{"id":338629,"date":"2026-04-10T19:19:13","date_gmt":"2026-04-10T19:19:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/338629\/"},"modified":"2026-04-10T19:19:13","modified_gmt":"2026-04-10T19:19:13","slug":"conflito-raro-dura-ha-mais-de-10-anos-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/338629\/","title":{"rendered":"conflito raro dura h\u00e1 mais de 10 anos \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Os chimpanz\u00e9s Ngogo, o maior grupo conhecido de chimpanz\u00e9s selvagens do mundo, parecem estar presos no que pode ser\u00a0 a primeira \u2018guerra civil\u2019 alguma vez observada no mundo primata. E tem tanto de rara, como de violenta. J\u00e1 dura h\u00e1 dez anos e a descoberta foi documentada por v\u00e1rios acad\u00e9micos num novo estudo publicado esta quinta-feira na revista <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/epdf\/10.1126\/science.adz4944\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Science.<\/a><\/p>\n<p>Em 1995, cientistas come\u00e7aram a acompanhar o grupo de chimpanz\u00e9s Ngogo que vive no Parque Nacional Kibale, no Uganda. Na altura a sua popula\u00e7\u00e3o era de cerca de 100 num territ\u00f3rio de aproximadamente 26 quil\u00f3metros quadrados, o que, segundo os especialistas, representava uma densidade populacional impressionante \u2013 \u201cEles estavam por todo o lado\u201d, diz John Mitani, primat\u00f3logo da Universidade de Michigan e um dos fundadores do Ngogo Chimpanzee Project, no <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2026\/04\/09\/science\/chimpanzees-war-ngogo-uganda.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">New York Times.<\/a><\/p>\n<p>O grupo continuou a crescer ao longo dos anos, sendo agora de cerca de 200 primatas. At\u00e9 2015, e como \u00e9 costume nas rela\u00e7\u00f5es intragrupais destes animais, os <strong>chimpanz\u00e9s viviam harmoniosamente, sem conflitos significativos<\/strong>, \u201cagiam como um s\u00f3\u201d, observa Mitani.<\/p>\n<p>Embora j\u00e1 houvesse uma organiza\u00e7\u00e3o por comunidades \u2013 que os cientistas denominaram de clusters Ocidental, Central e Oriental \u2013 e cada chimpanz\u00e9 tivesse uma afinidade mais pr\u00f3xima com cada um destes grupos, a verdade \u00e9 que machos e f\u00eameas dos diferentes clusters acasalavam. Os machos de todos os aglomerados patrulhavam as fronteiras do territ\u00f3rio e ca\u00e7avam juntos e chegaram mesmo a lutar contra um grupo vizinho de chimpanz\u00e9s, expulsando-os e expandindo a \u00e1rea \u2018sob dom\u00ednio\u2019 dos Ngogo.<\/p>\n<p>Mas <strong>em junho de 2015, os \u2018primeiros alarmes\u2019 soaram<\/strong>: Mitani e Aaron Sandel, primat\u00f3logo da Universidade do Texas e coordenador do estudo, estavam a seguir machos do cluster Central quando estes se encontraram com outro grupo do cluster Ocidental. \u201cDe repente\u201d uma luta come\u00e7ou, \u201cfoi um caos total\u201d, recordou Mitani. Os chimpanz\u00e9s ocidentais acabaram por fugir, com os chimpanz\u00e9s centrais em persegui\u00e7\u00e3o atr\u00e1s deles. Em retrospetiva esse momento foi o primeiro sinal do que se tornou um longo e sangrento conflito entre o grupo outrora unido, reflete Sandel, citado no <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2026\/apr\/09\/civil-war-chimpanzee-group-closer-to-human-condition-aoe\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Guardian.<\/a><\/p>\n<p>Inicialmente, pensaram tratar-se de uma situa\u00e7\u00e3o pontual. Por\u00e9m, os confrontos foram-se tornando regulares e a viol\u00eancia passou a ser sist\u00e9mica, t\u00e3o comum que os chimpanz\u00e9s jovens manifestavam sinais de nervosismo s\u00f3 de ouvir os sons dos machos adultos ao longe. Em 2018, os confrontos tornaram-se mortais.<\/p>\n<p>Os investigadores descobriram que os <strong>primeiros ind\u00edcios de tens\u00f5es surgiram em 2014, quando, cinco machos adultos morreram<\/strong>. Segundo Sandel \u201cestas mortes abruptas provavelmente enfraqueceram as rela\u00e7\u00f5es entre os clusters\u201d e alteraram a estrutura social e hier\u00e1rquica do grupo que o mantinha coeso e unido. \u201cDepois houve tamb\u00e9m um <strong>surto de doen\u00e7as em 2017 que possivelmente tornou a separa\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel<\/strong>\u00a0ou acelerou-a um pouco\u201d, cita o The Guardian.<\/p>\n<p>Em 2018, a separa\u00e7\u00e3o consolidou-se \u2013 os chimpanz\u00e9s ocidentais de um lado e os chimpanz\u00e9s centrais (aos quais se \u2018aliaram\u2019 os orientais) do outro: n\u00e3o interagiam, n\u00e3o acasalavam entre si e ocupavam partes totalmente diferentes da floresta.<\/p>\n<p>Com os dois grupos rigidamente estabelecidos, membros do grupo ocidental realizaram 24 ataques ao grupo central ao longo dos sete anos seguintes, <strong>matando pelo menos 17 primatas beb\u00e9s e sete adultos<\/strong> desta fa\u00e7\u00e3o, muito embora esta fosse, no in\u00edcio, numericamente superior.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros ultrapassam largamente tudo o que j\u00e1 se observou anteriormente entre chimpanz\u00e9s, sublinham os especialistas. Para al\u00e9m de que, em consequ\u00eancia dos sucessivos ataques, \u201cos chimpanz\u00e9s centrais t\u00eam agora a menor taxa de sobreviv\u00eancia alguma vez documentada numa comunidade selvagem de chimpanz\u00e9s\u201d, lembra Brian Wood, antrop\u00f3logo evolutivo da Universidade da Calif\u00f3rnia, no The Guardian.<\/p>\n<p>Com base em evid\u00eancias gen\u00e9ticas, estas \u201cguerras civis\u201d entre chimpanz\u00e9s provavelmente s\u00f3 ocorrem a cada 500 anos, mas a atividade humana, atrav\u00e9s da desfloresta\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, por exemplo, pode tornar estes conflitos mais comuns, alertou Sandel.<\/p>\n<p>Apenas uma vez antes se tinha observado algo semelhante. Nos anos 70 do s\u00e9culo passado, a renomada primat\u00f3loga Jane Goodall\u00a0documentou confrontos entre cerca de duas dezenas de chimpanz\u00e9s do mesmo grupo, na Tanz\u00e2nia. Mas como nos anos subsequentes n\u00e3o se registaram outros conflitos do g\u00e9nero, classificou-se a situa\u00e7\u00e3o como um acaso.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"o7kPvNqq6T\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2024\/07\/12\/situacao-dos-chimpazes-em-africa-e-hoje-pior-do-que-ha-60-anos-declara-jane-goodall\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Situa\u00e7\u00e3o dos chimpanz\u00e9s em \u00c1frica \u00e9 hoje pior do que h\u00e1 60 anos, declara Jane Goodall<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>*editado por Filomena Martins<\/p>\n<p><strong>[As testemunhas, os relat\u00f3rios, as fotos e os v\u00eddeos que desvendam como Renato Seabra matou Carlos Castro em Nova Iorque. <a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro\/episodio-1-onde-esta-o-assassino-do-quarto-3416\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cOs ficheiros do caso Carlos Castro\u201d<\/a>, o novo Podcast Plus do Observador, conta\u00a0os bastidores nunca revelados da investiga\u00e7\u00e3o a um crime brutal. Uma s\u00e9rie em seis epis\u00f3dios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de J\u00falio Resende. Pode ouvir o\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro\/episodio-1-onde-esta-o-assassino-do-quarto-3416\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">primeiro epis\u00f3dio<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aqui, no site do Observador<\/a>, e tamb\u00e9m na\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasts.apple.com\/pt\/podcast\/epis%C3%B3dio-1-onde-est%C3%A1-o-assassino-do-quarto-3416\/id1889212549?i=1000759912137\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Apple Podcasts<\/a>, no\u00a0<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/13YQ42NGWg27eTQVj66xmt?si=80d7e6d909d0427e\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Spotify<\/a>\u00a0e no\u00a0<a href=\"https:\/\/music.youtube.com\/watch?v=ZylHGMh2Bu0&amp;si=8Q-dtfw27poa997J\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Youtube Music<\/a>]<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/programas\/os-ficheiros-do-caso-carlos-castro\/episodio-1-onde-esta-o-assassino-do-quarto-3416\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/1775830943_268_ficheiros-ccc-1920x1080-play.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" width=\"1440\" height=\"810\"\/><br \/>\n    Miguel Feraso Cabral<\/p>\n<p><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os chimpanz\u00e9s Ngogo, o maior grupo conhecido de chimpanz\u00e9s selvagens do mundo, parecem estar presos no que pode&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":338630,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[964,1353,27,28,442,14199,15,16,14,25,26,21,22,62,1009,12,13,19,20,23,24,17,18,1064,29,30,31,10573,63,64,65],"class_list":{"0":"post-338629","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-ambiente","9":"tag-animais","10":"tag-breaking-news","11":"tag-breakingnews","12":"tag-ciu00eancia","13":"tag-estudo-cientu00edfico","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-mundo","22":"tag-natureza","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-u00c1frica","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias","35":"tag-vida-selvagem","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116382031515807266","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=338629"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/338629\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/338630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=338629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=338629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=338629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}