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">cessar-fogo<\/a> tempor\u00e1rio numa paz duradoura.\u00a0O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na noite de ter\u00e7a-feira que o cessar-fogo estava condicionado \u00e0 \u201cabertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz pela Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3o\u201d. Por outro lado, um comunicado do Conselho Supremo de Seguran\u00e7a Nacional do Ir\u00e3o enumerou <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/irao\/estes-sao-os-10-pontos-que-servem-de-base-para-o-cessar-fogo-no-medio-oriente\/20260408\/69d595c5d34edcee7c62c6bf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">10 pontos <\/a>que constituem a base para as negocia\u00e7\u00f5es com os EUA, incluindo um novo \u201cprotocolo para a passagem segura\u201d pelo estreito, em coordena\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as armadas iranianas.<\/p>\n<p>Quinze navios por dia \u00e9 &#8220;uma gota no oceano&#8221; <\/p>\n<p>Quinze navios por dia \u00e9 \u201cuma gota no oceano\u201d, afirma Ant\u00f3nio Costa Silva, um dos melhores especialistas de petr\u00f3leo em Portugal. Antes da guerra passavam 91 navios, o que representa 20 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo. Os \u201c5 ou 6 milh\u00f5es de barris\u201d que v\u00e3o ser transportados nestes 15 navios \u201cn\u00e3o resolvem a situa\u00e7\u00e3o, o efeito no mercado ser\u00e1 muito limitado\u201d, antev\u00ea o tamb\u00e9m antigo ministro da Economia \u00e0 CNN Portugal. \u201cContinuamos a ter um grande d\u00e9fice e, se isto se confirmar, vamos viver durante muito tempo <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/medio-oriente\/o-irao-fez-a-economia-mundial-refem-e-os-eua-acabam-de-lhe-dar-razao\/20260408\/69d6a365d34edcee7c62d036\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">debaixo desta asfixia<\/a>.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNesta altura h\u00e1 uma grande apreens\u00e3o sobre a solidez do acordo de paz, que essencialmente sofre de <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/irao\/cessar-fogo-em-risco-ha-dois-irritantes-dificeis-de-ultrapassar-entre-eua-e-irao-que-continuam-a-dizer-coisas-diferentes\/20260408\/69d699fdd34edcee7c62cfdb\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">dois escolhos<\/a>\u201d, diz Ant\u00f3nio Costa Silva. \u201cPor um lado o L\u00edbano, perceber se faz ou n\u00e3o parte do acordo, Israel n\u00e3o quer que fa\u00e7a, a \u00fanica coisa que Israel quer \u00e9 que n\u00e3o haja acordo, e isso d\u00e1 uma grande imprevisibilidade aos mercados; o outro \u00e9 o estreito de Ormuz, a proibi\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o total do Direito Internacional, concretamente da conven\u00e7\u00e3o da ONU sobre o Direito do Mar, segundo o qual as passagens naturais devem estar livremente abertas \u00e0 navega\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 a subvers\u00e3o total das regras.\u201d Sendo assim, perante todas as incertezas que existem sobre o futuro na regi\u00e3o, prev\u00ea-se que os pre\u00e7os do crude e dos produtos refinados continuem a \u201caumentar bastante\u201d, como aconteceu j\u00e1 na quinta-feira.\u00a0<\/p>\n<p>Cerca das 13:00 de quinta-feira em Lisboa, o pre\u00e7o do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em junho, subiu 3,09 d\u00f3lares. Apesar disso, a previs\u00e3o para a pr\u00f3xima segunda-feira aponta para uma <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/videos\/gasoleo-gasolina-proxima-semana-traz-algum-alivio-a-carteira-dos-automobilistas\/69d7dde00cf27f6588a68a5d\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">descida no pre\u00e7o dos combust\u00edveis<\/a>, ainda que os valores se mantenham bem acima dos registados antes da guerra.<\/p>\n<p>V\u00e1rios operadores do setor disseram ao Financial Times acreditar que a situa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos dias se assemelhar\u00e1 ao que se passou nas \u00faltimas semanas, com um pequeno n\u00famero de navios autorizados pelo Ir\u00e3o a ter permiss\u00e3o para passar por uma rota espec\u00edfica, at\u00e9 porque a Guarda Revolucion\u00e1ria Isl\u00e2mica j\u00e1 admitiu que existe o risco de alguns locais terem minas mar\u00edtimas. Esta autoriza\u00e7\u00e3o tem estado grandemente restrita \u00e0s embarca\u00e7\u00f5es que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es com o Ir\u00e3o e que n\u00e3o t\u00eam qualquer liga\u00e7\u00e3o com os EUA, Israel ou os pa\u00edses do Golfo que serviram de base aos ataques.<\/p>\n<p>Quem vai aceitar pagar para passar no Estreito de Ormuz? <\/p>\n<p>Na quarta-feira surgiu a informa\u00e7\u00e3o de que o Ir\u00e3o estava a <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/estreito-de-ormuz\/portagens\/comissao-parlamentar-iraniana-aprova-portagens-no-estreito-de-ormuz\/20260330\/69caf02ad34e28842c825bf3\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">cobrar <\/a>cerca de dois milh\u00f5es de d\u00f3lares em criptomoedas aos navios que quisessem passar o Estreito.\u00a0\u201cO Ir\u00e3o precisa de monitorizar o que entra e sai do estreito para garantir que estas duas semanas n\u00e3o s\u00e3o utilizadas para a transfer\u00eancia de armas\u201d, justificou Hamid Hosseini, porta-voz da Uni\u00e3o dos Exportadores de Petr\u00f3leo, G\u00e1s e Produtos Petroqu\u00edmicos do Ir\u00e3o, associa\u00e7\u00e3o que trabalha em estreita colabora\u00e7\u00e3o com o governo, citado pelo Financial Times. \u201cTudo pode passar, mas o procedimento levar\u00e1 tempo para cada navio, e o Ir\u00e3o n\u00e3o tem pressa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Hosseini afirmou que qualquer petroleiro que passasse pelo estreito deveria enviar um e-mail \u00e0s autoridades a informar sobre a sua carga. Ap\u00f3s o envio, o Ir\u00e3o informaria o valor da taxa a pagar em criptomoedas, explicando que a tarifa \u00e9 de um d\u00f3lar por barril de petr\u00f3leo, acrescentando que os petroleiros vazios podem passar livremente. Os petroleiros no Golfo P\u00e9rsico receberam, na quarta-feira, uma emiss\u00e3o de r\u00e1dio a alertar que seriam alvos de ataques militares, a n\u00e3o ser que obtivessem aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via das autoridades iranianas. \u201cSe alguma embarca\u00e7\u00e3o tentar transitar sem permiss\u00e3o, ser\u00e1 destru\u00edda\u201d, dizia a transmiss\u00e3o, em ingl\u00eas, segundo uma grava\u00e7\u00e3o partilhada com o Financial Times.<\/p>\n<p>As decis\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es de passagem pelo estreito s\u00e3o tomadas pelo Conselho Supremo de Seguran\u00e7a Nacional do Ir\u00e3o. As declara\u00e7\u00f5es de Hosseini sugerem que o Ir\u00e3o exigir\u00e1 que todos os petroleiros utilizem a rota norte, junto \u00e0 sua costa, o que levanta d\u00favidas sobre se as embarca\u00e7\u00f5es ligadas a pa\u00edses ocidentais ou do Golfo estar\u00e3o dispostas a arriscar a travessia.<\/p>\n<p>Permitir que o Ir\u00e3o continue a controlar esta importante via naveg\u00e1vel ser\u00e1 provavelmente algo inaceit\u00e1vel para os pa\u00edses do Golfo, incluindo a Ar\u00e1bia Saudita, o Catar e os Emirados \u00c1rabes Unidos. Isto tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es para a OPEP+, o grupo de produtores de petr\u00f3leo, com os analistas a avisarem que a entrega do controlo do Estreito de Ormuz ao Ir\u00e3o pode alterar fundamentalmente o equil\u00edbrio de poder dentro da organiza\u00e7\u00e3o, dando a Teer\u00e3o um potencial poder de veto sobre as exporta\u00e7\u00f5es de membros concorrentes ou rivais.<\/p>\n<p>Entretanto, e para complicar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, &#8220;Donald Trump sugeriu, meio a brincar, a possibilidade de criar uma esp\u00e9cie de joint venture entre v\u00e1rios pa\u00edses para explorar o Estreito de Ormuz, transformando-o numa oportunidade de neg\u00f3cios&#8221;, lembra Francisco Pereira Coutinho. Embora n\u00e3o se possa confiar completamente nas palavras de Trump, h\u00e1 que sublinhar que esta proposta \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o do Direito Internacional. &#8220;Historicamente, os EUA sempre se interessaram em manter os estreitos abertos. Foi isso que aconteceu durante a guerra entre o Ir\u00e3o e o Iraque. Por isso, este tipo de declara\u00e7\u00f5es causa alguma preocupa\u00e7\u00e3o. Os\u00a0pa\u00edses do Golfo obviamente n\u00e3o podem aceitar uma coisa destas, \u00e9 uma forma de extrair dinheiro a estes pa\u00edses, eles precisam do estreito para continuar as suas <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/guerra\/irao\/o-estreito-de-ormuz-e-mais-do-que-apenas-petroleo-alimenta-100-milhoes-de-pessoas\/20260321\/69bed25cd34edcee7c62256a\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">atividades econ\u00f3micas<\/a>&#8220;, afirma o especialista em rela\u00e7\u00f5es internacionais.\u00a0&#8220;Mesmo que os EUA se desinteressem do estreito, os pa\u00edses da regi\u00e3o v\u00e3o recorrer \u00e0 for\u00e7a para garantir a sua reabertura.&#8221;<\/p>\n<p>Impor uma taxa aos navios que navegam pelo crucial Estreito de Ormuz &#8220;criaria um precedente perigoso&#8221; e os pa\u00edses n\u00e3o devem impedir a liberdade de navega\u00e7\u00e3o, disse a ag\u00eancia mar\u00edtima da ONU na quinta-feira.\u00a0&#8220;N\u00e3o existe nenhum acordo internacional que permita a introdu\u00e7\u00e3o de taxas para a travessia de estreitos internacionais. Qualquer taxa deste tipo criar\u00e1 um precedente perigoso&#8221;, disse um porta-voz da Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (OMI) da ONU, citado pela Reuters.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Como \u00e9 que isto se resolve? O Ir\u00e3o vai trocar este controlo sobre estreito pelo qu\u00ea?\u00a0Pelo levantamento de san\u00e7\u00f5es?&#8221;, pergunta Francisco Pereira Coutinho. A resposta a estas quest\u00f5es ainda n\u00e3o \u00e9 clara, diz, recordando que o estreito n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 \u00e1guas territoriais do Ir\u00e3o, s\u00e3o tamb\u00e9m de Om\u00e3.<\/p>\n<p>Abrir o estreito pela for\u00e7a \u00e9 &#8220;uma opera\u00e7\u00e3o praticamente imposs\u00edvel&#8221; <\/p>\n<p>A outra solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, na qual Trump continua a insistir, \u00e9 realizar uma opera\u00e7\u00e3o militar com o \u00fanico objetivo de abrir o Estreito de Ormuz.\u00a0\u201cSob o ponto de vista militar, essa \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o muito complicada\u201d, considera o tenente-general Marco Serronha. \u201cAl\u00e9m disso tenho s\u00e9rias d\u00favidas que uma opera\u00e7\u00e3o militar que tenha algum grau de efic\u00e1cia no que toca ao objetivo de abrir o estreito \u00e0 navega\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel controlar totalmente o estreito, n\u00e3o basta controlar as margens para dizer que a passagem \u00e9 segura. Podem deixar passar os navios e escoltar os petroleiros, mas a qualquer momento <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/israel\/guerra\/minas-misseis-e-quilometros-de-costa-e-isto-que-da-a-vantagem-ao-irao-no-estreito-de-ormuz\/20260327\/69c644d9d34e28842c823c0b\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">o Ir\u00e3o pode lan\u00e7ar um m\u00edssil ou pode haver minas<\/a>\u201d, sublinha o especialista militar \u00e0 CNN Portugal.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo poss\u00edvel garantir a seguran\u00e7a do estreito, &#8220;as companhias de navega\u00e7\u00e3o internacionais n\u00e3o arriscam passar. Ali\u00e1s, nem s\u00e3o as companhias, s\u00e3o as seguradoras&#8221;, diz Marco Serronha. \u201cPortanto, tenho muitas d\u00favidas sobre a efic\u00e1cia de uma interven\u00e7\u00e3o desse g\u00e9nero e os EUA sabem isso, Trump pode dizer o que quiser, mas os seus chefes militares sabem isso. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o praticamente imposs\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>\u201cUma solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e mais imediata seria os EUA conquistarem a ilha de Kharg e usarem isso como moeda de troca\u201d, sugere Marco Serronha. \u201cSem a ilha, o Ir\u00e3o n\u00e3o consegue escoar o petr\u00f3leo e o g\u00e1s e seria obrigado a negociar com os EUA.\u201d<\/p>\n<p>Na quinta-feira, o secret\u00e1rio-geral da NATO, Mark Rute, afirmou que a NATO estar\u00e1 disposta a desempenhar um papel numa poss\u00edvel miss\u00e3o no Estreito de Ormuz, caso tenha condi\u00e7\u00f5es para tal.\u00a0&#8220;Se a NATO puder ajudar, obviamente n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para n\u00e3o ajudar&#8221;, disse Rutte numa confer\u00eancia em Washington. &#8220;No que diz respeito ao Estreito de Ormuz, o que estamos a ver sob a lideran\u00e7a de Keir Starmer e destes 34 pa\u00edses a trabalhar em estreita colabora\u00e7\u00e3o com os EUA \u00e9, naturalmente, um compromisso partilhado, um acordo de que n\u00e3o podemos aceitar que este com\u00e9rcio seja fechado. Precisa de ser aberto. E quando for aberto, precisamos de o manter aberto&#8221;, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Ir\u00e3o anunciou uma portagem aos navios que queiram passar no Estreito de Ormuz e quer impor um&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":337974,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,607,608,855,333,832,604,135,610,476,52306,413,15,16,301,830,14,5453,259,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,6153,52,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-337973","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-combustiveis","16":"tag-comentadores","17":"tag-costa","18":"tag-crime","19":"tag-desporto","20":"tag-direto","21":"tag-economia","22":"tag-estreito-de-ormuz","23":"tag-eua","24":"tag-featured-news","25":"tag-featurednews","26":"tag-governo","27":"tag-guerra","28":"tag-headlines","29":"tag-irao","30":"tag-israel","31":"tag-justica","32":"tag-latest-news","33":"tag-latestnews","34":"tag-live","35":"tag-main-news","36":"tag-mainnews","37":"tag-mais-vistas","38":"tag-marcelo","39":"tag-mundo","40":"tag-negocios","41":"tag-news","42":"tag-noticias","43":"tag-noticias-principais","44":"tag-noticiasprincipais","45":"tag-opiniao","46":"tag-pais","47":"tag-petroleo","48":"tag-politica","49":"tag-portugal","50":"tag-principais-noticias","51":"tag-principaisnoticias","52":"tag-top-stories","53":"tag-topstories","54":"tag-ultimas","55":"tag-ultimas-noticias","56":"tag-ultimasnoticias","57":"tag-world","58":"tag-world-news","59":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=337973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337973\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/337974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=337973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=337973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=337973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}